1 de julho de 2020

Paternidade e maternidade responsável

A família verdadeiramente cristã busca viver intensamente os preceitos evangélicos e a doutrina da Igreja. Por isso, quando a Igreja propõe a paternidade e maternidade responsável, ela não está impondo uma nova lei ou algo arbitrário. Está na linha do que lhe é próprio e devido, como ideal inerente à vocação familiar.

 

Paternidade e maternidade responsável

Foto Ilustrativa: by Getty Images/monkeybusinessimages

 

A busca de uma paternidade e maternidade responsável é um processo lento e gradativo

É o plano de Deus e está na ordem natural a realização humana, mas o que se vê, nos dias de hoje, é uma espécie de inversão dessa ordem e um afastamento, por parte das pessoas, desse desejo de Deus. Parece que existe, especialmente nos jovens, um temor em assumir as responsabilidades do matrimônio, um medo ou uma insegurança quanto ao futuro. O matrimônio parece assustar.

Logicamente, há causas fáceis a serem determinadas: a instabilidade econômica, a dificuldade em se conseguir emprego estável, desarmonia familiar e tantas outras. Chega-se a duvidar do amor, a questionar a vida, a desacreditar da liberdade.

De onde vem esse estado de coisas?

De uns tempos para cá, o número de separações tem aumentado. E, cada vez mais, os jovens preferem experiências sexuais temporárias, provisórias a relacionamentos efetivos. Nem mesmo ao namoro estão dispostos, preferem "ficar". Por não se ter perspectiva de futuro, nem o presente é valorizado. Como consequência, muitas vezes, ainda mais terrível, sobrevém uma gravidez indesejada que acaba sendo interrompida por abortamento. Onde estaria a solução? Qual o caminho certo? Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que: a vida familiar faz parte do plano de Deus.

O Santo Papa João Paulo II nos exorta a construirmos a base da humanidade e da Igreja sobre a família (Familiaris Consortio). Por isso, é preciso lutar pela família não apenas enquanto realidade social, mas como plano de Deus, e considerar suas consequências como: visão clara de Igreja, aceitação de suas exigências morais e espirituais. Isso se realiza com séria preparação para a vida familiar, visão exata da sexualidade, fecundidade, aceitação livre e consciente dos filhos como "o dom mais excelente do Matrimônio" e a educação dos mesmos e o acompanhamento nas diversas etapas da vida (cf.: Gaudium et Spes, nº 50; Humanae Vitae, nº9).

A paternidade e maternidade responsável liberta para o amor

A busca de uma paternidade e maternidade responsável é um processo lento e gradativo, e deve acompanhar os jovens mediante catequese adequada que favoreça o crescimento em idade e conhecimento do mundo e da realidade. No momento decisivo de preparação imediata para o matrimônio, essa responsabilidade receberá grande impulso. Aos jovens que buscam, com sinceridade, essa preparação, a Igreja está sempre pronta a oferecer ajuda. A paternidade e a maternidade responsáveis libertam decidida e definitivamente o jovem casal de toda insegurança, perplexidade, medo, permissividade, amor livre. Liberta para o amor, pois revela todo o valor, o preço da pessoa humana em si mesma e no seu relacionamento "familiar".

Visão de fé

Com essa visão de fé será bem mais fácil superar as dificuldades, as limitações, enfrentar corajosamente as pressões sociais. Uma vida a dois e a bênção dos filhos é sinal da grande responsabilidade dada por Deus. Porém, Ele mesmo fortalece o casal cristão com as virtudes necessárias para viver o dever de estado. Isso, mediante o sacramento do matrimônio.

Diz a Doutora Elizabeth Kipman Cerqueira (citação de nosso livro: "Preparação para o Casamento e para a Vida Familiar"): "Não podemos falar de paternidade responsável, no sentido restrito e amplo da palavra, tomando por base valores transitórios. O valor da criatura gerada não pode estar subordinado às restrições e distorções do ambiente social ou submetido a uma lei contingente. A única análise possível é pela . De nada servem outros raciocínios. O homem deve ser homem em absoluto e basta" (cf. p.68).


"Que Deus nos conceda famílias bem estruturadas!"

O Papa Paulo VI, em sua Encíclica Humanae Vitae, falava aos casais cristãos nestes termos: "Foi a eles (aos casais cristãos) que o Senhor confiou a missão de tornarem visível aos homens a santidade e a suavidade da lei que une o amor mútuo dos esposos com a sua cooperação com o amor de Deus, autor da vida humana. Não pretendemos, evidentemente, esconder as dificuldades, por vezes graves, inerentes à vida dos cônjuges cristãos: para eles, como para todos, de resto, "é estreita a porta e apertado o caminho que conduz à vida" (Mt 7,14; Hb 12,11).

A esperança desta vida, no entanto, precisamente, deve iluminar o seu caminho, enquanto eles corajosamente se esforçam por "viver com sabedoria, justiça e piedade no tempo presente" (Tt 2,12), sabendo que "a figura desse mundo passa" (1 Cor 7,31).

Que Deus nos conceda, cada vez mais, famílias bem estruturadas, jovens ardorosos e cheios de grandes ideais e sonhos. Jovens que se entusiasmem pelo Evangelho da vida, pelos valores da "Comunidade de amor e vida", qual exemplo do amor de Cristo pela sua Santa Igreja! A Pastoral Familiar entrará em cena como grande auxiliar para jovens nubentes, jovens neo-casados e para casais adentrados em sua vida e experiência familiar.

Dom Eusébio Oscar Scheid
Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/familia/fertilidade/paternidade-e-maternidade-responsavel/

29 de junho de 2020

Quais razões para dedicar-se mais à vida de oração?

Deus tem sede de nós e deseja que tenhamos sede d'Ele e, por isso, nos convida a um relacionamento, a uma vida com Ele, uma vida de oração. Muitas vezes, já experimentamos a eficácia da oração em nossa vida, contudo, tendenciamos a buscar esses momentos somente quando surgem as dificuldades. Isso, porque, ainda não entendemos o que é a oração. Orar sempre e continuamente significa estar sempre com Deus de maneira consciente, incluindo a presença d'Ele em nossos pensamentos e ações.

A oração nos coloca na presença de Deus. É um simples olhar lançado ao céu, uma entrega humilde e confiante de nossa vontade humana à vontade do Pai. Muito mais do que alcançar benefícios ou ter uma "garantia de segurança", é olhar para a vida sob a perspectiva de Deus e confiar n'Ele, sabendo-nos amados e deixando-nos sermos guiados segundo a vontade d'Ele.

Quais razões para dedicar-se mais à vida de oração

Foto Ilustrativa: Anastasiia Stiahailo by Getty Images

Viver uma vida de oração é viver uma vida com Deus. Para tanto a oração não pode ser vista somente como uma obrigação a ser seguida, e sim como um meio para nos relacionarmos com o Senhor, oferecendo nosso tempo a Ele, dizendo o que vivemos e escutando os seus direcionamentos. Quando vivemos a partir dessa perspectiva, todos os acontecimentos da nossa vida se tornam matéria de oração, motivo para falar com Deus e estabelecer com Ele uma relação de amizade. Rezamos com pensamentos, palavras, com lágrimas, no recolhimento interior e também com as nossas atitudes e, assim, "oramos sem cessar".

Os benefícios de uma vida de oração

A vida de oração é a fonte de cura para o nosso coração. Nela descobrimos um amigo, um abrigo, um consolo e a certeza de que eu não vivemos só. A partir dela vamos devolvendo a Deus o espaço que é d'Ele em nossa vida. Como nos ensina Santo Afonso de Ligório, a nossa salvação depende da oração: "Quem reza se salva, quem não reza se condena". Isso, porque, quando nos dedicamos a ela, acontecem dois movimentos simultâneos muitos importantes: Deus se revela a nós e nos revela a nós mesmos.

No momento em que Ele nos revela a nós mesmos, tomamos consciência de quem somos, do amor que tem por nós, mas, tocamos também em nossos traumas, nossos limites, fraquezas e realidades onde precisamos ser curados. Assim, nosso coração é conduzido à conversão, somos lapidados, restaurados a Sua imagem e semelhança.


E, quando Deus se revela a nós, nos tornamos conhecedores da Sua grandeza, entendemos que nada em nossa vida é maior do que a bondade d'Ele. Somos, então, encorajados a permanecer de pé, a lutar diante das dificuldades, a não desanimar. Quanto mais Ele se revela, mais cresce nossa fé e confiança. Nesta hora, não mais O seguimos pelo que realiza ou pelo consolo que nos dá, mas simplesmente e somente por quem Ele é. Assim podemos descansar em Sua presença independente do que nos aconteça, e essa sim é a grande graça da oração.

Contudo, a oração não surge de um espontâneo impulso interior. Para orar é preciso querer. Viver uma vida de oração exige dedicação. A resposta é livre e pessoal: passa pela nossa razão e pela nossa vontade. Diante de tantos motivos para se dedicar à vida de oração, a escolha é sempre nossa. Deus estará sempre a nos esperar com desejo de saciar a nossa sede!



Marcela Cunha

Marcela Martins da Cunha, natural da Cidade de Edéia – GO, é missionária da Comunidade Canção Nova desde 2013. A missionária formou-se em Fisioterapia pela PUC – GO em 2004; é Mestra em Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde pela UFG (Universidade Federal de Goiás), pós-graduada em Saúde da Família (UFG) e em Gestão da Comunicação pela Faculdade Canção Nova (FCN). Atualmente, atua na gestão do Posto Médico Padre Pio e na missão RVJ. Tem a escrita como uma forma de comunicar o Cristo vivo e vivido em sua vida.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/quais-razoes-para-dedicar-se-mais-a-vida-de-oracao/

26 de junho de 2020

Os pais se divorciaram. Como fica o relacionamento com os filhos?

