16 de setembro de 2019

Permita-se experimentar a misericórdia de Deus

Com certeza você é testemunha de que alguém foi tocado pela misericórdia de Deus e foi liberto por meio de uma confissão, um abraço, um olhar carinhoso; pela atenção que alguém deu; por uma boa acolhida na Igreja, uma simples oração. São situações tão simples que ficam até difíceis de as entenderem de modo racional e, às vezes, até nos perguntamos: "Como pode isso?. Não é possível que seja tão fácil e simples assim". Muitas vezes, acabamos ridicularizando a experiência de amor profundo que as pessoas tenham vivido, porque esperamos algo mágico de Deus, uma teofania como no Sinai.

O amor de Deus por nós é muito simples e, ao mesmo tempo, muito profundo. E, por tamanha profundidade, tem o poder de transformar vidas.

Fico a pensar na experiência daquela mulher apanhada em adultério pelos fariseus e levada até Jesus a fim de que Ele a liberasse de seu apedrejamento, pois assim regia a "lei", porém, nesse episódio, o amor venceu a lei.

Permita-se experimentar a misericórdia de Deus

Foto ilustrativa: Andréia Britta/cancaonova.com

Uma grande surpresa adentrou o coração daquela pecadora: o olhar do Senhor para ela não se comparava ao olhar de nenhum outro homem que a tivesse olhado com desejo e interesse, pois era um olhar que mexeu com ela, não no nível afetivo-sexual, mas num nível que nem ela sabia que possuía porque Ele olhou para alma dela. Esse olhar preencheu todo o vazio que ela trazia no peito e que tinha tentado preencher com uma vida de prostituição e adultério. Aquele olhar começou a devolver algo que a vida roubou dela: a dignidade humana. A partir daquele olhar, ela superou toda a experiência de ser usada como um objeto pelos inúmeros homens com os quais, até aquele momento, ela tinha se envolvido. Aquele olhar superou toda a solidão provocada pela rejeição das pessoas para com ela; pela vida que levava e por ser uma mulher da vida. Então, o vazio do seu coração foi sendo preenchido por um amor tremendo o qual nunca havia experimentado antes.

Deus é amor e misericórdia

Depois de Jesus dizer aos fariseus: "Aquele que não tiver pecado, atire a primeira pedra"; e todos terem saído de fininho e deixado os dois a sós, o Mestre levantou os olhos e perguntou para aquela mulher: "Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou? Ela respondeu: Ninguém, Senhor. Jesus lhe disse: Nem Eu te condeno. Vai, e de agora em diante, não voltes a pecar" (Jo 8,10-11).

O amor e a misericórdia do Senhor superou todos os pecados que ela tinha vivido. E essa mulher teve a maior experiência de amor da sua vida, e não foi uma experiência de amor carnal que ela teve, foi uma experiência com o amor de um Deus que se derrama todo em amor e misericórdia. Jesus sabia das fraquezas dessa mulher, mas sabia também que aquela experiência de amor e misericórdia levaria essa pecadora a viver o PHN, a lutar com todas as suas forças para não mais pecar por que foi muito amada e a partir daquele momento sentia a necessidade de corresponder com aquele amor que a possuía, e com certeza lutou até seu último suspiro para não mais pecar e corresponder com aquele amor que a conquistou e devolveu a dignidade e a vida a ela.

Essa deve ser a experiência que devemos buscar a cada dia, mergulharmos nesse profundo amor e nessa infinita misericórdia de Deus, que vence a lei, que vence o pecado, e que nos indica o caminho certo nos elevando à condição de cidadãos do céu. Tome posse dessa realidade!


Deus está te esperando

O Senhor tem te esperado há muito tempo para dizer-lhe que também não te condena. Faça a experiência da misericórdia pela confissão, pois Deus está te esperando. Veja a mão de Deus na tua vida em todos os momentos: desde o nascer do sol até o término do dia, Ele te mantém e tem se derramado de amor por ti. Não tenha medo de Deus, Ele te ama e quer te acolher de uma forma que nunca ninguém te acolheu.

A partir da experiência desse amor, você irá entender que por Ele e por causa do Seu amor, você conseguirá dar um basta na vida de pecado e dizer PHN, pois, você irá ouvir da boca daquele que morreu por você na cruz: "Nem Eu te condeno. Vai, e de agora em diante, não voltes a pecar". Deus ama você com um amor eterno e tremendo! Não duvide e permita-se mergulhar no oceano do amor e da misericórdia de Deus.



Padre Roger Luis

Roger Luis da Silva é membro da Comunidade Canção Nova, sacerdote encarregado dos Clérigos no Conselho Geral da Comunidade. Autor de vários livros pela editora Canção Nova e pregador.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/permita-se-experimentar-misericordia-de-deus/

9 de setembro de 2019

O Reino de Deus é exigente

"Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus" (Lc 9,62). Citação bíblica talvez bem conhecida, mas pouco levada em conta. Seguir Jesus exige radicalidade traduzida em disposição para dizer sempre 'sim' à vontade d'Ele, que nos surpreende e, muitas vezes, é contrária a nossa.

Pôr a mão no arado, sem olhar para trás, é questão de coerência, perseverança e fidelidade. Vimos muitos que gostariam de seguir o Mestre, mas, envolvidos pela tentação de "olhar para trás", têm a atitude de um daqueles primeiros servos chamados pelo próprio Jesus para segui-Lo. O Senhor lhes disse: "Segue-me". Este respondeu: "Permite-me primeiro ir enterrar meu pai"; um outro ainda lhe disse: "Eu te seguirei Senhor, mas me deixa, primeiro, despedir-me de minha casa". Jesus, porém, respondeu-lhe: "Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus" (Lc 9,59 ss).

O Reino de Deus é exigente

Foto ilustrativa: Bruno Marques/cancaonova.com

O Reino de Deus é exigente, não nos permite dar um passo para frente e dois para trás. Acredito que seja por isso que os discípulos tiveram tanta dificuldades em responder prontamente ao chamado de Cristo, e continuam tendo até hoje. Ele não promete vida fácil nem riqueza a Seus seguidores nesta Terra: "… o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça" (Lc 9,58), diz falando de si mesmo. Somente uma experiência pessoal com o amor de Deus, renovada a cada dia, faz-nos caminhar alimentados pela esperança, expressa nesta outra passagem: "Quem perseverar até o fim, esse será salvo" (Mt 10,22).

O que é contrário ao Reino de Deus?

Chiara Lubich escreveu em um Artigo da Revista Cidade Nova (junho/04): "Quanto mais nos enamorarmos de Deus e experimentarmos a beleza do mundo novo ao qual Ele deu início, tanto mais aquilo que deixamos para trás perderá a sua atração".

À medida que experimentamos a beleza do Evangelho vivido, vemos, claramente, o quanto é contrário ao Reino de Deus a indecisão, a preguiça espiritual, a pouca generosidade, a covardia, o egoísmo, as meias medidas.


Rompamos com tudo isso e tomemos, agora mesmo, a decisão de seguir o Mestre com a mão firme no arado, mas sem ceder à tentação de olharmos para trás.

Um exercício que tem me ajudado, e partilho com você, é começar o dia declarando: "Quero viver, hoje, melhor do que ontem". Para isso, você tem de  empenhar-se bastante na prática do bem. Se conseguir agir assim, certamente, experimentará a paz ao fim do dia, e o coração pleno de felicidade, pois é o próprio Senhor que declara: "Há mais alegria em dar do que receber".



Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Djanira reside na missão de São Paulo, onde atua nos meios de comunicação. Diariamente, apresenta programas na Rádio América CN. Às sextas-feiras, está à frente do programa "Florescer", que apresenta às 18h30 na TV Canção Nova. É colunista desde 2000 do portal cancaonova.com. Também é autora do livro "Por onde andam seus sonhos? Descubra e volte a sonhar" pela Editora Canção Nova.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/o-reino-de-deus-e-exigente/

6 de setembro de 2019

A providência divina não dispensa a previdência humana

Deus proverá! Sim, Ele providencia, todos os dias, muito mais do que possamos imaginar. A luz do sol, nossa respiração, nossas famílias, empregos, renda, o alimento em nossa mesa. Por outro lado, Deus quer contar também com nosso esforço, Ele quer nos ver lutar. O bom pai não é aquele que dá tudo ao seu filho, mas coloca diante deste possibilidades e oportunidades, dá-lhe força, coragem, fé, motivação e incentivo. Deus nos quer lutando pelo nosso pão de cada dia, e, quando não pudermos lutar, Ele mesmo se encarregará de todas as coisas. Quando o dinheiro não der para uma necessidade, não duvidemos, pois Deus é quem mais se apressa em estender-nos a mão. Muitas vezes, pelas mãos de pessoas generosas.

