20 de maio de 2019

Não perca o encanto pela vida

Viver é uma aventura, e, diga-se de passagem, uma aventura muito bela! Descobrem a beleza da vida as almas que nunca perdem o encanto e a ternura diante de cada novo dia e de cada nova experiência.

Enche-se de leveza e alegria o coração que nunca perde a novidade e que enfrenta as realidades, a cada dia, como se tudo fosse novo, encantando-se diante da criação e diante da beleza presente nos detalhes do existir. Ao contrário, quem perdeu o encanto com a vida e a enxerga com ares de "hora extra", acreditando já ter contemplado tudo o que ela tem a oferecer, acaba por conceber a existência como um peso, como realidade opaca e destituída de significado.

Não perca o encanto pela vida

Foto ilustrativa: Andréia Britta/cancaonova.com

Não deixemos as dores tirarem o nosso encanto pela vida

Uma das piores coisas do mundo, pior até que "dor de dente", é conviver com alguém que se cansou de viver, que vê a vida de maneira distorcida e negativa em virtude das marcas que o passado lhe acrescentou. Quem fica com os olhos fixados no passado torna-se incapaz de ver o presente. E quem não o vê está morto. Não existe maior expressão de morte para alguém do que deixar de enxergar o mundo e o presente como se fosse a primeira vez.

Que as dores que vivemos não nos roubem o olhar de esperança diante de cada situação.

Nosso presente é o presente que Deus nos entrega, e cabe a nós, com o auxílio e a graça d'Ele, reconstruir, no hoje, as belas e originais ilustrações e formas de nossa história.

Fomos criados para a felicidade, independentemente do nosso passado e das dores que vivenciamos. Ser feliz não é viver sem sofrimentos, mas é saber crescer com eles, não permitindo que eles nos aprisionem.

Não existe realização sem luta e desafio. Quem luta por sua felicidade já a alcançou, é apenas uma questão de tempo. É possível ser feliz no hoje. A felicidade é sempre uma real possibilidade, depende apenas da forma como enxergamos a vida.


Nunca desista de lutar pela vida e por seus sonhos, saiba que você é muito mais do que seu passado e suas escolhas erradas. Creia que hoje, agora, é o momento ideal para ser feliz!

Equipe de colunistas do Formação


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/comportamento/nao-perca-o-encanto-pela-vida/

17 de maio de 2019

Casais, buscai o socorro de Jesus para o vosso matrimônio

Partindo Jesus dali, dois cegos o seguiram, gritando: "Tem compaixão de nós, filho de Davi!" Quando entrou em casa, os cegos se aproximaram dele e Jesus lhes perguntou: "Acreditais que eu posso fazer isso?" Eles responderam: "Sim, Senhor". Então, tocou nos olhos deles, dizendo: "Faça-se conforme a vossa fé". E os olhos deles se abriram. Jesus os advertiu: "Tomai cuidado para que ninguém fique sabendo". Mas eles saíram e espalharam sua fama por toda aquela região. (Mt 9,27-31)

Aqui está a pergunta que Jesus quer fazer a cada marido e a cada esposa que, descobrindo a própria cegueira, foram buscar em Deus o socorro para o seu matrimônio: "Acreditais que eu posso fazer isso?". Veja que interessante! O Evangelho não diz se esses cegos eram dois homens ou um homem e uma mulher. Aliás, nada impede que se tratasse de marido e mulher.

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Foto Ilustrativa: Andréia Britta/cancaonova.com

O que a Palavra de Deus faz questão de enfatizar é que os dois reconheceram a própria cegueira, viram-se necessitados de ajuda e, de comum acordo, unidos num só coração, ambos apresentaram diante de Deus sua causa humanamente impossível de ser resolvida.

A coisa, no entanto, não foi tão simples quanto parece. São Mateus dá a entender que eles não foram imediatamente atendidos. Já vinham insistindo por um bom tempo. Tanto que começaram a gritar. Rezavam. Choravam. Pediam. Independentemente do quanto clamavam, a resposta não vinha. Eles eram cegos, e Jesus parecia surdo, mas nem isso fez com que eles desistissem da graça que precisavam alcançar.

Casais, sejam perseverantes

O segredo desses dois consiste precisamente em não desistirem quando nada parecia favorecê-los. Quando tudo o que resta a um casal é esperar contra toda esperança, e prosseguir mesmo sem nenhuma certeza de sucesso, essa perseverança torna-se um raio que sobe da terra e atinge em cheio o coração de Deus.

Não foi fácil. Correndo as páginas dos Evangelhos, poucos milagres parecem ter sido tão difíceis de alcançar como este. Jesus, além de não lhes dar nenhuma resposta, apressa o passo como se quisesse fugir deles. E quanto mais parece escapar, mais os dois cegos o perseguem com gritos e súplicas. Essa insistência deve ter durado vários dias, o que mostra o quanto os dois estavam convictos do que precisavam. Nada foi capaz de os deter. Ninguém pôde fazê-los mudar de ideia, nem mesmo seus pensamentos e sentimentos negativos os desanimaram. Eles sabiam que só Jesus – e mais ninguém – poderia tirá-los daquele túnel escuro e lhes dar a chance de começar uma vida nova. Então, jogaram-se de cabeça.

Dispostos a perseguir o Senhor até o fim do mundo, cercaram-no, quando Ele entrou em casa para descansar. Depois que eles se acalmaram, Jesus lhes perguntou se eles tinham certeza daquilo que vinham gritando na frente de todo mundo. Queria saber se eles acreditavam, de coração, no que já haviam confessado com a boca: "Acreditais que eu posso fazer isso?".

Duas palavras bastaram para responder: "Sim, Senhor". Curtos e diretos, afirmaram sem hesitar, sem desconfianças. Em menos de meio segundo, disseram tudo o que podia ser dito. E Jesus se rendeu.

O poder da oração

A oração é a força dos homens e a fraqueza de Deus. A oração pode salvar uma vida, pode resgatar um lar, reconstruir um casamento arruinado. E para que ninguém ponha isso em dúvida, Jesus respondeu: "Faça-se conforme a vossa fé". No mesmo instante, os dois receberam algo grandioso, impossível de se obter por vias naturais, eles conseguiram o que somente a grande fé poderia alcançar: um milagre.

O que aconteceria se Jesus pronunciasse sobre mim essa mesma determinação: "Faça-se conforme a tua fé". Eu confio ao ponto de obter essa graça? Podemos notar que a fé alcançou a graça quando a pessoa já tiver a certeza de que foi atendida. Isso mesmo. Em seu coração, forma-se a certeza de que Deus já concedeu a resposta ao seu pedido.

Jamais deveríamos esquecer que nenhuma circunstância terrena pode impedir o cumprimento da Palavra de Deus. Isso se nos firmarmos no fato de que Deus não volta atrás em suas promessas. Ele mesmo é a garantia de tudo o que nos assegurou. O problema é que fomos educados para duvidar, desacreditar, desconfiar. Fomos educados para a incerteza por causa deste mundo que está sempre mudando. Deus quer que confiemos na sua Palavra sem buscar outras garantias. E então Ele está pronto para nos dar conforme a nossa fé.


É preciso seguir o exemplo desses cegos: Seguir Jesus, clamando sem jamais desanimar. Manifestar-lhe nossas necessidades. Proclamar nossa fé em seu poder. E, com confiança, acolher a graça. Confie em Deus e sua família será salva.

É pela graça de Deus, e somente por ela, que você manterá seguro o seu lar. Confie! Quando confiamos não nos deixamos desanimar. A fé nos leva a esperar e insistir na bondade de Deus que não nos abandonará. Toda vez que invocamos o socorro de Deus Ele aumenta a nossa força. Mas essa força só cresce à medida que rezamos.

Não desista diante da dificuldade de rezar

Meu amigo, minha amiga, não enfrentemos este mundo perigoso sem a oração. Mesmo que tenha dificuldades de rezar, insista, persevere! Se não rezamos, nos tornamos refratários às bênçãos de Deus, e deixamos de receber a força de que precisamos para enfrentar um dia após outro.

Quando deixamos de lado a oração, logo sentimos as consequências. A tentação vem, e não estamos preparados para enfrentá-la. Caímos. Sentimo-nos culpados. E, por isso, passamos a fugir de Deus.

