13 de agosto de 2025

Convide Deus para participar da sua família

Existem situações que fogem do nosso controle, e devemos ter a humildade de reconhecer que não somos suficientemente fortes para contorná-las sozinhos. Necessitamos da ajuda de pessoas que estão ao nosso lado, sobretudo de Deus. No fundo, vemos que a maioria dos conflitos presentes na sociedade acaba tendo quase uma única causa: a desestrutura da família.

Em nossos dias, vemos um bombardeio de experiências negativas, que influem no relacionamento familiar, dando a entender que a instituição familiar, a fidelidade, o companheirismo e a educação são coisas do passado, que não têm mais sentido neste terceiro milênio. Porém, o amor, a entrega, os sonhos de um casal apaixonado são os mesmos de 50 anos atrás, pois cada casal que se apresenta diante do altar, buscando o Sacramento do Matrimônio ao menos naquele instante, nutre, em seu coração, um forte desejo de constituir uma família duradoura "até que a morte os separe".

Créditos: Imagem gerada por Inteligência Artificial / Chat GPT.

Talvez, o fato de esses objetivos não perdurarem, é porque, hoje, a sociedade já não mais valoriza a renúncia, a entrega. E assim, uma forte barreira vai se firmando entre os cônjuges, então, acontece um esfriamento e não o desaparecimento do amor. Na verdade, o amor nunca se acaba. Pode acontecer que ele fique ofuscado pelas dificuldades, daí, a necessidade de se fazer purificações. O sol nunca deixa de existir, mesmo em dias nublados. O amor, mesmo em tempos de dificuldades, existe, mas é preciso saber reconhecê-lo, isto é, saber afastar as dificuldades por meio do diálogo e do perdão, para que ele seja manifesto novamente.

Amor e respeito pela família

Talvez, um dos caminhos para retomarmos o amor e o respeito nas famílias seja a recuperação da figura dos pais. É triste quando encontramos famílias que entregam a educação de seus filhos às domésticas ou babás. Não que estas não sejam qualificadas para darem a educação correta, mas porque os pais acabam se tornando um ser desconhecido para seus filhos. E os mesmos não conseguem assimilar uma formação adequada, pois a empregada, hoje, está com eles, mas amanhã poderá ser substituída. Assim, a criança vai crescendo com este paradigma: "Se esta não responde mais com algumas necessidades, faço a substituição".

Assim, o sentido de renúncia e de superação de alguns limites é descurado, pois não há uma exigência para vencer as dificuldades, mas simplesmente as substituir. Desse modo, se nos enveredarmos por esse caminho, poderemos perceber que alguns matrimônios não perduram, pois esse espírito de substituição se tornou tão "normal", que é mais fácil eu deixar de viver com meu esposo, minha esposa, do que aprender a conviver com as suas limitações.

Talvez, haja a necessidade de que cada cristão repense o seu modo de conceber o Sacramento do Matrimônio e a estrutura familiar. É triste perceber que, em grande parte dos matrimônios realizados em nossas paróquias, o essencial não é a bênção de Deus, pois se supervaloriza a roupa, a maquiagem, o traje, mas pouca importância tem a Palavra de Deus anunciada.


O nascimento da família

A ostentação, em determinadas celebrações de matrimônio, demonstra que Deus não foi convidado para o momento essencial do nascimento da família. Atrasos abusivos pretendem encher de glamour o evento, mas o que faz é apenas ressaltar o descaso com o Sacramento que se diz querer receber. Portanto, para muitos, a família já surge enferma, pois o essencial não foi ressaltado. Posso testemunhar que, em determinadas celebrações, o mais importante era fazer poses para fotos do que a própria Palavra de Deus.

Ao lado de tanta ostentação, no entanto, é possível encontrar um ou outro casal que esteja, verdadeiramente, preocupado em receber a bênção de Deus, e procura fazer de seu matrimônio um momento privilegiado de encontro com Ele. Estes que assim procedem podem ter a firme esperança de que sempre estarão vivendo sob o olhar de Deus e, mesmo passando por dificuldades na vida matrimonial, encontrarão forças n'Ele para superá-las. Porém, aqueles que colocam, em primeiro lugar, o glamour da celebração, não terão forças para superar as dificuldades; não porque Deus os abandonará, mas porque não saberão os reconhecer.