A providência divina humana não dispensa a previdência humana

Foto ilustrativa: Zephyr18 by Getty Images

Mesmo acreditando na providência divina, precisamos trabalhar e pensar no nosso futuro

Acredite na providência divina e mãos à obra. O seu futuro, quem sabe num futuro breve, passa pelas suas mãos ao economizar com sabedoria cada possibilidade. O tempo passa rápido, e muitos brasileiros já estão na segunda metade da vida, hoje em torno de 45 anos. O agricultor não pode querer colher frutos que não plantou, comer alimentos que não cultivou. É preciso agir hoje, agora, montar uma planilha financeira de longo prazo e colocar as necessidades que ainda não vieram:

  • Reforma da casa ou construção da casa
  • Aposentadoria com provável diminuição da renda
  • Plano de saúde ou gastos crescentes com a saúde
  • Necessidades de filhos e netos
  • Reserva para lazer e viagens

Em suma, envelhecer é um dom, uma bênção, uma dádiva divina. Os que chegam aos 70, 80, 90 anos são privilegiados. Cabe, agora, planejar quanto tempo há pela frente (hipoteticamente, pois nossa vida está nas mãos do Criador), e enfrentar a situação, procurar ajuda e organizar sua vida financeira. Nunca é tarde para fazer o bem. Pense também que, muitas vezes, o que poupamos pode ser a fonte de ajuda para pessoas com maiores necessidades, afinal, "ha mais alegria em dar do que em receber". Os pobres são a riqueza da Igreja Católica. Se pudermos optar, hoje, por não comprar ou consumir, pensando no próximo, estamos nos enriquecendo para o Céu.

Como posso economizar para viver bem minha velhice?

A reforma da previdência está em trâmite em Brasília. Muito se fala, e talvez quase o ano inteiro, sobre aposentadoria. Não que, necessariamente, envelhecer signifique aposentar-se, mas se espera da maioria de nós chegar até lá e possuir algum conforto ou recurso. Como se pode economizar para viver a "boa idade", tecnicamente, após os 60 anos? Muitos não querem parar de trabalhar, mas, como disse o filosofo, ao menos viver uma vida mais serena.

"O homem sereno busca serenidade para si e para os outros" (Epicuro).


A grande questão da poupança de um salário suado, a cada mês, é poder, no futuro, contar com esse valor acumulado para alguma serenidade ou, talvez, a realização de sonhos. A economia de longo prazo é um exercício e tanto! É preciso disciplina, abrir mão do prazer momentâneo para contar com um futuro mais confortável.

A cultura do consumismo é, exatamente, contrária à cultura da poupança, do sacrifício. Um exercício financeiro de não levar o que está diante dos olhos na vitrine ou no site de e-commerce. Como resistir à tentação de viver um presente gastando mais do que se tem em vista de um futuro incerto?



Bruno Cunha

Economista, Professor e Missionário da Comunidade Canção Nova, Bruno Cunha possui 20 anos de experiência na área de Finanças, Macroeconomia, Mercado Financeiro, Economia, Educação Financeira, Finanças pessoais e Administração Financeira e Orçamentária. Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Taubaté (UNITAU), possui MBA pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente, é professor e assistente de coordenação do curso de Administração na Faculdade Canção Nova (FCN).


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/economia/providencia-divina-nao-dispensa-previdencia-humana/

3 de setembro de 2019

Pare, pense e escolha realizar gestos de amor todos os dias

Quando fazemos planos para o futuro e desejamos, para nós e para aqueles que amamos, muitas coisas boas para vivermos nos próximos dias, nem passa pela nossa mente que, em um daqueles dias, nós ou alguém próximo a nós poderá morrer. Isso porque a morte é um tabu para a sociedade moderna, e sempre diz respeito aos outros, é algo distante, não queremos pensar nela, muito menos falar sobre ela.

Pensando nessa realidade da irmã morte, como dizia São Francisco de Assis, quero partilhar o ensino que tive com a morte, em 2016, de cinco pessoas que eu amava: minha alegre Tia Laura (julho); o humilde Zezinho da Canção Nova (agosto); uma das minhas mães espirituais, a Delizete (agosto); a Aline, uma mulher de valor, que faleceu com apenas 33 anos (outubro); e a minha caridosa prima Bete (dezembro). Como foi bom ter podido expressar o meu amor por eles!

Pare, pense e escolha realizar gestos de amor todos os dias

Foto ilustrativa: AlexD75/by Getty Images

Não deixe para depois os abraços, sorrisos e gestos de amor, porque pode ser tarde

Eram parentes e amigos antigos, exceto uma, a Aline, que conheci só há um ano e meio, mas foi o suficiente para sermos muito amigas, pois, como disse Santa Catarina de Sena, "a amizade, cuja fonte é Deus, nunca se esgota". A minha amizade com a Aline foi por pouco tempo, mas com muita manifestação de amor.

"Quem encontrou um amigo encontrou um tesouro. Amigo fiel é bálsamo de vida; os que temem o Senhor vão encontrá-lo. Quem teme o Senhor, orienta bem sua amizade: como ele é, tal será o seu amigo" (Ecl 6,14-17).

Agradeço a Deus por ter me dado a oportunidade de escrever o livro 'Mulher de Valor', e à Editora Canção Nova por tê-lo publicado, pois ele foi o motivo do nosso primeiro encontro. A partir daquele dia, cada encontro nosso era um marco, nós nos despedíamos com o gosto de quero mais estar na sua presença. Falar de Deus, dos nossos sonhos e da nossa missão de resgatar os valores da "mulher de valor" era tão radiante e motivador, que nem víamos a hora passar.


Tesouros

"Uma mulher de valor, quem pode encontrá-la? Superior ao das pérolas é o seu valor. (Prov 31,10)" Obrigada, Senhor, por eu ter conhecido a Aline, uma mulher de valor! Encontrar uma amiga como ela é como encontrar um tesouro cheio de pérolas.

No nosso último Chá da Tarde, uma semana antes da sua morte, vivemos nossas últimas expressões de amor, última oração, último Terço da Misericórdia, e rezado juntas. No último abraço, mesmo sem saber, ficou mais uma vez a certeza de que o amor de Jesus Misericordioso havia unido duas apóstolas da Misericórdia para uma mesma missão: resgatar almas para Deus, sobretudo, as almas femininas.

Não permitamos que a falta de tempo, a distância, o ressentimento ou o dinheiro sejam impedimentos para a manifestação do amor. Não deixemos de manifestar o amor! Vamos escolher amar todos os dias?

Marina Adamo


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/testemunhos/pare-pense-e-escolha-realizar-gestos-de-amor-todos-os-dias/

28 de agosto de 2019

Quem insiste no preconceito tende a ficar na imaturidade

Preconceito é uma forma fácil de ter opinião. Não requer esforço, não requer pesquisa nem empenho, visto que se trata de uma primeira visão que temos acerca de uma determinada realidade. É óbvio, mas é bom dizer, que a visão preconceituosa é aquela que resolveu ficar parada no preconceito, isto é, no que vem antes da verdade. Um conceito é sempre o fruto de uma elaboração mais trabalhosa da vida, o preconceito não; ele é uma fase primária do conceito. É por isso que quem gosta de preconceitos tende a ficar na imaturidade a vida inteira.

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Foto ilustrativa: digitalskillet by Getty Images

O preconceito é também uma forma de aprisionamento

O mesmo aconteceu conosco quando entramos no pré-primário. Já imaginou se não tivéssemos aceitado o desafio de ir para o primário, com suas dificuldades e diferenças do pré-primário? Somente o passo em direção ao novo nos garante a felicidade das surpresas. A vida é sempre assim. O que agora é alimento, com o tempo, deixa de sustentar; isso porque estamos num constante processo de superação humana, e o que nos move é este desejo de irmos além.

É por isso que me entusiasmo com a dimensão antropológica do cristianismo. As palavras de Jesus nos encorajam para um constante aperfeiçoamento de nossa humanidade e para a constante superação dos nossos limites. Então, passamos a compreender que santificação é o mesmo que dizer humanização. Retirar os excessos, lapidar as arestas, superar as mesquinharias, os modelos superficiais de análises, os ciúmes e os apegos desordenados, são formas concretas de santificar a nossa vida.

Preconceito é também uma forma de aprisionamento. Olhamos o outro e o definimos a partir do que achamos sobre ele. Temos uma série de opiniões que resolvemos construir dentro de nós, e que são frutos de uma primeira visão. Olhamos e encaixotamos o outro no nosso preconceito. Decidimos que ele é assim, mesmo que nunca tenhamos nos aproximado dele para confirmar o que achamos.