O casamento se mantém como uma promessa de união eterna. Ao escolher uma esposa ou marido, é comum o desejo de ter consigo essa pessoa até o fim da vida. Essa também é a interpretação da sociedade. Famílias e amigos creem na permanência do matrimônio, aceitando os cônjuges como um. Nesse contexto, o fim do matrimônio é sempre uma situação de constrangimento, não necessariamente pela rejeição, mas pela quebra de uma promessa social de união. Mais difícil se torna a situação quando o casal tem filhos, que podem se tornar vítimas indefesas desse momento de tribulação.

Os motivos que acarretam o fim do matrimônio são os mais diversos. Na infeliz hipótese de um rompimento – seja qual for o motivo –, o cônjuge que não deseja o fim da relação tem que lidar com o próprio sentimento de rejeição e, como o sofrimento tende a nos cegar para as consequências dos nossos atos, os filhos, frequentemente, são vítimas ingênuas. Poucas pessoas conseguem gerir o sentimento de rejeição de forma saudável.

Foto Ilustrativa: fizkes by Getty Images

Para amenizar as consequências do divórcio nos filhos é preciso, primeiro, controlar os conflitos dos pais. Diante do sofrimento, é difícil exigir dos pais a compreensão de que as agressões entre eles são exemplos fortemente influenciadores em seus filhos. Isso porque a separação conturbada tende a fundamentar acusações, xingamentos, discussões e outros males que tomam toda a atenção dos pais, acabando por não observar o comportamento dos filhos.

Sofrimento individual, filhos e a Igreja

É preciso uma compreensão clara de que, mesmo diante de mágoas, intrigas e até traições, o pai continua pai e a mãe continua mãe. O homem ou a mulher que tanto magoou ainda tem muito a acrescentar na criação dos filhos. Claro que, na teoria, isso parece bem óbvio e simples, mas, na prática, não é bem assim. O fim da união é, geralmente, vivido sem a coragem do perdão, da paciência, da reconciliação e até do sacrifício. Portanto, cabe a cada um dos ex-cônjuges manter-se ponderado diante dos filhos, para que as mazelas da separação os atinjam de forma menos traumática.

Superado o sofrimento individual, é preciso voltar os olhos para os filhos e exercer toda a paciência e compaixão para explicar o que, muitas vezes, nem mesmo os pais entenderam. E se há dificuldade em apresentar uma solução particular para os pais que estão se divorciando, é possível demonstrar o papel da Igreja diante do sofrimento dos fiéis, sugerida pelo Sínodo dos Bispos na III Assembleia Geral Extraordinária:


"Um discernimento particular é indispensável para acompanhar pastoralmente os separados, os divorciados, os abandonados. Deve ser acolhido e valorizado o sofrimento daqueles que padeceram injustamente a separação, o divórcio ou o abandono, ou então, por causa dos maus-tratos do cônjuge, foram obrigados a interromper a convivência. O perdão pela injustiça sofrida não é fácil, mas se trata de um caminho que a graça torna possível. Daqui, deriva a necessidade de uma pastoral da reconciliação e da mediação, também através de centros de escuta especializados, que devem ser criados nas dioceses".

É preciso compreensão da comunidade cristã diante de algumas dissoluções matrimoniais. O cuidado com eles não é demérito para a Doutrina da Igreja, pelo contrário, é demonstração de caridade. Com isso, inseridos em um cenário de acolhimento e amenizados os sofrimentos individuais, o tratar dos filhos se torna resultado natural do amor em comum que os pais têm por eles. Que o amor seja sempre o fundamento de nossas relações, e se surgir, em nosso meio, a separação, que a caridade e a compreensão possam amparar os que sofrem. Que assim seja.

 



Luis Gustavo Conde

Catequista atuante na evangelização de jovens e adultos. Palestrante focado na doutrina cristã. Advogado com atuação na área de Direito de Família e Direito Bancário. Tecnólogo em Gestão Empresarial. Professor de cursos técnicos-profissionalizantes.
Instagram: @luisguconde Contato: luisguconde@gmail.com


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/familia/divorcio/os-pais-se-divorciaram-como-fica-o-relacionamento-com-os-filhos/

24 de junho de 2020

Como é viver a santidade na vida cotidiana?

A santidade é a vocação de todo cristão batizado, independentemente do seu estado de vida e da realidade em que esteja inserido. Em sua Encíclica Gaudete et Exsultate sobre o chamado à santidade no mundo atual, Papa Francisco nos diz que a santidade é, sem dúvida, o rosto mais belo de Deus, e que "O Espírito Santo derrama a santidade, por toda a parte, no santo povo fiel de Deus, porque aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente".

Os santos foram homens e mulheres que se deixaram transformar pela graça de Deus e corresponderam a essa graça numa vida honesta, virtuosa e, acima de tudo, uma vida de vivência da Palavra de Deus. Em outras palavras, poderíamos dizer que ser santo é viver o Evangelho, é fazer a vontade de Deus onde se está inserido. Por muito tempo, achávamos que a santidade era algo só para quem vivia nos mosteiros, para os padres e as freiras, mas isso é um pensamento errôneo, pois a santidade é possível para todos – para o estudante, para a mãe de família, para o pai trabalhador, para o jovem universitário –, independentemente da profissão ou do cargo que ocupe.

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Foto Ilustrativa: flukyfluky by Getty Images

Uma devoção à santidade

São Francisco de Sales, em seu livro intitulado de 'Filoteia' ou 'Introdução à vida devota', aponta-nos que a vida de devoção e santidade é possível, que ela não é para uma elite separada; a santidade é para todo homem de boa vontade. Outra grande verdade é que a santidade não é fruto de nossos esforços humanos nem de nossos méritos, ou seja, não somos nós que nos transformamos em santos; a santidade é, acima de tudo, um dom da graça de Deus, e é Ele quem nos transforma em santos. Da nossa parte, temos a obrigação de corresponder a tamanho dom que nos foi dado no dia do nosso batismo, pois todos os dons já nos foram dados no nosso batismo.

O batizado é um vocacionado à santidade, ou seja, é alguém que deve ter consciência da vida nova que lhe foi infundida e, por isso, vive como pessoa salva em Cristo, vivendo fiel e honestamente o seu batismo.

Ser santo não é não pecar ou não ser gente, ser santo é corresponder à graça de Deus, amar a Deus acima de tudo e o próximo com amor verdadeiro que sai de si. É viver o Evangelho, a ternura, a bondade, a conversão nas pequenas e grandes coisas do cotidiano da vida.

São Bento, em sua regra, aponta-nos um meio tão eficaz chamado de "a conversão dos costumes", ou seja, auxiliados pela força de Deus, devemos nos converter, mudar aquelas atitudes que não edificam ou não ajudam o próximo no seguimento a Cristo. Os grandes santos eram profundamente homens e totalmente de Deus, não viviam uma santidade destacada da realidade, ou algo longe de se alcançar, mas algo no concreto do dia a dia, vivido com paciência e amor. Não viviam nas alturas só preocupados consigo mesmos, ao contrário, os santos eram homens e mulheres à frente do seu tempo, eram, como nos diz Jesus no Evangelho, o fermento de Deus no meio do mundo.

Grande exemplo dessa santidade nas pequenas coisas e no cotidiano da vida é Santa Teresa do Menino Jesus, que viveu a chamada pequena via, uma santidade que se dava no dia a dia. Em tudo aquilo que ela fazia, colocava amor, fazia por amor, principalmente as coisas mais humilhantes, suportava tudo sem murmurar, mas por amor.

Nosso século está recheado de testemunhos autênticos de pessoas que, em diferentes realidades, viveram a santidade, foram se transformando pela graça de Cristo. Pessoas que, alcançadas pelo amor e misericórdia de Deus, não pararam em si mesmas, mas se lançaram em ajudar o próximo, pessoas essas que são para nós como luzeiros a iluminar nosso caminho nas noites escuras que, muitas vezes, vivemos.

Os santos não são apenas para ficar nos altares bonitinhos e rezarmos a eles, mas, antes e acima de tudo, são para nós modelos, modelos a serem imitados no dia a dia, adaptando a nossa vida a nossa realidade, buscando viver as virtudes nas situações que vamos vivendo na caminhada. Os santos são nossos irmãos mais velhos na fé. Olhemos para a vida deles e percebamos que é possível, podemos chegar lá, não sozinho, mas correspondendo à graça de Deus acima de tudo.


O fundador do Opus Dei, São Josemaria Escrivá, tem uma frase belíssima e, ao mesmo tempo, muito forte, que nos leva a questionarmos a nossa vida: "Meu Deus, faz-me santo, nem que seja a pauladas". Portanto, meus irmãos, a santidade não é um presente de bom comportamento, mas uma graça dada por Deus, que consiste na vivência da Sua Palavra. O santo não se pertence, é alguém vazio de si e cheio de Deus.

Portanto, meus irmãos, vivamos a santidade em tudo aquilo que fizermos, seja na cozinha, no escritório, no campo, na escola, no hospital, na faculdade e em qualquer lugar que estejamos, suportando tudo por amor de Deus e pagando o mal com o bem sempre, pois o bem feito com amor nunca será esquecido.



