18 de agosto de 2017

Amor e paixão são sentimentos diferentes ou a mesma coisa?

Como saber se amo verdadeiramente alguém? O que é amor?

Ama e faz o que quiseres. Essa frase belíssima e significativa de Santo Agostinho, infelizmente, é mal interpretada. Para compreendê-la, deve ser respondida uma pergunta básica: o que é o amor? Muitas pessoas julgam saber da resposta, mas, na verdade, estão enganadas. Como diz o ditado popular, "estão comprando gato por lebre".

É muito comum ouvirmos da boca dos jovens a seguinte frase: "Estou perdidamente apaixonado por minha namorada. Tenho um sentimento imenso de amor por ela!". Façamos uma avaliação dessa frase, de modo a compreender como pensa um jovem sobre o significado do amor.

Amor, paixão e sentimento tem diferença ou são a mesma coisaFoto: Wesley Almeida/cancaonova.com

O que é paixão?

A primeira coisa a destacarmos aqui é quando o jovem diz: "Estou perdidamente apaixonado por você". A paixão é algo fascinante e belo do ponto de vista humano. Trata-se daquele momento em que predominam os sentimentos, as emoções. Existe até uma dito popular: "Quem se apaixona perde a razão". A partir disso, pode-se concluir que paixão não é amor. Tem seu valor em um relacionamento afetivo, pois é aquela primeira fase, é o encantamento, quando "o mundo gira em torno da pessoa amada". Não existe ninguém melhor, mais belo e inteligente. Porém, a paixão é como a flor que desabrocha, mas não dura mais que uma estação.

Segunda parte da frase: "Tenho um sentimento imenso de amor por ela". Nessa segunda parte, o engano é ainda maior. Muitos acham que amor é sentimento, mas amor não pode ser sentimento, pois estes podem nos trair. Hoje, sentimos algo que, inclusive, pode ser nobre, porém, amanhã, podemos deixar de sentir. É próprio do sentimento não ser duradouro, faz parte de sua essência ser passageiro.


O que é amor?

Se o amor não é paixão, muito menos sentimento, o que ele é afinal? Erich From diz o seguinte: "O amor será essencialmente um ato de vontade, de decisão de entregar minha vida completamente à de outra pessoa. […] Amar alguém não é apenas um sentimento forte: é uma decisão, um julgamento, uma promessa. Se o amor apenas fosse um sentimento, não haveria base para a promessa de amar-se um ao outro para sempre. O sentimento vem e pode ir-se!" (Erich From, A arte de amar, p. 71-72).

O "amor em contraste é a maratona do coração. Exige treinamento, disciplina, paciência e trabalho. Não é um esporte de espectadores nem um evento com o resul­tado decidido em segundos. É escalar montanhas, sofrer dores e resistir à tentação de se desligar. […] Quando o amor é considerado um ato da vontade […], sobrevive enquanto o coração bater. Em outras palavras, embora estar apaixonado, às vezes, leve o casal ao casamento, é o amor que faz o casamento durar. De modo mais específico, o compromisso deliberado e ativo que o amor faz supor está no centro do arrebatamento conjugal". (Genovesi, 142).

O amor é indispensável para o relacionamento

Sem o verdadeiro conceito de amor podemos ferir muita gente; além do mais, passaremos a vida inteira enganando nós mesmo e os outros. Quantos namoros acabaram, porque faltou amor! Viveram muito tempo junto somente apaixonados, não deram o próximo passo para chegar ao amor maduro e verdadeiro. Muitos casamentos também terminaram por motivos parecidos, pensavam que paixão, sentimento e amor eram a mesma coisa. Por não terem conhecimento, fatalmente o casamento acabou.

Ao tratar-se de um relacionamento, é indispensável o amor, pois ele não existe sem sacrifício. Quem não é capaz de se sacrificar é porque não ama de verdade. Aqui está a necessidade, já no namoro, de ambos abrirem mão de suas vontades em prol do outro, de modo a aprenderem a se sacrificar pelo bem do outro. Quem assim fizer, sem dúvida, terá um casamento feliz e duradouro, porque aprendeu que o verdadeiro amor exige sacrifício.

16 de agosto de 2017

Ato sexual: por que o coito interrompido é pecado?

O ato sexual do casal precisa ser unitivo e procriativo

O ato sexual de um casal tem dupla finalidade: unitiva e procriativa. A moral da Igreja Católica ensina que o ato sexual deve atender a esses dois aspectos. O unitivo reflete o dom de entrega total entre os esposos; o procriativo implica na abertura à geração de filhos.