Jesus gostava de ver além

Achamos e perdemos. Perdemos por desperdiçar a oportunidade de superar o conhecimento aparente, e assim, quem sabe, ganhar um grande amigo, um grande apoio existencial. Achamos muitas coisas sobre ele. E por achar tanto, resolvemos não buscar a verdade fundamental, e assim deixamos de ganhar. Talvez esse seja um dos grandes pecados do nosso tempo. O mundo é superficial nas suas análises. Basta flagrar uma única atitude, para que o mundo entregue o seu parecer preconceituoso e definitivo.

Jesus se opunha radicalmente a essa postura. Ele gostava de ver além, e alertava os discípulos para este constante cuidado. O cristianismo supera o judaísmo justamente neste ponto. Jesus não queria uma religião que parasse na exterioridade, que dispensasse facilmente as pessoas, só porque têm uma aparência ou um histórico que num primeiro momento não nos agrade.


A vida é igual garimpo

A beleza da vida consiste em olhar o mundo com "olhos de terceira margem", com os olhos de Jesus. Eu, nem sempre consigo, mas não quero perder este esforço de vista. Eu ainda vivo o desconcerto das escolhas de Jesus. Fico indignado quando o vejo escolher Zaqueu em meio a tanta gente santa e de boa índole. Ainda me incomoda quando ele diz que as prostitutas podem me preceder na entrada do Reino. Então, vejo-me com minha maneira rasa e infecunda de esbarrar nas pessoas, de condená-las àquilo que acho sobre elas e de impedi-las de me surpreenderem com sua beleza escondida.

A vida é igual garimpo. Não se percebe o diamante numa primeira olhada. Por ser muito parecido com o cascalho, corre o risco de ser jogado fora. Cascalhos e diamantes se parecem. A única diferença é que o diamante esconde o brilho sob as cascas que o revestem. É preciso lapidar. Pessoas são como diamantes. Corremos o risco de jogá-las fora só porque não tivemos a disposição de olhá-las para além de suas cascas. Então, desperdiçamos grandes riquezas no exercício de alimentar pobrezas. Quando o preconceito nos impede de ver o diamante, tornamo-nos cascalho no mundo. Espero que, hoje, você descubra diamantes por onde passar. Se descobrir, estará sendo semelhante a Jesus.



Padre Fábio de Melo

Padre Fábio de Melo, sacerdote da Diocese de Taubaté, mestre em teologia, cantor, compositor, escritor e apresentador do programa "Direção Espiritual" na TV Canção Nova.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/comportamento/quem-insiste-no-preconceito-tende-ficar-na-imaturidade/

26 de agosto de 2019

Sofrimento: escada para o crescimento

"Deus é tão digno do nosso amor quando nos consola, como quando nos faz sofrer!" (São Francisco de Salles).

Que bom seria se essa frase fosse verdade em nós! Que bom seria se vivêssemos em plenitude o que nos ensina São Francisco de Salles! Nossa natureza humana se satisfaz, rejubila, quando é satisfeita em tudo pela vontade de Deus.

Como nos é fácil e prazeroso ser amado e consolado! Como nos é fácil amar a Deus de toda alma, de todo entendimento e de todo coração como nos ensina as Sagradas Escrituras. Quando somos visitados por Deus de forma amorosa ou quando Ele nos consola; quando as mais diversas situações em que vivemos nos são favoráveis e, envolvidos em tais situações, somos capazes de afirmar que amamos a Deus; capazes de erguer os braços ao Céu e louvarmos; capazes de estampar o mais belo sorriso e, dessa forma, devotarmos nosso amor a Deus.

Sofrimento: escada para o crescimento

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Como um bom Pai, Deus nos educa e, de tempos em tempos, visitados pelo sofrimento, seja esse qual for, somos capazes de perder o brilho do olhar e não mais estamparmos o belo sorriso, então, deixamos que a alegria fuja de nós e aquela linguagem do céu, de louvor, dá lugar aos murmúrios e lamentações. Infelizes de nós!

Amar a Deus quando está tudo bem e a vida mil maravilhas é fácil, difícil é usar o sofrimento como escada até o Senhor

Quando visitados pelo sofrimento, temos a oportunidade de nos unirmos de forma íntima e misteriosa ao Crucificado que, em meio ao sofrimento e a dor, amou-nos até o fim. Como nos é custoso, penoso, amar a Deus no sofrimento, na angústia e na dor!

É exatamente aí, que precisamos ser tomados da certeza de que Deus como um Pai amoroso está a nos educar e, também, assim como quando consolados, devemos amar o Senhor. Não podemos desperdiçar tais oportunidades!

Aprendi que ao ser visitada pelo sofrimento, o Céu me dá a oportunidade de reparar, de consolar o coração ferido do crucificado. Aprendi ainda que: só se cresce e só se passa bem pelo sofrimento, quando damos sentido ao sofrimento.

O Senhor usou do sofrimento como escada para a chegada da nossa Salvação

No Calvário e no Alto da Cruz, o Senhor deu sentido a todo aquele sofrimento: a minha e a sua salvação! Quando entendermos essa linda realidade, acolheremos o sofrimento com alegria, além de descobrir que, ao usar a pedagogia da dor, o Senhor está nos fazendo uma visita de amor para o nosso crescimento.


É preciso saber sofrer! O sofrimento é a escada para o crescimento!

E, ao aprendermos, assim como Santa Teresinha também diremos: "O próprio sofrimento passa a ser a maior das alegrias, quando é buscado como o mais precioso dos tesouros".

Ana Paula Meneses
Comunidade Canção Nova


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/sofrimento-escada-para-o-crescimento/

21 de agosto de 2019

Responder a uma vocação é sempre um grande desafio

Caro internauta, quero iniciar este artigo com uma passagem bíblica muito conhecida por todos nós: "Caminhando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e o irmão deste, André, lançando as redes ao mar, pois eram pescadores. Então, disse-lhes: 'Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens'. Imediatamente, deixando as redes, eles o seguiram" (cf. Mc 1,16-18).

Estamos diante de uma das passagens bíblicas que melhor traduz a expressão latina "vocare", a qual, comumente, é traduzida para o português como "vocação". Expressão que, em latim, significa também "chamado". Essa narrativa que se passa à beira-mar, certamente, faz parte da vocação de muitos homens e mulheres que, ouvindo o chamado de Deus, ofertaram sua vida pela causa do Evangelho.

Responder a uma vocação é sempre um grande desafio

Foto ilustrativa: ALLVISIONN by Getty Images

Quero, mais uma vez, chamar à atenção para o local em que essa narrativa aconteceu: uma praia. É justamente nesse ambiente que acontece algo impressionante. Você já reparou que o traje de banho usado na praia por um rico diretor de uma multinacional é muito semelhante, se não o mesmo, usado por um morador de uma comunidade mais carente?

Na praia, a diferença entre ricos e pobres, pelo menos no aspecto visual, fica bastante reduzida. É um ambiente em que as roupas de gala, as joias caríssimas e o status social não são levados em consideração. Ricos e pobres disputam o mesmo espaço na areia e buscam mergulhar no mesmo mar. O mar não é mais quente ou mais frio para o rico ou para o pobre, não privilegia ninguém.

A vocação é um chamado gratuito de Deus que alcança a todos. Não podemos ter medo de dizer sim

Fiz essa breve reflexão para afirmar que o chamado de Deus não está baseado em condições prévias. Deus não chama uma pessoa porque é rica ou pobre, tem bens ou não. Ele não chama pessoas tendo em vista sua eloquência na fala ou em sua capacidade intelectual. Deus simplesmente chama. O chamado é gratuito, é pura graça.

Já ouvi, em atendimentos, pessoas afirmarem que Deus chama apenas os mais preparados, aqueles que são especiais. Trata-se de um grandíssimo equívoco! A título de exemplo, cito um fascinante personagem do Antigo Testamento, o profeta Amós.

Amós era um homem extremamente simples, de origem rural. Era um modesto pastor de ovelhas, um boiadeiro, alguém que colhia sicômoros, um tipo de figo de baixa qualidade. Esse homem sequer almejava ser profeta, aliás, sequer havia recebido qualquer formação para tal. No entanto, Deus o chamou. 

Por meio da profecia e da autoridade que Deus dava a ele, Amós censurou a condição social, moral e religiosa de sua época. Ele viveu num período em que os ricos procuravam enriquecer ainda mais, a imoralidade estava num nível abominável e a idolatria era considerada algo corriqueiro, enquanto que os verdadeiros fiéis a Deus eram ridicularizados por sua prática religiosa. Em suma, estava acontecendo, naquela época, o que ainda acontece hoje.

Da mesma forma que Deus suscitou o boiadeiro Amós, o jovem Davi, o gago Moisés, o medroso Elias, o desconfiado Tomé, o imaturo Jeremias (…), Ele também quer levantar no nosso meio verdadeiros e destemidos profetas, profetas de todos os tipos: jovens, estudantes, professores, advogados, industriais, padeiros, religiosos, você.

