23 de junho de 2017

Como fazer com que a espiritualidade se torne parte do nosso dia?

A espiritualidade precisar ser um exercício diário de fé e reconhecimento da presença de Jesus

Cultivar a espiritualidade ainda não faz parte do cotidiano de muitas pessoas. Pouco se compreende que esse exercício é um pilar determinante na sustentação da interioridade e de uma qualificada participação na vida social. Por isso, muitas dinâmicas estão comprometidas. Ilusoriamente, pensa-se – talvez por forças de secularismos, excesso de racionalizações ou imediatismos – que a espiritualidade é opcional, mais apropriada para alguns mais devotos. Na verdade, a espiritualidade é indispensável para sustentar a vida de todos em parâmetros qualificados. Assim, um permanente desafio é estar em sintonia com o que diz o salmista nas Sagradas Escrituras: "Desde a minha concepção me conduzistes, e no seio maternal me agasalhastes. Desde quando vim à luz vos fui entregue, desde o ventre de minha mãe sois o meu Deus".

A humanidade, mesmo emoldurada por diferentes manifestações confessionais e religiosas, não prioriza o hábito de cultivar a espiritualidade. As consequências são o comprometimento da vida, com equívocos nos critérios que regem discernimentos e escolhas, a prevalência da mediocridade na emissão de juízos e nas iniciativas que deveriam corresponder à dignidade própria do ser humano, na sua inteireza. A cultura da dimensão espiritual no cotidiano significa reconhecer a presença de Deus no lugar que Lhe é próprio, conforme ensina o salmista, em oração: "Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, em vós confio desde a minha juventude. Sois meu apoio desde antes que eu nascesse, desde o seio maternal, o meu amparo. Vosso louvor transborda nos meus lábios, cantam eles vossa glória o dia inteiro. Não me deixeis quando chegar minha velhice, não me falteis quando faltarem minhas forças. Eu, porém, sempre em vós confiarei, sempre mais aumentarei vosso louvor".

Como-fazer-com-que-a-espiritualidade-se-torne-parte-do-nosso-diaFoto: Wesley Almeida/cancaonova.com

O exercício da espiritualidade

O lado espiritual não é apenas uma parte da existência. Trata-se de alicerce para a vida, cultivado pelo desenvolvimento da competência de se contemplar, isto é, tornar-se capaz de mergulhar no sentido mais profundo de cada ser, de cada criatura, superando superficialidades. E a oração é, por excelência, a experiência do exercício da espiritualidade. Causa empobrecimento considerar a oração como um recurso de poucos, para momentos passageiros de aflições maiores. As preces possibilitam o enraizamento de si mesmo na verdade e na fonte do amor que é Deus. Tertuliano, reconhecido escritor dos primeiros anos da era cristã, destaca a força da oração, ao comentar: "nos tempos passados, a oração livrava do fogo, das feras e da fome. Agora, a oração cristã não faz descer o orvalho sobre as chamas, ou fechar a boca de leões, nem impede o sofrimento. Mas, certamente vem em auxílio dos que suportam a dor com paciência, afasta as tentações, faz cessar as perseguições, reconforta os de ânimo abatido, enche de alegria os generosos, acalma tempestades, detém ladrões, levanta os que caíram, sustenta os que vacilam e confirma os que estão de pé".

A oração possibilita ao humano experimentar o deserto de seu próprio ser. Leva-o a reconhecer sua condição solitária e pobre, para explicitar sua dependência de Deus. O lado espiritual de cada pessoa é que lhe permite assumir e conquistar a humanidade verdadeira e integral. Na espiritualidade, cultiva-se o silêncio que faz da própria vida um ouvir determinante, gera-se a competência para o diálogo que promove a cultura do encontro e quebra, com propriedade, a rigidez da mesquinhez.  A experiência espiritual qualificada é que nos permite cultivar e aproveitar os nossos dons, edificando a unidade interior básica, que permite a inteireza moral e existencial. Quando se compromete essa unidade, a conduta pessoal sofre com reflexos negativos. E o caminho da espiritualidade, que possibilita uma condição humana qualificada, não pode ser trilhado apenas com a própria força, nem mesmo unicamente com a luz da razão. Trata-se de percurso impulsionado pelo Espírito Santo, que está presente em cada um dos que cultivam a abertura para receber seus dons.


A humanidade carrega um fardo pesado por não compreender a importância de cultivar a espiritualidade. Por isso, o cidadão contemporâneo fica moralmente enfraquecido gerando os descompassos que degradam o mundo. Assim, o investimento para transformar a realidade exige, de cada um, cultivar o lado espiritual. Eis o caminho que é fonte de soluções para os muitos problemas enfrentados pela humanidade.

21 de junho de 2017

Por que devo estudar o Catecismo da Igreja Católica?

O Catecismo da Igreja Católica é o instrumento da missão que Jesus Cristo nos deixou

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) é o texto que a Igreja Católica Apostólica Romana apresenta a seus fiéis, a fim de que conheçam a doutrina católica e, com base nesta fonte segura e fiel, possam elaborar os catecismos locais. De modo mais particular, o texto permite aos cristãos que se adentrem profundamente na riqueza da fé, para que assim possam conhecer a verdade, "e a verdade os libertará" (cf. Jo 8, 32). O CIC, desejado e sugerido pelo Sínodo dos Bispos de 1985, foi elaborado por uma comissão de doze Cardeais e Bispos em um trabalho que durou seis anos, e foi presidido pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, o qual, em 2005, se tornaria Papa Bento XVI.

A catequese representa o esforço cristão para dar cumprimento à missão que Jesus Cristo nos deixou: fazer discípulos em seu nome, transmitindo seus ensinamentos e a doutrina cristã (Mt 28,19-20). Para tanto, o CIC se apresenta como instrumento para o desempenho da missão de ensinar o povo de Deus, destinando-se, primeiramente, aos responsáveis pela catequese, que são, em primeiro lugar, os bispos, enquanto doutores da fé e pastores da Igreja; e, por meio dos bispos, aos sacerdotes e catequistas.

Por que devo estudar o catecismo da Igreja CatólicaFoto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Quais são os conteúdos do CIC?

No prólogo do Catecismo da Igreja Católica, lemos que sua finalidade é apresentar uma exposição organizada e resumida dos conteúdos essenciais e fundamentais da doutrina católica, tanto sobre a fé como sobre a moral, à luz do Concílio Vaticano II e do conjunto da Tradição da Igreja. É que o XXI Concílio Ecumênico da Igreja Católica, conhecido como Concílio Vaticano II, teve como objetivo principal a defesa e difusão da doutrina cristã. No discurso de abertura do Concílio, o Santo Papa João XXIII deixou claro que "o que mais importa ao Concílio Ecumênico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz".

Ainda em observância ao Concílio Vaticano II, em outubro de 2002, o Papa João Paulo II convocou o Congresso Catequético Internacional para comemorar o décimo aniversário da promulgação do Catecismo da Igreja Católica, no qual foi considerada a urgência de um Catecismo breve para todos os fiéis, com a redação de uma síntese autorizada, segura e completa. Certamente, era necessário que esse texto refletisse fielmente o Catecismo da Igreja Católica, no que diz respeito aos aspectos essenciais da fé e da moral cristãs.


Desta forma, mais uma vez foi confiada ao Cardeal Joseph Ratzinger a missão de presidir os trabalhados dos quais resultaria o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Pouco mais de dois anos depois, agora o já Papa Bento XVI apresentava o Compêndio em um discurso no qual ensinava que o texto reflete fielmente o Catecismo da Igreja Católica, que permanece tanto a fonte em que se inspira para compreender melhor o próprio Compêndio, como o modelo para o qual olha incessantemente, em vista de encontrar a exposição harmoniosa e autêntica da fé e da moral católica, e como o ponto de referência, para a elaboração dos catecismos locais.

Compreensão da doutrina cristã

Atualmente, tanto o Catecismo da Igreja Católica, que mantém sua autoridade e importância, quanto o Compêndio, no qual se encontra uma síntese fundamental de educação na fé, estão disponíveis, íntegra e gratuitamente, no site oficial da Santa Sé, no qual se reforça seu caráter de texto confiável e fiel à doutrina cristã. Devemos estar atentos para que dúvidas superficiais não enfraqueçam nossa fé. Por mais que os questionamentos em nosso coração possam soar ao longe de início, o desconhecido é um obstáculo incômodo no caminho da salvação. Não há mal em questionar. A busca pelo conhecimento, de coração aberto e humilde, aproxima-nos da verdade da fé e, esteja certo, que encontrará resposta. Cremos na Igreja de Jesus Cristo.

Referências

A BÍBLIA SAGRADA. Edição Pastoral. 86 ed. São Paulo: Paulus. 2012.