José Dimas

José Dimas da Silva é seminarista e candidato às Ordens Sacras da Comunidade Canção Nova. Natural de Gravatá (PE) e graduando do curso de Filosofia (licenciatura) pela Faculdade Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP). Atua na liturgia durante os eventos e é produtor de conteúdo para este canal formativo.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/como-e-viver-a-santidade-na-vida-cotidiana/

22 de junho de 2020

Escolha pelo time de Jesus

Eu estava ouvindo uma pregação do monsenhor Jonas em que ele falava muito de decisão, estava nos levando a tomar uma decisão. É hora de jogar fora tudo aquilo que não presta, por causa da vinda do Senhor.

Monsenhor Jonas falou muito de times. No mundo existem dois times, o de Jesus e o do maligno. No céu, todos estavam em um único time, até que houve uma divisão, como está escrito no livro do Apocalipse 12,7 em diante. Diz ainda que o dragão foi precipitado na terra. No começo do Gênesis, só havia um time, Adão e Eva, e a serpente foi criar a divisão. No Evangelho de João, capítulo 10, versículos 9 e 10, nós podemos observar dois times.

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Foto Ilustrativa: Zbynek Pospisil by Getty Images

O sedutor nos tira do time de Jesus

O sedutor vem para nos seduzir e, quando nos seduz, ele nos tira do time de Jesus. Não que nós queiramos, mas nós como não conhecemos o time de Jesus, entramos no time dele. Porém, quando entramos no time dele, nós entramos para morrer. Ele nos seduz através da bebida, cigarro, a fim de nos levar à perdição. Jesus disse que era o Caminho, então, nós temos de passar por Jesus para sermos salvos. Por isso, nós temos de evangelizar para mostrar para os outros que eles estão do lado errado. Nós pedimos a ajuda de Nossa Senhora para ficar no time de Jesus. Neste dia, o Senhor te pergunta em qual time você está? Outra passagem que Jesus fala de dois times está em Mateus 13, 24-30: os que estiverem do lado do inimigo, o joio, serão amarrados e queimados. Depois, no versículo 36 até 43, nós vemos a explicação da parábola do joio. E Jesus nos mostra que, neste mundo, existem dois times: aqueles que estão com o Senhor, muitas vezes, sofrendo na porta estreita e os que estão com o outro, na folga, com a porta larga.

Eu estou aqui para dizer aos que estão no time do outro, mesmo sem saber, que é para irem para o time de Jesus. É preciso tirar da bolsa e do bolso o que não presta. E é preciso que nós coloquemos no bolso e na bolsa o que é de Jesus. O demônio não nos ama, ele nos odeia, enquanto Jesus nos ama. O demônio nos quer levar para a perdição eterna, e Jesus quer nos salvar. É momento de decisão.

É hora de ir para o time de Jesus

Em Marcos 14, 24-27, diz o que acontecerá: Jesus vai reunir os seus eleitos. Ele não vai reunir todos, mas os seus eleitos, ou seja, aqueles que abandonaram o pecado e ficaram com Ele. Aí, não existirá dois times, o outro será derrotado. Depois disso, não haverá mais essas porcarias por aí, não precisaremos ficar mais por aí, fazendo jejuns e outras coisas mais. Tem uma passagem que diz que todos verão, não haverá cegos, todo o mundo verá o Senhor. E aí será uma grande decepção para aqueles que não renunciaram ao pecado e uma grande alegria para aqueles que estão lutando contra o pecado, os eleitos do Senhor, e aí ficaremos com o Senhor. Todos os olhos O verão.

Amoleça o seu coração meu irmão, não fique no time do outro. É hora de ir para o time de Jesus. No time de Jesus só há vencedor, não há derrotado. Quem está no time de Jesus, vencerá hoje e por toda a eternidade. Feliz de você que abriu a sua bolsa e jogou tudo o que não prestava fora, que largou o pecado, que abandonou o time do outro. Agora é tempo de permanecer no Senhor porque Ele diz que aquele que permanecer será salvo. Para permanecer existem os grupos de oração, os acampamentos de oração, a devoção a Nossa Senhora, as pastorais das dioceses, a reza do terço… Muitos deixam o Senhor enganados pelo inimigo e dizendo que só sofreram com o Senhor. Eu te digo: sofre na terra, mas no céu não sofre não. Muitos andam dizendo que não tem mais jeito, que não tem mais força. Mas Jesus tem a força. O único jeito é gritar pelo nome de Jesus.


O outro está fazendo de tudo para te acorrentar, ele não quer te perder, pois você está sendo um bom jogador. Então, se você está nesta decisão e para não te perder, de repente, algo dá errado: alguém morre na sua família ou você perde o emprego. Daí vem um pensamento para você não sair do time d'Ele. Olha o discernimento: se você estava com emprego e perdeu ao escolher pelo Senhor, é porque você estava do lado d'Ele e Ele estava te enganando com um emprego. E para você que diz que não tem mais jeito, eu te digo: "O jeito é Jesus Cristo".

Quando você achar que não tem mais o que fazer, faça o que está escrito em Atos 2, 37. É essa pergunta que você deve fazer ao Senhor! Não é para ficar falando que não tem mais jeito. E a resposta está no versículo 38.

Você tem forças para largar o pecado

"Convertei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados. E recebereis o dom do Espírito Santo". Mude de time, essa é a resposta! Você tem forças para largar o pecado, pois Jesus te deu a força! Aqueles que estão dizendo que não tem mais força, tem de dobrar o joelho no chão e se arrepender do que fez, jogar fora a prova do seu pecado e decidir-se pelo Senhor. Abandone aquilo que não fala de Deus. Então, Jesus entra na sua vida porque você jogou fora o que impedia Jesus de entrar. Você não foi esquecido por Deus.

O inimigo vai fazer de tudo para você ficar com vontade de voltar àquilo que você jogou fora. Você que abandonou as coisas do time do outro fuja dos lugares onde você pode cair. A vontade vai abaixando até você não ter mais vontade. Fuja das ocasiões de pecado. Você pode até ter saudade das cebolas do Egito, mas é hora de se alimentar do Corpo e o do Sangue do Senhor. Depois que você largar o mal, você entrará para o time do Senhor. Agora, você faz parte do time do Senhor. No time de Jesus é só graça e paz, de Jesus!

Santidade é isso: você fazer parte do time de Jesus. É você se armar com as armas de Jesus, é buscar a intercessão de Nossa Senhora, é seguir os impulsos do Espírito Santo. Quem está lutando pela santidade sofre e luta contra as tentações. São Francisco sofreu tentação na carne, mas não fez como nós, ele lutou, jogou-se nas rosas, então, a tentação passou.

No momento em que você jogar o mal para fora, você será o trigo de Jesus. E Ele virá nos buscar, então, o juiz irá apitar o final de jogo, o apito final será quando o Senhor voltar.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/oracao/escolha-pelo-time-de-jesus/

18 de junho de 2020

O que significa benzer? O que significa abençoar?

Pediram-me para responder estas duas perguntas: O que significa benzer? O que significa abençoar? Começo com o verbo "abençoar" ou com o substantivo "bênção" e percebo, antes de tudo, que o termo "bênção", na Bíblia, sintetiza toda a história da salvação. De fato, toda a história de Israel é a história da bênção prometida a Abraão (Gênesis 12,3) e dada ao mundo por Jesus, "fruto bendito" do "seio bendito" de Maria (Lucas 1,42). Aliás, essa bênção já começa com a criação, como lemos em Gênesis 1,28: "E Deus os abençoou e lhes disse: 'Sejam fecundos' (…)". Por outro lado, o pecado desencadeia a "maldição" sobre "a serpente" (3,14-15) e sobre o solo (3,17).

Depois do dilúvio, uma nova bênção dá-se à humanidade: poder e fecundidade (9,1).

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Foto Ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Abençoar é bíblico

A partir de Abraão, no entanto, a bênção é de um tipo novo, pois nela aparece o desígnio de Deus de abençoar "todas as nações da terra" (Gênesis 12,3).

Uma fase importante, na qual se manifesta de maneira significativa a bênção de Deus, é a aliança com o povo de Israel. E a fidelidade a essa aliança é a garantia das bênçãos de Deus (Deuteronômio 28,1-14).

Deus é bondoso

Deus abençoa e, ao mesmo tempo, é abençoado, porque os fiéis reconhecem que Deus é bom e providente. A oração dos Salmos, com frequência, é um exemplo disso. "Seja bendito, Javé! Ele fez por mim maravilhas de amor" (Salmo 31,22). "Bendiga a Javé, ó minha alma, e todo o meu ser ao seu nome santo! Bendiga a Javé, ó minha alma, e não esqueça nenhum dos seus benefícios" (Salmo 103,1-2).

Muito significativo a esse respeito é o cântico de Zacarias no dia da circuncisão do filho João Batista. Esse cântico é repetido todos os dias na Liturgia das horas: "Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo" (Lucas 1,68).

A bênção acontece também de homem para homem, como quando Melquisedeque abençoa Abraão (Gênesis 14,18-19), ou Isaac abençoa Jacó (Gênesis 27,27).

E por que não pensar nas bênçãos de Jesus? Ele abençoa as crianças (Marcos 10,16) e Seus discípulos (Lucas 24,50). Antes de partir o pão, nas multiplicações dos pães (Marcos 6,42; 8,7) e na última ceia (14,22), Ele pronunciou, conforme o costume judaico, uma fórmula de bênção, isto é, glorificou a Deus por causa do pão. Ensinou a Seus discípulos a responder com uma bênção as maldições dos seus inimigos (Lucas 6,28), descreveu a eterna felicidade dos justos como a bênção definitiva dada pelo Pai (Mateus 25,34). O mesmo Jesus foi abençoado pelos piedosos judeus (Marcos 11,9-10).