Aprendamos a ouvir Deus e a dizer sim a Ele

Pode acontecer de nós termos uma ideia errônea da missão de um profeta. Tendemos, talvez, a pensar que o profeta é alguém que adivinha o futuro, que usa roupas estranhas, mas isso não é uma verdade. Profeta é aquele que se coloca como um instrumento para que Deus, por meio dele, possa falar ao seu povo. Profeta, portanto, é aquele que intermedeia o que Deus quer dizer.


Portanto, caro internauta, se você sente que Deus o chama, não tenha medo de dizer 'sim'. Já imaginou se João Batista tivesse dito 'não' ao chamamento de Deus? Já imaginou se Ezequiel não tivesse denunciado, em sua época, a rebeldia e os graves pecados que o povo de Deus estava cometendo? O Senhor está dizendo para você no dia de hoje: "Não Temas, eu estou contigo" (cf. Jer 1,8).

Deus abençoe você e até a próxima!


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/vocacao/responder-uma-vocacao-e-sempre-um-grande-desafio/

19 de agosto de 2019

Amizade: manifestação infinita do amor de Deus

Durante toda a história da humanidade, vários personagens definiram a amizade como uma conquista: "Os amigos são aqueles que estão totalmente a vontade para colocar em comum as grandes dificuldades, as grandes experiências. A amizade é o desafio de chegar mais longe, com o apoio de alguém que sempre está no caminho." (Victor Feytor Pinto)

Segundo Aristóteles, a amizade é a expressão mais concreta da felicidade. Nela, o homem é convidado a conhecer o amor de maneira concreta: superando as dificuldades, e amando as diferenças.

Os filósofos e, principalmente, os grandes santos enxergam na amizade a grande manifestação do amor gratuito de Deus. Para Montaigne: na verdadeira amizade, dou-me ao meu amigo mais do que quero para mim.

Amizade: manifestação infinita do amor de Deus

Foto ilustrativa: Andréia Britta/cancaonova.com

A amizade de Jesus

O próprio Cristo nos revela a beleza da amizade, quando ele dá para Judas, na última ceia, o pão embebido, gesto esse que só era feito para um grande amigo. Mesmo sabendo quem o entregaria, Jesus nos provou que o amigo não vale por aquilo que nos dá ou por aquilo que faz para nós, e sim pelo que ele é.

A Revelação Cristã nos convida a purificarmos a nossa concepção sobre amizade e tomarmos como exemplo os santos: Paulo e Timóteo, Agostinho e Ambrósio, Francisco e Clara, João da Cruz e Teresa de Ávila, Dom Bosco e padre Miguel Rua. Além de amizades contemporâneas, como a do nosso querido São João Paulo II com o então Cardeal, Joseph Ratzinger. Também somos chamados a valorizarmos nossas amizades exatamente por aquilo que elas são: manifestação perene do amor de Deus.

Isso muda completamente a nossa concepção de amizade, concepção essa que está manchada pelo materialismo vigente em nossa sociedade, onde nós esperamos receber amor, carinho e afeto, e esquecemos que o outro é amado por ele próprio, e não por um cálculo mais ou menos egoísta.

Você tem amigos?

Nesse momento, recorde-se do seu grande amigo, e pense de que maneira você pode descobrir toda a riqueza que está escondida nessa pessoa. Porque da mesma maneira que precisamos da oração para nos santificar, se faz necessária a amizade, pois, como nos ensina a Igreja Oriental, se faz necessário um caminho místico, onde duas pessoas progridam para Deus, sem a conotação de um formar ou educar o outro, e sim a conotação de um crescer com o outro.


"O que torna belo o deserto é que ele esconde um poço em algum lugar." (Saint-Exupéry)

A frase de Saint-Exupéry nos provoca a enxergarmos a amizade como uma descoberta, que acontece com a reciprocidade dos amigos. Um eterno conhecer e dar-se a conhecer, porque, apesar de todos os exemplos citados, não podemos esquecer que a amizade é uma conquista, não por aquilo que fazemos, mas sim pelo quanto nos doamos ao outro: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos" (Jo 15,13). Deus nos chama a procurarmos amizades sadias e edificadoras, tendo a certeza de que Ele quer que, por meio delas, experimentemos o seu amor.

Luis Filipe Julio Rigaud, missionário da Comunidade Canção Nova


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/relacionamento/amizade/amizade-manifestacao-infinita-amor-de-deus/

16 de agosto de 2019

Casar ou morar junto?

A escolha por viver juntos em vez de se casar, muitas vezes, surge da curiosidade de ver se o casal é compatível. O pensamento por detrás da decisão, uma vez que ambos dividirão o mesmo teto e as despesas, é que, se as coisas não derem certo, eles não precisarão de um divórcio nem passarão por todo aquele sofrimento. Por fim, a dúvida entre casar ou morar junto surge.

Entenda as diferenças entre casar ou morar junto

Foto ilustrativa: Daniel Mafra/cancaonova.com

O casamento é uma decisão de suma importância, que requer do casal um discernimento sério. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil registrou 341,1 mil divórcios em 2014, ante 130,5 mil registros em 2004, um aumento de 161,4% em uma década. Considerando a alta taxa de divórcio, que muitos namorados experimentam de seus próprios pais, é compreensível o medo que eles trazem de assumir um compromisso definitivo.

Em entrevista ao Portal Canção Nova, o norte-americano Mark Evan, especialista na Teologia do Corpo de São João Paulo II, afirma que a coabitação não é boa para os casais. "Eles perdem o significado do ato sexual, pensando que significa apenas 'eu te amo', mas significa 'eu sou seu para sempre', e essas palavras são verdadeiras apenas quando eles se casam". Quem vive junto, mas sem o sacramento do matrimônio, em cada relação sexual está dizendo: "Eu estou com você enquanto isso durar". A porta dos fundos está sempre aberta para eles se deixarem. Eles pensam que estão se amando, mas, na verdade, estão apenas usando um ao outro para benefício próprio por um período indeterminado de tempo.


Parece lógico que a convivência oferecerá uma boa visualização do casamento, porém, sociólogos descobriram que a expectativa de uma relação positiva entre coabitação e a estabilidade conjugal foi destruída nos últimos anos por estudos realizados em vários países ocidentais.

As seis desvantagens de morar juntos antes do casamento

Os estudos descobriram que se o casal quer um casamento bem-sucedido, é melhor morar juntos só depois do casamento. O norte-americano Jason Evert, mestre em teologia e aconselhamento matrimonial, aponta seis desvantagens em coabitar.

1. A maioria dos casais que vivem juntos nunca se casaram. Aqueles que moram juntos antes do casamento têm uma taxa de divórcio até 80 por cento mais elevado do que aqueles que esperaram até depois do casamento para viverem juntos.

2. Casais que coabitaram antes do casamento também têm maior conflito conjugal e comunicação mais pobre, eles fazem visitas mais frequentes a conselheiros matrimoniais.

3. As mulheres que coabitam antes do casamento tem três vezes mais probabilidade de trair seus "maridos" do que as mulheres que se casaram.

4. As mulheres que coabitam têm três vezes mais probabilidade de ter depressão do que as mulheres casadas.

5. Casais que coabitam são sexualmente menos satisfeitos do que aqueles que esperaram até o casamento.

6. Do ponto de vista de duração matrimonial, paz e a fidelidade conjugal, segurança física, bem-estar emocional e a satisfação sexual, é evidente que a coabitação não é uma receita para a felicidade.

Casais que coabitam têm maiores taxas de divórcio

Um dos motivos para o aumento da taxa de divórcio é que coabitar enfraquece o compromisso. "Se um parceiro encontra falhas suficientes no outro, eles estão livres para ir embora. O desejo de introduzir um test drive mostra falta de fé no amor de um pelo outro", esclarece Jason. Por um lado, o casal está dizendo que eles desejam uma intimidade plena, mas, por outro lado, querem deixar uma saída caso o parceiro não esteja à altura. Isso semeia dúvidas e desconfianças desde o início do relacionamento.

Casamentos bem-sucedidos não são o resultado de uma falta de características irritantes no cônjuge, mas o resultado de escolher amar e perdoar o outro no dia a dia, com todas as suas imperfeições.

O que devemos fazer se estamos vivendo juntos?

Mark Evan recomenda que os casais se mudem para apartamentos separados e parem de ter relações sexuais. "O casal deve começar a construir a relação em terreno mais sólido, fazer as perguntas fundamentais e ver se eles realmente se conhecem e se são realmente bons um para o outro, para unir suas vidas para sempre."

Esperar para compartilhar o dom do sexo não deve ser visto como um passivo atraso de paixão, mas como uma formação ativa de fidelidade. Afinal, você não quer saber, antes do casamento, se o seu cônjuge será capaz de resistir às tentações depois do casamento?