Diz o Catecismo que "é errado qualquer ação que, quer em previsão do ato conjugal, quer durante a sua realização ou no desenrolar das suas consequências naturais, proponha-se, como fim ou meio, tornar impossível a procriação" (n° 2370).

Ato sexual por que o coito interrompido é pecadoFoto: Daniel Mafra/cancaonova.com

A Igreja ensina: toda atividade sexual que, artificialmente, é fechada para uma dessas dimensões, torno o ato ilícito. É o caso do coito interrompido, que impede a realização completa do ato conjugal.

O coito interrompido (ou onanismo) consiste em interromper a relação sexual antes da ejaculação. No Antigo Testamento, há uma referência a isso, mostrando que não é lícito: "Então, Judá disse a Onã: "Vai, toma a mulher de teu irmão, cumpre teu dever de levirato e suscita uma posteridade a teu irmão. Mas Onã, que sabia que essa posteridade não seria dele, maculava-se por terra cada vez que se unia à mulher do seu irmão, para não dar a ele posteridade" (Gn 38,6-10). E Deus castigou Onã por essa prática.

O que é coito interrompido?

Além disso, o coito interrompido é um método de contracepção com alta taxa de falha, em torno de 20% (no período de 1 ano, 20 mulheres em cada 100 engravidam utilizando apenas esse método). Ou seja, a capacidade de esse método evitar uma gravidez indesejada é baixa.

Isso pode ser explicado pelo fato de que, no fluido que sai do pênis antes da ejaculação, já pode conter espermas capazes de fecundar o óvulo. Além do fato de que alguns homens não conseguem controlar o exato momento de sua ejaculação, e podem ejacular dentro da vagina, o que perde a eficácia do método.

Outro aspecto negativo dessa prática é que deixa de realizar o aspecto unitivo do ato sexual. A esposa não participa da totalidade do ato conjugal, e, com o tempo, não vai mais estar animada para a sua realização. É um desrespeito com Deus e com a esposa.


Imagina se, no momento do ápice do prazer masculino, ele tiver que se preocupar em interrompê-lo? Vez ou outra, ele ainda vai entender, mas chegará um momento em que ele vai cansar de se preocupar e/ou vai ejacular na vagina, ou vai acabar perdendo a vontade de ter uma relação com a esposa, por não poder relaxar por completo.

Provavelmente, o coito interrompido seja um dos métodos mais antigos de contracepção (com exceção da abstinência sexual). Esse método, embora seja natural, não é aceito pela Igreja, porque interrompe a relação de forma egoísta, muitas vezes, levando à esposa uma frustração. E segundo alguns pesquisadores do assunto, pode levar o homem a ter ejaculação precoce.

Relação sexual completa

A norma moral da Igreja afirma que, para uma relação sexual ser completa, válida e consumar a união de um casal, a ejaculação do esposo deve ser dentro da vagina. No coito interrompido, podemos afirmar, portanto, que a relação sexual não é completa; assim sendo, é moralmente incorreta e não aceita.

Ainda, no Can. 1061, o Direito Canônico admite que um matrimônio é válido e consumado apenas se "o casal realizar entre si, de modo humano, o ato conjugal por si para a geração de prole, ao qual, por sua própria natureza, ordena-se o matrimônio e pelo qual os cônjuges se tornam uma só carne".

Por fim, como disse a Dra. Julie Maria, "o corpo tem um significado esponsal, porque revela o chamado do homem e da mulher a se tornarem dom um para o outro, um dom que se realiza plenamente na sua união de 'uma só carne'. O corpo também tem um significado generativo que, se Deus permitir, traz um 'terceiro' por meio dessa união." (Conferência no I Congresso Internacional de Vida e Família (2008).

Método natural Billings

O que a Igreja recomenda para os casais cristãos, que precisam realizar o controle da natalidade durante um tempo, não definitivamente, é usar o método natural Billings, que funciona muito bem quando é bem aprendido e bem realizado.

Infelizmente, os fabricantes de anticoncepcionais divulgam que o método falha muito, não é verdade, pois, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que a eficiência do método é de 98,5 %. Ele foi testado em diversos países como Filipinas, Índia, Nova Zelândia, Irlanda e El Salvador.

15 de agosto de 2017

Não sou mais virgem, mas quero um namoro santo

Sim, você pode viver castamente! É possível namorar sem sexo, mesmo que isso tenha se tornado uma espécie de dependência para você

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo tem uma força libertadora. Jesus provoca uma revolução na vida daqueles que se deixam atingir por Seu amor. Quem tem um encontro pessoal com Deus muda seus conceitos, sua mentalidade, muda sua vivência, porque sente e experimenta como é ser amado e valorizado no coração do Altíssimo.