Se Jesus, o poderoso Filho de Deus, sentia necessidade de se levantar antes do amanhecer para derramar todas as suas necessidades diante do Pai, o que dizer de nós? Nós devemos orar a Jesus, que é o doador de toda boa dádiva e que nos prometeu tudo o que é necessário para o nosso bem e o de nossa família.

Não há limites para as maravilhas que se manifestam na vida de uma pessoa que reza. Mas de uma coisa temos certeza: a vida sem oração é uma vida sem força e desprotegida.

Então, coragem! Lute pelo seu lar ao lado de Deus. Recorra a Ele muitas vezes. Ele não decepcionará você. Faça como esses cegos: insista até conseguir sua resposta.

Diante dos problemas que você enfrenta pessoalmente – em seu matrimônio, em sua família; em vista dessa situação que levou você a suplicar a ajuda do Senhor, Jesus lhe pergunta: "Acreditais mesmo? Acreditais que eu realmente posso fazer isso?"

Dê-lhe sua resposta. Diga-lhe: Sim, Senhor, eu confio totalmente que o Senhor pode isso e muito mais. Não desista, que tudo vai dar certo!


Márcio Mendes

Nascido em Brasília, em 1974, Márcio Mendes é casado e pai de dois filhos. Ex-cadete da Academia da Força Área Brasileira, Mendes é missionário da Comunidade Canção Nova, desde 1994, onde atua em áreas ligadas à comunicação. Teólogo, é autor de vários livros, dentre eles '30 minutos para mudar o seu dia', um poderoso instrumento de Deus na vida de centenas de milhares de pessoas.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/relacionamento/casamento/casais-buscai-o-socorro-de-jesus-para-o-vosso-matrimonio/

15 de maio de 2019

A família foi criada por Deus para ser a base da sociedade

O Dia Internacional da Família, 15 de maio, é uma boa oportunidade para lembrarmos da importância fundamental da família para a vida de cada pessoa e da sociedade. A família é sagrada, porque foi criada por Deus para ser a base de toda a sociedade. Ninguém jamais destruirá sua força, por ser ela uma instituição divina.

O Concílio Vaticano II chamou a família de "Igreja doméstica" (LG, 11), onde Deus reside e é reconhecido, amado, adorado e servido; e ensinou que "a salvação da pessoa e da sociedade humana estão intimamente ligadas à condição feliz da comunidade conjugal e familiar" (GS,47).

A família foi criada por Deus para ser a base da sociedade

Foto ilustrativa: Andréia Britta/cancaonova.com

A família é o projeto base de Deus para uma sociedade completa

São João Paulo II chamou a família de "Santuário da vida" (Carta às Famílias,11) e "patrimônio da humanidade" (LG,11). Ele disse: "A família é uma comunidade insubstituível por qualquer outra". Jesus habita com a família cristã, nascida no Sacramento do Matrimônio; Sua presença, nas Bodas de Caná da Galileia, significa que o Senhor quer estar no meio da família, ajudando-a a vencer todos os seus desafios.

Imagem e semelhança

Desde que Deus desejou criar o homem e a mulher à Sua imagem e semelhança (Gen 1,26), Ele os quis em família. Tal qual o próprio Deus, que é uma família em três Pessoas Divinas, assim também, o homem, criado à imagem do seu Criador, deveria viver em uma família,  em uma comunidade de amor, já que 'Deus é amor' (1 Jo 4,8) e o homem lhe é semelhante.

A família é o eixo da humanidade, a sua célula mater é a sua pedra angular. O futuro da sociedade e da Igreja passam inexoravelmente por ela. É ali que os filhos e os pais devem ser felizes. Quem não experimentou o amor no seio do lar terá dificuldade para conhecê-lo fora dele.

A família é a comunidade na qual, desde a infância, os filhos podem assimilar os valores morais, em que pode começar a honrar a Deus e usar corretamente da liberdade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade (cf. CIC 2207). Depois de ter criado a mulher da costela do homem (Gen 1, 21), Deus a levou para ele. Este, ao vê-la, suspirou de alegria: "Eis agora aqui, disse o homem, o osso dos meus ossos e a carne de minha carne; ela se chamará mulher" (Gen 1,23). Após essa declaração de amor tão profunda – a primeira na história da humanidade –, Deus mostra-lhes, então, toda a profundidade da vida conjugal: "Por isso, o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir a sua mulher; e já não são mais que uma só carne" (Gen 1,24).

A família é sagrada

Deus lhes disse: "Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a" (Gen 1,28). Por isso, a única e verdadeira família, segundo a vontade de Deus, é aquela fruto da união matrimonial de um homem com uma mulher. Não existe outro tipo de família no plano de Deus.

Esse é o desígnio de Deus para o homem e para a mulher, juntos, em família: crescer, multiplicar, encher a terra, submetê-la. E, para isso, Deus deu ao homem a inteligência para projetar e as mãos para construir o seu projeto. O Senhor vive no lar nascido de um matrimônio. Nessas palavras de Deus – "crescei e multiplicai-vos" – encerra-se todo o sentido da vida conjugal e familiar. Dessa forma, Deus constituiu a família humana a partir do casal, para durar para sempre, por isso, A FAMÍLIA É SAGRADA!

Vemos aí, também, a dignidade baseada no amor mútuo, que leva o homem e a mulher a deixarem a própria casa paterna, para se dedicarem um ao outro totalmente. Esse amor é tão profundo, que dos dois se faz uma só carne, para que possam juntos realizar um grande projeto comum: a família.

União

Daí, podemos ver que sem o matrimônio, forte e santo, indissolúvel e fiel, não é possível termos uma família forte e santa, segundo o desejo do coração de Deus. Tudo isso mostra como o Senhor está implicado nesta união absoluta do homem com a mulher, de onde surgirá, então, a família. Por isso, não há poder humano que possa eliminar a presença de Deus no matrimônio e na família. Deus vive no lar nascido de um matrimônio, e a Virgem Maria também.

Isso nos faz entender que, a celebração do sacramento do matrimônio, é a garantia da presença de Jesus no lar ali nascente. Como é doloroso perceber, hoje, que muitos jovens, nascidos em famílias católicas, já não valorizam mais esse sacramento e acham, por ignorância religiosa, que já não é importante subir ao altar para começar uma família!

Toda essa reflexão nos leva a concluir que, cada homem e cada mulher, que deixam o pai e a mãe para se unirem em matrimônio e constituir uma nova família não o podem fazer levianamente, mas devem o fazer somente por um autêntico amor, que não é uma entrega passageira, mas uma doação definitiva, absoluta, total, até a morte.


Marcada pelo sinete divino, a família, em todos os povos, atravessou todos os tempos e chegou inteira até nós, no século XXI. Só uma instituição de Deus tem essa força. Cristo entrou na nossa história pela família; fez o primeiro milagre numa festa de casamento e viveu 30 anos numa família. O Concilio Vaticano II disse: "Se é certo que Cristo 'revela plenamente o homem a si mesmo', faz através da família onde escolheu nascer e crescer" (GS,2). "Desta maneira, a família constitui o fundamento da sociedade" (GS,52). "A salvação da pessoa e da sociedade humana está intimamente ligada à condição feliz da comunidade conjugal e familiar" (GS,47).

Papa João Paulo II

O Papa São João Paulo II dizia: "A família é o âmbito privilegiado para fazer crescer todas as potencialidades pessoais e sociais que o homem leva inscritas no seu ser".

São João Paulo II disse: "Em torno da família se trava, hoje, o combate fundamental da dignidade do homem" (FC,18). Há uma ameaça tremenda contra a família: aborto, ideologia de gênero, divórcios, casamentos de pessoas do mesmo sexo, drogas, adultérios, inseminação artificial, e toda uma campanha internacional contra a família, o casamento e a maternidade.

Quando a família é destruída, os filhos sofrem, e muitos deles se encaminham para a criminalidade. Por isso, se a família – segundo a vontade de Deus – for destruída, então, a sociedade sofrerá suas consequências. Todos os cristãos são obrigados a lutar pela preservação da família segundo o coração de Deus.


Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa "Escola da Fé" e "Pergunte e Responderemos", na Rádio apresenta o programa "No Coração da Igreja". Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/familia/familia-foi-criada-por-deus-para-ser-base-da-sociedade/

13 de maio de 2019

Existe sabedoria no silêncio?