Como qualquer casal, você sonha com um amor duradouro. Portanto, se você quer fazer o relacionamento dar certo, salve o seu casamento antes que ele comece, e more com o seu cônjuge só após o casamento.



Fernanda Zapparoli

Fernanda Zapparoli é missionária da Canção Nova. Esposa de Guilherme Zapparoli. Jornalista. Autora dos livros "A mulher segundo o coração de Deus" e "A beleza da mulher a ser revelada". Atualmente, reside em Toulon, França, onde trabalha com as mídias sociais do cnmedia.fr. A missionária é também Youtuber no canal 'Fernanda Zapparoli'.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/relacionamento/namoro/casar-ou-morar-junto/

14 de agosto de 2019

Como lidar com a pressão social por estar solteiro?

Por que algumas pessoas sofrem mais do que outras por estarem solteiras? A angústia do estado de solteiro, principalmente entre as mulheres, tem aumentado cada vez mais, sobretudo para as pessoas que estão entre os 30 anos. A potencialização desse sofrimento, depois dos 30, acontece pelo fato da pessoa sentir-se frustrada em seus projetos.

É natural e faz parte do desenvolvimento humano esse projetar, planejar e sonhar. No entanto, quando a pessoa chega nessa fase da vida adulta média, que contempla entre 30 a 40 anos, pode ver-se de uma forma mais definitiva o curso de sua vida. Percebe-se não estar mais no início da vida nem no fim, mas que o processo de estabilidade foi iniciado. Quando uma das dimensões da vida, neste caso a afetiva, tem uma lacuna, uma ausência, pode gerar um sofrimento maior. Tudo isso já acontece de forma natural.

Como lidar com a pressão social por estar solteiro

Foto Ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Junto a isso, existe uma pressão imposta pela sociedade, especialmente por aqueles que estão próximos. A família começa a fazer piadinhas, os amigos começam a namorar e, por vezes, se casam. Todos, então, perguntam: "Você não está namorando?"; "Ah! Mas você está muito exigente! Desse jeito não vai namorar ninguém!". Ou até mesmo: "Coitada(o)! Está até hoje sozinha(o)?". E aí, aqueles que sofrem por estarem solteiros, têm vontade de "cavar" um buraco e entrar nele.

Por que sofro por estar solteiro?

Para saber lidar bem com essa pressão que a sociedade impõe, é preciso, antes, compreender o porquê sofre, entender por qual motivo quando ouve determinadas coisas, isso lhe causa tanto desconforto, pois, sofrer pelo estado de vida em que se encontra, não é algo geral. Existem jovens, adultos e idosos solteiros que são felizes por estarem solteiros. A questão é individual, parte da experiência e vivência de cada um.


Conhecer-se é essencial

Nossa mente funciona como um grande arquivo o qual, a todo momento, é acessado a partir de palavras que escutamos, situações que vivemos ou aquilo que vemos. Todas essas experiências funcionam como gatilhos que trazem à tona um arquivo já escondido. Então, quando temos um arquivo na dimensão afetiva, que nos faz acreditar que somos ruins, que nunca vamos encontrar alguém, que vamos morrer solteiros, que ninguém nos ama, que sou indesejável, imperfeito, que vamos ficar sozinhos para sempre, a sociedade nos pressiona a dar uma resposta. Isso dispara o gatilho em direção a algo que gera sofrimento, por não acreditarmos que, um dia, conseguiremos encontrar alguém para ser nosso companheiro.

Aciono, então, todo tipo de emoção desconfortável que possa ser vivida, como a ansiedade, a tristeza, angústia, desesperança, medo, solidão e desespero. Sentimentos que podem ter o poder de paralisar a vida de uma pessoa, pois ela começa a acreditar que ficará solteira para sempre! Pois, como são consequências de um pensamento ruim, o aumentam, dando peso a essa emoção. O primeiro ponto é: Por que sofro por estar solteiro? Qual verdade existe dentro da minha cabeça sobre esse assunto que me assusta tanto?

Quando você sabe o que lhe causa sofrimento, fica mais fácil enfrentar a pressão da sociedade, porque o sofrimento está em acreditar que, um dia, não dará essa resposta à sociedade, porém, no fundo, você queria dar. O solteiro — está — solteiro, e não — é — solteiro; ele é uma pessoa antes de definir seu estado de vida, seja solteiro, casado ou celibatário. Encontre-se com sua verdade, assuma-a; e o sofrimento diminuirá!



Aline Rodrigues

Aline Rodrigues é missionária da Comunidade Canção Nova, no modo segundo elo. É psicóloga desde 2005, com especializações na área clínica e empresarial e pós-graduada em Terapia Cognitiva Comportamental. Possui experiência profissional tanto em atendimento clínico, quanto empresarial e docência.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/afetividade-e-sexualidade/afetividade-feminina/como-lidar-com-a-pressao-social-por-estar-solteiro/

9 de agosto de 2019

Por que Jesus manifesta preferência pelas crianças?

Caro internauta, quero iniciar este artigo com um breve testemunho. Em certa oportunidade, eu estava responsável pela organização de uma linda celebração Eucarística. Nela, algumas crianças iriam receber Jesus pela primeira vez. No corre-corre daqueles cinco minutos que antecederam o início dessa celebração tão importante, fui interpelado por alguém que puxava a minha sobrepeliz.

Inicialmente, pensei que seria mais uma pessoa a perguntar, por exemplo, o que fazer na procissão de entrada ou quem seriam os leitores. Talvez fosse alguém a dizer que as velas do altar ainda não estavam acesas ou algo semelhante. Engano meu! Era uma pequena criança, com pouco mais de sete anos, que me lançara uma pergunta à queima-roupa: "Por que Jesus ama as crianças?".

Devo confessar que, diante do contexto caótico em que eu me encontrava, haja vista que a pergunta dela se tratava de uma a mais dentre outras dezenas que eu já havia respondido e mais dezenas que eu haveria de responder antes do início da celebração, pensei em ignorá-la.

Por que Jesus manifesta preferência pelas crianças?

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

No primeiro momento, reconheço, cometi esse pecado. Virei-me para dar continuidade às atividades, cujo objetivo não era outro senão dar alguma ordem àquele caos. Porém, a pureza e a verdade com que aquela garotinha me fizera a pergunta deixou-me imensamente incomodado. Eu precisava dar a ela uma resposta.

Podemos aprender muito com os pequeninos

Antes de continuar a narrativa desse testemunho, quero afirmar que podemos aprender muito com as crianças. Não é por acaso que Jesus, no Evangelho de Mateus, diz aos discípulos (e a todos nós) que se não nos tornarmos crianças, não entraremos no Reino dos céus (cf. Mt 18,3).

Embora esse trecho do Evangelho não esteja se referindo propriamente (ou somente) à pureza, à inocência ou à perfeição moral de uma criança, não se pode negar que, nesses quesitos, os pequeninos são grandes mestres.

Essa passagem está mais associada à dependência que possuem as crianças dos seus pais. Uma dependência sincera e sem desconfianças. Somente elas são capazes de se entregar com verdade e pureza. As crianças possuem inocência e candura no olhar, no falar, no pensar, no comportar-se. Eis o exemplo que devemos obstinadamente buscar.

O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 2519, relembra-nos uma promessa que Deus faz a todos os homens: "Aos puros de coração, é prometido que verão a Deus face a face e serão semelhantes a Ele" (cf. 1 Cor 13,12). Assim, a pureza do coração é condição prévia para que esta visão aconteça. E se a pureza de coração nos permitirá ver a Deus face a face, desde já, ela nos permite ver todas as coisas segundo Deus. Quanta beleza há nessa maravilhosa possibilidade dada a nós por Deus!


A pureza dissipa o pecado

Bom, você ainda deve estar se perguntando qual teria sido a resposta que eu dei àquela garotinha de que falei no início do artigo. De antemão, já informo que não foi nada de outro mundo. Naquele momento de caos, a única coisa que me veio ao pensamento foi uma simples analogia. Perguntei se ela gostava de piscina, e ela respondeu positivamente com a cabeça.

Então, pedi a ela para imaginar uma piscina bem grande, a maior que ela já tinha visto, repleta de água cristalina. Tão cristalina a ponto de ser possível enxergar os azulejos do fundo. Ela balançou novamente a cabeça em sinal de positivo. Disse a ela que Deus amava as crianças, porque o coração delas é tão puro e cristalino quanto a água daquela piscina. Aquela criança não me fez mais nenhuma pergunta, simplesmente se virou e voltou para próximo a seus pais.

Logo que isso aconteceu, ocorreu-me um segundo pensamento. Não tive a oportunidade, naquele momento, de expor para aquela criança, mas gostaria de expor a você. Tente imaginar uma pequena gota de café. Então, pergunto: se alguém deixasse cair essa gota de café em uma piscina olímpica o que aconteceria? Se essa mesma pergunta fosse dirigida a mim eu responderia: "Ao tocar na água, a gota desapareceria, seria totalmente diluída". 