O ideal seria que todos nós conhecêssemos a grandiosidade do amor divino nos primeiros anos de nossa vida. Mas a maioria de nós só se deixará envolver pelo amor de Deus depois de adultos ou após a vida ter nos marcado negativamente em algum aspecto. Por isso, vemos muitas pessoas que, primeiramente, vivem a sexualidade do mundo e não como pede o Senhor. Mas quando se deparam com o amor de Deus, resolvem viver a castidade. Que bom que Deus os alcançou! No entanto, a virgindade, que caracteriza a não iniciação da pessoa na vida sexual, tanto no sentido do corpo quanto a sua experiência psíquica, já não existe mais.

Foto: Daniel Mafra / cancaonova.com

Daí, muitos pensam: "Não sou mais virgem, mas quero um namoro santo. Só que, agora, eu conheço o sexo e as carícias. Será que vou aguentar?" Ou: "Será que mereço isso?". Até há aqueles que se perguntam: "Nesta minha condição, será que alguém vai querer namorar comigo?".

Uma boa notícia

Sim, você pode viver castamente! É possível namorar sem sexo, mesmo que isso tenha se tornado uma espécie de dependência para você. Mais ainda: você merece namorar santamente e encontrará quem o aceite como você é e com o que já viveu.

Você só precisa ter em mente que será um desafio; afinal, foi inserido no contexto sexual e o tem registrado em sua memória, de forma muito maior do que antes da perda da virgindade.

Cuidado! Fuja das oportunidades de pecado sempre que elas estiverem à espreita. Toda vez que um pequeno gesto começar a enfraquecer a sua decisão, não o deixe acontecer.

Pureza de coração

Apesar das marcas que você pode ter em si, saiba que para Deus o que importa é a pureza de coração. "O que o homem vê não é o que importa: o homem vê o que está diante dos olhos, mas o Senhor olha o coração" (I Sm 16,7).

Se, no seu coração, você deseja atingir essa pureza, tem tudo para conseguir. Ela é possível em qualquer estágio da vida. Diz o Catecismo da Igreja Católica que a Boa Nova de Cristo restaura constantemente a vida por dentro (interior do coração), restaura as qualidades do espírito e os dotes da pessoa (cf. CIC art. nº2527). Ou seja, a luta pela castidade fará de você uma pessoa pura no corpo e na intenção.


Perdão de Deus

Não importa o seu passado. Deus lhe perdoa sempre. Se você se arrependeu, mas se confessou, Ele o perdoou. "Vai e não tornes a pecar" (Jo 8,11).

Se Deus o perdoa, quem são os homens para condená-lo? Não importa seu passado, porque você é portador de um dom, e "o dom e o chamado de Deus são irrevogáveis" (Rm 11,29). Isso significa que o Senhor não tira as dádivas e as qualidades que Ele mesmo imprimiu nas criaturas, mesmo que essas errem.

Você é uma bênção do Senhor, neste mundo, por tudo aquilo que o Altíssimo depositou em sua essência. Você merece alguém que valorize as belezas que existem em você. Assuma-se assim!

Talvez, seja difícil adquirir a pureza e libertar-se das marcas negativas de uma sexualidade mal vivida; portanto, tenha paciência com você mesmo. Se, por acaso, você tornar a errar, não desista, procure a confissão e recomece.


Decisão pela castidade

Se o ato sexual ou a masturbação tornaram-se um vício, procure ajuda com um profissional ou um diretor espiritual. Tenha sempre um confessor apenas, um sacerdote em que você encontre misericórdia. Conte a ele suas fraquezas, para que entenda melhor seu processo e identifique, na queda, as possíveis circunstâncias. Assim, ele o orientará melhor. Não desista de você, nunca pare de lutar!

A castidade parte de uma decisão por corresponder ao amor de Deus. Jesus entregou não somente Seu corpo, mas se esgotou, esvaziou-se de tudo o que Ele é, até de ser Deus, por causa de você, para que você também ame da forma correta. Então, é olhando para Jesus, principalmente nas horas mais difíceis, que encontraremos forças para não cair no pecado.

Para Deus atuar em nós basta a nossa decisão de deixá-Lo entrar em nossa vida. Você quer ser casto? Então, tome com afinco essa decisão.

Sempre é possível recomeçar!