Rito de bênção

E hoje a Igreja abençoa, e até com ritual de bênção. Pense, por exemplo, na bênção das casas ou dos objetos de devoção. E como não lembrar o belo costume que ainda vigora em alguns lugares, dos filhos pedirem a bênção dos pais quando estão saindo de casa! Os pais respondem ao pedido de bênção dos filhos invocando a Deus: "Deus te abençoe, meu filho!".

Se olharmos para a etimologia, quer dizer, a origem da palavra, na língua latina, os termos "benedicere" (benzer, abençoar) e benedictio (bênção) significam "dizer bem", "palavra benevolente". Nesse sentido, a "bênção de Deus" sobre nós corresponde a uma "palavra criadora" de bem. Em outros termos, Deus, com a Sua poderosa palavra, cria o bem na nossa vida. E quando nós bendizemos a Deus, reconhecemos o bem que Ele nos fez e nos faz. Quando nós abençoamos os outros, pedimos a Deus que derrame o bem sobre eles.

Acreditamos que quem está mais perto de Deus pode interceder por nós. Eis por que nós nos aproximamos dessas pessoas pedindo a bênção. Às vezes, poderia haver até uma superstição: motivo pelo qual "benzer", ou "benzedeiro" teria outro significado. Nos dicionários da língua portuguesa, o termo "benzedeiro" chega a ter, entre outras acepções, também a definição de "bruxo" ou "feiticeiro". Por isso, vale a pena seguir o conselho do apóstolo Paulo: "Examinem tudo e fiquem com o que é bom" (1 Tessalonicenses 5,21).

Que Deus, na Sua misericórdia, abençoe todos nós!



Lino Rampazzo

Doutor em Teologia pela Pontificia Università Lateranense (Roma), Lino Rampazzo é professor e pesquisador no Programa de Mestrado em Direito do Centro Unisal – U.E. de Lorena (SP) – e coordenador do Curso de Teologia da Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP).


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/o-que-significa-benzer-o-que-significa-abencoar/

16 de junho de 2020

A esperança cristã presente no gesto do Papa Francisco

Uma imagem que "rodou" o mundo e emocionou os católicos foi quando o Papa Francisco, no dia 24 de maio de 2020, Domingo da Ascenção do Senhor, apareceu na janela do Vaticano para abençoar o povo que estava na Praça de São Pedro durante a oração do Regina Coeli. Essa imagem não se repetia desde o dia 8 de março de 2020, quando a Praça de São Pedro foi totalmente fechada por causa da pandemia do coronavírus, que contaminava e matava milhares de pessoas em todo o mundo. "A emoção do reencontro depois de quase dois meses", essa era a frase estampada nos jornais.

Não se podia falar de multidão na Praça de São Pedro como era costume, pois respeitava as regras do distanciamento, mas, mesmo que seja um pequeno grupo de fiéis presente na Praça, para os católicos do mundo, que acompanhavam pelas TVs e Redes Sociais, a possibilidade do povo rezar com seu pastor é um sinal de esperança de que a vida voltará ao seu ritmo normal, como o próprio Papa afirma na oração a Maria, neste tempo de pandemia: "Vós, Salvação do Povo, sabeis do que precisamos e temos a certeza de que no-lo providenciareis para que, como em Caná da Galileia, possa voltar a alegria e a festa depois desta provação".

A esperança cristã presente no gesto do Papa Francisco

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A angústia diante da provação

Socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na capital paulista, de acordo com Francis Fujii, seu diretor médico, relata que, o atendimento a casos de suicídio e de tentativa de suicídio aumentou com a pandemia de coronavírus. Tal constatação confirma a análise publicada no Journal of the American Medical Association – Psychiatry, em abril de 2020, nos Estados Unidos, trata dos efeitos colaterais das necessárias medidas de isolamento e distanciamento social por conta da Covid-19 que podem aumentar o risco de suicídio. Os autores da pesquisa apontam como influenciadores da mortalidade por suicídio e Covid-19, entre eles, o estresse econômico e a incerteza sobre a própria subsistência; a solidão e a desconexão social; a dificuldade no tratamento da saúde mental devido à sobrecarga do sistema pelos pacientes da pandemia; o medo diante de doenças pré-existentes; e o aumento na ansiedade diante da doença.

O que foi apresentado acima é apenas um dos exemplos das consequências originárias de toda as condições de isolamento, estresse, tristeza, medo do futuro, incertezas, solidão, etc. provocado pela pandemia do coronavírus.

Esperança humana

A esperança é uma virtude própria da existência humana. Além de teológica, é uma realidade antropológica. O ser humano vive a realidade presente projetada para o futuro na esperança de uma existência plena.

O provérbio "A esperança é a última que morre" está presente na consciência e fala do povo, bem como, "no fim vai dar certo" ou "tudo vai ficar bem". Apesar de todas as formas de desânimo presentes na vida do povo sempre fica um pouco de esperança, a possibilidade de ter uma solução. Encontramos hoje muitos exemplos concretos da coragem de viver e enfrentar a vida, por exemplo, pais que já não enxergam mais nada de mudança em sua frente, mas esperam dias melhores para seus filhos e por isto fazem sacrifícios duros, para que eles não sofram o que eles aguentaram. Pessoas enfermas que lutam contra a doença com todas as possibilidades, a vontade de viver e sobreviver costuma vencer a inclinação para a morte.

A esperança é sustentada pela confiança, as duas se completam e se supõem. A esperança é vista como realizável pela confiança. No horizonte da esperança humana, há incertezas e temores, mas também existe o ousar, a aventura, a confiança que empurra e sustenta a pessoa na conquista do bem e sempre repetir: "tudo vai ficar bem".

Esperança cristã e o cumprimento das promessas

No Antigo Testamento, Deus é apresentado como o "Deus da Promessa". O elemento primeiro e fundador da Revelação foi a promessa aos pais na Fé, os Patriarcas. E viver dessa promessa é o que dá sentido para a existência e luta deste povo. Deus promete terra, descendência, vida (cf. Gn 12,3.17; 13,14-16; 15,3.7.18; 18,10; 22,17;…).

A promessa para o povo de Israel tem como objeto a terra e a descendência, a promessa é concreta, o povo confia e esta promessa se torna o fundamento da Aliança. Nesta confiança o povo vai construindo sua história feita de lutas, conquistas, comemorações e esperanças (cf. Dt 6,20-25). O Deus da promessa cria o povo da esperança.

Os profetas garantem que a história da salvação é conduzida por Deus que cumpre sua promessa e aí o povo encontra forças para suportar o imprevisto dos acontecimentos, as instituições, os sistemas, as inovações, os progressos, bem como as calamidades, as guerras, as enfermidades, as invasões, os imperialismos e toda espécie de desafios e de crises, com a certeza: "Eu serei vosso Deus, e vós sereis o meu Povo" (Ex 19,5).

Jesus é o cumprimento pleno da Esperança prometida no Antigo Testamento. O pleno cumprimento das promessas em Cristo, na sua cruz e ressurreição (cf. 2Cor 1,20) vem a ser a perfeita revelação da Esperança. Na cruz, o vazio total de Jesus revela a plenitude do Deus Amor. A morte e ressurreição de Jesus é este ato total de Esperança.
Em Cristo, a Esperança se torna plenamente teologal, ou seja, Divina. Tudo, nós esperamos somente de Deus, do Deus Amor, que nos conduz pelos caminhos do amor: "Nada nos poderá separar do Amor que Deus nos manifestou em Cristo" (Rm 8,39).


No discurso de despedida, Evangelho de São João, 14,15-21, Jesus promete enviar o Espírito Santo: "Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro defensor, para que permaneça convosco". Esta promessa é a certeza de que Deus não nos abandona. Jesus fala no envio do "Paráclito" (paráklêtos), "advogado", "auxiliar", "defensor". Sentido de "consolador", de "intercessor"; o advogado, ad-vocatus, "chamado para", "aquele que vem para perto para defender". O Espírito é apresentado como "a força de Deus" que vem em nosso socorro. No mesmo discurso Jesus reafirma aos discípulos, "não vos deixarei órfãos", garante-lhes com grande força a sua presença através do Espírito Santo. Essa mesma promessa e força da Esperança é hoje também para nós que cremos.

Pela Fé trazemos a certeza de que não estamos sozinhos, pois o Espírito Santo não abandona, uma vez que estabelece morada permanente; essa é a verdade que Jesus revelou, essa é a verdade que em nós o Espírito sustenta e defende. Quando a provação encontra alguém ancorado na confiança na Palavra do Senhor, e no abandono a Ele, então é purificada, lança-o no caminho do Ressuscitado e suscita Esperança.

A Esperança fundamentada na Ressurreição de Jesus não decepciona (Rm 5,5). Não se trata de um simples otimismo ou animação em determinadas circunstâncias, mas de uma atitude fundamental de quem vive esta esperança cristã que faz olhar para frente e enxergar a realidade com mais lucidez e alegria e proclamar com o apóstolo Paulo: "Estava plenamente convencido de que Deus era Poderoso para cumprir o que prometeu" (Rm 4,21).

A Esperança não consiste simplesmente em ficar parado, ocupando-se com o desnecessário, esperando até que o Senhor volte, como fizeram alguns membros da Igreja de Tessalônica (2Tm 3,6-12). Viver na esperança é colocar os pés na estrada, construir caminhos, aplainar as veredas, dar pão a quem tem fome, um copo de água a quem tem sede, vestir o nu, visitar o doente, o preso, acolher o imigrante (cf. Mt 25,31-46) é construir o Reino que com Jesus já está no meio de nós. O agir do cristão possui um caráter de confiança em Deus, fundamento e fim último de toda Esperança. A Esperança cristã é vivida na oração, na virtude da paciência e na prática da caridade. Por tudo isto, o cristão tem de ser profeta da Esperança e não do medo e do desespero.