Padre Reginaldo Lima 


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/familia/pais-e-filhos/convide-deus-para-participar-da-sua-familia/

12 de agosto de 2025

Juventude e radicalidade

Missão jovem

Radicalidade significa ir até a raiz de algo (do latim radix, que significa raiz). No contexto cristão e vocacional, ser radical não é ser extremo ou intolerante, mas sim viver com coerência total aquilo em que se acredita. Quando, em Mt 16,24, Jesus faz a proposta: "Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo", Ele diz de um seguimento acompanhado de uma renúncia, de um preço. Seguir a Cristo precisa nos custar algo, pois aquilo que vem fácil vai fácil.

Crédito: piola666/ Getty Images

Na geração presente em que vivemos, o jovem precisa viver um despertar radical de propósitos em Deus, precisa ser confrontado pela verdade de Cristo a ponto de se indagar e se deixar perpassar por ela.

Deus realiza grandes revoluções

É próprio do jovem ser um inconformado, muitas vezes com o mundo, com suas realidades sociais, estruturais, culturais. Ele traz em si um potencial de mudança e revolução muito forte, não é atoa que um dia foi dito pelo Monsenhor Jonas Abib, "comece com os jovens, que é mais fácil", não fácil pelo fato do jovem ser bobo, mais sim por abraçar as propostas com radicalidade e firmeza. Quando o desejo de mudança se aloja no coração de um jovem, um ideal é estabelecido, pois um ideal fora de Deus pode culminar em grandes revoltas, mas, quando vividos, Deus realiza grandes revoluções. 

No ímpeto santo de sua juventude, o coração do jovem não se contenta com meias respostas, meias ideias ou meias verdades; para ele, a vida e suas propostas precisam fazer sentido. Nunca será "não pecar por não pecar", sempre precisará de um ideal maior, um ideal tão grande que o leve a dar a vida por isso, como já nos dizia Bento XVI: "O presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho."(SPE SALVI,1)

Ou Santos ou Nada!

Na ocasião em que nosso pai fundador, Monsenhor Jonas Abib, proclamou "Ou Santos ou Nada!", ele mal poderia imaginar o sentido profundo que isso causaria nas gerações futuras, em um tempo onde tudo é subjetivo, onde as propostas de vida até mesmo em Deus trazem por muitos um viés secularizado, o Santos ou Nada, deixa de ser um uma frase de efeito e se torna um estilo de vida.


Diante de um mundo que abraça um estilo de vida semelhante ao nada, sem expectativas de transcender o agora, sem um olhar voltado para o Eterno, como disse São Paulo aos Efésios, "sem Deus e sem esperança" (Ef 2,12), só uma proposta radical acompanhada de uma renovação de mentalidade pode levar o jovem a ter a santidade como uma meta de vida, não uma meta subjetiva ou ilusória, mas uma meta que já começa a se construir no agora, com passos curtos, mas concretos.

Por fim, aquilo que era um desafio se torna um estilo de vida, que, uma vez impregnado e assumido, levará esse mesmo jovem a repetir as palavras ditas por São Pedro: "A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna" (Jo, 6,68).

 

Carlos Henrique (Rick)
Membro do Núcleo da Comunidade Canção Nova – Atua no Núcleo Jovem da Canção Nova e é Apresentador na TVCN do Programa Revolução Jesus.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/juventude-e-radicalidade/

11 de agosto de 2025

O matrimônio como expressão da doação de Cristo na cruz

Christianus alter Christus! Essa antiga expressão da Igreja significa que o "cristão é outro Cristo". Esse mistério de configuração se dá por uma especial participação na vida de Jesus de que o sacramento do batismo nos confere. O Catecismo da Igreja Católica elucida isso quando ensina que "a graça é uma participação na vida de Deus, introduz-nos na intimidade da vida trinitária: pelo Batismo, o cristão participa na graça de Cristo, cabeça do seu corpo" (n. 1997). Ainda no Catecismo, percebe-se a profundidade e a beleza desse mistério de participação do Ser de Cristo quando se lê:  "Tudo o que Cristo viveu, Ele próprio faz com que o possamos viver n'Ele e Ele vivê-lo em nós. Pela sua Encarnação, o Filho de Deus uniu-Se, de certo modo, a cada homem. Nós somos chamados a ser um só com Ele; Ele faz-nos comungar, enquanto membros do seu corpo, em tudo o que Ele próprio viveu na sua carne por nós, e como nosso modelo" (n. 521).
O caminho de santidade no matrimônio