13 de agosto de 2017

O amor requer tempo e conhecimento

O amor requer tempo e conhecimento. Seus caminhos nunca estão prontos, mas, certamente, passam por nossa maturidade

A urgência dos nossos dias nos faz pensar exatamente na urgência do amor. Quando o sentimento se faz presente entre duas pessoas, é muito comum a necessidade imediata de dizer: "Eu te amo".  Algumas pessoas dizem: "Que loucura! Isso não é amor"; outras afirmam: "Para que esperar, eu amo e digo que amo!".

Avaliar nossos sentimentos e todas as implicações que ele [amor] envolve também nos faz pensar que os caminhos para o amor nunca estão prontos, mas, certamente, passam por nossa maturidade.

Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Maturidade

A maturidade biológica nem sempre está relacionada à maturidade psicológica. As expectativas dos pais nem sempre serão concretizadas nos desejos dos filhos. Da mesma forma, o que foi vivido no passado nem sempre será válido para as experiências atuais.

Os gregos diziam que o amor é "uma questão de despertar para a vida" e, com isso, nem todos despertam ao mesmo tempo nem esperam ou se satisfazem com as mesmas coisas.

Quando se acelera o processo do amor, muitas vezes, "mata-se" esse sentimento. É por isso que as pessoas não podem se casar, porque os pais delas se admiram, porque as famílias se dão bem ou porque o namorado tem ou não tem um status ou um tipo de estudo.

Ser amigo do tempo

Amor requer tempo, conhecimento, reconhecimento do que gosto ou não das minhas limitações e das limitações do outro. Amor é como uma construção: escolhe-se o terreno, as fundações e a base para que a obra seja realizada, os tijolos vão sendo colocados um a um, até que a casa seja coberta e todo o acabamento interior seja feito. Depois, virão os jardins, os detalhes e cuidados.

É por isso que o amor não pode ser urgente. Uma casa feita às pressas, com material de qualidade inferior, tende a cair antes do tempo. Imaginem se os tijolos dessa casa, que é o amor,  forem assentados com areia e água?


Sonhos são muito bonitos nas novelas, mas, na vida real, os caminhos não são prontos. Os caminhos de um casal se fazem pela descoberta das alegrias e das tristezas que os dois podem viver. Estes se fazem ainda pela capacidade de reconhecer no outro aquele que me faz feliz, mas não apenas a única pessoa do mundo que me faz feliz, mas que me completa em parte da vida, que é muito mais do que apenas uma pessoa ou um único motivo.

Amor é decisão

"Quem quer o amor precisa dar tudo o que tem para possuí-lo" (Mt 13,44), e é por isso que o amor exige dedicação e decisão.

Se você ainda não está pronto para isso, pense se não é tempo de se autoconhecer para conviver com o amor, mas também não espere que esteja 100% pronto para vivê-lo, pois a perfeição não existe, ainda mais quando falamos de seres humanos.

Lembre-se de que para tudo existe um tempo. Amor, afetividade e sexualidade, cada um deve e precisa acordar em seu tempo, até mesmo para que as experiências fora do tempo e erradas não se tornem marcas negativas no futuro.

10 de agosto de 2017

Suicídio infantil: quais situações podem levar uma criança a tirar a própria vida?

O suicídio infantil não deve ser compreendido como um desejo de morrer, mas sim de acabar com um sofrimento

Por mais que o título acima pareça ter sido tirado de um filme de ficção ou de uma realidade muito distante da nossa, saiba que não foi não! Posso dizer até que esse assunto sobre o suicídio infantil desfoca-se do imaginário da maioria das pessoas em relação ao mundo da criança, que é sempre pensado como inocente, alegre e cheio de fantasia. No entanto, na realidade, isso não é verdade, pois este assunto sobre o suicídio é atual, urgente e de grande importância; deve ser discutido em casa, na escola e também na comunidade.


Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

O suicídio entre crianças e adolescentes não deve ser visto como um tabu ou algo velado. Mesmo sendo um assunto complexo, deve ser discutido, pois os jovens precisam aprender, desde cedo, a lidar com as questões humanas, as emoções e também frustrações.

Certamente, o suicídio infantil não deve ser compreendido como o desejo de morrer, mas sim de acabar com um sofrimento.


Aumento do suicídio infantil

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), no mundo, o suicídio é responsável por uma morte a cada 40 segundos. Além disso, entre 2002 a 2012, houve um aumento de 40% na taxa de suicídio entre crianças e adolescentes (10 e 14 anos) e de 33,5% na faixa etária de 15 a 19 anos.

Esses resultados são inquietantes e nos colocam algumas questões importantes: o que faz uma criança ou adolescente pensar ou acabar com a própria vida? Seguramente, cada caso é um, e motivos diferentes podem ser apontados; no entanto, alguns fatores de risco para o suicídio entre crianças e adolescentes são reconhecidos pela comunidade científica.