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. In textos fundamentais. Arquivo do Vaticano. Disponível em: <http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s1c3_142-184_po.html>

JOÃO PAULO II. Constituição Apostólica Fidei Depositum para a publicação do Catecismo da Igreja Católica redigido depois do Concílio Vaticano II. 11 out. 1992. Disponível em: < http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/apost_constitutions/documents/hf_jp-ii_apc_19921011_fidei-depositum.html>

PAPA JOÃO XXIII. Discurso na abertura solene do ss. Concílio Vaticano II. 11 out. 1962. Disponível em: < http://w2.vatican.va/content/john-xxiii/pt/speeches/1962/documents/hf_j-xxiii_spe_19621011_opening-council.html>

JOÃO PAULO II. Carta ao prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé pela elaboração do "Compêndio do Catecismo da Igreja Católica". 2 fev. 2003. Disponível em: < http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/letters/2003/documents/hf_jp-ii_let_20030307_ratzinger.html>

PAPA BENTO XVI. Apresentação do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. 28 jun. 2005. Disponível em: < http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/speeches/2005/june/documents/hf_ben-xvi_spe_20050628_compendium.html>

19 de junho de 2017

É preciso vivenciar o Evangelho em sua profundidade e radicalidade

Não quero um Evangelho fácil

Olhando para o Evangelho deste tempo, a liturgia nos apresenta o Evangelho de São Mateus: são normas, leis e vida para entrar no Reino de Deus. Nós sabemos que Jesus não tem meio-termo: Seja o vosso sim, sim; e o vosso não, não (cf. Mt 5,37).

Muitos interpretam a Palavra do Senhor de qualquer jeito, mas Ele é firme, radical e sem meio-termo. Para entrar no Reino de Deus, precisamos viver o Evangelho na sua profundidade e moldar nossa vida de acordo com a vida de Jesus.

É-preciso-vivenciar-o-Evangelho-em-sua-profundidade-e-radicalidadeFoto: Wesley Almeida/cancaonova.com

O único Evangelho é o do Reino de Deus. Jesus é o Rei, o Senhor, a autoridade máxima. Jesus é e está no centro do Evangelho, que é Cristocêntrico. Em contraposição, temos visto um Evangelho cujo centro é o homem, um evangelho para o homem, um evangelho humano, antropocêntrico. Torna-se, assim, um tipo de propaganda, de oferta tentadora, na qual se faz abatimento e se abrem facilitações para o freguês. Levam um evangelho de múltiplas vantagens para quem o aceitar, afirma monsenhor Jonas Abib.

Evangelho fácil

Hoje, o mundo tem medo das palavras de Jesus, porque elas incomodam, trazem luz às trevas, denunciam e libertam. O povo quer um Evangelho fácil, querem que as palavras de Jesus se adaptem àquilo que vivem e não querem se adaptar ao Evangelho. Muitos estão vivendo a impureza, deixando-se ser moldados pelas paixões e pelos prazeres sexuais, alegando que hoje não têm como viver a pureza, e que todos somos fracos. Mas o Senhor nos fala que bem-aventurados são os puros de coração, porque verão Deus!

Outros querem viver a ganância, porque a vida fácil é melhor, querem seres ricos, não querem sofrer, não têm misericórdia para com seu semelhante e querem viver a lei do olho por olho, dente por dente. O Senhor, no entanto, nos fala: "Bem-aventurados os que têm um coração de pobre. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia! Não julgueis, e não sereis julgados".

Ficam dizendo que não é tudo isso que Jesus quis dizer e que Ele não era tão radical como pregam por aí, como a Igreja fala e os cristãos querem viver. No entanto, nós não podemos viver um Evangelho de meia medida!

Conversão

Querem ouvir somente que Deus é amor e misericórdia, mas não querem se converter. O amor e a misericórdia não estão separados, e a conversão é uma busca radical pelo Senhor. A noção de conversão é expressa de maneira muito concreta por meio do verbo "voltar", ou seja, voltar para o Senhor com todo o coração, retomar o caminho das suas veredas. Porém, a conversão se dá numa vida de busca do Senhor, de renúncias das coisas que levam ao pecado, na vivência do Evangelho. Jesus precisa passar a ser o centro da nossa vida!

Claro que todos nós continuamente estamos em processo de conversão, isto é, dessa volta para o Senhor. Precisamos dizer que não queremos outra vida, a não ser seguir a voz do Senhor, fazer a vontade d'Ele, mesmo que venhamos a ser criticados, perseguidos, pois a vida é garantida para quem busca o Senhor Deus como o coração em uma vida nova.

Queremos uma vida diferente daquela que antes vivíamos. É uma adesão radical por Jesus, uma mudança de comportamento, de falar e agir; esse é o processo de conversão pelo qual precisamos passar. Mas ninguém muda da noite para o dia, passa também pela paciência, pelo recomeçar todos os dias, pela mudança diária e, principalmente, pela vida de oração e a busca do Senhor e abandono da vida velha.

Viver o Evangelho

Efetivamente, a nossa fé não é uma ideologia, mas a adesão ao Nosso Senhor Jesus Cristo. É o próprio Senhor que o declara: "Convertei-vos a mim!". O profeta Joel explica e justifica esse convite: "Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo", e ele mesmo, por sua vez, compreende e perdoa.


Não podemos ser cristãos que buscam as coisas fáceis e algo como mágica. Estamos numa geração de cristãos que não querem ser radicais no seguimento a Jesus. É difícil viver o Evangelho radical neste mundo; contudo, não podemos desistir. Por isso, estou incentivando você, leitor, a não desistir do nosso Deus, a lutar pela santidade e pela vida autêntica de cristão. Vivamos o Evangelho na sua profundidade e radicalidade.

15 de junho de 2017

Quando o inesperado bate à nossa porta

Precisamos aprender a viver intensamente cada momento

No nosso cotidiano, envolvidos nas tarefas e nas situações do dia a dia, sempre nos esquecemos de algumas coisas básicas, até nos depararmos com o inesperado. Muitas vezes, nós nos envolvemos tanto com as tarefas, que acabamos nos esquecendo de Deus, dos irmãos, e de que a nossa vida é finita. Vivemos como se o nosso tempo aqui fosse infinito; e, assim, perdemos tempo. Deixamos de amar aqueles que nos cercam.

Foto: ImagineGolf, 17329893 , iStock photos by gett image

A finitude do nosso tempo faz com que nos esforcemos para aproveitar o tempo de vida de que dispomos e não deixemos passar em vão ocasiões e momentos irrepetíveis. Cada minuto de nossa vida, ao lado das pessoas que conhecemos e amamos, é único e precisa ser aproveitado com toda a sua intensidade. Cada encontro com o outro é uma oportunidade que não volta a se repetir.

Uma experiência com o inesperado

Em 2002, vivi a experiência do inesperado bater à minha porta, quando meu irmão sofreu um grave acidente de carro e, em fevereiro de 2004, foi para junto de Deus. No ano do acidente, posso dizer que tive a graça de aproveitar breves momentos, intensamente.

Ele morava em Araguaína (TO) e eu estava na missão de Natal (RN). Ele foi para casa de férias, no fim de ano, mas, devido à missão, eu não pude ir. Como somos pernambucanos, ele estava a poucas horas da cidade onde eu estava, e, na hora de voltar para sua cidade, ele mudou a rota e passou, em plena madrugada, na minha casa, para matarmos um pouco as saudades. Essa foi a última vez que eu vi o meu irmão com vida. Foram poucos minutos, mas vividos com intensidade, vividos como únicos e irrepetíveis.


Hoje, compreendo que a consciência de nossa finitude nos dá oportunidade para concentrarmos a atenção no essencial. Dá-nos oportunidade de entendermos que cada pessoa é única e irrepetível. Ensina-nos a não pararmos nas diferenças, mas olharmos a individualidade de cada um como riqueza. Ensina-nos a sairmos de nós mesmos para servir o outro, para amarmos o outro. Ensina-nos a viver cada momento como único.

Assim, conseguimos viver o tempo presente como ele deve ser vivido, colocando nossas preocupações em Deus e nos concentrando na essência da vida: amar e servir. Precisamos aprender a viver intensamente cada momento. Aprender a não nos deixarmos levar pelas tarefas e atividades do cotidiano, para não deixarmos passar em vão os momentos de encontro com o outro, a não deixarmos passar em vão as oportunidades para amar.

14 de junho de 2017

Conheça a história da Festa de Corpus Christi

Conheça a origem da Festa de Corpus Christi

Todas as quintas-feiras, depois da oitava de Pentecostes, a Igreja celebra a festa de Corpus Christi, mas nem sempre foi assim. Vejamos, então, como essa festa tomou a proporção que ela tem hoje.

A origem da Festa de Corpus ChristiFoto: Wesley Almeida/cancaonova.com

História

Uma primeira coisa a saber é que não existe registo do culto ao Santíssimo Sacramento fora da Missa no primeiro milênio. Nesse período, a Eucaristia ministrada fora da Missa era somente para os doentes.

A partir do segundo milênio, no entanto, por meio de um movimento eucarístico, cujo centro foi a Abadia de Cornillon, fundada em 1124, pelo Bispo Albero em Liége, na Bélgica, podemos constatar costumes eucarísticos: exposição e bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante sua elevação na Missa e, consequentemente, a festa do Corpus Christi.

A Solenidade em honra ao Corpo do Senhor – "Corpus Chisti" –, que hoje celebramos na quinta-feira após a oitava de Pentecostes, mais precisamente depois da festa da Santíssima Trindade, é oficializada somente em 1264 pelo Papa Urbano IV.

Como bem sabemos, Deus costuma se revelar aos humildes e pequenos, e Ele se utilizou de uma simples jovem para lhe revelar a festa de Corpus Christi.  Segundo os registros da Igreja, Santa Juliana de Cornillon, em 1258, numa revelação particular, teria recebido de Jesus o pedido para que fosse introduzida, no Calendário Litúrgico da Igreja, a Festa de Corpus Domini.