Sócrates, o sábio filósofo grego, dizia que a eloquência é, muitas vezes, uma maneira de exaltar falsamente o que é pequeno e diminuir o que é, de fato, grande. A palavra pode ser mal-usada, mascarada e empregada para a dissimulação. É por isso que os sábios sempre ensinaram que só devemos falar alguma coisa "quando as nossas palavras forem mais valiosas que o nosso silêncio". A razão é simples: nossas palavras têm poder para construir ou para destruir. Elas podem gerar a paz, a concórdia, o conforto, o consolo, mas podem também gerar ódio, ressentimento, angústia, tristeza e muito mais. "Mesmo o estulto, quando se cala, passa por sábio, por inteligente, aquele que fecha os lábios" (Pr 17,28). O silêncio é valioso, sobretudo quando estamos em uma situação difícil, quando é preciso mais ouvir do que falar, mais pensar do que agir, mais meditar do que correr.

Existe sabedoria no silêncio?

Foto ilustrativa: Andréia Britta/cancaonova.com

Tanto a palavra quanto o silêncio revelam o nosso ser, a nossa alma, aquilo que vai dentro de nós. Jesus disse que "a boca fala daquilo que está cheio o coração" (cf. Lc 6,45). Basta conversar por alguns minutos com uma pessoa que podemos conhecer o seu interior revelado em suas palavras; daí a importância de saber ouvir o outro com paciência para poder conhecer de verdade a sua alma. Sem isso, corremos o risco de rotular rapidamente a pessoa com adjetivos negativos.

A palavra tem poder, mas, às vezes, o silêncio é a melhor opção!

Sabemos que as palavras são mais poderosas que os canhões, pois provocam revoluções, conversões e muitas outras mudanças. A Bíblia, muitas vezes, chama a nossa atenção para a força das nossas palavras. "Quem é atento à palavra encontra a felicidade" (Eclo 16,20). "O coração do sábio faz sua boca sensata e seus lábios ricos em experiência" (Eclo 16,23). "O homem pervertido semeia discórdias, e o difamador divide os amigos" (Eclo 16,28). "A alegria de um homem está na resposta de sua boca, e que bom é uma resposta oportuna!" (Pr 15,23).

Quanta discórdia existe nas famílias e nas comunidades por causa da fofoca, das calúnias, injúrias e maledicências! É preciso aprender que quando errarmos por nossas palavras, quando elas ferirem, injustamente, o irmão, teremos de ter a coragem sagrada de ir até ele pedir perdão. Jesus ensina que seremos julgados por nossas palavras: "Eu vos digo: no dia do juízo, os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado" (Mt 12,36).

Nossas palavras devem sempre ser "boas", isto é, sempre gerar o bem-estar, a edificação da alma, o consolo do coração; a correção necessária com caridade. Se não for assim, é melhor se calar. São Paulo tem um ensinamento preciso sobre quando e como usar a preciosidade desse dom que Deus nos deu, que é a palavra: "Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem" (Ef 4,29).

Erramos muito com nossas palavras, mas por quê?

Em primeiro lugar, porque somos orgulhosos, queremos logo "ter a palavra" na frente dos outros. Mal entendemos o problema ou o assunto e já queremos dar a nossa opinião, a qual, muitas vezes, é vazia, insensata, porque imatura e irrefletida. Outras vezes, erramos, porque as pronunciamos com o sangue quente, quando a alma está agitada. Nessa hora, a grandeza da alma está em se calar, em conter a fúria, em dominar o ego ferido e buscar a fortaleza no silêncio.


Fale com sinceridade, reaja com bom senso e sem exaltação e sem raiva, expresse sua opinião com cautela, depois que entender bem o que está em discussão. Muitas vezes, nos debates, estamos cansados de ver tanta gente falando e poucos dispostos a ouvir. Os grandes homens são aqueles que abrem a boca quando os outros já não têm mais o que dizer. Mas, para isso, é preciso muito exercício de vontade; é preciso da graça de Deus porque a nossa natureza sozinha não se contém.

Deus nos fala no silêncio, quando a agitação da alma cessou; quando a brisa suave substitui a tempestade; quando a Sua palavra cala fundo na nossa alma; porque ela é "eficaz e capaz de discernir os pensamentos de nosso coração" (cf Hb 4,12).



Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa "Escola da Fé" e "Pergunte e Responderemos", na Rádio apresenta o programa "No Coração da Igreja". Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/comportamento/existe-sabedoria-no-silencio/

10 de maio de 2019

Por que servir mais?

O compromisso de partilhar o dom da vida, dádiva sagrada de Deus, é o horizonte para responder a esta questão: "por que servir mais?". A medida dessa oferta se alarga, sem limites, para o cristão na incansável missão de contribuir para a edificação de uma sociedade fraterna e solidária. Temos, assim, um longo caminho a percorrer, de diálogos e reflexões, no interno da Igreja e da Igreja com a sociedade, juntamente  com os irmãos bispos, que me confiaram a missão de presidir a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e com o apoio do povo de Deus. O exemplo é sempre Jesus Cristo, que entrega Sua vida para que todos tenham vida, e não dispensa Seus discípulos de se dedicarem a fazer o bem. O grande desafio: o Seu seguimento.

O porquê dessa pergunta – "por que servir mais?" – se desdobra, ainda, em outro questionamento: "Para que servir mais?". As urgências da vida, que é dom, exigem providências, respostas, e as comodidades não podem adiá-las. Indicam que o bem, a verdade, a justiça e o amor não podem esperar o amanhã. É preciso logo encontrar as respostas, se comprometer. Ter a necessária disposição para enfrentar sacrifícios, o que exige abrir mão das vaidades, e coragem para além de todo medo, por saber a dimensão do desafio que se apresenta.

Por que servir mais?

Dom Walmor. Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

É preciso trabalhar para a recomposição dos tecidos esgarçados dos relacionamentos e dos funcionamentos da sociedade, em razão das grandes mudanças e das polarizações, para encontrarmos o caminho do respeito, sobretudo, da fidelidade aos valores do Evangelho. E sem as generosidades, sem a presença incondicional e plena, os projetos e as instituições não se sustentam e nem se impulsionam.

A missão de servir

Sobretudo, quando a busca é qualificar as condições de servir e de promover a existência de todos, com especial e urgente atenção aos mais pobres, às vítimas das indiferenças e das violências – tudo o que a vida, dom sagrado, exige para "ontem".

No horizonte dessas urgências, a cultura contemporânea submerge numa avalanche de complexas mudanças, com essa preocupante configuração de polarizações e extremismos. Realidade que mostra a falta de clarividência, gerando até exigências de tratamento criminal para as incivilidades e desrespeitos à sacralidade da vida. Assim, conjugando-se mediocridade e comodidade, arrisca-se a desistir da missão de servir.

Por razão de fé e cidadania, a comodidade e a indiferença não devem prevalecer sobre as necessidades da vida, que não pode perder a sua inteireza. Torna-se urgente servir mais, oferecer o que se pode a mais, incluir sacrifícios, elevando a altos níveis o altruísmo, que não pode faltar no coração de cada pessoa. A vida só alcança a qualidade de dom, na medida em que esse dom é vivido como oportunidade de servir e ser operário de uma construção social, política, cultural e religiosa, sobre os alicerces da verdade, justiça e do amor.

Põe-se, aqui, relevante questão ética no sentido de balizar ações, conceitos e suas consequências: a responsabilidade de cada indivíduo ante a seriedade de suas posições, escolhas e pronunciamentos, pois a complexidade do momento pode gerar medos e acovardar posturas. Quando se decide por "servir mais" é imprescindível pensar, corajosamente, sobre a oportunidade de se trabalhar por um novo momento civilizatório, considerando a importância de uma ampla reconstrução sócio-cultural-antropológica.

Urge, pois, a configuração de um novo momento. Esse é possível! Requer coerência e destemor, ancorados na fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo, numa vida com força testemunhal e irretocável credibilidade, avançando na direção do bem e da verdade. Presidir a CNBB é uma missão especial, pois somos bispos, chamados por Jesus Cristo, para ajudar a humanidade a se abrir ao amor de Deus. Nosso compromisso é servir sempre mais. Vale relembrar das palavras de São Martinho de Tours: "Se precisam de mim, não recuso trabalho".



Dom Walmor Oliveira de Azevedo

O Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, é doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Atual membro da Congregação para a Doutrina da Fé e da Congregação para as Igrejas Orientais. No Brasil, é bispo referencial para os fiéis católicos de Rito Oriental. http://www.arquidiocesebh.org.br


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/sociedade/por-que-servir-mais/

8 de maio de 2019

O que a Igreja Católica afirma sobre o inferno?