A Esperança cristã não aceita o "correr em vão" (1Cor 9,26). O homem corre em busca da felicidade divina e felicidade humana. Agarra-se à certeza do Reino prometido, que já está em marcha, presente pela força da graça, na existência de cada um e na história da humanidade que caminha em busca do Reino prometido. A esperança supõe a confiança nas promessas de Deus e na sua bondade que deseja a salvação de todos e faz com que a fé se torne uma força que move, sustenta a existência cristã (Cl 1,4-5).

Toda Esperança se apoia na certeza de que é possível alcançar o bem prometido por Deus. Na esperança humana, o fundamento de tal convicção são as forças humanas e a crença na bondade fundamental das criaturas. No fiel cristão, isso se transforma na confiança numa providência divina, em um Deus que se revelou como Pai e quer o bem de seus filhos. Deus é fiel por si mesmo e sua promessa, mesmo com a infidelidade do homem, Deus permanece fiel (Gn 2,15), como afirma o apóstolo: "Nada nos poderá separar do Amor que Deus nos manifestou em Cristo" (Rm 8,39).

É dever do cristão suscitar no povo a fé nas promessas de Deus, em Jesus, no Espírito Santo. Iluminar corações e mentes com a Boa Notícia da Salvação para que todos possam compreender que a esperança humana, os anseios mais profundos do homem, se realizam, de modo definitivo na Esperança cristã (cf. Gaudium et Spes, 92).

Papa Francisco e a Esperança cristã

O Papa Francisco, profeta por palavras e gestos, tem a missão de dar as razões desta Esperança cristã (cf. 1Pd 3,15). O Papa tem consciência que, suscitar Esperança nas pessoas é sempre importante em qualquer tempo e lugar, sobretudo nas atuais circunstâncias de pandemia do coronavírus, é urgente e necessário.

A Esperança cristã fundada na Ressurreição de Jesus foi anunciada pelo Papa Francisco na celebração da Vigília Pascal da Basílica de São Pedro no dia 11 de abril de 2020: "Nesta noite, conquistamos um direito fundamental, que não nos será tirado: o direito à esperança. É uma esperança nova, viva, que vem de Deus. Não é mero otimismo, não é uma palmada nas costas nem um encorajamento de circunstância, com o aflorar dum sorriso. Não. É um dom do Céu, que não podíamos obter por nós mesmos. 'Tudo correrá bem': repetimos com tenacidade nestas semanas, agarrando-nos à beleza da nossa humanidade e fazendo subir do coração palavras de encorajamento. Mas, à medida que os dias passam e os medos crescem, até a esperança mais audaz pode desvanecer. A esperança de Jesus é diferente. Coloca no coração a certeza de que Deus sabe transformar tudo em bem, pois até do túmulo faz sair a vida".

Referências:

[1] Fonte: https://www.vaticannews.va/pt.html

[1] Fontes: https://noticias.uol.com.br/colunas/leonardo-sakamoto/2020/05/31/atendimento-de-urgencia-relacionado-a-suicidio-cresce-durante-a-pandemia.htm

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2020/05/31/pandemia-de-coronavirus-modifica-relacao-das-pessoas-com-o-luto.htm



Padre Mário Marcelo, scj

Mestre em zootecnia pela Universidade Federal de Lavras (MG), padre Mário é também licenciado em Filosofia pela Fundação Educacional de Brusque (SC) e bacharel em Teologia pela PUC-RJ. Mestre em Teologia Prática pelo Centro Universitário Assunção (SP). Doutor em Teologia Moral pela Academia Alfonsiana de Roma/Itália. O sacerdote é autor e assessor na área de Bioética e Teologia Moral; além de professor da Faculdade Dehoniana em Taubaté (SP). Membro da Sociedade Brasileira de Teologia Moral e da Sociedade Brasileira de Bioética. Membro do grupo Interdisciplinar de Peritos (GIP) da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Autor de livros publicados pela Editora Canção Nova.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/sociedade/esperanca-crista-presente-no-gesto-papa-francisco/

13 de junho de 2020

Esperar em Deus como crianças

Quando Jesus disse que para entrarmos no Reino dos Céus teríamos que ser como crianças, tenho quase certeza de que Ele estava se referindo à confiança irrestrita que elas têm nos pais, mas de modo algum falava da virtude da paciência. Sim, as crianças confiam nos pais, e, até certa idade, de maneira absoluta, mas ao mesmo tempo elas são tão impacientes quanto é possível ser.

Todas as vezes que vou ao supermercado, trago para os meus filhos algo que não é comum consumirmos no dia a dia. Pode ser um chocolate, um doce, um salgadinho de milho, sucrilhos. Eles sabem disso e aguardam ansiosos o meu retorno, pois se lhes digo que vou trazer algo, nem entra na cabeça deles a ideia de que eu poderia frustrar essa expectativa. É a confiança própria das crianças.

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Foto ilustrativa: FG Trade by Getty Images

Assim que passo pela porta de casa, eles correm e começam a revirar as sacolas que eu trouxe, procurando o prêmio. "Calma aí", eu lhes digo. "Podem voltar para o seu lugar. Deixem-me arrumar tudo". Elas ficam pulando de tanta empolgação, sem conseguir se conter. Querem porque querem saber o que eu trouxe. É a impaciência também própria das crianças. Esse é apenas um pequeno exemplo, mas no cotidiano não faltam situações que se apliquem à minha filha de nove meses, ao de cinco anos, à de nove anos e mesmo ao de dezesseis. Cada um, de acordo com a sua idade, traz em si as marcas da confiança e da impaciência, mesmo quando já estão mais crescidos. Contudo, o movimento natural da vida e da aquisição da maturidade é que os filhos vão crescendo e percam, com o passar do tempo, aquela confiança inabalável nos pais, ao tempo em que cultivem em si mais paciência para lidar com as dificuldades que vão encontrando em seu caminho.

Seremos sempre como crianças diante de Deus

Podemos olhar para nós mesmos e percebermos que, diante de Deus, seremos sempre como crianças, tendo que lidar com a confiança que temos nele, que é um Pai amoroso, e com a nossa impaciência de filhos amados. É possível que tenhamos trilhado o percurso de primeiro perder, para depois recuperar a confiança em Deus. Nas mais diversas áreas da nossa vida, fomos exercitando a fé, a esperança e o amor, experimentando em situações concretas as palavras de Jesus: "O vosso Pai do céu sabe que tendes necessidade de tudo isso".

Se confiar em Deus como crianças é um exercício difícil e no qual talvez já tenhamos avançado bastante, não podemos desprezar o desafio que é a espera confiante. Sim, "pedi e recebereis", disse Jesus, e cremos nisso, mas o Mestre não deixou claro quando  receberíamos. Aqui entra um componente que nos faz voltar a ser criancinhas ansiosas pelo doce que o papai trouxe do supermercado. O Pai do Céu nos deu a certeza de que receberíamos, mas só conseguimos pensar com o nosso tempo, que é o do "aqui e agora". O relógio de Deus, entretanto, não é assim. Ele não atrasa nem adianta, não demora nem se apressa, porque seus planos são perfeitos e a sua hora é sempre precisa. Fazer essa sintonia entre o nosso relógio, cujo alarme já disparou há tempos, e o de Deus, que sequer tem ponteiros, é doloroso e muitas vezes angustiante, porque paramos na nossa humanidade ferida, limitada.

Esperar é doloroso

"Mas papai, eu quero comer o chocolate agora". "Só depois do almoço, filho". Às vezes, o desejo é tão grande que as lágrimas escapam dos olhos diante da frustração da espera, mas com o tempo a criança vai aprendendo que naquela casa existe uma regra, um relógio, um tempo que é diferente do seu e que ele tem somente duas opções: ficar na graça e esperar o tempo dos pais ou desobedecer no oculto e enfrentar as consequências deste ato quando for descoberto (porque os pais sempre descobrem, a criança sabe bem disso). Esperar é doloroso, mas o bem almejado vai chegar na hora que os pais julgarem adequada. É assim numa casa equilibrada e é assim no Reino de Deus. Que desafio tremendo, contudo, crer que a hora adequada é a do Pai e não a minha!

É inevitável que, nessa espera por Deus, passemos por situações que nos deem aquela impressão de que nadamos, nadamos e morremos na praia. Isso pode ocorrer nas mais diversas situações, como aquele casal que tem dificuldade para ter filhos e passa por um longo tratamento, com muitas visitas ao médico, muitos sonhos alimentados e que consegue finalmente engravidar, mas sofre a perda do bebê ainda no início da gestação. Uma família que sonhava em construir a sua casa e sair do aluguel e que esperou anos por isso, até que surgiu uma oportunidade que envolvia uma mudança no trabalho, um aumento na renda que parecia certo. Essa família sonhou, imaginou os filhos correndo pela casa, mas quando tudo parecia resolvido, o aumento não veio, novas despesas surgiram e o projeto da casa ficou para Deus sabe quando.

Uma moça que sonha em se casar, constituir família, ter filhos, um lar para cuidar, mas que vê que o tempo passar, sem que seu José chegue. Um dia, ela encontra um rapaz e começa a cultivar um sentimento por ele e parece haver reciprocidade. Mesmo depois de muito relutar interiormente, ela investe sua vida, sua esperança, seu tempo cada vez mais escasso num namoro, num noivado, apenas para descobrir que o outro tem planos diferentes, talvez outra moça, e ele termina o relacionamento.

Faça o pedido certo!