Concluo, portanto, com o seguinte pensamento: diante das crianças, o pecado é como uma gota de café. Ao entrar em contato com a pureza desses pequeninos, seria imediatamente dissipada. Onde há a pureza, o pecado não tem força.

Busquemos a pureza de uma criança! Ela nos levará para o céu!

Deus abençoe você e até a próxima!



Gleidson Carvalho

Gleidson de Souza Carvalho é natural de Valença (RJ), mas viveu parte de sua vida em Piraúba (MG). Hoje, ele é missionário da Comunidade Canção Nova, candidato às ordens sacras, licenciado em Filosofia e bacharelando em Teologia, ambos pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP). Atua no Departamento de Internet da Canção Nova, na Liturgia do Santuário do Pai das Misericórdias e nos Confessionários. Apresenta, com os demais seminaristas, o "Terço em Família" pela Rádio Canção Nova AM. (Instagram: @cngleidson)


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/por-que-jesus-manifesta-preferencia-pelas-criancas/

6 de agosto de 2019

Há diferença entre amor e paixão?

Inúmeras pessoas se casam iludidas, pensando que o que sentem é amor pelo outro, no entanto, quando chegam as crises, os problemas financeiros ou mesmo quando apenas o tempo passa, vai-se percebendo que aquele escolhido não era exatamente o que se esperava. Aquele amor que parecia lindo, infinito, vai se tornando um peso, uma desilusão, um fardo a ser carregado por toda vida ou até quando não mais se aguentar.

Há um tempo, uma revista de grande circulação nacional informava que 30% dos casamentos terminam ainda no primeiro ano, e 50% terminarão entre o segundo e terceiro anos de casados. É, de fato, uma triste realidade. A verdade é que somos convidados por Deus a refletir o amor d'Ele no mundo, especialmente no convívio entre homem e mulher, pois cada casal, cada família tem sobre si um projeto divino, único e abençoado pelo Pai.

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Foto Ilustrativa: Bruno Marques/cancaonova.com

O matrimônio, quando vivido junto com Deus, pode ser renovado a cada dia, de forma que não mais vivamos apenas um ao lado do outro, mas sim um para o outro, pois, no seu projeto de felicidade, não casamos com alguém para apenas sermos felizes ou realizarmos nossos desejos, mas sim para fazermos o outro feliz, realizarmos seus desejos, seus sonhos. Até parece que a ordem da frase está invertida, mas é isso mesmo, pois quando Deus faz parte de um relacionamento, o amor toma uma nova dimensão. Dessa forma, uma boa preparação no namoro e no noivado nos ajuda a ter claro que existem diferenças entre a união baseada no amor e a baseada somente na paixão.

A diferença entre o amor e a paixão

O amor, normalmente, surge de maneira tranquila, serena, e tende a ir crescendo aos poucos. Com ele, não temos medo de ser transparentes, mostrando o que pensamos ou sentimos, sem receio de nossos defeitos. No amor, a amizade, a compreensão, a presença do outro é mais importante do que a aparência ou a atração física, pois só o estar juntos basta. O amor é único, verdadeiro e fiel, e sempre é reconhecido pelos outros que percebem que mudamos ou sentem firmeza na relação.

A paixão, pelo contrário, costuma surgir como um relâmpago, fazendo parecer que vamos morrer de amor. É algo fulminante, e apesar de parecer muito forte, é também muito rápido. Nela, procuramos mostrar apenas as qualidades e ser aquilo que acreditamos que agradará o outro. Temos medo de revelar nossos defeitos e falhas. O físico e o visual são fundamentais e há um desejo enorme pelo tocar no corpo do outro. Na paixão, pode-se gostar de mais de uma pessoa ao mesmo tempo, e "ficar" com outros é muito normal. O ciúme é excessivo e a infidelidade é sempre justificável. Normalmente, gera muitas intrigas com a família, com os amigos e muitos percebem que o relacionamento não vai dar certo.


É um verdadeiro perigo estruturar uma relação baseada apenas no fogo da paixão, mas o que fazer se misturarmos as coisas? Os casais devem procurar viver a caridade proposta por São Paulo e já tão repetida em diversas canções: "O amor é paciente, é bondoso. Não tem inveja e não é orgulhoso. Não é arrogante nem escandaloso. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita nem guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acabará" (cf. I Cor 13,4-8)

Os casais devem aprender a caminhar juntos

Os casais, por melhores que sejam, não devem caminhar sozinhos, acreditando que tudo sabem ou podem. Crises sempre existirão, no entanto, é a forma como serão resolvidas que determinará o sucesso ou não do matrimônio. É fundamental possuir um mesmo projeto de vida e sempre buscar a presença de nosso Senhor, acreditando em sua intervenção divina para nos auxiliar na difícil caminhada a dois.

Não é a paixão, mas o verdadeiro amor que nos ensina, a cada dia, a perdoar sempre, compreender-se mutuamente, ter paciência com as limitações e erros do outro, vencendo o ciúme, o orgulho próprio, suportando o sofrimento pelo bem da relação. Recorrer a Deus, por meio da oração, é fundamental para que um relacionamento fragilizado pela simples paixão se transforme em um verdadeiro amor doação.

Marco e Susy


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/comportamento/ha-diferenca-entre-amor-e-paixao/

30 de julho de 2019

Estar diante da Cruz faz toda diferença

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos, porque, pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo! Que bela esta oração! Que forte esta oração!

Tenho uma cruz na cabeceira da cama. Ali, é um lugar de refúgio para mim, muitas e muitas vezes. Parar ali, quietinha, só eu e Jesus, olhar para Ele, para Suas chagas e, ali, entregar minhas dores e angústias, meus cansaços e até sentimentos que, às vezes, não sei nem dar nome. Estar ali e dizer para Ele: Estou aqui. Toma-me, Senhor! Ama-me, Senhor, e dá-me a graça de te amar!

Neste lugar, já me refiz muitas vezes, quando tudo parecia perder o controle. Neste lugar, já adorei, já chorei, já agradeci, já entrei em comunhão com o Céu.

Estar diante da Cruz faz toda diferença

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Pela Cruz, podemos enxergar o amor de Jesus por nós

Olhar para Jesus e saber que Ele olha para mim. Ali, só uma pequena imagem, mas é sinal de que Ele mesmo está a me olhar, a cuidar de mim, a tomar para Si tudo que trago, os fardos pesados, e me dar o Seu Jugo, que é leve e suave. Aliás, este é um versículo que já rezei muitas vezes, ali, diante do crucifixo:

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas, porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve". (Mateus 11,28-30)

Como é bom ser cristã! Como é bom ser católica! Como é bom ter um crucifixo para me lembrar do grande amor de Jesus por mim, e ali reencontrar a razão de viver, de lutar, de seguir sem desistir. Como é bom adorar Cruz de Cristo, sinal da Vitória d'Ele sobre a morte! Sinal também da minha vitória!


Na rotina de mãe, esposa, dona de casa e trabalhadora, saiba: estar diante da Cruz faz toda diferença!

Diante desta Cruz, já rezei assim e partilho com você se quiser fazer o mesmo: "Senhor, suga de mim agora, tudo que não é Teu, tudo que não é bom, tudo que é pecado. Suga minha impaciência, cansaço, ira, descontrole, tristeza; e enche-me da Tua Graça. Eu amo o Senhor, Jesus, mas me ensina a amá-Lo mais!"

Desafio da semana: Amar Jesus na cruz e deixar-se amar por Ele!



Rosení Valdez Oliveira

Rosení Valdez Oliveira é missionária na Comunidade Canção Nova desde 1997. Ela reside na missão de Cachoeira Paulista (SP) e atua no Setor infanto-juvenil com produção de conteúdo para crianças e adolescentes. Rosení também prega encontros para casais junto com seu esposo, Alexandre Oliveira. Semanalmente, o casal comanda uma live oracional no Instagram da @cancaonova. A missionária é colunista, desde 2013, do portal cancaonova.com. Também é organizadora do livro '#Adolescente – de quase tudo um pouco', pela editora Canção Nova, e do DVD 'Um lugar bem legal', pela gravadora Canção Nova.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/estar-diante-da-cruz-faz-toda-diferenca/

26 de julho de 2019

Não somos super-heróis, somos humanos!

Fiz questão de conversar com você sobre um assunto muito importante, mas que, muitas vezes, é esquecido: somos seres humanos. Você é ser humano, não é anjo, super-homem nem mulher-maravilha.

Muitos acham que para serem aceitos ou reconhecidos, precisam, de certa forma, negar sua humanidade, assumindo uma caricatura de "super", de "herói". Você sabia que o ser humano é a obra-prima, a pupila dos olhos de Deus? Não somos pouca coisa, por isso não precisamos assumir outra realidade.