Um estado de autoexclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados. Essa é a definição de inferno que o Catecismo da Igreja Católica apresenta no número 1033. Tratar sobre alguns assuntos pode gerar as mais variadas reações no interior de cada pessoa, assim é o tema sobre o inferno.

Algumas pessoas não gostam de falar de inferno por medo, por desacreditar, por desconhecer ou até mesmo por pensar na possibilidade de ir para lá. Porém, a Igreja nunca deixou de ter frente aos olhos e de exortar os seus fiéis sobre a doutrina do inferno.

O que a Igreja Católica afirma sobre o Inferno?

Foto ilustrativa: Bruno Marques/cancaonova.com

Na própria Bíblia, nas palavras de Jesus, encontram-se várias passagens em que o Senhor faz alusão ao inferno, e múltiplos adjetivos são dados para essa realidade, tais como: "Geena", "Fogo que não se apaga", "Fogo eterno" e "fornalha ardente". No Evangelho de Mateus 13,41, quando Jesus vai falar sobre a parábola do Joio, Ele afirma: "Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes". O Senhor Jesus deixou bem claro, em muitos momentos, que essa é uma condição de afastamento, distanciamento, cheio de sofrimentos reservado para aqueles que realizaram escândalos e viveram na iniquidade.

O ensino da Igreja sobre o inferno

Quando a Igreja trata sobre o inferno, ela, como Mãe, quer chamar os seus filhos à responsabilidade que devem ter em relação a sua liberdade, dom dado por Deus. Cada pessoa deve cuidar para não transformar tal dom em motivo de perdição, mas o usar em função do seu destino eterno na bem-aventurança.

Realiza-se também um apelo à conversão, adesão à vida nova encontrada não no afastamento, mas na proximidade de Cristo. O Catecismo ainda nos alerta que, como não sabemos nem o dia nem a hora, vigiemos para não sermos pegos de surpresa, equiparados a servos maus e preguiçosos para os quais estão destinados ao fogo eterno (cf. CIC 1036).

A soma de uma aversão livre e voluntária a Deus, fruto da adesão ao pecado grave e nesta escolha permanecer até o fim da vida resulta na pena eterna do inferno. É o pecado grave que é a causa do afastamento definitivo de Deus. Com essa afirmação, a Igreja deixa claro que Deus não destina ninguém para o castigo eterno, mas pelo contrário, ela dá ao seu povo os meios capazes de leva-los aos céu, a Igreja dispõe dos Sacramentos, principalmente do sacramento da reconciliação.

Cristo e o Inferno

Encontra-se no Credo que é professado solenemente que Cristo foi crucificado, morto e sepultado, desceu aos infernos e ressuscitou ao terceiro dia. A tradição da Igreja reza que, naquele dia, um grande silêncio reinou sobre a terra devido à ausência de Cristo. A firmação "Jesus desceu à mansão dos mortos" quer expressar que Jesus, realmente, morreu, e por sua morte venceu a morte e o Diabo, o dominador da morte. A tradição da Igreja reza ainda que, na descida à mansão dos mortos, Cristo primeiro procurou Adão, o nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Deus vai em busca de Adão e Eva que estavam mortos, perdidos pelo pecado. Esse é o primeiro sinal de que o desejo de Deus é que ninguém fique preso a morte, mas seja resgatado do pecado por Cristo.


É quase que impossível pensar em inferno e não imaginar o mistério do juízo final. O teólogo Hans Urs von Balthasar, apresenta, em seu tratado sobre o inferno, que a responsabilidade é individual de cada pessoa, frente ao tribunal de Deus. Porém, ele ainda traz a novidade do Novo Testamento que está apresentado nos evangelhos: "Quem não está comigo, está contra mim" (cf. Lc 11,23); "Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, o Filho do homem se envergonhará dele quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos" (cf. Mc 8,38).

Ainda no Evangelho de São João, a divisão entre Cristo, que é luz, e a sua separação, que é trevas, ou seja, a negação de Cristo. Contudo, a solução para esse cisma está no amor, sim no mandamento do amor: amar a Deus obre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Somente o amor é digno de fé, já dizia von Balthasar, ele nos livra da condenação ao inferno e, ao mesmo tempo, de fazermos de Deus um mentiroso.

O que esperar?

Finalizo este artigo com o desejo de expor ainda inúmeras coisas, mas deixo a reflexão: "O que podemos esperar?". No tratado de von Balthasar, encontra-se uma afirmação que "a virtude da esperança leva consigo a própria certeza". É por isso que cada cristão deve ter a certeza de que vem com a esperança, pois a esperança cristã não está em coisas ou situações, mas na pessoa de Cristo, que foi até a mansão dos mortos para dar-nos a vida.

São Boaventura nos deixa um valioso ensinamento, não algo vago ou jogado ao vento, mas baseado em uma vida reta, e anos de luta pela santidade: "Ainda não sei ao certo se terei amor até o final, mas uma coisa eu sei: que o amor e os méritos que presumo ter me conduzirão com toda segurança a vida eterna".



Fábio Nunes

Francisco Fábio Nunes
Natural de Fortaleza (CE), é missionário da Comunidade Canção Nova e candidato às Ordens Sacras. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP), Fábio Nunes é também Bacharelando em Teologia pela Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP) . Atua no Departamento de Internet da Canção Nova, no Santuário do Pai das Misericórdias e nos Confessionários.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/o-que-igreja-catolica-afirma-sobre-o-inferno/

4 de maio de 2019

Como encontrar um tempo para o descanso digital?

Para quem vive conectado, desconectar e passar algumas horas off-line pode ser uma tarefa muito difícil, mas, cada vez mais, se torna necessário em nossa era digital. Você já parou para calcular quanto tempo você passa usando o celular ou computador nas redes sociais diariamente?

Recentemente, o Instagram fez uma atualização chamada "Sua atividade", em que mostra o tempo médio que o usuário passa navegando na rede social. Se somarmos todas as redes sociais, e-mails, comunicadores como Whatsapp, Messenger entre outros, você verá que passa mais tempo on-line do que off-line.

Um descanso digital diário é urgente para quem está cercado de tecnologia. A rotina com a tecnologia tem deixado as pessoas menos sensíveis. Infelizmente, já não percebemos as pessoas e suas necessidades ao nosso lado. Para pensar, quantas vezes você passou por alguém conhecido e deixou de cumprimentá-lo, porque estava de cabeça baixa, digitando no celular?

Como encontrar um tempo para o descanso digital?

Foto ilustrativa: Bruno Marques/cancaonova.com

Dependência "nomofobia"

Um recente estudo da Pew Research Center mostrou que 46% da população diz não conseguir viver sem seu celular com acesso à internet. A dependência do dispositivo, usado menos para fazer ligações do que para ler notícias, interagir nas redes sociais, jogar e assistir a vídeos, ganhou até um nome: nomofobia, ou seja, o medo de ficar longe do aparelho.

"Nossos smartphones se transformaram em uma ferramenta que fornece satisfação rápida e imediata. Nossos neurônios respondem a isso imediatamente, lançando dopamina. Ao longo do tempo, isso aumenta nosso desejo pelo feedback rápido e pela satisfação imediata. Esse processo também contribui para o desenvolvimento de intervalos de atenção mais curtos, e torna as pessoas mais propensas ao tédio", explica Isaac Vaghefi, professor da Universidade de Nova York, que pesquisou a nomofobia entre 182 estudantes universitários.

Atitudes práticas

Vivemos na era digital, o que torna impossível não usufruirmos da tecnologia para diversas atividades que realizamos, seja no trabalho ou para uso pessoal, porém, para tudo é necessário equilíbrio.

Antes de começar a ler o feed do Facebook e do Instagram, pense quantos capítulos de um bom livro físico você poderia ler em uma hora! Ao participar de uma reunião, tente colocar o celular no modo avião, assim, evita que as notificações tirem sua atenção e a dos participantes da reunião durante uma apresentação importante. Uma caminhada pela natureza ajuda a descansar a mente e refletir sobre o sentido da vida.

Quando não paramos para meditar antes da tomada de decisões, acabamos por tomar decisões equivocadas. Quando gastando tempo na internet com realidades desnecessárias, é como se usássemos o dinheiro para comprar algo sem pensar. É necessário sempre parar e analisar cada ação.