Créditos: nortonrsx by GettyImages / cancaonova.com

O matrimônio e a participação na vida de Deus

Ora, um grande fruto dessa participação na vida de Deus é a reprodução ou expressão de seu mistério no mundo. Em outras palavras, isso significa que, quando estamos imersos no mistério de Deus, nos tornamos sinal e expressão desse mistério no mundo. Por isso o Papa Francisco exclamou: "Oxalá consigas identificar a palavra, a mensagem de Jesus que Deus quer dizer ao mundo com a tua vida" (Gaudete et exsultate, n.24).

Sendo assim, pensemos qual é a Palavra e o mistério da vida de Jesus que aqueles que vivem a vocação ao matrimônio são chamados a reproduzir. São João Paulo II, na exortação apostólica Familiaris Consorti, nos ajuda a intuir esse mistério quando diz: "Os esposos são, portanto, para a Igreja o chamamento permanente daquilo que aconteceu sobre a Cruz […].  Deste acontecimento de salvação, o matrimônio, como cada sacramento, é memorial, atualização e profecia" (n. 13).

Dessa forma, o matrimônio, marcado pela definitiva e constante entrega dos esposos, é sinal daquela entrega que Jesus faz de Si pela e para a Igreja. Por isso o Apóstolo Paulo dá uma medida específica do amor matrimonial quando ordena: "Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela" (Ef 5,25).


O matrimônio traduzido em atitudes concretas

Portanto, enquanto sinal da entrega de Jesus, o matrimônio pressupõe uma forma peculiar de participação em sua Páscoa. Isso deve se traduzir em atitudes concretas que, por si só, serão sinal eloquente da entrega de amor que Jesus ofertou à humanidade.

Por fim, vale lembrar de algumas dessas atitudes com as palavras do teólogo Walter Kasper: "Quando se contempla o amor matrimonial sob o signo pascal da cruz, aí então se começa a viver da doação, do perdão, a partir de inícios constantemente renovados… E assim como Cristo ama sua Igreja, embora como Igreja de pecadores, e como tal a purifica e santifica, da mesma maneira os cônjuges deverão aceitar-se mutuamente em todos os conflitos, deficiências e culpabilidades que aparecem no dia a dia."

Wilker Henrique Costa Fiuza
Membro da Comunidade Canção Nova desde 2008. Mestre em Teologia Sistemática (2023). Formado em Filosofia (2011). Professor na Faculdade Canção Nova (www.fcn.edu.br). Casado e pai de dois filhos.

Referências:
KASPER, Walter. Teologia do matrimônio Cristão. São Paulo SP: edições paulinas, 1993.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/relacionamento/casamento/o-matrimonio-como-expressao-da-doacao-de-cristo-na-cruz/

10 de agosto de 2025

Carta aberta aos portadores do dom da paternidade

Uma esperança na impossibilidade

Vejam, os filhos são um dom de Deus, é uma recompensa o fruto das entranhas (Sl 127, 3). Todo filho é um dom de Deus, e cada história traz em si a beleza da unicidade, da iniciativa de Deus. Por mais difícil que seja a minha e a sua história, é inegável: houve um desígnio criador, um gesto de amor de um Deus que pensou em mim e em você, que me quis e quis você, independentemente da dor ou do louvor que habita a minha e a sua gestação. Há uma iniciativa amorosa de um Pai que nos quis e, por isso, somos um dom de Deus.

Ser pai, Vocação de proteção

Foto Ilustrativa: Brenda Sangi Arruda by GettyImages / cancaonova.com

E é assim que eu volto ao ano de 2022, ano da graça extraordinária de Deus em minha vida e na de minha esposa, ano em que fomos visitados por este desígnio de amor de que falava há pouco. Existe uma história não contada, de uma multidão de homens e mulheres que esperam a fiel manifestação de Deus não em suas potências, mas em sua incapacidade, sua impossibilidade de gerar.