Ser humano é ser amor, afinal, Deus é amor. Como filhos d'Ele, só podemos ser amor também. Ser humano é assumir nossas qualidades, que não são poucas, e nossas limitações também. É saber que temos fraquezas, mas que as podemos superar pela graça de Deus. É dizer 'sim', a cada dia, ao desafio de Deus, de sermos plenamente homens e mulheres sarados, curados, livres a ponto de optarmos pelo bem.

Não somos super-heróis, somos humanos!

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Os seres humanos possuem a capacidade de amar

Muitas teorias afirmam que a racionalidade distingue o ser humano dos outros animais. Eu diria que sim, mas não só. Na óptica cristã, o que mais nos distingue é a capacidade de amar a Deus e amar ao próximo.

O  que vem a ser amor no contexto bíblico? Tomemos a Palavra de Deus em 1 Coríntios 13,4-7: "O amor é paciente, é benfazejo, não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho, não faz nada de vergonhoso, não é interesseiro, não se encoleriza, não leva em conta o mal sofrido; não se alegra com a injustiça, mas fica alegre com a verdade. Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo".

Acredito que com esses versículos deu para percebermos um pouco do que é o amor. Mas cá entre nós, quem conseguir viver esse amor é ou não mais que super-herói? Esse é o seu chamado, esse é o chamado de cada cristão. Que possamos, com toda alegria, abraçarmos esse chamado de Deus, sabendo que o amor é um dom gratuito que nos é dado se o pedirmos. Deus abençoe nosso bom propósito!

Padre Clóvis A. Melo
Comunidade Canção Nova


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/comportamento/nao-somos-super-herois-somos-humanos/

24 de julho de 2019

Você sabia que homem sente medo?

Essa afirmação ainda assusta muitas pessoas. Para alguns, dizer que homem tem medo é o mesmo que duvidar de sua masculinidade. Para outros, é dizer que esses homens são fracos, incapazes. No entanto, afirmar que homem também tem medo, pode ser libertador. E mais que isso, pode ajudar a muitos homens que dizem não ter medo de nada, a descobrirem seu verdadeiro papel no mundo: a missão dada a cada um pelo próprio Deus.

Para tanto, basta olharmos para São José, o pai adotivo de Jesus. Se lermos atentamente o Evangelho segundo São Mateus, na passagem sobre o Nascimento de Jesus, veremos que, naquele momento, esse grande santo sentiu medo em virtude de tudo o que estava acontecendo na sua vida. Diz o texto que Maria estava prometida a José, mas antes que coabitassem, ela engravidou por obra do Espírito Santo.

José, por ser homem bom, resolveu rejeitá-la secretamente para não lhe causar mal (Cf. Mt 1,18-19). Ele já tinha se decidido a isso, até que, em sonho, um anjo do Senhor lhe apareceu e disse: "José, filho de Davi, não tenhas medo de acolher Maria como tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo" (Mt 1,20).

Você sabia que homem sente medo?

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

José, exemplo de homem de Deus que também sentiu medo

O pai adotivo de Jesus teve medo. Se isso não fosse verdade, o anjo não o teria tranquilizado e dito a frase: "Não tenhas medo". Isso não diminui o heroísmo e as virtudes de tão grande santo. Pelo contrário, mostra que ele não somente teve medo, mas também o enfrentou, confiando na Palavra do Senhor. Com esse impulso divino, assumiu a missão que lhe fora confiada.

O que aconteceu foi algo que precisamos analisar à luz do Antigo Testamento. São José sentiu-se perplexo e sem orientação diante de tão grande mistério, pois sabia que não seria capaz de compreender. Essa reação de fuga diante da presença misteriosa de Deus e, ao mesmo tempo, de medo frente ao chamado divino, nós a vemos repetidas vezes na história de vários profetas e personagens do Antigo Testamento.

Esse ato de José pode, então, significar seu chamamento, sua vocação que, após o assombro frente à tão grande mistério e consequente negativa diante de tamanha responsabilidade, assume a missão que lhe é confiada de proteger a vida do Menino Jesus, Aquele que salva, Deus conosco. Sendo assim, o texto nos apresenta uma dinâmica que deseja chamar a nossa atenção, entre outras coisas, para o chamado e missão do pai adotivo de Jesus.

É preciso transcender o medo

Tudo isso para nos dizer que é normal ter medo. Especialmente, nós, homens, podemos ter medo diante das situações complexas nas quais vivemos, ter medo frente às coisas novas que se nos apresentam, medo do chamado de Deus, medo de assumirmos nosso papel no meio em que vivemos.

Pelo exemplo de São José, não podemos parar no medo. É preciso transcender esse sentimento e captar nesses momentos a doce voz de Deus, que nos chama para a missão e nos conduz pelos Seus caminhos. Para que assim também levemos aos outros, e a nós mesmos, a salvação e a presença de Jesus, o Deus conosco, como o fez o nosso glorioso São José por meio do seu exemplo e, agora, pela sua intercessão.

Na hora da tribulação, o anjo não vos valeu? Valei-nos, São José!



Denis Duarte

Denis Duarte é graduado em letras, especialista em Bíblia e mestre em Ciências da Religião. Professor e vice-diretor da Faculdade Canção Nova.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/afetividade-e-sexualidade/afetividade-masculina/voce-sabia-que-homem-sente-medo/

18 de julho de 2019

Os dez atos para o casamento feliz

Para que a família viva bem, é preciso que o casal esteja vivendo bem. Para que uma família seja feliz, é importante que o casal experimente a felicidade. Nesses anos de trabalho como terapeutas familiares, temos atendido casais e, diante dos atendimentos, identificamos alguns atos para um casamento feliz. Muitos autores trataram sobre essa temática, no entanto, para nós, esses atos, comportamentos ou mesmo princípios que abordaremos neste capítulo, serão alguns dos quais identificamos a partir da nossa prática clínica e que julgamos serem de suma importância.

Essas atitudes ou atos dizem respeito a comportamentos que trazem a alegria para dentro da casa, e aqueles casais que os praticam têm menor chance de escolher o divórcio como saída.

Não se vive junto para ser cada vez menos feliz, mas para aprender a ser feliz de maneira nova, a partir das possibilidades que abrem uma nova etapa. (Francisco, 2016, p. 193)

Os dez atos para o casamento feliz

Foto ilustrativa: Andréia Britta/cancaonova.com

O que, na verdade, é ser feliz? O que é ter um casamento feliz?

Será que um casamento feliz é aquele isento de conflitos? Primeiro, é importante entender que não existe casamento sem conflito, pois os relacionamentos geram tensões e, certamente, teremos conflitos no casamento e na família. Mas os conflitos não significam, de forma nenhuma, que somos infelizes ou que o nosso casamento é infeliz. Segundo Ferraz, Tavares e Zilberman (2007),

a felicidade é uma emoção básica, caracterizada por um estado emocional positivo, com sentimentos de bem-estar e de prazer, associados à percepção de sucesso e à compreensão coerente e lúcida do mundo.

Os mesmos autores ressaltam ainda que "a felicidade é uma condição que difere da ausência de infelicidade", ou seja, ser feliz não significa a alegria constante, sem nenhum momento de infelicidade. Esses autores demonstram, com a ajuda de pesquisas, que fatores externos, como riqueza, poder e fama, ou mesmo o fato de nos vestirmos conforme a moda, consumirmos determinados produtos, apresentarmos determinada aparência física e tantos outros elementos são ineficazes na busca da felicidade. O artigo aponta teorias que apresentam o otimismo, a resiliência e, principalmente, a religiosidade como fatores preponderantes para a felicidade. De acordo com o trabalho, as pesquisas atestam que pessoas que se descrevem como religiosas tendem a reportar maiores índices de felicidade e satisfação com a vida.

Isso ocorre, porque a espiritualidade ajuda as pessoas a encontrarem um sentido e um propósito; além disso, ao participar da religião conjuntamente com os demais, os religiosos tendem a se sentir menos sozinhos e, talvez por isso, são mais felizes (Ferraz, Tavares e Zilberman, 2007).

O que é a felicidade?

Para nós, a felicidade, realmente, está no agradecimento e reconhecimento de pequenas situações vividas. A felicidade se encontra nas pequenas manifestações da vida. Se quisermos encontrar a felicidade em grandes acontecimentos, talvez nunca nos reconheçamos felizes. Se olharmos para o nosso casamento com um julgamento minucioso, procurando a tristeza, com certeza a encontraremos, mas se entendermos que a felicidade é simples e que o sofrimento é constitutivo da vida, poderemos perceber a felicidade no nosso cotidiano, mesmo que tenhamos sofrimentos.

Muitas vezes, nós idealizamos um final feliz, mas nos esquecemos de investir na felicidade de cada dia; essa felicidade diária se relaciona a pequenas atitudes, comportamentos simples que nos farão interpretar a vida mais positivamente e, portanto, nos tornarão mais felizes.