Navegando com equilíbrio

Não precisamos deixar de usar as tecnologias, porém, precisamos usá-las de forma equilibrada, sem que prejudiquem os relacionamentos e a saúde mental. O ambiente digital é um espaço onde os usuários podem criar laços duradouros de amizades, como afirma o Papa Bento XVI.

"Esses espaços, quando bem e equilibradamente valorizados, contribuem para favorecer formas de diálogo e debate que, se realizadas com respeito e cuidado pela privacidade, com responsabilidade e empenho pela verdade, podem reforçar os laços de unidade entre as pessoas e promover eficazmente a harmonia da família humana. A troca de informações pode se transformar numa verdadeira comunicação, os contatos podem amadurecer em amizade, as conexões podem facilitar a comunhão. Se as redes sociais são chamadas a concretizar este grande potencial, as pessoas que nelas participam devem esforçar-se por serem autênticas, porque, nestes espaços, não se partilham apenas ideias e informações, mas, em última instância, a pessoa se comunica a si mesma".*¹

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*¹ – Bento XVI – Mensagem para o 47ª Dia Mundial das Comunicações Sociais


Adailton Batista

Adailton Batista é missionário da Comunidade Canção Nova desde 2009. Nasceu na cidade de Janaúba, MG. Casado. Atua como produtor de conteúdo do portal cancaonova.com e mídias sociais.  Resultado de imagem para favicon instagramResultado de imagem para favicon twitter Estudante de jornalismo na Faculdade Canção Nova, é também autor do blog.cancaonova.com/metanoia.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/tecnologia/como-encontrar-um-tempo-para-o-descanso-digital/

2 de maio de 2019

A espiritualidade pode ajudar na produtividade das empresas?

Empresas buscam produtividade, e a capacidade de produção está associada ao esforço oferecido por cada funcionário. Empresas crescem à medida que seus colaboradores também crescem interiormente. Quanto menor for a capacidade de crescimento interior de cada um, menor será sua produtividade.

Como a espiritualidade cristã pode ajudar as companhias a serem locais de alta produtividade gerada a partir da humanização? Jesus Cristo conhecia Seus discípulos, Ele sabia o nome de cada um, conhecia a história de vida deles. Cristo trilhou um caminho fazendo deles não funcionários do Reino de Deus, mas amigos que poderiam difundir, para outros cantos da Terra, a mensagem de amor que Ele anunciava.

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Foto Ilustrativa: kieferpix by Getty Images

Claro que, em uma empresa de grande porte, essa realidade de conhecer cada colaborador é praticamente impossível de ser aplicada no dia a dia. Grandes empresas, no entanto, possuem equipes responsáveis por seus diversos setores. Por isso, o primeiro passo é que o empresário conheça aqueles que estão em contato direto com ele. Essa rede de conhecimento deve ser criada na base e estender-se de modo mais amplo aos diversos setores da empresa, a fim de saber quem está ao seu lado, suas dificuldades, limites e potencialidades. Conhecer os dons de cada um que com ele convive diretamente é o primeiro passo para uma equipe de base, na qual o crescimento é prioridade a ser buscada e não meta a ser imposta.

Conhecer os dons de cada pessoa eleva o seu potencial de produtividade

Conhecer aqueles que colaboram para o bom andamento da empresa é fundamental para que a ideia principal desse conhecimento interpessoal chegue a todos. Essa rede de amor não é impossível de ser realizada; no entanto, ela só funcionará se for vivenciada por todos aqueles que acreditam na verdade de seus princípios.


Uma rede de amor, na qual o conhecer e a acolhida são eficazes, é fruto de um processo nascido na verdade dos sentimentos de quem busca um jeito novo de vivenciar as relações no ambiente de trabalho. Ao buscar apenas o resultado financeiro, essa rede terminará, mais cedo ou mais, no fracasso.

O projeto inicial deve nascer da convicção de que as relações entre empresário e colaboradores seja fruto de um processo que busque, em primeiro lugar, superar as divisões existentes na empresa onde os funcionários não mais sejam vistos apenas como meros executores de funções, e passem a ser vistos e conhecidos como pessoas. Para o crescimento de uma empresa, o empresário terá de ter consciência de que ele, primeiro, deverá buscar o crescimento interior. Não há como exigir mudanças se antes elas não acontecerem, verdadeiramente, em sua própria vida.

 


Padre Flávio Sobreiro

Bacharel em Filosofia pela PUCCAMP e Teólogo pela Faculdade Católica de Pouso Alegre (MG), padre Flávio Sobreiro é vigário paroquial da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Santa Rita do Sapucaí (MG), e padre da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). É autor do livro "Amor Sem Fronteiras" pela Editora Canção Nova. Para saber mais sobre o sacerdote e acompanhar outras reflexões, acesse: facebook.com/peflaviosobreiro


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/vocacao/profissao/espiritualidade-pode-ajudar-na-produtividade-das-empresas/

29 de abril de 2019

A importância da educação moral

Os processos educativos são decisivos nos rumos e conquistas de uma sociedade. Essa é uma convicção incontestável que deve incentivar o compromisso de todos com o ensino. Cuidar da educação é tarefa da família, particularmente das instituições educacionais, mas também dos clubes recreativos, empresas, institutos, prefeituras, igrejas, meios de comunicação e até dos organizadores de uma simples festa popular, realizada na rua de um bairro.

A condição determinante dos processos educativos é uma compreensão que deve ser assumida em sentido de alerta, permanentemente, motivando avaliações constantes em todas as instâncias. Assim, são desenvolvidas dinâmicas que qualificam pessoas e os diferentes segmentos da sociedade. Uma preparação necessária para exercícios profissionais e cidadãos com resultados mais efetivos, que são sustentáculos da justiça e da paz.

A importância da educação moral

Foto Ilustrativa: Creative – Touch by Getty Images

Na sociedade, nas instituições e instâncias todas, é verdade que os processos educativos em curso estão atendendo necessidades e criando novas condições. Considerando a conjuntura econômica atual na sociedade brasileira, as oportunidades de avanços e desenvolvimentos, não se pode deixar escapar esse horizonte promissor. Em qualquer tempo, para cada um e para o conjunto da sociedade também, valha como advertência aquele velho e sábio ditado: "cavalo arreado só passa uma vez".

Oportunidades perdidas trazem atrasos e prejuízos. Muitos são até irreparáveis. É necessário ouvir sempre os analistas e críticos quanto às consequências de descompassos nos processos educacionais, como retrocessos culturais e o alto preço pago por defasagens na infraestrutura.

A edificação da sociedade justa depende da educação moral

Devemos ouvi-los, também, para saber o que se pode ganhar a partir do desenvolvimento da educação, seja no campo econômico, cultural e social. O exercício de escuta é indispensável para que a crítica e o debate de ideias impulsionem posturas e comprometimentos mais adequados.

É exatamente devido à falta desse necessário embate de ideias, do melhor conhecimento e tratamento da realidade que a sociedade brasileira sofre com as carências no conjunto dos seus processos educativos. No Brasil, onde esses processos são qualificados – graças a Deus, neste cenário de déficit, temos exemplos exitosos – o rendimento é notável, metas são alcançadas e passos largos são dados no desenvolvimento e nas conquistas. É preciso avolumar o coro das vozes que estão repetindo a antífona de que é preciso investimento e maior qualificação nos processos educativos. Caso contrário, nossa sociedade não vai acompanhar, nos diferentes âmbitos, a rapidez, a multiplicidade e as exigências próprias desse terceiro milênio.

Formação moral do cidadão

Não se pode continuar a perder por falhas na educação. Nas dinâmicas do cotidiano, são imensuráveis os prejuízos de cidadãos que mantêm uma visão acanhada, pouco proativa, gerando uma espécie de malemolência e falta de ousadia. O resultado é a incompetência para fazer frutificar o que se tem como oportunidade, o que a natureza dá e o que a inteligência pode fazer.


Indispensável caminho para alavancar os processos educacionais na sociedade é o investimento na formação moral de todo cidadão. Nesse sentido, o contexto atual presenteia a sociedade brasileira com uma oportunidade ímpar, para dar saltos qualitativos quanto à moralidade. O que está acontecendo na Corte Suprema deve ser acompanhado e percebido como esperança para superar dinâmicas de impunidade, aperfeiçoar funcionamentos que extirpem a corrupção, nas suas mais intoleráveis situações.