No ano em questão, casados há cinco anos, vivíamos um luto silencioso. O luto pelos filhos que nunca havíamos gerado. Após tantas e tantas consultas, com tantos médicos, os diagnósticos, nem um pouco animadores, cada vez mais arrastavam-nos à certeza de que não poderíamos gerar filhos.

Reserva ovariana baixa e espermogramas praticamente zerados eram apenas alguns dos problemas que nos rodeavam. A cada novo problema diagnosticado, ocultava-se, cada vez mais, as esperanças daquela promessa feita no altar, de receber com amor os filhos que Deus nos confiaria. 

Os filhos são um dom

Quando tudo parecia conduzir-nos a uma direção que não esperávamos, às vezes sem força, nos lançamos naquela correnteza, desfalecidos seguindo qual rio para o seu destino. Foi nesse turbilhão, sem forças para nadar, quase afogado, que fui resgatado. A conversa gentil de uma amiga com minha esposa, questionando-a se ela não havia entendido que receber os filhos que Deus queria nos dar incluía a possibilidade de nenhum filho, tocou forte em meu coração. Eu estava tão apegado à ideia de que, obviamente, eu seria pai, que não podia conceber o contrário. Eu achei que era meu direito, esqueci-me de que os filhos são um dom. 


E foi assim que, naquele início de ano, pedi ajuda d'Ele! Pedi que me ajudasse a superar o desejo de ser pai por meios naturais. Pedi que me ajudasse a entender e aceitar que, diante dos exames e diagnósticos, aquele não era o caminho natural para mim. Pedi que Deus tirasse o desejo de ser pai por meios naturais e, quem sabe assim, se Ele permitisse, que eu me abrisse para a adoção.

Sem saber, eu pedia para que Ele me ensinasse novamente que não era um direito meu, mas um dom. E Deus inclinou-se para mim… "este infeliz gritou a Deus e foi ouvido" (Sl 33,2). De fato, não foi "natural" o que experimentamos, mas uma intervenção poderosa de Deus. E concebemos… rimos e choramos de felicidade. Nosso milagre fará três anos no próximo mês de setembro. 

A graça de reconciliar-se com Deus

Não quero ser imprudente nem enganoso. Experimentamos a dor de não poder gerar por anos, e sei que nem todos que passam pelo que passamos conceberão. Talvez você pense que é fácil para mim contar esta história depois de ter experimentado um milagre, mas eu quero que você saiba que eu entendo a sua dor. Talvez a sua dor não seja não poder gerar, mas os desvios de um filho ou até mesmo o seu sentimento de improdutividade e estagnação.

Os anos em que vivemos a expectativa da gravidez, foram anos de uma dor silenciosa e sem nome. Dor que só entendi quando o nosso milagre nos alcançou. Sei o quanto doem as cobranças familiares pelos filhos, as brincadeiras dos amigos ou a simples participação em um chá de fraldas, o peso dos anos que passam enquanto teimamos em apenas sobreviver.

Talvez o maior milagre que eu tenha experimentado tenha sido esse, entender e aceitar que havia dor, entender que precisava sair daquela situação de morte para a VIDA, e é essa graça que eu peço sobre você no dia de hoje. A graça de reconciliar-se com Deus, com sua história, com sua condição, e voltar à vida, deixando o sepulcro do escondimento, da amargura e do isolamento. 

Tempo de espera

O que aprendi com este tempo de espera e com o milagre que alcançamos é que toda vida é um dom extraordinário de Deus. Que, como pai, (por um desígnio amoroso de Deus, como todo pai) não sou dono do meu filho, e por isso preciso educá-lo para Deus, como um professor que ensina as crianças para os pais. Aprendi que a paternidade que faz parte de mim eu preciso levar para o meu próximo, não o retendo para mim, mas devolvendo-o para si, e assim devolvendo-o para Deus. Essa paternidade que já existia em mim, Deus precisou cavar fundo para trazê-la para fora. Talvez em você, caro amigo, ela não esteja tão escondida. 

A vida que se pode ofertar dia a dia

Quer você tenha filhos ou não. Neste Dia dos Pais, quero que saiba que há um povo carente de pai, da firmeza que corrige, da ternura que acolhe e dá segurança, da paternidade que existe em você, HOMEM. Enquanto os mais novos chegam com muita energia e vida nos nossos trabalhos e nas nossas comunidades, eles precisam encontrar em mim e você a sabedoria provada e experimentada na vida. A sabedoria de quem superou a dor sem culpar a Deus, a resiliência de quem suportou a aspereza do caminho e permaneceu.