Santa Juliana nasceu, em 1191, nos arredores de Liège, na Bélgica. Essa localidade é importante, e, naquele tempo, era conhecida como "cenáculo eucarístico". Nessa cidade, havia grupos femininos generosamente dedicados ao culto eucarístico e à comunhão fervorosa.

Tendo ficado órfã aos cinco anos de idade, Juliana, com a sua irmã Inês, foram confiadas aos cuidados das monjas agostinianas do convento-leprosário de Mont Cornillon. Mais tarde, ela também uma monja agostiniana, era dotada de um profundo sentido da presença de Cristo, que experimentava vivendo, de modo particular, o Sacramento da Eucaristia.

Com a idade de 16 anos, teve a primeira visão. Via a lua no seu mais completo esplendor, com uma faixa escura que a atravessava diametralmente. Compreendeu que a lua simbolizava a vida da Igreja na Terra; a linha opaca representava a ausência de uma festa litúrgica, em que os fiéis pudessem adorar a Eucaristia para aumentar a fé, prosperar na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento.

Durante cerca de 20 anos, Juliana, que entretanto se tinha tornado priora do convento, conservou no segredo essa revelação. Depois, confiou o segredo a outras duas fervorosas adoradoras da Eucaristia: Eva e Isabel. Juliana comunicou essa imagem também a Dom Roberto de Thorete, bispo de Liége. Mais tarde, a Jacques Pantaleón, que, no futuro, se tornou o Papa Urbano IV. Quiseram envolver também um sacerdote muito estimado, João de Lausanne, pedindo-lhe que interpelasse teólogos e eclesiásticos sobre aquilo que elas estimavam.

Foi precisamente o Bispo de Liége, Dom Roberto de Thourotte, que, após hesitações iniciais, aceitou a proposta de Juliana e das suas companheiras, e instituiu, pela primeira vez, a solenidade do Corpus Christi na sua diocese, precisamente na paróquia de Sainte Martin. Mais tarde, também outros bispos o imitaram, estabelecendo a mesma festa nos territórios confiados aos seus cuidados pastorais. Depois, tornou-se festa nacional da Bélgica.

A festa ficou conhecida

Dessa forma, a festa foi crescendo cada vez mais, e outros bispos faziam a mesma coisa em sua diocese. Tomou tal proporção, que veio a tornar-se não só uma festa do território da Bélgica, mas sim de todo o mundo. Sendo que, a festa mundial de Corpus Christi foi decretada oficialmente somente, em 1264, seis anos após a morte de irmã Juliana, em 1258, com 66 anos.

Na cela onde jazia, foi exposto o Santíssimo Sacramento e, segundo as palavras do seu biógrafo, Juliana faleceu contemplando, com um ímpeto de amor, a Jesus Eucaristia, por ela sempre amado, honrado e adorado.

Santa Juliana de Mont Cornillon foi canonizada, em 1599, pelo Papa Clemente VIII.  Como vimos, ela morreu sem ver a procissão de forma mundial.

Depois da morte do Papa Alexandre IV, foi eleito o novo Papa, o cardeal Jacques Panteleón. Naquela época, a corte papal era em Orvieto, um pouco ao norte de Roma. Muito perto dessa localidade fica a cidade de Bolsena, onde, em 1264, aconteceu o famoso Milagre de Bolsena.


Em que consiste esse milagre? Um padre da Boemia, Alemanha, que tinha dúvidas sobre a verdade da transubstanciação, presenciou um milagre. Durante uma viagem que fazia da cidade de Praga a Roma, ao celebrar a Santa Missa na tumba de Santa Cristina, na cidade de Bolsena, Itália, no momento da consagração, viu escorrer sangue da Hóstia Consagrada, banhando o corporal, os linhos litúrgicos e também a pedra do altar, que ficaram banhados de sangue.

O sacerdote, impressionado com o que viu, correu até a cidade de Orvieto, onde morava o Papa Urbano IV, que mandou a Bolsena o Bispo Giacomo, para ter a certeza do ocorrido e levar até ele o linho ensanguentado. A venerada relíquia foi levada em procissão a Orvieto em 19 junho de 1264. O Pontífice foi ao encontro do Bispo até a ponte do Rio Claro, hoje atual Ponte do Sol. O Papa pegou as relíquias e mostrou à população da cidade.

O Santo Padre, movido pelo pelas visões de Santa Juliana, pelo prodígio e também a petição de vários bispos, fez com que a festa do Corpus Christi se estendesse por toda a Igreja por meio da bula Transiturus de hoc mundo, em 11 de agosto de 1264. Esses fatos foram marcantes para se estabelecer a festa de Corpus Christi.

A morte do Papa Urbano IV, em 2 de outubro de 1264, um pouco depois da publicação do decreto, prejudicou a difusão da festa. Mas o Papa Clemente V tomou o assunto em suas mãos e, no concílio geral de Viena, em 1311, ordenou mais uma vez a adoção desta festa. Em 1317, foi promulgada uma recompilação das leis por João XXII e assim a festa foi estendida a toda a Igreja.

Foi assim que a festa de Corpus Chisti aconteceu, tendo como testemunho estes dois fatos: as visões de Santa Juliana e o milagre eucarístico de Bolsena.

13 de junho de 2017

Bíblia: uma junção do ato humano e divino

Na Bíblia, temos o sagrado que une o ato humano e a ação divina

A princípio, parece uma coisa óbvia dizer que a Bíblia é um livro, ou melhor, uma coleção de livros, e que, como tal, são para serem lidos; mais do que óbvio, é a entendermos como literatura. No entanto, quando se trata das Sagradas Escrituras, nem sempre a coisa é simples, porque a Bíblia é, para nós, a Palavra de Deus.


Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Por ser Palavra do Senhor, a Igreja venera a Bíblia profundamente. O que acontece, muitas vezes, é que as pessoas entendem de modo equivocado o fato de a termos como Palavra de Deus e de a venerarmos como tal. Acabam, então, por um respeito fora da normalidade, tendo medo de ler a Bíblia.

Destaque para a Palavra de Deus

Eu acho bacana quando chego em uma casa e a Palavra de Deus está aberta, geralmente num lugar de destaque. A pessoa tem aquela Bíblia grande, ilustrada e a coloca na sala, aberta. Isso é bem bonito! É muito importante dar destaque à Palavra de Deus, e a Igreja nos incentiva a fazer isso. No entanto, grande parte dessa pessoas ficam com medo ou respeito excessivo e não a leem. Por isso quero comentar sobre a Bíblia como literatura.

Para ficar mais fácil, vamos separar as palavras: Bíblia e Sagrada. "Bíblia" significa um conjunto de livros, e como já dissemos, livro é para ser lido. Ato humano. E a outra palavra "Sagrada", segundo o dicionário, é algo relativo às coisas divinas, algo santo, separado. Ato divino. Percebemos aí o que Deus quer: a união do divino com o humano.


Ato humano e ação divina

Na composição da Bíblia Sagrada, temos, no momento da redação dos livros, a mão humana, mas também, e principalmente, a inspiração divina, que é o que torna a Bíblia algo sagrado para nós. Temos aí essa junção do ato humano e da ação divina.

Fazemos o que cabe a nós no ato humano da leitura dos textos; e Deus faz o Lhe cabe, enviando-nos Seu Espírito Santo, que nos ilumina e encaminha nessa leitura.

A Igreja nos ensina que a graça de Deus é oferecida a todo ser humano, mas que para produzir seu efeito é necessário que haja a cooperação humana. É o que a Igreja chama de livre adesão do homem à graça divina. Assim também o é com a Bíblia. Para que a Palavra de Deus, em toda sua sacralidade, e para que o ato divino aconteça em nós, precisamos realizar o ato humano da leitura dos textos.

Fique com Deus. Até a próxima.

9 de junho de 2017

Será que nasci para ser solteira?

Minha vocação é ser solteira?

Não, não e não! Ninguém nasce predestinada, muito menos com um carimbo na testa determinando para sempre o seu estado civil. E não venha querer culpar Deus, o destino ou os astros por você estar solteira até hoje! Nascemos para ser felizes, para nos realizarmos plenamente neste mundo, independentemente do estado civil.

A nossa vida é fruto de nossa vocação, de nossas escolhas e discernimento. Vocação é um chamado natural, condizente com a nossa aptidão e personalidade, conforme nosso talento, que vai se desenvolvendo ao longo da vida.

Será-que-nasci-para-ser-solteiraFoto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Influência social

A vocação não é algo forçado, não aparece num passe de mágica, muito menos com base na moda, no momento, naquilo que todo o seu grupo de amigos faz, na mídia, nem naquilo que seus pais e seus colegas de trabalho querem que você seja. Já repararam que a sociedade hoje toca a mesma música para todas as mulheres: namorar, noivar, casar… e viveram felizes para sempre!

Essa fórmula não se aplica a todas nós, pois muitas têm o chamado à vida religiosa, ao celibato ou à vivência plenamente solteira. Mas há uma cobrança social que impede muitas meninas e mulheres de admitirem essa possibilidade! Todos têm de ter uma tampa da panela, a metade da laranja, alguém para dividir o financiamento do apartamento. Quem disse?