Então, para que possamos construir um casamento cada vez mais feliz, nós apontamos alguns atos que poderão nortear a nossa vivência, partindo-se do pressuposto de que a felicidade não se encerra nela mesma, mas no dia a dia, em alguns detalhes. É preciso olhar para o que é bom, para descobrir a felicidade. Somos muitos insatisfeitos. Existe em nós uma dificuldade de reconhecer as boas coisas e de ter um coração grato. Quando não fazemos este exercício de ver o bom e reconhecê-lo, podemos experimentar uma expressão popular que muitos dizem no final da vida: "Eu era feliz e não sabia".

Notadamente, um casamento feliz depende das atitudes tanto do esposo quanto da esposa, uma vez que se trata de um relacionamento e, por esse motivo, claramente, os dois são responsáveis pelo bom andamento do matrimônio. Assim, é indispensável o investimento de ambos os cônjuges, e é preciso que se dediquem para que tudo caminhe para o bem da família. Por isso, entendemos que o investimento deve ser de todos.


A seguir, os dez atos para um casamento feliz:

1. Ter Deus como centro;
2. Buscar a cura pessoal;
3. Estar disposto a não desistir;
4. Perdoar;
5. Ser amigo;
6. Namorar;
7. Dialogar;
8. Priorizar o outro;
9. Ser verdadeiro;
10. Ser tolerante com as diferenças e dificuldades do outro.

Para entender melhor esses mandamentos, adquira o livro "Diagnóstico familiar".

Trecho extraído do livro "Diagnóstico familiar".



Diácono João Carlos e Maria Luiza

João Carlos Medeiros é membro do segundo elo Comunidade Canção Nova. Psicólogo clínico e familiar, Medeiros também é logoterapeuta, sexólogo e mestre em sexologia humana. Casado com Maria Luiza da Silva Medeiros que também é membro do segundo elo Comunidade Canção Nova, é psicóloga clínica e familiar. Ela é pós-graduada em psicoterapias cognitivas e em neuropsicologia.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/relacionamento/casamento/os-dez-atos-para-o-casamento-feliz/

15 de julho de 2019

Quando a tribulação vem, como você age?

"É formosa a misericórdia do tempo de tribulação, como nuvem de chuva no tempo de seca" (Eclo 5,26).

Essa palavra é de inquietar o coração de qualquer ser humano, além de despertar um questionamento: como posso enxergar belo o amor do tempo de tribulação?

Muitas vezes, quando estamos passando por alguma tribulação, somos tentados a parar unicamente na dor que ela nos causa. Não enxergamos mais nada, apenas nos lamentarmos por viver aquela tribulação. Aí entra a murmuração e, se deixar, escrevemos até um livro com tanta lamentação.

Por causa disso, perdemos a grande oportunidade de experimentar e perceber o quanto é formosa a misericórdia nos tempos de tribulações de nossa vida… Acostumamos-nos a parar somente no negativo e não sabemos transformar as situações, exatamente por não enxergar a beleza das pequenas coisas, apreciar as situações com outros olhos.

Quando a tribulação vem, como você age?

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

A misericórdia age no tempo da tribulação

A mão de Deus, muitas vezes, em meio às tribulações de nossa vida, age devagar, silenciosamente, de um jeito simples, até para nos poupar de coisas piores. Mas como não foi do jeito que planejamos, ou saiu dos nossos projetos, somos tentados a só enxergar o negativo da situação. Não é assim que, muitas vezes, acontece conosco?

Sempre que passarmos por tribulações e pararmos nelas, se ficarmos a olhar somente o sofrimento que nos causa, não perceberemos o que essa Palavra nos traz, nem conseguiremos experienciá-la em nossa vida. Perceber o quanto é formosa a misericórdia no tempo de tribulação, consiste em fitar nossos olhos nos pequenos gestos, pequenos fatos, acontecimentos que, muitas vezes, passam despercebidos. Isto é, ver a "nuvem de chuva" que ainda não é chuva, mas é a certeza de que a chuva virá e, por isso, em meio à tribulação, já refaz nossa esperança e confiança em Deus.

Pergunto a você: hoje, diante das tribulações da sua vida, você consegue perceber a "nuvem de chuva"?


Lembre-se de Jesus ao carregar a cruz: Ele olhou para "nuvem de chuva" (ressurreição), mesmo passando pela grande tribulação do calvário. Então, meu irmão(ã): ALEGRIA! Seja fortalecida a sua esperança! Seja fortalecida sua confiança! Todas as vezes que conseguirmos enxergar a nuvem de chuva, conseguiremos ver a formosura da misericórdia no tempo de tribulação, então, nossa esperança será fortalecida para continuarmos nossa jornada nessa vida.

Diante dessa Palavra, convido você a fazer a essa maravilhosa experiência de passar pelas tribulações da vida, mas fitar seus olhos nas "nuvens de chuva" e, assim, provar da grande alegria de ver o quanto é formosa a misericórdia do tempo de tribulação.

Deus abençoe você!

Cícera Gonçalves


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/quando-tribulacao-vem-como-voce-age/

11 de julho de 2019

Saiba os sintomas da Dependência Tecnológica

Nas mais diferentes culturas, aceitamos plenamente que a realidade em nosso tempo é o uso cada vez mais frequente das tecnologias como forma de comunicação, informação, formação e entretenimento. Embora seja um grande desafio gerenciar a quantidade do tempo que passamos diariamente frente a essas máquinas, muito do nosso trabalho está ligado à equipamentos e softwares que facilitam nossa vida, mas diminuem o contato e o relacionamento humano.

Saiba os sintomas da Dependência Tecnológica

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Há alguns indicadores para saber o quanto uma criança tem um comportamento de dependência à tecnologia

Quando falamos em crianças em plena fase de desenvolvimento, podemos pensar no seguinte: quanto tempo elas ficam on-line, jogando? Qual a frequência de tempo frente ao computador? Já parou para analisar essas questões de família? O tempo é apenas uma forma de "medir" se estamos ou não dependentes, mas há outros fatores a serem considerados.

Há alguns indicadores para saber o quanto uma criança (e até mesmo um jovem) está com dificuldade de trocar o computador [por outra atividade] ou até mesmo tem um comportamento de dependência [do equipamento]:

– Quando o jogo – ou o uso de mídias sociais – torna-se a atividade mais importante da vida da criança, dominando seus pensamentos e comportamentos;

– Modificação de humor/euforia: experiência subjetiva de prazer, euforia ou mesmo alívio da ansiedade quando está no ato de jogar;

– Necessidade de usar o computador por períodos cada vez maiores para atingir a mesma modificação de humor, ou seja, para sentir-se bem;

– Fase de Abstinência: estados emocionais e físicos desconfortáveis quando ocorre descontinuação ou redução súbita do uso do computador (intencional ou forçada);

– Vivência de conflitos: pode ser entre aquele que usa o computador excessivamente e as pessoas próximas (conflito interpessoal), conflito com outras atividades (trabalho, escola, vida social, prática de esportes etc.) ou mesmo do indivíduo com ele mesmo, relacionado ao fato de estar jogando excessivamente (conflito intrapsíquico).

Cuidado com a individualidade gerada no uso da tecnologia

Não podemos negar as maravilhas oferecidas pela tecnologia, a facilidade de acesso, a disponibilidade de informações e a realidade que se encontra com este tipo de acesso e relacionamento, porém, cada vez mais frequente se torna a realidade das famílias dividas pela individualidade gerada no uso de tecnologia. Enquanto um fala ao telefone no quarto fechado, o outro está ligado no computador horas sem falar com ninguém, e a outra prende-se à TV, sem parar.


Quantas vezes as crianças, além do uso em casa, deixam de comprar um lanche para jogar nas lan houses? São capazes de passar dias inteiros, fins de semana longe do relacionamento interpessoal. O uso do computador e seus jogos, que era reservado apenas como lazer, torna-se praticamente a atividade principal delas. O sono é prejudicado, a alimentação também, pois as crianças comem em frente ao computador sem ao menos saber quanto e o quê, gerando obesidade. O isolamento continua, e a irritação, por não usar o computador ou imaginar que vão ficar sem ele, torna-se imensa, com um grande desconforto emocional.

Como família, é muito importante que possamos voltar nossa atenção para esse assunto, a fim de que possamos desenvolver crianças e jovens com uma vida mais saudável, favorecendo as relações humanas mais sadias.



Elaine Ribeiro dos Santos

Elaine Ribeiro, Psicóloga Clínica pela USP – Universidade de São Paulo, atuando nas cidade de São Paulo  e Cachoeira Paulista. Neuropsicóloga e Psicóloga Organizacional, é colaboradora da Comunidade Canção Nova.