A perenidade silenciosa e, ao mesmo tempo, escandalosa de uma vida que só um pai pode ofertar, porque ser pai não é sobre gerar biologicamente um filho, mas sobre a vida que se pode ofertar dia a dia, para que esse ser que recebe tenha vida. 

Rogo a Deus, o nosso Pai e doador de nossa vida, que saibamos, a Seu exemplo, ser pais, doadores de vida por onde passarmos e a quem encontrarmos. Doadores da vida verdadeira que só se alcança plenamente no céu, Amém!

 

Rafael Oliveira
Missionário da Comunidade Canção Nova no modo de compromisso "Núcleo" desde janeiro de 2010. Natural de Brasília, casado e pai de um pequeno milagre. Formado em Ciências da Computação, Especialista em Gestão de Projetos e Data Science e Analytics.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/familia/paternidade/carta-aberta-aos-portadores-do-dom-da-paternidade/

8 de agosto de 2025

Só é feliz quem realiza a própria vocação

A vontade de Deus

Muita gente sabe da definição clássica de vocação como vocare (chamado). Pensando nisso, lembro-me das palavras do Padre Guedes – salesiano amigo do Padre Jonas – num encontro vocacional há tempos em Lorena: "Só é feliz quem realiza a própria vocação!".

Créditos: SVPhilon / GettyImagens / cancaonova.com

Essa frase foi muito importante para dirigir a minha motivação em servir a Deus. Todos nós queremos ser felizes, mas felicidade de verdade só vem quando realizamos a vontade de Deus em nossa vida.

Todos passam por essas interrogações:

– Qual é minha vocação?
– Fui feito para quê?
– Profissionalmente, o que vou fazer?

Para todas essas perguntas, a resposta virá de uma vontade firme em servirmos ao Senhor. Deus fala a caminho. Precisamos dar passos e, dando passos, descobriremos a vontade de Deus em nós. Foi dando um passo de cada vez que fui descobrindo a minha vocação.


É impressionante ver que, quando nós temos uma motivação verdadeira de servir ao Senhor, as coisas vão se esclarecendo, clareando, falando dentro de nós. Até mesmo o estado de vida vai se definindo. Eu senti o desejo, quando bem jovem, de ser padre; depois, fui vendo que o meu chamado era mesmo para o casamento.

Muitos veem, no casamento, uma barreira à santidade, mas não é! É vocação! Depois de toda uma caminhada, fui ordenado diácono. Hoje, como diácono, marido e pai, sinto-me totalmente realizado no Sacramento da Ordem e do Matrimônio, e essa realização desemboca numa missão vivida de maneira intensa e tranquila, obedecendo à voz do Senhor.

A felicidade é possível! "Senhor, eis-me aqui! Envia-me!"

Diácono Nelsinho Corrêa
Comunidade Canção Nova


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/vocacao/so-e-feliz-quem-realiza-propria-vocacao/

6 de agosto de 2025

A transfiguração do Senhor em nossa vida

Somos com Deus os construtores de nossa eterna felicidade. Sua graça nunca faltará, mas nossa colaboração nunca será dispensável. E nós a estaremos dando, com certeza, sempre que soubermos olhar para Cristo com a mesma fé simples e profunda com que o contemplou o centurião naquela tarde no alto do calvário.

Foto Ilustrativa: by Getty Images / Halfpoint

A Transfiguração de Jesus é reveladora

Deus quer nos salvar, para isso mandou Seu Filho ao mundo. Não quer condenar ninguém, mas Ele quer a colaboração da nossa liberdade. Não nos quer autômatos irresponsáveis. Precisamos aprender a percorrer os caminhos que nos aproximam de Deus e nos colocam num serviço generoso aos irmãos. Deus se manifesta totalmente a quem a Ele se doa, e a quem o procura de coração. Quantas vezes buscamos a Deus e nos perguntamos onde Ele está escondido.