Desde pequenas, somos influenciadas a formar uma família, e isso é lindo, afinal, o matrimônio é um sacramento importante, mas não precisa ser o destino final de todas, pois nem todas têm essa vocação.

Você acha que casamento é fácil?

Casamento é renúncia diária, é anular-se muitas vezes pelo marido (muitas mesmo), é dedicar-se em tempo integral pelos filhos, administrar conflitos, resolver incompatibilidades de gênios, financeiras e emocionais todos os dias; é um doar-se, que, sinceramente, nem todos têm vocação. Muitos casamentos acabam, simplesmente, porque um dos cônjuges ou ambos não sabem se doar, só querem receber, são egoístas. No fundo, não têm a vocação para o matrimônio.

De um lado, reparem na quantidade de casamentos falidos, e que nunca deveriam ter se concretizado, mas os namorados foram indo, empurrando com a barriga as incompatibilidades, depois noivaram, casaram e perceberam que não fazia qualquer sentido os dois debaixo do mesmo teto, discutindo até para decidir se compram manteiga ou margarina. É isso que você quer para sua vida?


Descobrir-se

Vejam a quantidade de mulheres solteiras frustradas, entregando-se a qualquer cara sem discernimento, por desespero, por medo de "ficar pra titia" e se tornando ainda mais infelizes e frustradas. Um casamento que não deveria ter acontecido, por vezes, vai terminar em divórcio em pouco tempo.

Entre ficar sempre solteira, assumindo essa vocação ou ser casada por um tempo (como nos contos de fadas), para depois cair na real, perceber o erro e retornar à vida de solteira, o que você escolhe?

Nem todos temos o chamado ao matrimônio, mas Jesus Cristo chama a todos nós para que sejamos Seus discípulos, contribuindo para que se faça um céu na pequena parte que lhe couber nesta vida terrena: sua casa, seus amigos, seu trabalho. Ele se apresenta às pessoas por meio de nossas atitudes.

Então, em vez de ficar se lamuriando, porque está solteira, busque ser uma pessoa melhor com quem Deus confiou a você. Pode não ser um marido ou filhos biológicos, mas talvez os sobrinhos, os filhos dos amigos, os amigos, seus pais, as pessoas do seu trabalho ou mesmo uma associação que você decida ajudar e fazer a diferença, um céu na vida delas.

A vocação precisa ser discernida

Conforme consta no Catecismo da Igreja Católica, 1830, "a vida moral dos cristãos é sustentada pelos dons do Espírito Santo. São disposições permanentes que tornam o homem dócil aos impulsos do mesmo Espírito ", e este Espírito é que nos dá discernimento para tomarmos decisões importantes, como o seu estado de vida!

Ao decidir ficar bem solteira ou namorar para casar, estando fora da graça de Deus (por exemplo, há muito tempo sem ter se confessado, comungado, participado de uma adoração), perde-se a oportunidade do dom de conselho do Espírito Santo, e o discernimento será prejudicado.

Minha dica então é: dedique um tempo da sua vida para discernir sua vocação. Procure um diretor espiritual, um retiro, e olhe para dentro de você com sinceridade: é capaz de suportar, com alegria, todas as renúncias de um casamento ou só quer casar para não ser solteira? Nunca perdemos por sermos sinceras com nós mesmas, com os outros e com Deus.

Antes do seu estado civil, Deus a fez para ser feliz plenamente, e a decisão que traz paz ao seu coração é a mais acertada.


    Mariella Silva de Oliveira Costa

Mineira , esposa, católica, feliz e amante de uma boa prosa. Jornalista, professora universitária, cientista em formação e servidora pública, Mariella é graduada na Universidade Federal de Viçosa e especialista em jornalismo científico (Unicamp), mestre em ciências médicas (Unicamp) e doutoranda em saúde coletiva na Universidade de Brasília. Participa da Renovação Carismática Católica, desde 1998, onde serviu especialmente no Ministério Universidades Renovadas e no Ministério de Comunicação Social. Cofundadora do projeto Muitas Marias.com (www.muitasmarias.com)
Contato: mariellajornalista@gmail.com Twitter: @_mari_ella_
www.muitasmarias.com


Fonte: http://formacao.cancaonova.com/afetividade-e-sexualidade/afetividade-feminina/nasci-para-ser-solteira/

7 de junho de 2017

Como preparar seu filho para lidar com a frustração

A escola da vida é uma excelente academia para treinar e lidar com a frustração

Num mundo de opções tão variadas, é possível preparar nossos filhos para conviver com essa diversidade? É possível dizer 'não' àquilo que não é bom para eles e ensiná-los a conviver com a frustrações?  Para responder essas perguntas precisamos, primeiro, entender o que é frustração. É um estado que vivenciamos quando algo nos impede de realizar nosso objeto de prazer. Na vida, sabemos que existem várias barreiras limitadoras – sejam elas sociais, psicológicas, físicas ou espirituais –, e é bom que assim seja, pois elas nos impedem de ter comportamentos nocivos para nós e para os outros. Mas a forma de lidar com isso gera satisfação ou insatisfação.

Durante toda a nossa vida, vivemos realidades permeadas de expectativas não atendidas, tais como a falta de pessoas e de sentimentos que gostaríamos que elas tivessem ou não para conosco. Esses sentimentos podem despertar em nós emoções de raiva ou tristezas, as quais acabam se transformando em ira ou depressão, levando nossos filhos a pequenos ou grandes sofrimentos.

Como-preparar-seu-filho-para-lidar-com-a-frustraçãoFoto: BrianAJackson by Getty Images
A frustração pode atacar principalmente a autoestima dos nossos filhos e levá-los a fazer escolhas erradas, tais como drogas ou relacionamentos complicados.


Como fazer para que as crianças aprendam a conviver e a trabalhar essas frustrações inevitáveis? Esse é um grande dilema vivenciado diariamente por muitos pais.

A escola da vida é uma excelente academia para treinarmos desde pequenos, e colocarmos limites nos possibilita criar condicionamentos mentais, que vão nos propiciando amadurecimento e condições para lidarmos com frustrações maiores. Poder trabalhar preventivamente é um ponto importante para quem tem filhos pequenos.

Nesse ponto, temos vivido uma realidade preocupante. Como a vida profissional dos pais exige que estes fiquem muito tempo fora, eles acabam atendendo aos desejos dos filhos, que não deveriam, para acalmar o sentimento de culpa que sentem por causa da ausência.

Superar a frustração

A grande maioria dos pais, quando perguntados sobre o que mais querem para seus filhos, provavelmente responderão: que sejam felizes. Para isso, esforçam-se para oferecer às crianças as melhores condições, mas, muitas vezes, perdem a oportunidade de ensinar a simplicidade da felicidade. Temos de entender que, dentro de cada um de nós, existe uma pessoa fraca e uma forte. A pergunta que temos de nos fazer é: qual estamos alimentando mais em nossos filhos? Ensiná-los a lidar com as emoções e os sentimentos faz parte do nosso papel de educador, a fim de que possam superar as frustrações que enfrentarão por toda a vida.

O primeiro aprendizado que focamos muito como sucesso é o que o mundo nos ensina, ou seja, criarmos condições principalmente no desenvolvimento do quociente intelectual, mas nos esquecemos do quociente emocional e espiritual, que é a nossa capacidade de lidar com as emoções diante dos desafios diários da vida. A capacidade de transcender, abrir mãos de necessidades atendidas no presente para uma vida futura melhor.

O nosso papel é trabalhar as competências de nossos filhos, seus conhecimentos, suas habilidades e, principalmente, suas atitudes aos valores e às crenças que introjetamos neles a partir da forma como vemos o mundo. A escola pode ser parceira, mas os pais não podem terceirizar uma função que é inerente à sua vocação. E a vocação dos pais católicos é serem os primeiros educadores e catequistas de seus filhos.

O que podemos, então, fazer como pais para ajudar os filhos desde pequenos? Primeiro, buscar o autoconhecimento, pois quem se conhece tem mais possibilidade de se aceitar com foco na construção da autoconfiança. Pessoas que reconhecem suas qualidades e defeitos têm mais facilidade para trabalhar comportamentos inadequados sem se sentir uma pessoa inadequada. Isso permite que ela tenha coragem de mudar quando for preciso e aceitar aquilo que ela não pode mudar.

Caminho para ajudar a lidar com a frustração

Trabalhar a paciência para que eles aprendam a esperar, fazendo com que a frustração seja menos dolorida. O diálogo é fundamental para a criança aprender a partilhar seus sentimentos, os quais, quando falados, podem ser melhor trabalhados. Aprender a ser persistente, pois pouca coisa nós conseguimos sem que tenhamos de batalhar por elas. A vida não é o que a televisão vende, mas algo conquistado passo a passo. Como diz São Paulo, precisamos combater o bom combate. Ser resiliente, ou seja, ter a capacidade de mudar de estado de acordo com algumas situações, controlar impulsos e aceitar as adversidades e as alegrias como parte da vida, pois o mundo não se restringe ao nosso umbigo, mas a uma coletividade.

Porém, nada disso é possível sem que os pais se lembrem de que o comportamento dos filhos é modelado por seus exemplos; portanto, precisam ser os primeiros a reconhecer seus próprios sentimentos e lidar com suas frustrações diante da realidade da vida.