É preciso estar atento para a relação desse e de outros processos com a formação. Um autêntico desenvolvimento só pode ser completo se incluir a educação moral. Por falta da moralidade, multiplicam-se os cenários contrários ao bem e à verdade. A edificação da sociedade justa depende da educação moral.


Dom Walmor Oliveira de Azevedo

O Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, é doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Atual membro da Congregação para a Doutrina da Fé e da Congregação para as Igrejas Orientais. No Brasil, é bispo referencial para os fiéis católicos de Rito Oriental. http://www.arquidiocesebh.org.br


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/educacao/a-importancia-da-educacao-moral/

28 de abril de 2019

Por que entronizar o quadro de Jesus misericordioso na nossa casa?

Muitos carregam dúvidas sobre manter imagem, quadros e pinturas de santos, pois uma mentalidade equivocada e mal instruída diz que não devemos ter nenhuma imagem, pois Deus proibiu, no Antigo Testamento, que tal realidade acontecesse, pois poderia se tratar de idolatria. Contudo, com a encarnação de Jesus, Deus assume um corpo e uma imagem. Ele se torna visível para o mundo. Quem O vê, vê o Pai. Jesus é o rosto divino do homem e o rosto humano de Deus.

No Concílio de Niceia, a Igreja justificou e afirmou que é válido o culto aos ícones, das imagens de Cristo, dos santos, da Mãe de Deus e dos anjos. Ao encarnar, o Filho de Deus inaugurou uma nova "economia" das imagens (Catecismo da Igreja Católica, 2131).

Por que entronizar o quadro de Jesus misericordioso na nossa casa

Foto Ilustrativa: Paula Dizaró/cancaonova.com

Ainda confirma o Catecismo: "O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. Com efeito, 'a honra prestada a uma imagem remonta ao modelo original' e 'quem venera uma imagem venera nela a pessoa representada'. A honra prestada às santas imagens é uma 'veneração respeitosa', e não uma adoração, que só a Deus se deve: 'O culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas as olha sob o seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não se detém nela, mas se orienta para a realidade de que ela é imagem'" (Catecismo da Igreja Católica, 2131).

Misericórdia

As nossas casas são lugares sagrados, pois é lá onde se iniciam as primeiras etapas da nossa formação cristã. Com os nossos pais, aprendemos as principais orações cristãs, aprendemos o Temor a Deus, e assim somos introduzidos na fé. A família é Igreja doméstica, como chamou o Concílio Vaticano II (Lumen Gentium, 11). Se vivermos bem essa realidade, atrairemos para nossa casa a bênção de Deus. Ali, Ele repousa com a Sua Graça e Misericórdia.

Nas casas cristãs, é muito válido que tenhamos quadros, imagens de santos, o crucifixo, pois estes expressam a nossa fé. São sinais visíveis dela. Como acontece com os cristãos do Oriente, no caso dos ícones, eles falam que não se vê os ícones, mas sim leem os ícones, pois existe uma teologia no que foi pintado. Não é muito o nosso caso da Igreja do Ocidente, mas sabemos que temos diversos sinais e símbolos que expressam e representam a nossa fé. Por exemplo, o crucifixo que mostra o amor de Deus pela humanidade, o sacrifício redentor de Jesus. Também a imagens dos santo e de Nossa Senhora, que nos recordam a intercessão daqueles que já estão diante de Deus, isto é, nossa comunhão com a Igreja triunfante.

Podemos e devemos adorar Jesus Cristo presente no Santíssimo Sacramento, mas também podemos prestar culto ao Senhor pela veneração das imagens que o representam, e uma delas é o quadro de Jesus Misericordioso.


Foi o próprio Jesus que, em 22 de fevereiro de 1931, pediu: "Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: 'Jesus, eu confio em Vós'. Desejo que essa Imagem seja venerada, primeiramente, na vossa capela e, depois, no mundo inteiro." (Diário de Santa Faustina, 47).

Hoje, podemos contemplar e venerar essa imagem, mas não somente, pois podemos e devemos buscar nos configurar a Cristo Jesus e nos transformar todo em Misericórdia. Ao nos colocarmos em veneração dessa imagem, podemos pedir a Jesus a graça de que nossos olhos, ouvidos, língua, mãos, pés e coração sejam misericordiosos também.

A promessa de Jesus a cerca da imagem é muito grande: "Por meio dessa Imagem concederei muitas graças às almas. Que toda alma tenha, por isso, acesso a ela" (Diário de Santa Faustina, 570)."Feliz aquele que viver à sua sombra, porque não será atingido pelo braço da justiça de Deus" (Diário de Santa Faustina, 299).

Domingo da Festa da Misericórdia

Jesus pediu que, no Domingo da Festa da Misericórdia, o sacerdote se reunisse e abençoasse solenemente a imagem. A imagem de Jesus Misericordioso, segundo o que Ele mesmo disse a Santa Faustina, foi a mesma a forma que ele apareceu ressuscitado aos discípulos que estavam trancados em casa, com medo e com a dúvida se Jesus realmente tinha ressuscitado. Diz-nos o Evangelho de São João: "Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: 'A paz esteja convosco'. Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: 'A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós'. Dito isso, soprou sobre eles e disse-lhes: 'Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos" (Jo 20,19-23).

Do mesmo jeito que Jesus se manifestou aos discípulos, entrando naquela casa, assim Ele quer se manifestar nas nossas casas. Ele apareceu ressuscitado, por isso ressuscitou a fé dos discípulos, levou-os à experiência da paz e a receberam a graça do Espírito. Quando entronizamos o quadro de Jesus Misericordioso na nossa casa, pedimos que a ressurreição dele se manifeste, nas nossas casas, e que Ele sempre possa nos surpreender e assim, pouco a pouco, aumentar nossa confiança n'Ele.

Assista

Padre Uélisson Pereira
Sacerdote da Comunidade Canção Nova


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/devocao/por-que-entronizar-o-quadro-de-jesus-misericordioso-na-nossa-casa/

26 de abril de 2019

O que o sentimento de solidão pode trazer para a velhice?

Não deixe que o sentimento de solidão e o vazio tomem conta da sua vida

A solidão não é apenas a ausência real de companhia, mas um estado de quem se sente desacompanhado, só. Um sentimento que podemos viver em qualquer fase da vida, mas é muito mais comum na velhice. Viver bem a chegada da vida adulta tardia e, logo após, a velhice, é algo desafiante, pois exige uma estrutura psíquica saudável para vencer o desacelerar da vida.

O ser humano tem grande necessidade de fazer algo! Muitas vezes, ele acredita que só é alguma coisa se fizer algo, mas se esquece de que, antes de fazer qualquer coisa, ele é "alguma coisa"! É o quê? Gente! Não uma produção.

O que o sentimento de solidão pode trazer para a velhice?

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

E quando eu me aposentar?

Diante dessa realidade, quando é chegada a hora de se aposentar, bate aquele sentimento de inutilidade, de que não é mais importante. Automaticamente, perde-se grande parte do seu convívio social, pois parte dele é fruto do relacionamento no trabalho. Quando esse fato acontece na vida de uma pessoa, ela começa a olhar ao seu redor. Percebe que tudo continua funcionando de forma acelerada, que seus filhos trabalham e, talvez, já nem morem mais em casa com os pais, que a esposa ou o esposo ainda não se aposentaram, que a vida continua lá fora. Agora, no entanto, algo mudou. Principalmente, dentro do coração. É muito comum, nesse momento, o idoso começar a se sentir só, seja por estar verdadeiramente só, nesta fase de sua vida, apenas em algum momento do dia ou até rodeados de pessoas, mas que não são presenças reais, por viverem seu mundo paralelo.

Estar nesse lugar emocional de "vazio", onde nada mais acontece, conduz o idoso a uma viagem, pois a reflexão de um idoso é intensa. Ele começa a refletir muito mais do que antes, e a vida ganha um valor que, talvez, anteriormente, ela não tivesse. Toda essa reflexão leva a pessoa a uma visita interior, em que ela pode se perder se estiver vivendo um sentimento de vazio. Nessa fase, vive-se com mais frequência o luto, a enfermidade, o isolamento social, a depressão, as limitações físicas e o abandono (seja ele propriamente dito ou emocional).