São João da Cruz responde com simplicidade: "Deus está escondido no mais íntimo de nós mesmos, e é dentro de nós que devemos procurá-Lo". É dentro do nosso coração que acontece o encontro mais íntimo e profundo com o Mistério Trinitário. É Jesus quem nos convida a fechar a porta, entrar no quarto do nosso coração e lá rezarmos ao Pai, e o Pai que tudo vê nos atenderá.

Num mundo agitado que nos obriga a tanta correria, redescobrir o valor do silêncio e da contemplação é muito necessário. A transfiguração de Jesus nos revela a distância que existe entre a glória à qual todos nós somos destinados e a situação na qual vivemos no presente, porque os nossos pecados são o grande obstáculo para que a glória dos filhos de Deus se manifeste na sua plenitude.

A misericórdia é nosso socorro

A Misericórdia Divina vem em nosso socorro de modo que, pela graça, o pecado é vencido e nós somos transfigurados aos poucos até o dia da ressurreição, quando todos os que foram resgatados na morte com Cristo irão viver com ele para sempre; e como diz o apóstolo São João, seremos semelhantes a Deus, porque o veremos tal qual Ele é.


Sempre que nos vemos diante de uma grande dificuldade ou de um grande problema, a nossa tendência é clamarmos a Deus para que Ele venha em nosso socorro com a Sua graça e nos ajude a superarmos os obstáculos. E, de fato, Deus vem em nosso socorro com Seu amor e com Sua misericórdia. Mas Deus é solidário conosco e não nosso suplente. Jesus manda que os discípulos deem de comer às multidões e multiplica os cinco pães e os dois peixes que eles tinham. Portanto, somente quando fazemos a nossa parte e Deus age conosco é que há a plena saciedade para todos.

Eduardo Rocha Quintella


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/a-transfiguracao-do-senhor-em-nossa-vida/

5 de agosto de 2025

Chegou a hora de abandonar aqueles maus hábitos

A vida é marcada por desafios, tarefas, responsabilidades cotidianas, encontros, desencontros, realizações e frustrações. Ainda mais para um jovem que se encontra dando passos para a construção da sua vida.

O contexto em que o jovem se encontra no mundo atual é marcado pela brevidade dos tempos, dos dias, onde parece que "não se encontra tempo pra nada" ou se "sente um desânimo pra tudo". Mas o que tem acontecido em nossos dias?

São informações excessivas que nos envolvem. Um minuto no feed, nos stories, tem-se acesso a muitos conteúdos, muitas vidas diferentes e seus padrões. E, de repente, sente-se "sugado", sem energias, pois a dopamina é consumida e a produção do cortisol aumenta, bem como sente-se um vazio, uma "bad", uma "deprê" que não se sabe de onde vem.

Créditos: Juergen Bauer Pictures by Getty Images / cancaonova.com

O mau hábito

O acesso é excessivo a tantos assuntos e pessoas; no fim, o jovem se encontra sem conteúdo, não se recordando da última coisa que leu ou viu, e sente-se sozinho, um vazio toma conta dele, e nem se lembra mais da missão daquele dia ou o que havia proposto fazer, perdendo-se em meio às informações.

Imagine a cena de mais de 20 pessoas num quarto pequeno, vários assuntos rolando, falando-se de tudo ao mesmo tempo, e você tentando se conectar, raciocinar e interagir, mas não consegue, uma agonia toma conta, uma vontade de gritar e sair correndo por se sentir sufocado; não é possível nem encontrar a porta de saída, pois são tantas barreiras que se torna difícil enxergar a meta.

Assim é a vida de um jovem que não tem seus propósitos bem definidos, que não tem disciplina nos seus horários. Em frações de segundos, sente o seu tempo roubado, a sua vida frustrada, o seu rumo perdido e já nem sabe mais o sentido da sua vida, o que almeja ser e construir, pois, ao longo dos seus dias, pouco a pouco a sua energia esvai-se.

Essa cena pode acontecer na vida de muitos, onde se alimenta o prazer rolando a tela, e seu dia não flui; quando vê, não fez a tarefa que tinha proposto, não organizou a casa nem o quarto, não fez o exercício físico, não se alimentou de forma saudável por não ter tempo para fazer etc. Tudo porque o consumo das telas atrapalhou a produção da substância melatonina (hormônio essencial para o corpo) que ajuda a regular o seu relógio biológico.