Lembrem-se: nossos filhos são como folhas em branco, nas quais podemos escrever nossas frustrações e nossos medos ou contribuir para o aprendizado de como lidar com as decepções e superá-las. Como em uma academia, temos de começar com exercícios leves até chegar aos mais exigentes, ou seja, ajudá-los a serem adultos maduros e felizes.


Ângela Abdo

Ângela Abdo é coordenadora do grupo de mães que oram pelos filhos da Paróquia São Camilo de Léllis (ES) e assessora no Estudo das Diretrizes para a RCC Nacional. Atua como curadora da Fundação Nossa Senhora da Penha e conduz workshops de planejamento estratégico e gestão de pessoas para lideranças pastorais.

Abdo é graduada em Serviço Social pela UFES e pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e em Gestão Empresarial. Possui mestrado em Ciências Contábeis pela Fucape. Atua como consultora em pequenas, médias e grandes empresas do setor privado e público como assessora de qualidade e recursos humanos e como assistente social do CST (Centro de Solidariedade ao Trabalhador). É atual presidente da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos) do Espírito Santo e diretora, gerente e conselheira do Vitória Apart Hospital.


Fonte: http://formacao.cancaonova.com/familia/educacao-de-filhos/como-preparar-seu-filho-para-lidar-com-frustracao/

5 de junho de 2017

Contaminação espiritual: o perigo dos excessos e do relativismo

Existe contaminação espiritual?

Há alguns anos, era muito comum para nós, que fazíamos parte da Renovação Carismática Católica (RCC), ouvirmos as pessoas falando sobre a realidade da "contaminação espiritual". Certamente, houve muitos erros em relação à essa realidade e até mesmo excessos. Para algumas pessoas, tudo girava em torno da possibilidade de "contaminar-se espiritualmente". Assim era com as roupas que vestíamos, com certos alimentos, marcas e empresas com as quais, se tivéssemos contato, "correríamos o risco de sermos contaminados espiritualmente". Também houve excessos sobre conteúdos que víamos na televisão como músicas, objetos e símbolos que usávamos em nosso dia a dia. Tudo precisava ser analisado com muito critério para não nos "contaminarmos".

-Contaminação-espiritual-o-perigo-dos-excessos-e-do-relativismoFoto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Percebi, porém, com o passar do tempo, depois dos excessos cometidos, que as pessoas começaram a assumir uma outra postura em relação a essa realidade de "contaminação espiritual", e entraram num perigoso e arriscado terreno chamado relativismo. Era uma tentativa de apagar os "traumas" do passado deixados pelos excessos. Hoje, percebo que muitas pessoas, especialmente os jovens, estão caindo nesse perigoso relativismo, afirmando que não é necessário tanto rigor com determinadas realidades.

A questão da "contaminação espiritual" existe realmente?

Para entendermos um pouco mais, vamos ao significado do que a palavra "contaminação" significa. A palavra "contaminação" deriva do latim contaminatĭo, e se refere à ação de contaminar. Podemos dizer que faz referência a uma ação nociva de alterar as condições normais de uma coisa por agentes químicos ou físicos, uma forma de corromper, em sua originalidade, determinadas matérias.

Penso que aqui está a chave para a nossa questão, na palavra "corromper"! O que chamamos de contaminação espiritual é, na verdade, todo e qualquer tipo de contato que temos com realidades capazes de corromper a verdade ou a ação de Deus sobre nossa vida.

Utilizamos este termo "contaminação espiritual" somente para figurarmos que algo nocivo pode estar nos influenciando de maneira direta ou indireta. E que esse algo nocivo não provém de Deus nem mesmo faz parte da sã doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana.

Como saber se alguém pode ou não estar "contaminado espiritualmente?"

Não é tão simples assim discernir se uma pessoa pode ou não estar contaminada espiritualmente, pois como expliquei, vai além de regras impostas ou situações que determine de modo irreversível tal condição, pois é necessário que a pessoa tenha buscado ou tenha tido contato com uma realidade fora de Deus ou da doutrina Católica, a ponto de essa pessoa estar sendo, a partir de então, influenciada ou refém por tal decisão.

Há realidades que se as pessoas buscarem, certamente estarão "abrindo as portas" para uma ação direta do demônio sobre sua vida, trazendo para si algo de nocivo, que poderá corromper a ação e a amizade com Deus, e por isso poderia-se usar o termo "contaminação espiritual."

Exemplo disso é quando buscamos todas e quaisquer realidades voltadas ao Ocultismo, a Magia, a Adivinhação, a Superstição, as seitas e filosofias que ensinam uma doutrina contrária à da Igreja Católica. Estas realidades podem ser muito nocivas, podem nos levar a caminhos longes de Jesus Cristo, e por isso "manchar", "ferir", "contaminar" a nossa relação com Deus.

Consequências da contaminação

Se uma pessoa tem contato direto com essas realidades, a probabilidade de corromper-se é grande, mas ainda assim não podemos afirmar que estão "contaminadas espiritualmente", a não ser que já estejam colhendo as consequências dolorosas desta busca, como por exemplo, há pessoas que, depois que tiveram contato com essas realidades, começaram a ouvir vozes, verem vultos, terem pesadelos, dores crônicas, não conseguem mais rezar et).

Isso é um sinal de algo espiritual, maligno, que pode tê-las atingido. Ou ainda depois do contato com estas realidades deixaram de ir a Santa Missa, rejeitam os ensinamentos da Igreja, não se confessam, acham que não precisam mais da Igreja e etc… Isso tudo são sinais que podem indicar que algo foi corrompido, contaminado dentro da pessoa por uma força maior que ela mesma.


Extremos e relativismo

Os jovens têm buscado, cada vez mais, essas realidades voltadas ao ocultismo e à adivinhação, caindo num perigoso relativismo quando afirmam que buscam essas coisas somente para fazer o bem, que não tem a intenção de procurar o Mal, por isso buscar estas realidades não traria perigo! Na verdade ,correm um grande risco de se depararem com realidades diabólicas, sem ao menos saber do que se trata.

O que precisa ficar bem claro para nós e cair por terra são os extremos que algumas pessoas afirmavam. Elas nos trariam com uma contaminação espiritual, por exemplo, passássemos em frente a um terreiro que mexe com ocultismo, se passássemos ao lado de um despacho na rua, se comecemos em casas de pessoas de outras religiões, ou tívessemos contatos fisicos com elas, e outros tipos de extremismos sem lógica!

Onde Deus não se encontra

Uma outra realidade que geralmente sempre perguntam é sobre a leitura de livros, músicas e filmes, se podem ou não trazer o perigo de uma "contaminação espiritual"… Minha resposta e experiência podem afirmar o mesmo que disse acima: Se o que você vai ler, ouvir ou assistir, irá corromper a ação de Deus em você de maneira direta ou indireta, ou se vai levar você a um terreno de doutrinas contrários à nossa, muito cuidado, pois o Demônio pode usar de toda a sua astúcia para cumprir o seu papel de quem veio para roubar, matar e destruir… E ele nunca vai deixar transparecer as pessoas a maldade que estará por detrás daquilo que ele oferecer, ele sempre age sutilmente, mas objetivamente…

Podemos dizer que de certa forma existe sim a realidade do que chamamos de "contaminação espiritual", mas que usamos a mesma como uma figura de linguagem, que expressa o perigo que corremos espiritualmente, quando buscamos realidades onde Deus não se encontra!

Clique aqui e faça uma Oração de Renúncia

Danilo Gesualdo, missionário da Comunidade Canção Nova


Fonte: http://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/cura-e-libertacao/contaminacao-espiritual/

1 de junho de 2017

Dicas de como lidar com pessoas difíceis no trabalho

O sonho de ter o melhor emprego do mundo acaba, muitas vezes, quando nos deparamos com pessoas difíceis

Quem dera nosso local de trabalho fosse um ambiente formado por pessoas que aceitassem nossas opiniões, andassem sempre bem humoradas, com vontade de produzir! Pessoas que fossem flexíveis e ponderadas em suas atitudes, sem reclamações e dentro da mais perfeita harmonia. Quem dera não existir pessoas difíceis!


Dicas para lidar com pessoas difíceis no trabalhoFoto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Vez ou outra, deparamo-nos com aquele colega orgulhoso, o "sabe-tudo", o interesseiro; tem também o bajulador, o que empurra serviço para o outro, o invejoso, o ciumento, o explosivo… Enfim, pessoas difíceis que julgamos ser realmente complicadas de lidar e que, diariamente, criam conflitos com os demais.

Como resolver o conflito

Quando um problema desse tipo é diagnosticado, o jeito mais comum de agirmos é ignorando, acreditando ser uma situação passageira, que logo terá fim. Com o passar do tempo, pouca mudança é percebida e a solução correta do fato fica de lado.

Fingir que nada está acontecendo e continuar sofrendo as consequências sem nenhuma atitude só contribui para crescer aquele "monstro" dentro de nós. Vamos fazer o quê? Arrumar mais confusão? Isso é problema nosso?