Sentimentos que se destacam na velhice

Em uma pesquisa sobre a depressão e solidão do idoso, foi possível ler relatos de sentimento de ingratidão, de ausência de prazer para comer sua comida preferida, o sentimento de que sua companhia já não é mais agradável, que as pessoas vivem buscando sua sobrevivência e status, e que ele já não é mais parte desse meio. Falas que, se alimentadas, terão forças em seu interior; e não mais terá o desejo de sair dessa solidão, pois se sente inútil por não fazer nada mais.

Existe, no entanto, uma parcela de idosos que conseguem passar bem por essa etapa da vida. Estes têm plena consciência de que a solidão existe e que pode até viver esse sentimento que leva à morte. Por isso, fogem da solidão! E se ela é um sentimento de vazio, de ausência de interação e convívio, o grande remédio é buscar grupos saudáveis. Relacionar-se com pessoas que vivem esse mesmo momento da vida e viver o que de bom a vida tem. Não ficar preso ao que não posso fazer mais, mas sim o que sou capaz de ser e viver no hoje.

Não viva para fazer, viva para ser!



Aline Rodrigues

Aline Rodrigues é missionária da Comunidade Canção Nova, no modo segundo elo. É psicóloga desde 2005, com especializações na área clínica e empresarial e pós-graduada em Terapia Cognitiva Comportamental. Possui experiência profissional tanto em atendimento clínico, quanto empresarial e docência.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/comportamento/o-que-o-sentimento-de-solidao-pode-trazer-para-a-velhice/

22 de abril de 2019

A misericórdia é a mensagem do coração de Jesus

Uma devoção que nasceu do Coração de Jesus. Desejada e instituída por Ele, a Festa da Misericórdia, celebrada no primeiro domingo após a Páscoa, tornou-se oficial em 2000, quando João Paulo II a incluiu no calendário litúrgico universal. Muito antes de ser oficializada na Igreja, no entanto, a Misericórdia já era celebrada no coração de uma jovem, que teve sua vida transformada a partir do encontro com Jesus Misericordioso.

Polonesa, de família de camponeses, Faustina entrou para o convento quando tinha 20 anos de idade. Ainda jovem, ela fez a experiência com a bondade de Deus, quando, em um baile, foi surpreendida pela voz de Jesus que a chamava para ser inteira d'Ele.

A misericórdia é a mensagem do coração de Jesus

Foto ilustrativa: cancaonova.com

O próprio Jesus indicou que ela deveria seguir para Cracóvia, onde entrou para o convento Nossa Senhora da Misericórdia. Caminhos traçados pelo Amor de Jesus, que quis manifestar ao mundo a Sua face misericordiosa. "Desejo que todo o mundo conheça a minha Misericórdia" (Diário de Santa Faustina, 687).

No convento, começaram as revelações de Jesus à jovem freira. Logo cedo, o diretor espiritual de Irmã Faustina a pediu que escrevesse tudo em um diário. Entre os muitos diálogos de Jesus com Faustina, um se destaca: Ele aparece a ela com uma mão erguida e a outra mostrando o coração, de onde saiam raios vermelhos e brancos. Dizia: "Pinta uma imagem de acordo com o modelo que vês com a inscrição embaixo: Jesus, eu confio em Vós! Desejo que essa imagem seja venerada, primeiro, na vossa capela, e depois no mundo inteiro".

Devotos da Divina Misericórdia

Tantas outras revelações indicaram a forma de viver a devoção à Divina Misericórdia e apresentaram ao mundo o desejo do Coração de Deus por não perder uma só alma, nem a mais pecadora. O quadro se tornou uma expressão visível do amor insondável de Deus pelo Seu povo. Venerá-Lo está entre as orientações deixadas para viver bem a devoção, mas não é a única.

O terço da Misericórdia, às três horas da tarde, a novena e outras práticas fazem parte da dinâmica de encontro com a bondade de Deus. O ápice da devoção está no primeiro domingo após a grande celebração da Páscoa. O próprio Jesus indicou este dia, e sobre ele explicou como deveria ser celebrado: "Neste dia, estão abertas as entranhas da minha Misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha Misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das penas e culpas."


Novas faces da misericórdia

Na mensagem de Jesus à Santa Faustina, Ele demonstra o desejo de tornar o Seu Amor conhecido. Mas essa face amorosa de Cristo, tantas vezes distorcida pelo mundo, ainda hoje precisa ser descoberta.

Papa Francisco, em inúmeros discursos, homilias e catequeses, traz essa verdade do coração de um Deus que não cansa de perdoar, que está à espera dos filhos.

Alessandro Gissotti, jornalista da Rádio Vaticana, convive, diariamente, com as palavras de Francisco. Ele afirma sempre se impressionar com a sensibilidade do Papa, com a capacidade que ele tem de ver a necessidade do mundo e se compadecer. O jornalista destaca ainda mais aquilo que Francisco comunica não com palavras, mas com seu silêncio. "Os gestos do Papa falam da misericórdia de Deus. Por várias vezes, o veem em silêncio, mas agindo com tanto amor. Ao tocar um doente, beijar uma criança, acolher as pessoas. São gestos que revelam o Amor de Deus", afirmou. E ao mesmo tempo que Francisco apresenta essa face de Deus, pede ao mundo que também seja assim: "Deus usa de tanta misericórdia conosco. Aprendamos também nós, a usar de misericórdia com os outros, especialmente com aqueles que mais sofrem".

Santuário Mundial da Divina Misericórdia Cracóvia, Polônia

A igreja foi construída no mesmo local em que viveu Irmã Faustina. A dedicação do Santuário Mundial foi, em 2002, por João Paulo II. O local tem a imagem de Jesus Misericordioso pintada, em 1944, e o túmulo de Santa Faustina. O Santuário já recebeu a visita também de Bento XVI, e foi visitado pelo Papa Francisco, em 2016, durante a Jornada Mundial da Juventude. Por ano, mais de dois milhões de peregrinos visitam o local.

Igreja Espírito Santo em Sassia, Roma, Itália

Em 1994, a Igreja foi instituída, no pontificado de João Paulo II, como Centro de Espiritualidade da Divina Misericórdia. No dia 23 de abril de 1995, João Paulo II celebrou, pela primeira vez, a Festa da Divina Misericórdia neste Santuário, mesmo antes da sua instituição no calendário. Na ocasião, o Papa abençoou a imagem de Jesus Misericordioso. O local abriga também relíquia de João Paulo II e de Santa Faustina.

Lízia Costa – Jornalista – Comunidade Canção Nova


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/devocao/misericordia-mensagem-coracao-de-jesus/

17 de abril de 2019

Como era a sociedade no tempo de Jesus?

Jesus de Nazaré, ao assumir a natureza humana, compartilhou com o gênero humano de sua história. Essa foi marcada por aspectos religiosos, políticos e culturais. Assim, o Eterno entra no tempo em um lugar marcado por conflitos e turbulências em níveis religiosos e políticos.

O ambiente escolhido foi a antiga Canaã ou Palestina Romana que, na época, vivia sob a ditadura do Império Romano desde o século I A.C., quando foi invadida pelo general Pompeu. Esse império oprimia a população por meio de inúmeras imposições oriundas de diversos impostos, bem como pela cultura da violência, tornando muitos judeus como escravos e cúmplices de sua corrupção. O império era auxiliado por um exército bem formado, o que aterrorizava ainda mais a população. A sua pior ferramenta não era a espada, e sim a crucifixão.

Assim, no tempo de Jesus, a brutalidade fazia parte da vida cotidiana. Esse foi o lugar geográfico em que nasceu, viveu e morreu Jesus de Nazaré, fazendo-se participante das esperanças e dos sofrimentos do Seu povo.

Durante a maior parte de Sua vida terrena, Jesus viveu sob o domínio do imperador Tibério César (14-37 d.C.). As funções das autoridades locais da Palestina Romana eram distribuídas da seguinte forma: Pôncio Pilatos governava a Judeia; Herodes Antipas era o tetrarca da Galileia; e seu irmão, Filipe, tetrarca da Itureia. Os sumos sacerdotes eram Anás e Caifás.

Como era a sociedade no tempo de Jesus

Foto Ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

A existência judaica se caracterizava principalmente pela religião. A presença dos grupos político-religiosos divergentes entre si era uma realidade proveniente de conflitos perduráveis entre as autoridades religiosas que compunham a história de Israel.

Quais foram as correntes religiosas?

No tempo dos Macabeus, por volta do ano 152 A.C., surgiram as correntes religiosas que perduraram no tempo de Jesus, inclusive, foi neste contexto em que Ele nasceu.