Nos três casos, parecia que depois de tanto tempo a espera iria finalmente acabar, mas ficou apenas a tristeza, a dor lancinante e, às vezes, uma revolta, que nos leva a pensar que Deus brinca com nossos sentimentos, como se fosse um sádico. É nessa hora que devemos recorrer ao que nos ensina São Tiago: se não obtemos o que pedimos, é porque talvez estejamos pedindo mal. Não que querer um filho, uma casa para morar ou sonhar com o casamento sejam coisas ruins. Longe disso! São pedidos justos e bons, mas o grande ponto é ter a clareza de qual é o grande pedido que devemos fazer incessantemente a Deus: a salvação da nossa alma.

Diante da imperativa necessidade de que nos salvemos, Deus, em sua bondade infinita, tem seus desígnios, e não é sempre que os compreenderemos. Meu filho de cinco anos pode ser incapaz de entender que antes do almoço não é bom que ele coma o chocolate que eu trouxe, mas quando ele tiver dezesseis, a idade do mais velho, talvez ele compreenda. Se confio em Deus, devo confiar inclusive e principalmente na espera, sabendo que nada que me acontece é aleatório, mas tudo faz parte de um plano que tem por objetivo último a salvação da minha alma.

A confiança precisa ser maior que a impaciência

Dessa maneira, se aquele casal não engravidou agora, não é porque Deus não ouviu as suas preces, mas porque no plano divino eles precisam viver algum processo, quem sabe de conversão ou cura, que envolve a dor de não ter um filho. Talvez o filho venha depois, mas talvez não. Está tudo nas mãos de Deus. "Humilhai-vos diante do Senhor e ele vos exaltará", complementa São Tiago. Que humilhação e que exaltação são essas? Humilhar-se nada mais é que dizer a Deus incessantemente que tenho sonhos e projetos, mas que eles só são bons, que eu só quero que eles permaneçam se me auxiliam na salvação da minha alma. Disponho-me, portanto, a abrir mão de tudo para receber a exaltação de Deus, que para um cristão não pode ser outra coisa senão habitar o céu, ser salvo.

Não há plano melhor, nem projeto mais aprazível diante do Senhor, mas a batalha é árdua. É imitar Cristo e fazer não a nossa vontade, mas a vontade do Pai, o que implica arrancar, com lágrimas de dor, aquelas lascas de sonhos e vontades que estão incrustadas no nosso coração, vivendo uma agonia similar à que Jesus viveu no Horto das Oliveiras, quando disse que preferiria não beber aquele cálice, mas que antes de tudo, fosse feita a vontade do Pai.

Essa resposta custou a Jesus lágrimas e sangue! Não pode ser diferente conosco, se queremos segui-lo. Há um abismo de distância entre a angústia de uma criança que só vai poder comer o doce depois do almoço e a de uma mãe que sonha em ter um filho ou de uma mulher que sonha com o casamento, isso é bem claro. Mas há também uma distância incomparável entre a recompensa que essa criança receberá se for obediente e a recompensa que receberão os que esperam no Senhor. Perseveremos, pois, na espera, para que mesmo que não entendamos os porquês de Deus, nossa confiança seja maior que a nossa impaciência.



José Leonardo Nascimento

José Leonardo Ribeiro Nascimento é casado, pai de cinco filhos e membro do segundo elo da Comunidade Canção Nova desde 2007. Natural de Paripiranga (BA), cursou Ciências Contábeis na Universidade Federal de Sergipe e fez pós-graduação em economia por meio do Minerva Program, na George Washington University, nos Estados Unidos. Trabalha, há 18 anos, como Auditor Federal na Controladoria-Geral da União em Aracaju (SE). Ele e sua esposa trabalham, há muitos anos, com a evangelização de casais e de famílias, coordenando grupos e pregando em retiros e encontros.
Instagram: @leonardonascimentocn | Facebook: @leonardonascimentocn


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/esperar-em-deus-como-criancas/

10 de junho de 2020

A riqueza do convívio dos mais íntimos

Nós somos seres relacionais e, por assim dizer, precisamos aprender a viver com todos, nos relacionar com outras pessoas, isso é inerente para a vida. Imagine Jesus Cristo quando escolheu seus apóstolos: João, Pedro, Mateus, Judas, André etc., todos tinham diferenças, mas isso era uma riqueza.

Cada um que passa na nossa vida contribui para que sejamos pessoas melhores. Mesmo que tenha sido uma má experiência, aquele fato ou situação move a nossa existência rumo à melhoria, isto é, se soubermos aproveitar as
situações. Um bom exemplo que podemos aplicar para a vida é o simples fato de olhar um objeto qualquer. Quando você o enxerga, o observa de um ângulo privilegiado; quando outra pessoa o vê, acontece a mesma coisa. E quando se conversam, apresentam as diferentes visões de uma mesma coisa, ambos se enriquecem. Viver em comunidade, viver na sua pequena comunidade, desde a sua casa até o seu grupo de trabalho, todas as situações nos revelam a nós mesmos e revelam quem são os outros.

A riqueza do convívio dos mais íntimos

Foto Ilustrativa:by Getty Images / FG Trade

A boa vivência é uma riqueza

A boa vivência com os mais íntimos é, de fato, um vínculo de paz, entretanto, isso acontece quando se tem conhecimento de si mesmo e do outro com mais profundidade, a ponto de se conservar a paz e a tranquilidade nos
relacionamentos, uma vez que você sabe dos limites, das fragilidades e do jeito do outro. Enquanto observamos o outro, também nos alegramos com suas qualidades, e percebemos pelos nossos e pelo erro do outro o quanto somos
criaturas frágeis e que o vínculo da paz é perfeito quando enlaçado pelo amor.

O compêndio de Doutrina Social da Igreja menciona por vários parágrafos sobre a pessoa humana e, em especial, vemos no nº 145 algo que alarga nossa visão sobre este assunto: "Somente o reconhecimento da dignidade humana pode tornar possível o crescimento comum e pessoal de todos (cf. Tiago 2, 1-9)." Logo, a pessoa que mora com você é outro "eu". Amar o próximo é conservar a paz com todos. Até São Paulo diz em uma de suas cartas que se fosse possível que se conserva-se a paz com todos (Romanos 12, 18).


Os vínculos nos fazem crescer

Progredindo ainda mais no assunto e fazendo uma breve síntese do que vimos até aqui, é certo que precisamos reconhecer que o outro é uma riqueza para nós, mas que isso só se pode entender quando se convive, e é assim que se aprofundam as relações e se pode tocar nas fragilidades e qualidades. O dar-se a conhecer e o conhecer o outro gera em nós o amor fraterno e sincero. E quando temos a possibilidade de fazer esse itinerário com os que estão mais
próximos de nós, os íntimos, ainda mais precisamos primar pela paz por vínculos que nos fazem crescer e geram uma vida ainda mais sadia.

Concluímos com uma prática simples: vá ao encontro de todos aqueles que estão próximos a você e, se necessário, recomece de onde você parou. Queira viver de modo mais cristão, esteja aberto ao convívio e ao amor.


 


Guilherme Razuk

Guilherme Henrique de Lima Razuk é candidato às ordens sacras na Comunidade Canção Nova. Graduando do curso de Filosofia (licenciatura) pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP), ele atua na liturgia durantes os eventos realizados pela comunidade católica. Razuk é produtor de conteúdo de algumas categorias deste canal formativo.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/comportamento/a-riqueza-do-convivio-dos-mais-intimos/

8 de junho de 2020

Os efeitos do amor

"Amor tem o seu preço", já dizia o poeta. Porém, o amor também tem seus efeitos, e é sobre eles que partilho. Esses dias, ao  ler os escritos do padre Kentenich, encontrei sua definição sobre os efeitos do amor, e também faço meu o pensamento dele.

"O verdadeiro amor é como o sol ardente, ele desperta e faz germinar todas as sementes ocultas no homem. Muitos não se desenvolvem nem moral nem espiritualmente, porque em vão esperam saudosos, um simples gesto de amor. Outros trazem em si a inclinação ao heroísmo e poderiam elevar-se como águia, até o sol, porém permanecem em planos inferiores, porque recebem e dão pouco amor". Levando em consideração que, o amor que nos cura e nos faz crescer é o amor que damos e não o que recebemos, é justo que comecemos agora mesmo a dar mais atenção ao assunto.

Foto Ilustrativa: by Getty Images / FG Trade

Os efeitos do amor que dou

Santo Agostinho nos diz: "O amor é a força de atração da alma"; e São Francisco de Sales nos lembra: "Como o corpo foi criado para a alma, assim a alma foi feita para o amor". E Deus, que criou o homem, portanto: o corpo e a alma por amor e com amor, também espera do homem, no mínimo, a disposição para amar.

Mas como amar meu próximo na medida certa? Cristo nos ensinou quando disse ao escriba: "Amarás teu próximo como a ti mesmo", portanto, está aí a medida certíssima! Porém, como não posso dar aquilo que não possuo, então, para amar o meu próximo, devo ter também um sadio amor próprio, concorda? Agora, mãos à obra!


Começando por uma autoanálise: me amo e me aceito como sou ou tenho me desprezado, fugindo de mim tentando amar os outros? Que tipo de amor tenho oferecido às pessoas que se relacionam comigo? Feita sua conclusão, lembre-se de que: o amor que cura é o amor que você dá e não o que você recebe, além do mais, não se pode dar aquilo que não se tem.

Peço a Deus que lhe conceda, hoje, a graça de amar, na medida certa, o próximo como a ti mesmo, e que você leve os efeitos do amor em sua vida.



Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Djanira reside na missão de São Paulo, onde atua nos meios de comunicação. Diariamente, apresenta programas na Rádio América CN. Às sextas-feiras, está à frente do programa "Florescer", que apresenta às 18h30 na TV Canção Nova. É colunista desde 2000 do portal cancaonova.com. Também é autora de livros publicados pela Editora Canção Nova.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/comportamento/os-efeitos-do-amor/

5 de junho de 2020

Como manter os olhos fixos em Jesus?

Neste mundo, todos nós estamos sujeitos ao sofrimento. Tanto os pagãos como os cristãos são, em todos os momentos, visitados pelas intempéries da vida, ninguém está isento. A grande diferença é como cada um responde a esses desafios cotidianos. Entretanto, manter-se em Jesus é algo que nos desafia.

Nenhum de nós pode dizer como vai reagir a cada tragédia ou acidente, as respostas vêm no momento, até porque não adivinhamos quando a dificuldade baterá à nossa porta. Como será que você vai reagir se descobrir que está com uma doença terminal? Ou como será sua resposta diante da morte de seus pais? Ninguém pode dizer sobre isso, porém, ora ou outra as fatalidades acontecem.

Como manter os olhos fixos em Jesus

Foto Ilustrativa: by Getty Images / LordRunar

Agarre-se em Jesus!

Nessas horas, é preciso agarrar-se firmemente em Jesus e clamar pelo Seu socorro e Sua força para continuar. Agarrar-se em Jesus não quer dizer que pediremos e Ele irá resolver todos os nossos problemas, e sim que Ele nos dará forças para superá-los. Essa superação acontece por meio da fé que, primeiramente, é dom de Deus e, por isso, é graça, assim, nós pedimos e recebemos.

O ato de crer, além de dom divino, está vinculado à memória. É como fazer um esforço para recordar das coisas boas que Deus fez, das vitórias que Ele nos deu e, desse modo, acreditar que Ele continuará nos dando. É ter boas lembranças para ser impulsionado a esperar um bom futuro. "Se Deus me ajudou naquilo, Ele me ajudará nisso".


A exemplo disso, o próprio São Paulo pregou na sinagoga fazendo memória das obras de Deus, a fim de suscitar a naquele povo (veja em Atos 13,14-43). Além dele, tantos outros profetas, a todo tempo, diziam do passado para que o povo fosse fiel no presente em que vivia.

Portanto, fazer memória e pedir a graça de Deus é o que nos dará fé para continuar. Em comparação com o jargão popular que diz "recordar é viver", nós, cristãos, podemos dizer que "recordar é permanecer". Recorde das coisas boas que Deus fez em você, daquilo que Ele fez na vida do povo de Israel, nas promessas que Ele nos deixou: "Eis que estou convosco todos os dias" (Mt 28,20).



Rafael Vitto

Rafael Vitto, natural da cidade de Cuiabá (MT), é membro da Comunidade Canção Nova desde 2015. Hoje, ele é seminarista e estudante da curso de Filosofia na Faculdade Canção Nova.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/como-manter-os-olhos-fixos-em-jesus/

2 de junho de 2020

Busque sua libertação pela Palavra de Deus

Pela graça da Palavra de Deus você pode encontrar a libertação de que tanto necessita.

A libertação da nossa vida acontece por meio da Palavra de Deus. Foi assim desde o início da missão de Jesus. Ele veio para curar todas as doenças que trazemos dentro da nossa genealogia, dos nossos antepassados, da nossa árvore genealógica e até mesmo do ventre materno. Jesus vem curar todas as doenças que entraram na nossa vida por conta do nosso pecado.



Foto Ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Vejamos como exemplo a cura da hemorroíssa: essa mulher sofria há doze anos de uma doença para a qual ela tinha procurado a cura e gastado todo seu dinheiro com os médicos, mas estes não a tinham curado. Agora, ela encontra Jesus. E ela vai ver Jesus. Ao vê-Lo, ela é curada. Jesus sente que sai uma força d'Ele. E essa força é o que cura essa mulher. Ela, pela fé, tomou posse; e a maldição que pesava sobre ela foi quebrada. Essa é a pior doença relatada na Sagrada Escritura, porque o livro do Levítico (cf. Lv 15, 25-27) diz que quando uma mulher estava com sangramento, ela tornava-se maldita, e tudo o que ela viesse a tocar tornaria-se também maldito.

Muito maior do que o sangramento, do que a doença dessa mulher, era exatamente a humilhação de viver isolada, longe dos seus filhos, longe do seu marido, longe da sociedade e sem poder tocar em nada, porque tudo o que ela tocasse se tornaria maldito.

A libertação vem de Jesus

No caminho, Jesus estava indo à casa de Jairo, onde a filha deste estava morta. Ela tinha doze anos, e Jesus lhe disse: "Talitá, cum!" (Menina, levanta-te!); e a menina levantou-se imediatamente. A doença leva à morte. Jesus leva à vida!

Jesus é a cura. O nome de Jesus já diz: "Ele é o Salvador". E a palavra "salvador", no grego, significa "aquele que vem trazer a cura". Cura do corpo e da alma. Jesus é Aquele que vem para quebrar toda a maldição de doença que se encontra no ser humano.

Essa hemorroíssa representa todas as gerações antes de Jesus Cristo, ou seja, as doze tribos de Israel. A filha de Jairo, por sua vez, representa todas as gerações até a última vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou seja, a geração apostólica. Então, a cura em Jesus é para todos aqueles da nossa família que nos antecederam. É também para todos aqueles que virão depois de nós até a última vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Bíblia deixa isso muito claro!


Oração

Eu estendo as minhas mãos sobre você agora e, em nome de Jesus, pelo poder de todas as chagas do Senhor, pelo poder do Sangue de Jesus aspergido em cada uma dessas chagas, eu ordeno que toda doença física, toda célula cancerígena, toda bactéria de infecção, todo tumor, toda doença degenerativa, toda e qualquer doença que esteja no seu corpo, nos ossos, nos músculos, na pele, na carne, na corrente sanguínea, toda doença diagnosticada, em tratamento ou desconhecida, que ela se retire agora da sua vida e vá aos pés da Cruz de Cristo, e que você receba o milagre. Nesse ato de fé, eu ordeno a toda central de distribuição de células cancerígenas, que ela seja, agora, cancelada em nome de Jesus. Que você receba o milagre em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Deus o abençoe. E que por essa graça da Palavra de Deus você encontre a cura e a libertação de que tanto necessita.

 




Ironi Spuldaro

Ironi Spuldaro é Membro do CAE (Comissão de Ação Evangelizadora) da diocese de Guarapuava. Membro do conselho diocesano, estadual e nacional da RCC (Renovação Carismática Católica) movimento do qual participa desde 1987. Ironi exerce o ministério de pregação em todo o Brasil e em outros países, como Argentina, Paraguai, Bolívia, Estados Unidos, Itália, Coréia do Sul, Inglaterra e Suiça. Fundador da Missão Há Poder de Deus, escritor e apresentador do Programa Há Poder de Deus.

Site: www.ironispuldaro.com.br


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/cura-e-libertacao/busque-sua-libertacao-pela-palavra-de-deus/

25 de maio de 2020

Onde está meu coração?

Diz a Palavra de Deus: "Onde está o teu tesouro, lá também está teu coração" (Mt 6, 21). É que o nosso coração está sempre onde está quem ou o que amamos. Basta pensar na pessoa querida e um sentimento já conhecido, mas sempre novo, nos invade. Seria amor, paixão, sentimentalismo. Seja o que for, o certo é que nos transporta de um lugar ao outro em fração de segundos.

O Padre kentenich diz, em um de seus escritos, que o amor não é novo, porém, nova é a maneira como Cristo nos amou e nos ensina a amar: "Deveis amar-vos uns aos outros assim como eu vos amei". E como foi mesmo que Cristo nos amou? Doando-se inteiramente por nós sem poupar nada, nem mesmo a própria vida. É assim que Cristo nos ensina a amar: doando-nos sem reservas!

Foto Ilustrativa: by Getty Images / a_lis

Onde estiver o nosso coração também estará o nosso tesouro

Ao falarmos de amor, pensamos naquela inclinação espontânea, na atração por um objeto ou uma pessoa que move o coração quando descobrimos algo de belo, bom ou agradável que, de alguma forma, nos completa. Neste caso, constatamos que, muitos têm se deixado completar por "quase nada" e, portanto, estão sempre vazios. Vemos, hoje, a palavra amor sendo utilizada de maneira tão errada e até mesmo agressiva, que ficamos inibidos na hora de usá-la da maneira correta. Porém, na essência ela não perdeu o seu significado e valor, nós, cristãos, não podemos abrir mão disso.




Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Djanira reside na missão de São Paulo, onde atua nos meios de comunicação. Diariamente, apresenta programas na Rádio América CN. Às sextas-feiras, está à frente do programa "Florescer", que apresenta às 18h30 na TV Canção Nova. É colunista desde 2000 do portal cancaonova.com. Também é autora de livros publicados pela Editora Canção Nova.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/comportamento/onde-esta-meu-coracao/

21 de maio de 2020

A caridade ardente de Maria

Maria é a serva do Senhor, um humilde instrumento nas mãos de Deus. E tudo aquilo que Ela é, ela é por causa dos méritos do seu Filho e Senhor Nosso. No coração da Virgem Maria ardia, de forma tão extraordinária, a caridade, que era fruto da sua fé e da sua esperança. O coração de Maria era tomado pela Palavra de Deus, nele não existia espaço para nada que não fosse Deus, era um coração indiviso, puro, cheio de amor. Maria era vazia de si, mas cheia de Deus e do Seu amor.