O bom senso é a chave para entrar num caminho delicado e renovador. Resolver problemas não é tarefa agradável, por isso tantas pessoas se esquivam deles. Desejamos que os outros já cheguem até nós prontos, sem defeitos nem ajustes. Culpamos a todos e nunca paramos para pensar sobre nossas próprias atitudes. Temos de nos livrar de certos preconceitos e tentar entender os que estão ao nosso redor para os auxiliar. A melhora pode partir de quem está incomodado e não de quem incomoda.

Respeito e ponderação

O individualista não percebe que está centralizando as tarefas nele, impedindo o trabalho em equipe. O explosivo grita, responde de modo ríspido às ordens, sem compreender o quanto está causando mal aos que estão a sua volta. Mostrar-lhes que atitudes como essas não colaboram para um ambiente sadio de trabalho é de extrema necessidade. Não cabe somente ao líder tomar essa iniciativa. Se você faz parte desse grupo e se sente prejudicado, fale. Com respeito e ponderação, uma boa conversa é libertadora.

Fuja da armadilha do "toma lá, dá cá", de ficar buscando formas de "dar o troco" a quem tira sua paciência. Concentre sua atenção em observar seus colegas, tentando buscar formas de evoluí-los. Evite responder às provocações, estimular fofocas e comentários na ausência do outro, respire fundo e só depois fale.

A oração da serenidade nos ensina:
"Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras".

29 de maio de 2017

A palavra de profecia é um dom do Espírito Santo

Por meio da palavra de profecia, o próprio Deus nos fala, às vezes, consolando-nos; outras vezes, exortando-nos ou repreendendo-nos

A palavra de profecia é um dom do Espírito Santo pelo qual, por meio de uma pessoa que fala, Deus exerce o seu poder. O Senhor mesmo põe a Sua Palavra cheia de sabedoria, de força e vida na boca de Seus profetas. Deus manda dizer, o profeta fala e a Palavra, por uma força do alto, realiza o que foi anunciado.


Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

A palavra que sai da boca de Deus arranca e demole, arruína e destrói, mas faz isso sempre para edificar, construir e plantar algo novo e melhor. Depois da palavra de profecia, sempre brota a esperança de uma vida nova, pois assim o próprio Senhor declara: "Vou fazer reentrar em vós o sopro da vida para vos fazer reviver" (Ez 37,5).

Deus cura os enfermos

Ainda hoje, quando se fala do carisma de profecia, é fácil perceber que muitas pessoas não o conhecem. E quando o conhecem, têm muitas dúvidas a seu respeito. Não sabem do que se trata exatamente e chegam a confundir profecia com predições do futuro.

Entre os primeiros cristãos, porém, isso era bem diferente. Apesar de saberem que a sua profecia era limitada e imperfeita (cf. I Cor 13,9), eles conheciam muito bem esse carisma e tinham a certeza de que era inspirado por Deus. Podemos dizer que conheciam. porque eles possuíam, viviam, experimentavam e aplicavam esse dom em todos os dias da vida deles. Eram homens e mulheres simples, mas cheios de uma grande intimidade com Deus.

Sua experiência carismática era tão intensa, que São Paulo precisou intervir para ensiná-los a aproveitar melhor as graças tão abundantes que Deus derramava sobre eles.

Não lhes falta dom algum

Suas reuniões de oração eram famosas, pois eram alegres, animadas e cheias de vida. No entanto, se falarmos da nossa comunidade, das nossas reuniões de oração, o que podemos dizer sobre o dom da profecia? São Paulo, diante daqueles homens e mulheres de Corinto, inflamados pelo Espírito, chegou a dizer:  "..não lhes falta dom algum". Eram tantos os que possuíam esse carisma, que Paulo determinou: "Quanto aos profetas, falem dois ou três, e os outros julguem" (I Cor 14,29).

Nas comunidades de hoje, contudo, as pessoas pouco conhecem esse dom. E, às vezes, aqueles que o conhecem na teoria não têm coragem de colocá-lo em prática, por vergonha ou medo.

Alguns não o fazem, porque se acham indignos, e, por essa razão, o grupo de oração, a paróquia, a Igreja ficam privados de um carisma vigoroso, que enraíza, edifica e firma a comunidade em Deus.


Como  saber que Deus está nos dando uma palavra de profecia

O Espírito Santo gosta de derramar o carisma da palavra de profecia quando as pessoas estão reunidas em oração. E como isso se dá? Normalmente, depois de um fecundo momento de louvor, um silêncio de adoração cai sobre todos os que estão reunidos.

Em dado momento, uma dentre as pessoas se sente impulsionada pelo Espírito Santo a dizer alguma coisa da parte de Deus (cf. II Pd 1,21). Sente um movimento e uma unção diferente em seus pensamentos e sentimentos.

Percebe-se como que inundada em suas palavras por um vigor e uma convicção que superam sua capacidade.

A pessoa reconhece que se trata de uma inspiração, um toque de Deus. Compreende isso por meio de um sentimento intenso que a envolve e de uma coragem extraordinária, cheia de certeza, que reconhece não serem originadas dela mesma.

Então, quando abre a boca para proclamar a mensagem que Deus lhe dá, sua palavra se torna mais firme, cortante e eficaz. Experimenta ainda um lampejo do vigor e do assombro que todos sentiam quando Jesus falava. E não se trata de uma coisa programada, pois quem profetiza não formula em seus pensamentos o que dirá, as palavras simplesmente vêem a seus lábios. Transmite a mensagem em primeira pessoa, com segurança e firmeza, sem qualquer sinal de medo ou dúvida (lembrando que o "eu" aqui não é o da pessoa que fala, mas o do próprio Deus).

A profecia chega aos poucos

Encontrei uma pessoa que, há muitos anos, exerce o dom de profetizar e lhe perguntei: "Como a profecia chega ao seu coração?". "Chega aos poucos", respondeu-me. "A frase não vem pronta. As palavras surgem por inspiração uma após a outra.

Às vezes, Deus me dá uma ou duas palavras e, só depois que eu as falo, é que aparecem as outras.

No momento em que começo a dizer a profecia, não tenho a menor ideia do rumo que a mensagem tomará, mas é emocionante ver como Deus revela e renova as coisas por meio desse dom".

O mais interessante é que pessoas muito simples e tímidas, que jamais ousariam falar em público, também profetizam. Levantam a voz com autoridade e dizem coisas verdadeiramente audaciosas.

Alguns contam que nem mesmo eles sabem de onde vem a coragem para tanto, ou melhor, sabem que veio de Deus.

O Espírito Santo abrasa os sentimentos e o desejo de profetizar

Quando a pessoa profetiza, ela não muda de voz, mas sofre influência no seu jeito de falar. O Espírito Santo não abrasa apenas as palavras, mas também os sentimentos e os desejos do profeta. Por exemplo, se ele fala de salvação, experimenta uma alegria inabalável, fala com tanta ternura, que os seus olhos se enchem de lágrimas, sente-se como se Deus mesmo tivesse feito dele o seu porta-voz para o mundo inteiro: "Farei de ti o servo que está a meu serviço e serás como a minha boca" (cf. Jr 15,19).

Percebe-se inflamado de um zelo tão grande pela salvação das almas, que, de bom grado, enfrentaria o inferno inteiro para que ninguém se perdesse. Se fala do consolo de Deus, sente no coração uma profunda compaixão, e é tomado de grande amor pela pessoa que sofre, de maneira que até mesmo desejaria estar em seu lugar para aliviá-la de suas dores.

(Artigo extraído do livro: "O dom de profecia")

 

26 de maio de 2017

Qual sentido estamos dando a cada área da nossa vida?

A chave para o sentido é a abertura do homem, que consiste em se voltar para a vida

O valor do homem está naquilo que ele é, não naquilo que faz ou tem. Na essência do seu ser, ele herdou do seu Senhor inteligência, liberdade, vontade, sensibilidade e consciência. "Na intimidade da consciência, o homem descobre uma lei. Ele não a dá a si mesmo, mas a ela deve obedecer" (Gaudium et Spes, n.16).

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz: "Uma consciência bem formada é reta e verídica. Formula seus julgamentos seguindo a razão, de acordo com o bem verdadeiro querido pela sabedoria do Criador. A educação da consciência é indispensável aos seres humanos submetidos às influências negativas e tentados pelo pecado a preferirem o próprio juízo e a recusar os ensinamentos autorizados". A educação da consciência é uma tarefa de toda a vida, "garante a liberdade e gera a paz do coração" (CIC 1783).

Foto: Wesley Almeida / cancaonova.com

Não há dúvida de que a liberdade é um dos mais belos dons que Deus nos concedeu. Quando nos criou, o Senhor nos amou tanto, que nos deixou livres para acolhê-Lo ou recusá-Lo. A liberdade caminha de mãos dadas com a responsabilidade; sem esta, o que era liberdade passa a ser escravidão. "O progresso na virtude, o conhecimento do bem e a ascese aumentam o domínio da vontade sobre seus atos" (CIC 1734). "O exercício da liberdade não implica o direito de dizer e fazer tudo. É falso pretender que o homem, sujeito da liberdade, baste a si mesmo, tendo por fim a satisfação de seu próprio interesse no gozo dos bens terrenos" (CIC 1740).