O impacto das telas

A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) lista uma série de malefícios que o uso excessivo de telas pode causar às crianças: problemas de saúde mental como ansiedade e depressão; transtornos psiquiátricos como déficit de atenção e hiperatividade; transtornos alimentares e do sono; sedentarismo etc.

Contudo, esses dados também são para os jovens. Leia um trecho a seguir pela BBC News "Como uso excessivo de celular impacta cérebro da criança" – BBC News Brasil:


Para entender como o contato excessivo com as telas afeta o bem-estar mental dos jovens, é preciso considerar que o cérebro não nasce pronto: ele se desenvolve pouco a pouco ao longo das primeiras três décadas de vida. Algumas partes desse órgão vital só amadurecem completamente quando chegamos lá pelos 25 ou 30 anos. É o caso, por exemplo, do córtex pré-frontal. Essa região cerebral é responsável, entre outras coisas, por controlar impulsos, fazer julgamentos, resolver problemas, manter a atenção e tomar decisões.

"É por isso que os adolescentes são mais impulsivos e têm esse comportamento típico de explorar e experimentar", relaciona Rodrigo Machado. "Com o córtex pré-frontal ainda imaturo nessa faixa etária, ficamos mais propensos a buscar o prazer sem pensar em todas as consequências", complementa o psiquiatra. Agora, imagine o que acontece quando esse cérebro em formação é exposto a um turbilhão de estímulos prazerosos, disponíveis facilmente em qualquer plataforma on-line.

Pare tudo e reflita sobre seus hábitos

Conseguiu imaginar? É URGENTE que você jovem que faz a leitura deste texto faça um exame de consciência, refletindo o uso do seu tempo, como estão os seus hábitos, como estão seus propósitos, como está a sua vida em geral.

Eu o convido a pegar uma folha de papel em branco e escrever os seus horários, o que gostaria de fazer em seu dia hoje e nos próximos, realizar um planner, definindo cada hora do seu dia. E assim, você não seja roubado por você mesmo e seus maus hábitos, chegando no fim do dia como um derrotado. NÃO!

É preciso foco, atenção, contemplação e parada! Escreva mesmo, e, se preciso, cole no seu guarda-roupa, em um lugar bem visível para você: tal horário, eu vou acordar; em seguida, vou preparar um café saudável, vou investir no meu estudo, num curso, numa atividade física, no meu trabalho, numa leitura e, por último, ao menos uma hora antes do horário que vou dormir, vou me desligar das telas, preparar-me para dormir bem etc.

Ei, jovem, essa é a hora!

E lembre-se: se você não se responsabilizar pela sua vida, por criar hábitos saudáveis, você fugazmente estará envolvido por maus hábitos incontroláveis, buscando prazeres sem consequências, sem analisar sequer os prejuízos, comendo o que der na telha, não cuidando do seu corpo, não praticando atividades físicas; logo, você estará rendido ao que é mais rápido e saciável, porém, com o tempo, será destrutivo (vícios, envolvimento afetivo com o primeiro que aparecer, álcool etc).

Jovem, valorize-se! Você tem uma missão, e parte dela eu já posso lhe dizer aqui… VIVA A SUA VIDA COM DIGNIDADE E RESPONSABILIDADE, não deixando que seu tempo precioso seja roubado por maus hábitos, mas sim que a sua vida seja construída com hábitos valorosos que o tornem mais humano e quem você é!

"Cada homem tem uma missão a realizar. Cada ser humano é único tanto em sua essência quanto em sua existência […], é um indivíduo particular, com suas características pessoais únicas, experimentado num contexto histórico único, num mundo que há oportunidades e obrigações especiais reservadas somente a ele". (Viktor Frankl, Psicoterapia e Existencialismo, pg. 63)



Rafaela Rodrigues

Rafaela Rodrigues, natural de Caçapava-SP, é missionária da Comunidade Canção Nova, no modo núcleo, desde 2018. Psicóloga desde 2017, Pós-graduada em Análise Existencial e Logoterapia Frankiliana. A missionária atua no Núcleo de Psicologia Canção Nova que tem por objetivo assessorar e auxiliar a formação dos membros desta instituição. E realiza pregações, bem como auxilia nos conteúdos midiáticos.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/comportamento/chegou-a-hora-de-abandonar-aqueles-maus-habitos/