O amor é essencialmente a vida de Deus, por isso Maria, como qualquer outra criatura, participa da vida d'Ele, mas ela o fez de forma mais excelente e mais perfeita. Essa vida de Deus ardia no coração da jovem de Nazaré, que, em tudo, amou o seu Deus. Por amá-Lo acima de tudo, seu coração era transbordante de amor; e, diante do anúncio do Anjo, partiu às pressas para a pequena cidade da Judeia, chamada Ein-Karen, para servir, para ajudar sua prima.

Ambrósio de Milão nos diz que "ela foi guiada pelo júbilo de ver cumprida a promessa, levada pela vontade de prestar um serviço, movida pelo impulso interior da sua alegria. A graça do Espírito Santo ignora a lentidão". O amor de Deus nos leva a sairmos de nós mesmos e irmos em direção ao outro, principalmente daqueles que mais precisam de nossa ajuda. Maria, por amar, parte, não se importa com os incômodos da viagem nem consigo mesma, o amor a interpela.

A caridade ardente de Maria

Foto ilustrativa: PongMoji by Getty Images

O amor é a essência de Deus, e por ser a essência d'Ele, arde no coração daqueles que O amam acima de tudo e que buscam, diante de todas as coisas, fazer Sua santa vontade.

Maria, ajude-nos a ser caridade!

O coração de Maria é um eterno exaltar a grandeza de Deus! Ela está na paz perfeita, nada nem ninguém pode impedir que ela entoe o seu Magnificat. Só quem ama, verdadeiramente, a Deus oferece sua vida como dom, como oferta; e ao perceber o quanto Ele realizou em sua vida, reconhece: nada é meu, tudo foi Ele quem realizou em mim.

Senhora Nossa, abrasada de Amor Vivo, faz arder, em nosso coração, aquela caridade que incendiava seu coração. Fazei, Mãe, que também nós nos doemos com tudo o que temos e somos ao verdadeiro Amor, aquele Amor que não conhece orgulho nem mediocridade. Que sejamos caridade!

O amor não é sentimento. Para nós cristãos, o amor é uma pessoa viva, o Amor se encarnou, fez-se pessoa e veio habitar no nosso meio. O Amor armou Sua tenda em meio a nós: O amor é Cristo, Ele é o verdadeiro e o único amor. Maria é a tenda deste amor, ela é a casa, é a morada do Mistério! No coração dela, não existiam só sentimentos de amor, mas existia o próprio Amor. Não era, simplesmente, alguém que tinha atitudes amorosas, mas que tinha o Amor como seu tudo, o Amor era seu Filho. Só quem amava tanto Deus poderia colaborar com Ele gerando o Amor. Maria amou Deus como Deus mesmo nos tinha ordenado, com todo o coração, com toda a sua alma, com todas as suas forças. Ela viveu tão fielmente em tudo o "Shema Israel", tão importante para seu povo e para si.


Vazia de Si e cheia de amor

A vida de Maria foi toda ela um eterno fazer a vontade de Deus e em ser amor, nunca se queixou dos seus sofrimentos, nunca lhe pareceu demasiado grande qualquer sacrifício que a providência lhe permitia, e nunca deixou de fazer, com amor e prontidão, nada do que a vontade de Deus lhe pedia. Era vazia de Si e cheia de amor. Ela prefere, antes de tudo, o amor d'Ele, um amor de predileção. E o Pai, ao olhar para a Filha de Sião, encanta-se, encanta-se com a obra que Ele tinha feito. Deus viu que, em Maria, era tudo bom, belo e humilde. Deus, por causa dos méritos de Cristo, preservou Maria de todo pecado. No coração dela, ardia amor, e tudo o que realizava era amor em atitudes concretas. Nas bodas de Caná, é atenta quando o vinho falta. Ela não tem nada a ver com aquilo, mas ela se preocupa, é atenta.

Vemos, na Virgem Maria, uma caridade pronta, ou seja, uma caridade que não espera nem se intimida, mas é pronta na execução, por isso vai até seu Filho e intercede. E o milagre acontece. O amor ardia de forma tão intensa em Maria, que ela não pede nada para si, preocupa-se com seus filhos, pois ela é: "Vida, doçura e esperança nossa…"

Devemos ser a presença de Maria no mundo

Ao olharmos para as virtudes de Nossa Senhora, deve arder, em nosso coração, o desejo de as imitar. Mais do que sermos apenas meros devotos dela, devemos imitar sua vida, sua humildade, seu amor perfeito, sua caridade pronta, pois, às vezes, percebemos muita gente querendo ver Nossa Senhora, querendo conversar com ela, mas não vemos essas pessoas querendo imitar as suas virtudes, o seu amor, a sua caridade e o seu silêncio. Quem ama Nossa Senhora busca ser virtuoso, busca parecer-se com ela. Como nos ensina a Igreja, ela é nosso modelo!

Recordo-me da serva de Deus Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares. Uma vez, Chiara, em oração, conversando com Jesus, diz e, ao mesmo tempo, pergunta: "Senhor, Tu fostes para o Pai, mas permaneceste conosco na Eucaristia. Por que Tu também não fizeste um meio de deixar também Tua Mãe conosco?". Lá, no fundo do coração de Chiara, Jesus responde: "Eu quero que você seja a continuação da minha Mãe na Terra. Viva a vida dela, seja minha Mãe".

Com isso, Jesus nos diz que cada um de nós deve ser a presença de Maria no mundo, imitar sua vida, suas virtudes. Portanto, vivendo assim, agradaremos a Deus, pois Maria foi agradável a Deus em tudo. Nela, está tudo que somos chamados a ser, ela é modelo escatológico de quem um dia seremos, pois ela é o modelo perfeito de alguém que viveu o Amor. Ela é ícone do Belo Amor!



José Dimas

José Dimas da Silva é seminarista e candidato às Ordens Sacras da Comunidade Canção Nova. Natural de Gravatá (PE) e graduando do curso de Filosofia (licenciatura) pela Faculdade Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP). Atua na liturgia durante os eventos e é produtor de conteúdo para este canal formativo.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/nossa-senhora/devocao-nossa-senhora/a-caridade-ardente-de-maria/

18 de maio de 2020

O caminho para o perdão

Começo com o seguinte questionamento: "Existe alguém preso dentro de você? Existe alguém que você algemou e deixou cativo? Já fez do seu coração um cemitério?". Pois bem, todos nós, em algumas situações,já  fomos confrontados com a palavra perdão, mas, muitas vezes, ou melhor, na maioria das vezes, chegou num contexto em que eu me considerava "justa", " possuidora da razão" e vítima, pois eu que fui ofendida e magoada!

Como perdoar quando nosso coração foi tão ferido e magoado? Como "liberar" alguém que causou tantos estragos dentro de nós? E como "soltar" alguém se a atitude, gesto ou palavra dele não deixou mais meu coração como antes? Então, como ser capaz de perdoar?

Na Sua palavra, Jesus diz: "à medida com que usardes para medir sereis medidos"; e Ele ainda diz: "amai os vossos inimigos". Que tarefa tão árdua essa que Jesus nos pede. Que gesto tão louco para o qual Ele nos chama?

O caminho para o perdão

Foto ilustrativa: Natalija Grigel by Getty Images

O perdão está ao alcance de todos

Só entra pelo caminho do perdão quem um dia errou, falhou e soube ser perdoado: só faz esse caminho quem sabe o que é ser perdoado. Muitas vezes, nos colocamos na posição de juízes e, por vezes, mergulhados em nossas feridas e traumas, o perdão se torna algo longínquo e inalcançável.

O primeiro passo para perdoar é reconhecer-se falho; reconhecer-se necessitado de misericórdia e de perdão. Normalmente, os orgulhosos não conseguem abrir os corações deles para o perdão, pois estão fechados em si mesmos e olhando somente seu umbigo, porque pensam que tudo que fazem é bom e certo. Então, o primeiro passo é a humildade.

Depois de ter reconhecido que também erro, também falho e também machuco, eu preciso olhar de frente quem me machucou, ou seja, tirar tudo que ele fez, as feridas que abriu no meu coração e, com maturidade, olhar os estragos que ficaram dentro de mim. Talvez, você não consiga mais ser o mesmo depois dessa ferida causada; pode ser que você pense que o perdão é inútil, mas Jesus nos ensinou o caminho… Coragem!


Libere!

O segundo passo é, então, liberar; é falar para si mesmo a verdade. É ser verdadeiro consigo e reconhecer que chega um momento em que é preciso virar a página e abrir a janela para que possa entrar o novo. Aí chega a hora em que abro as algemas e solto quem estava cativo dentro de mim! O perdão é, antes de tudo, uma decisão: eu preciso querer ir no cativeiro, olhar quem me feriu e dizer-lhe: "Você pode ir; eu te perdoo". O perdão liberta e solta não só quem errou como também quem deu o perdão.

A alma que não perdoa fica pesada, triste e enxerga a vida preto e branco. Perdoar não é instantâneo ou feito com o toque de mágica; o perdão é uma atitude que se atualiza, pois, constantemente, precisamos estar perdoando a alguém e precisamos abrir as algemas para deixar livre quem nos machucou.

Existe alguém em quem você pensou enquanto lia? E você já pensou que, talvez, exista alguém que pensou em você? Ninguém é tão bom que não tenha que ser perdoado. Então, perdoe, libere e solte. Peça perdão. Libere… Solte! Tenha a coragem de percorrer este caminho exigente mas tão libertador que é o caminho do perdão. Imite a Jesus! Peça a graça d'Ele e você conseguirá caminhar.



Brigite Cortez

Brigite Cortez, natural de Portugal, é missionária na Comunidade Canção Nova onde atua na Casa de Missão da França.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/cura-interior/o-caminho-para-o-perdao/