O homem recebeu de Deus o poder de decisão (cf. Eclo 15,14), mas também recebeu a graça para que possa se decidir pelo bem e buscar a sua essência, que é o amor. A liberdade não é dos escravos, mas dos filhos. "Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres" (Jo 8,35). Sedento de liberdade, precisa o homem moderno compreender que a verdadeira liberdade encontra-se somente em Cristo. Tanto mais livre é o homem, mais ele é capaz de escolher e fazer o bem.


"O homem procura sempre um significado para sua vida, está sempre se movendo em busca de um sentido de seu viver" (Victor Frankl). O sentido não pode ser dado. Os pais não podem prescrever ao filho o que é sentido, nem o chefe ao seu empregado, nem o médico ao paciente. O sentido, pois, como resposta à pergunta "para quê?" ultrapassa os limites estreitos em direção a uma conexão (próxima) maior, a partir da qual ele [sentido] possa ser entendido. Para a compreensão do sentido é importante somente a compreensão de nós mesmos. (Quem sou eu?).

A chave para o sentido

O sentido para todos os tempos, este é impossível de aprendermos. O sentido para a nossa vida, este nós não possuímos. O que se entende por sentido é sempre uma possibilidade a ser apreendida e realizada de modo concreto, que possui o sentido concreto. Ele sempre vai ao nosso encontro sob a forma de situações de vida concretas.

A chave para o sentido é a abertura do homem, que consiste em se voltar para a vida. A primeira coisa a ser abordada é a visão ontológica do homem. O que é o homem? Pessoa, filho de Deus, esposo, pai/mãe, profissional. Essa escala de valores, muitas vezes, está desestruturada ou desregulada.


Para que nos encontremos com Deus, precisamos nos encontrar no pessoal. Encontremos a maneira com que nos colocamos como colaboradores de Deus na missão de diretamente cuidar de alguém no amor, esse amor que gera em cada pessoa uma terceira. Para que possamos construir uma sociedade melhor, busquemos ter uma missão-profissão.

Qual sentido estamos dando a cada área da nossa vida? O que pesa mais hoje? Como podemos colocar cada coisa no seu devido lugar? Queremos ajuda? Temos coragem de pedir?

24 de maio de 2017

Os desafios enfrentados pelos cristãos no dia a dia

Os cristãos e seus desafios

O cristianismo se difundiu a partir da experiência da primeira Comunidade de Jerusalém, conduzida pelo Espírito Santo, tendo à frente o grupo dos Apóstolos, sendo Simão Pedro sinal de unidade. A partir daí, as perseguições contribuíram para a positiva dispersão dos primeiros cristãos, fazendo com que a Semente da Boa Nova se espalhasse por toda parte (Cf. At 8,5-8.14-17).

Fundamental foi a participação de São Paulo, a grande figura de convertido, cuja pregação, testemunho e viagens alargaram as fronteiras do Evangelho, já nos primeiros decênios. Não foram pequenas as dificuldades encontradas pelos cristãos de todas as gerações.

-Os-desafios-enfrentados-pelos-cristãos-no-dia-a-dia-Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

No entanto, desde o início, o Espírito Santo prometido e enviado por Jesus (Cf. Jo 14,15-21) consolida a fé em Jesus Cristo, fortalece para o martírio, ilumina as mentes para o testemunho coerente do Evangelho.

Como os cristãos de ontem e hoje se colocam diante dos desafios que se apresentam?

Podemos começar dentro de casa, em nosso coração e no âmbito de nossos limites pessoais. Há que contar com o fato de sermos pecadores, limitados em nossa vontade, pusilânimes nas decisões. Deus, que não se cansa de perdoar, sabe quem somos e como somos, e está sempre pronto a manifestar sua misericórdia e seu perdão. Ninguém se desespere das próprias fraquezas. A sabedoria popular dizer que "perdão foi feito prá gente pedir". Contar com as fraquezas dos outros e as nossas, não imaginar que em qualquer lugar do mundo encontraremos um grupo de perfeitos e impecáveis!

Do outro lado, a coragem para recomeçar do zero se for necessário. E, uns com os outros, ter a coragem para dizer: "quando você falhar, saiba que antes de julgar ou condenar, encontrará em mim disposição para empreender e perdoar, assim como a ajuda necessária para se erguer dos próprios fracassos".

Para tanto, ter clareza dos valores em que acreditamos, não perder de vista os grandes ideais que norteiam os nossos passos, ser radicais na busca da verdade e do bem, o que significa superar todo tipo de acomodamento.

Ninguém se renda diante do mal circunstante, mas lute bravamente para superá-lo. Quem nivela a própria vida pelo rodapé da existência e se acomoda com os pequenos ou grandes defeitos bloqueia a ação da graça de Deus que pode e quer vir ao encontro da pessoa fragilizada.

Olhe ao seu redor

Com certeza o mar dos contravalores existentes e propagandeados lhe causa uma forte impressão. E que dizer da repisada corrupção que se espalha e contagia pequenos e grandes? Em torno a nós floresce um relaxamento geral das consciências, a prática dos escambos mais escandalosos, a propaganda do pecado, a da impureza e da injustiça. É hora da rendição diante do inimigo? Absolutamente, não! Cristão que se preze luta até derramar, se for preciso, o seu sangue, pela verdade, a justiça e o amor.

Faz-se necessário ter a coragem de nadar contra a correnteza, plantando valores diferentes, acreditando no bem que podem fazer os considerados pequenos na luta pela vida, apoiar as iniciativas de solidariedade, comunhão e participação. Acredito muito mais nas pessoas que arregaçam as mangas e começam a fazer diferente do que as e rumorosas manifestações públicas, nas quais o ódio e a revolta podem se impor.

O cristão tem que abrir os olhos para o horizonte. Até a volta do Senhor, cabe a nós a visibilidade da ação de Deus a favor de seu povo. Só que não estamos sozinhos, pois Jesus prometeu e enviou o Espírito Santo, o amor do Pai e do Filho.


Um roteiro de coragem e ousadia pode ser assim resumido:

– Amar a Jesus é guardar os seus mandamentos. Não falatório, mas vida concreta, de fidelidade ao Senhor.

– Acolher o Espírito Santo Consolador, o Paráclito, o Defensor, que permanece sempre em nós. Ele nos concede a audácia dos mártires, a força dos profetas e confessores da fé, a simplicidade das virgens. São forças que desmontam os poderes do maligno!

– Buscar os caminhos de diálogo e de escuta com quem pensa diferente de nós. Para isso, valorizar o bem que o Espírito Santo já plantou no coração das pessoas, mesmo onde nosso fraco julgamento julga impossível. Não imaginar que exista um mundo ou um pedaço de mundo em que todos pensam como nós.

– Nunca alimentar um espírito de orfandade e tristeza. Cristão olha para frente, aponta para o alto, sabe que a vitória final pertence a Deus.

– Enfim, a sábia recomendação de São Pedro: "Quem é que vos fará mal, se vos esforçais por fazer o bem? Mais que isso, se tiverdes que sofrer por causa da justiça, felizes de vós! Não tenhais medo de suas intimidações, nem vos deixeis perturbar. Antes, declarai santo, em vossos corações, o Senhor Jesus Cristo e estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que a pedir. Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência. Então, se em alguma coisa fordes difamados, ficarão com vergonha aqueles que ultrajam o vosso bom procedimento em Cristo. Pois será melhor sofrer praticando o bem, se tal for a vontade de Deus, do que praticando o mal. De fato, também Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte, na existência humana, mas recebeu nova vida no Espírito" (1Pd 3, 15-18).


Dom Alberto Taveira Corrêa

Dom Alberto Taveira foi Reitor do Seminário Provincial Coração Eucarístico de Jesus em Belo Horizonte. Na Arquidiocese de Belo Horizonte foi ainda vigário Episcopal para a Pastoral e Professor de Liturgia na PUC-MG. Em Brasília, assumiu a coordenação do Vicariato Sul da Arquidiocese, além das diversas atividades de Bispo Auxiliar, entre outras. No dia 30 de dezembro de 2009, foi nomeado Arcebispo da Arquidiocese de Belém – PA.


Fonte: http://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/os-desafios-enfrentados-pelos-cristaos-no-dia-dia/

22 de maio de 2017

Perdoar é tomar a decisão de começar uma vida nova

Ao machucar uma pessoa, você se torna inferior a ela; ao se vingar, você se iguala. Só é superior quem aprende a perdoar

O perdão é uma decisão pessoal que beneficia, em primeiro lugar, quem toma a iniciativa. O perdão é muito mais para mim do que para a pessoa que me ofendeu. Por isso, a decisão de perdoar depende mais de mim do que dos outros.

Perdoar é recuperar o poder sobre si mesmo. A mágoa me coloca na mão do outro; o perdão me devolve a autonomia sobre minha própria história.

Perdoar é tomar a decisão de começar uma vida novaFoto:  Arquivo CN/cancaonova.com

Perdoar é assumir o presente, é viver e mergulhar nele. Perdoar é não sofrer por aquilo que não posso mudar ou resolver. Não podemos mudar o passado. Nunca!

Começar uma vida nova

Perdoar é concentrar suas atenções sobre as coisas boas da vida. "Se algo ou alguém estragou o meu passado, não permitirei que estrague também o meu futuro." Perdoar é começar a valorizar as bênçãos de Deus, as coisas boas. É sair do vício de ver sempre as mesmas coisas do mesmo jeito.