O que é claro ao nível dos princípios para aqueles que, com Matatias, 'têm o zelo pela Lei e sustentam a Aliança' (1Mc 2,27), é menos claro na prática: a fidelidade à Lei exige o fixismo absoluto? E se se admite uma evolução possível, até onde se pode chegar? Aí é que os grupos vão divergir" (c.f. SAULNIER; ROLLAND, 1983, p. 53).

Tais correntes religiosas atuantes no tempo de Jesus são conhecidas como: Saduceus, Zelotas, Fariseus, Essênios, Herodianos e Movimentos Batistas. Em síntese, caracterizam-se da seguinte forma:

Saduceus – Centrados no Pentateuco, desprezavam os escritos dos profetas. Negavam a ressurreição e apoiavam-se numa retribuição imediata e material. Atuavam também na política;

Zelotas – Conhecidos pela ortodoxia e pelo conservadorismo. Apoiavam-se na Lei e consideravam o Templo como instituição divina. Acreditavam que o extermínio dos ímpios tornava iminente a vinda do Messias;

Fariseus – Julgavam alcançar a salvação do povo judeu por meio da vivência da lei escrita e oral, lei essa que deveria ser aprofundada para lhes proporcionar maior piedade. Foram os piores adversários de Jesus no campo da doutrina;

Essênios – Caracterizavam-se como um grupo que buscava dedicar-se inteiramente a Deus e eram rigorosos às regras de pureza. Para eles a santidade de vida era mais importante dos que os holocaustos. Há indícios de que boa parte vivia em Qumrã;

Herodianos – Eram os partidários da dinastia de Herodes o magno. Estavam atentos a qualquer grupo messiânico que se opusesse ao poder Herodiano;

Movimentos Batistas – Conhecidos como seguidores de João Batista e, também, de Jesus, visto que seus discípulos também batizavam. Compreendiam que a salvação era para todos.


Os Samaritanos não pertenciam ao judaísmo e não constituam uma corrente religiosa, porém, faziam parte da Palestina Romana. Além de observadores da Lei de Moisés representada no Pentateuco, mas não aceitam os demais livros do Antigo Testamento. Não reconhecem Jerusalém como capital religiosa e nem o Templo como o lugar central da religião. Para eles o Messias esperado não é descendente de Davi, o que contribuiu para aumentar ainda mais a tensão entre os judeus.

Neste âmbito político-religioso destaca-se principalmente a corte suprema religiosa de Israel conhecida como Sinédrio, composto pelo sumo sacerdote como presidente e por seus assistentes: os anciãos, os sumo sacerdotes destituídos, os sacerdotes saduceus, os escribas e os fariseus. Tinha como finalidade julgar as transgressões contra a lei, estabelecer a doutrina e controlar a vida religiosa. Esse Sinédrio, com um maior números de participantes, vivia em Jerusalém. Porém, constata-se que nas demais localidades da Palestina existiam pequenos Sinédrios e, entre os seus membros, um juiz.

O Templo de Jerusalém destacava-se como o centro religioso de Israel, reconstruído por Herodes, o magno, inaugurado em 515 A.C., após a volta do exílio dos Israelitas. A sua arquitetura mais sóbria que a de Salomão, estava dividida em compartimentos destinado às funções sagradas e de forma hierárquica.

Na participação das celebrações a divisão das pessoas era conforme as classes: sumo-sacerdote, sacerdotes, levitas, homens, mulheres e pagãos. Em certas ocasiões, especialmente nas festas da Páscoa, de Pentecostes e das Tendas, os judeus de todas as regiões costumavam fazer peregrinações ao Templo, para comemorar os grandes feitos de Deus, libertador do seu povo.

Os evangelhos nos mostram algumas visitas de Jesus ao Templo. Vejamos: Maria e José levam-no ao Templo para apresentá-lo ao Senhor (cf. Lc 2,22); por ocasião da Páscoa, quando Jesus tem doze anos, é reencontrado por seus pais instruindo os doutores da lei (cf. Lc 2,46); Jesus expulsa os vendilhões do Templo, também, por ocasião da Páscoa (cf. Jo 2,13-15); por ocasião da festa das Tendas, pelo meio da Festa, Jesus vai ao Templo e se põe a ensinar (cf. Jo 7,1-14).

Economia

Em nível econômico o Templo era fonte de comércio, visto que vendiam animais para os sacrifícios, objetos de grande valor, além de ser o lugar de cambistas. O sumo sacerdote ficava com a maior parte do lucro. Essa realidade comercial tornou-se um meio de corrupção principalmente para as autoridades máximas de Israel.

Como esses meios nem sempre satisfaziam os apetites do sumo sacerdote e os de sua família, às vezes, ele se servia de outros: apropriava-se pela força das peles dos animais degolados que deveriam pertencer aos outros sacerdotes; ia aos sítios roubar o dízimo que lhes é igualmente destinado. Ou usava a intriga, a chantagem e até o assassinato. (c.f. SAULNIER; ROLLAND 1983, p. 39).

As Sinagogas se destacavam nas cidades da Palestina Romana. Elas foram construídas pelos judeus depois da volta do exílio babilônico, e também tinham a sua importância por se tratar do lugar onde era formada a consciência e a piedade do Israelita.

Em termos da agricultura, o trigo; as figueiras; as oliveiras e as vinhas constituíam a base da alimentação. No que diz respeito ao âmbito industrial, destacavam-se as construções; a fiação e a tecelagem; a indústria do couro; a cerâmica; o betume e o artesanato de luxo.

Jesus traz uma nova proposta para o povo

Foi neste contexto que viveu Jesus de Nazaré, além de iniciar o Seu ministério, apresentando-lhes uma nova proposta de vida fundada no amor pela Verdade. Ao Seu encontro, o Nazareno atraía pessoas de todas as classes sociais e hierárquicas, pois trazia na Sua doutrina o selo da Verdade. Enfrentou constantemente adversidades por parte do judeus, principalmente por meio dos fariseus, e os vencia sempre pela força da Verdade, cunhando assim a separação doutrinal com os seus concidadãos.

De acordo com o filme "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson, para as autoridades judaicas daquela época, o novo modo de vida apresentado por Jesus de Nazaré, significava uma grande ameaça. A veracidade desse filme mostra que essa nova forma de aprimorar as leis judaicas (cf. Mt 5,17-18), inflamou os "tidos" como "Doutores da Lei" que, tomados pela inveja, tudo fizeram para lhe oferecer o grau máximo da humilhação oferecido pelos Romanos por meio dos seus algozes: a crucifixão.

Verifica-se, portanto, que Mel Gibson demonstrou a Paixão e Morte de Jesus, também, do ponto de vista histórico. Pois retratou fielmente por meio da violência dos algozes, a cultura do Império Romano que se caracterizava por sua dureza, crueldade, violência e pela instabilidade política e religiosa.

Ainda no citado filme, pode-se constatar que as autoridades judaicas tiraram proveito dessa cultura violenta para causar a morte de Jesus, visto que não conseguiam com as suas maquinações calar a Sua voz e nem destruir Sua doutrina.

Assim, sob a autoridade de Pôncio Pilatos, o pragmático que lavou as mãos diante desse crime por medo de perder o seu alto posto, por meio dos algozes do seu império, depois de dura flagelação e outros tormentos, crucificaram a Jesus de Nazaré.

Portanto, conclui-se que esse foi o julgamento mais infundado e injusto da história humana, visto que Jesus foi o Homem mais inocente que passou pela face da terra. A história nos mostra que a Sua voz ressoa até hoje, e que nem os "gritos" da modernidade conseguem silenciá-la. Assim sendo, Jesus de Nazaré sai do tempo histórico e entra o Cristo.

REFERÊNCIAS

A PAIXÃO de Cristo. Direção: Mel Gibson, Produção: Mel Gibson, Stephen McEveety, Bruce Davey, Enzo Sisti. Roteiro: Mel Gibson, Benedict Fitzgerald,William Fulco. Roma: Cinecittá Studios, 2004. 1 DVD.
SAULNIER, Christiane; ROLLAND, Bernard. A Palestina no tempo de Jesus. Tradução de Pe. José Raimundo Vidigal. 5. ed. São Paulo: Paulus,1983.

Áurea Maria,
Missionária da Comunidade Canção Nova


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/biblia/historia/como-era-a-sociedade-no-tempo-de-jesus/