Perdoar é tomar a decisão de começar uma vida nova. O que fazer para sofrer menos? Isso exige buscar, em primeiro lugar, o Reino de Deus. É decidir-se pela primazia do Reino, e não do encardido. É optar pelo bem, divulgá-lo. É aprender a sintonizar-se no bem.

Um olhar de esperança

"Abençoai os que vos maldizem e orai pelos que vos injuriam" (Lc 6,28). "Amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. Deste modo, sereis os filhos de vosso Pai do Céu, pois Ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos" (Mt 5,44-45). Você não pode mudar um acontecimento do passado, mas pode mudar a maneira de falar sobre ele. Com Jesus é possível achar um ponto de vista mais positivo e esperançoso.

Recorde seus grandes objetivos de vida. A mágoa distorce os objetivos. Esquecemos as grandes e permanentes verdades e nos guiamos por momentos. Qual é mesmo a minha grande meta? Vocação!

Escolher pelo amor

A vida sempre segue adiante, ela não pára. Devemos aprender a concentrar nossas atenções sobre as coisas boas da vida. Se já estragou o passado, não permita que estraguem o presente nem o futuro. Não devemos sofrer por aquilo que não podemos mudar. Não podemos mudar o passado.

Ao machucar uma pessoa, você se torna inferior a ela; ao se vingar, você se iguala. Só é superior quem aprende a perdoar. A mágoa foi o jeito que o encardido encontrou para permanecer conosco todos os dias, até o fim dos tempos.

Autor: Padre Léo, scj. (Extraído do livro "Gotas de cura interior").


Fonte: http://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/cura-interior/perdoar-e-tomar-a-decisao/ 

19 de maio de 2017

Entenda a corrupção com base nas palavras do Papa Francisco

Corrupção não é pecado

Corrupção é consequência da repetição de pecados, o que limita a capacidade de amar. Nas rodas de conversa, é só puxar o assunto que o papo rende. Em tempos de Lava-Jato, operação da Polícia Federal – que já completa três anos –, tornou-se habitual associar corrupção às estruturas políticas. Porém, o objetivo deste texto é ampliar a visão desse tema que, infelizmente, atinge todas as áreas. Inclusive, há corrupção dentro de nós, em nossa casa, comunidade e igreja.

Entenda-a-corrupção-com-base-nas-palavras-do-Papa-Francisco-Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Em 2005, o então Cardeal Jorge Mario Bergoglio, hoje Papa Francisco, escreveu um livro intitulado 'Corrupção e Pecado', o qual nos ajuda nessa reflexão tão importante e atual. Embora seja um ato intrinsecamente ligado ao pecado, distingue-se dele em algumas coisas. Pecado reiterativo conduz à corrupção. Não é a repetição de pecados que provocam um corrupto, mas os hábitos de má qualidade que vão deteriorando e limitando a capacidade de amar. O coração vai se encolhendo, perdendo os horizontes, e o egoísmo passa a ser sua maior referência.

Processo de morte

Ações corruptas levam pessoas e instituições a um processo de decomposição. Perde-se a capacidade de ser, crescer e servir. É um verdadeiro processo de morte. A vida morre, fica a corrupção. É como uma folhagem que se desenvolve, alimentada pelo húmus da fraqueza humana e da cumplicidade.

Pecadores sim, corruptos não!

Geralmente, relacionamos corrupção ao pecado, mas não é bem assim. "Situação de pecado e estado de corrupção são duas realidades diferentes, embora intimamente entrelaçadas", explica Bergoglio. Isso não significa que a corrupção faça parte da vida normal da sociedade. Tais atos devem ser denunciados e combatidos. Pecado se perdoa. Corrupção não pode ser perdoada. Diante do Deus que não se cansa de perdoar, a autossuficiência do corrupto vira um bloqueio, que o impede de pedir perdão.

Deus aceita o pecador

"Pecador sim!" Como é lindo reconhecer-se pecador e poder sentir a misericórdia do Pai das Misericórdias, que nos acolhe a todo momento! Mas como é difícil para um coração corrupto deixar-se alcançar pelo vigor profético do Evangelho!

"Quem não rouba é trouxa", diz o 'cara de vaso'". A autossuficiência é um escudo que isola e não permite questionamentos. Defende que "quem não rouba é trouxa". Francisco afirma que "o corrupto construiu uma autoestima baseada justamente nesse tipo de atitudes enganosas, caminha pela vida pelos atalhos do vantajoso a preço de sua própria dignidade e a dos outros". E o pior, esconde-se em uma cara de inocente.

Sintomas da corrupção

O corrupto adquiriu características de verme: tem medo da luz, vive nas trevas, debaixo da terra. Diante de críticas, enfurece-se, desqualifica pessoas ou instituições que o criticam. Procura aniquilar toda autoridade moral que o possa questionar. Usa de todo tipo de argumento para se justificar. Desvaloriza os outros e insulta quem pensa diferente dele. De maneira inconsciente, persegue-se, projetando-se nos outros, tornando-se perseguidor. Assim como quem tem mal hálito, o corrupto não percebe sua corrupção. Os outros que o sentem é que têm de lhe dizer.

A corrupção tem cheiro de podre. "Quando alguma coisa começa a cheirar mal, é porque existe um coração preso sob pressão entre sua própria autossuficiência imanente e a incapacidade real de bastar a si mesmo; há um coração podre por conta da excessiva adesão a um tesouro que o aprisionou", afirma.


No Evangelho, o corrupto faz armadilhas para Jesus (cf. Jo 8, 1-11; Mt 22, 15-22; Lc 20, 1-8), cria intrigas para tirá-lo do caminho (Jo 11, 45-57; Mt 12, 14), suborna quem tem capacidade de trair (Mt 26, 14-16).

Consequências

A corrupção tende a asfixiar a força da Palavra de Deus. Pode levar ao desmoronamento pessoal ou social.

O remédio

O remédio para essa doença é o Evangelho. A verdade de Cristo é a força para sacudir a alma, ensinar a discernir os estados de corrupção que nos circundam com ameaças e seduções. Por isso, é preciso declarar com força e temor: "pecador sim, corrupto não".

O estado de corrupção não pode ser aceito como mais um pecado. Corrupção é consequência de um coração corrupto. "O coração não é uma última instância do homem, fechada em si mesma", esclarece o Papa. Ele orienta ainda que o coração humano é coração na medida em que é capaz de amar ou negar o amor (odiar).

Onde está o teu tesouro?

"Porque onde está teu tesouro, lá também estará o teu coração" (Mt 6,21). Francisco indica conhecer o tesouro que está no coração, portanto, a referência para a sua vida. O tesouro que está no coração liberta e plenifica, destrói e escraviza; neste último caso, o tesouro que o corrompe. Como o corrupto vive anestesiado, Deus o salva por meio de provações que lhe cabe viver como doenças, perdas de fortuna e de entes queridos. Essas quebras da estrutura corrupta permitem a entrada da graça e a cura.

17 de maio de 2017

Internet, tecnologia a serviço da evangelização no meio virtual

É preciso usar a internet para também evangelizar

"O desenvolvimento na internet nos últimos anos oferece uma oportunidade sem precedentes para ampliar as obras missionárias da Igreja, já que se tornou a principal fonte de informação e de comunicação". (João Paulo II)

A Igreja se aproveita da internet, que permite às pessoas estabelecer amizade, iniciar um relacionamento e, em alguns casos, até se casarem, para promover também o trabalho pastoral em ambiente virtual.

Papa João Paulo II já havia percebido a eficácia da internet como um instrumento para a facilitação dos trabalhos missionários no século XXI.

Internet, tecnologia a serviço da evangelizaçãoFoto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Por intermédio de e-mails, blogs, redes sociais entre outros, essa tecnologia ganha uma notoriedade sobre os demais meios de comunicação.

A internet tem como característica principal o poder de abranger milhares de pessoas, as quais, por sua vez, interagem entre si quase que simultaneamente.

A evangelização no ambiente virtual

É muito comum, para os usuários dessa ferramenta de comunicação, a transferências de links e arquivos – através da rede de computadores – com conteúdos classificados por eles como relevantes.

Assim, a importância e a eficácia de uma mensagem para uma pessoa é potencializada por milhares de vezes, atingindo alguém que jamais seria conhecida por aquele que disponibilizou tal conteúdo pela primeira vez na rede.

Muitas comunidades e dioceses já se utilizam dessa ferramenta de interação para o contato direto com os internautas.

Por meio de conteúdos com linguagem própria, são disponibilizados aos usuários diversão, doutrina, conteúdo de esclarecimento e outros artigos que possam conduzi-los a uma reflexão.


Ser evangelizador

Mesmo com o avanço de toda essa tecnologia acessível a muitas pessoas, a evangelização não poderá acontecer por si própria.

A internet favorece o ambiente para que missionários desbravem as fronteiras digitais e promovam uma abertura para o acesso direto com aqueles que se encontram "plugados" na rede, buscando informações e conteúdos que venham atender a uma necessidade específica.

Para o trabalho de evangelização nos meios tecnológicos acontecer, cada usuário deverá tornar-se um evangelizador em potencial.

Que este ministério seja manifestado por um comportamento digno de cristão no meio virtual ou através do anúncio direto do Evangelho.

Deus abençoe cada um que se dispõe a ser um formador de opinião.