Alguns aspectos psicológicos estão relacionados ao suicídio infantil, como alguns transtornos (principalmente a depressão, que tem acometido cada vez mais crianças da mais tenra idade), a esquizofrenia; sentimentos de desesperança e desamparo (pensar que as coisas nunca se resolverão e que está sozinho no mundo), traços de personalidade como a impulsividade e o uso de substâncias psicoativas (drogas e álcool). Outros aspectos também, como a violência intrafamiliar – aqui entendida de diversas formas, como a psicológica, física, negligente e sexual.

Aspectos para o suicídio infantil

A violência psicológica ocorre quando alguém é submetido a ameaças, humilhações e também privado do desenvolvimento emocional saudável. A violência física envolve maus tratos corporais como o espancamento, queimaduras, fraturas entre outros.

A negligência ocorre quando a criança é privada daquilo que é essencial para o seu desenvolvimento sadio, como alimentação, vestuário, segurança e oportunidade de estudo.

Sobre a violência psicológica associada à relação familiar também podemos destacar as dificuldades de habilidades dos pais para cuidar dos seus filhos, o abuso de substâncias como álcool e drogas (dos pais e pessoas que moram com a criança), a depressão, tentativas de suicídio ou outros problemas psicológicos, como dificuldades nas habilidades sociais, autoritarismo, estresse social, violência doméstica e disfunção familiar.

Violências contra as crianças

É importante pensar que uma criança que cresce em um lar violento está mais exposta a ter problemas mentais, mesmo que ela não seja uma vítima direta da violência. A exposição à violência conjugal também é uma violência contra a criança.

É importante termos em mente que fatores de risco não devem ser entendidos de uma forma isolada, pois, por si só, não constituem uma causa específica. No entanto, interagem num processo complexo que pode justificar o desenvolvimento de doenças mentais e até mesmo contribuir para o suicídio infantil.

Existem também os fatores protetivos em relação ao suicídio, ou seja, aquilo que vai auxiliar na prevenção de doenças e contribuir para uma saúde mental. Discutiremos isso em outro momento, mas, por enquanto, digo que incentivar as crianças e os adolescentes a falarem sobre os seus sentimentos e pedir ajuda é de grande importância!

Lisandra Borges
Psicóloga, mestre e doutora em Psicologia, com ênfase em Avaliação Psicológica.
Ela se dedica à construção de medidas de saúde mental infantil e é coordenadora terapêutica na Clínica Fênix (instituição especializada no tratamento de autistas). Lisandra é também professora e coordenadora dos cursos lato sensu em Psicologia na Universidade São Francisco.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/familia/pais-e-filhos/suicidio-infantil-quais-situacoes-podem-levar-uma-crianca-a-tirar-a-propria-vida/

4 de agosto de 2017

Masculinidade: entenda o que é ser um homem de verdade

É possível ser homem de verdade, que expressa coragem, emoção e responsabilidade

Sei que muitos de nós homens temos tendência para sermos mais práticos, para buscarmos as soluções dos problemas em vez de nos envolvermos neles e falar deles. Às vezes, entramos em nossa 'caixinha do nada' para sobrevivermos. Sim, 'caixa do nada'. "Ei, o que você está pensando?" "Nada". "Te fiz algo?" "Nada". Nada é nada mesmo. Isso nos faz viver a vida de maneira mais livre, mas que nosso 'segredo do nada' não nos impeça de nos envolvermos no que vale a pena! Homem de verdade expressa poder e misericórdia. Coragem e emoção!

Fico impressionado com o jeito de Jesus. Ele era amigo, encorajava e ensinava os discípulos, era um Pai para eles e para o povo. Jesus, às vezes, ria com eles, ia para as festas com a galera, mas também batia o pé em questões em que até mesmo os discípulos mais próximos discordavam. Era firme quando preciso e sabia se colocar em cada uma das situações.

-Masculinidade-entenda-o-que-é-ser-um-homem-de-verdadeFoto: kieferpix by Getty Images

Homem é protetor

Gostamos de proteger o que nos é sagrado e importante, especialmente as mulheres. Temos um desejo de doar nossa vida a ponto de doer! Basta olhar para a maioria dos heróis que foram criados pela nossa imaginação, pela literatura e pelos filmes. Eles dão a vida por amor. Como fazemos para doar nossa vida à nossa maneira? Lembro aqui o que o tio do Homem Aranha disse a ele, no primeiro filme, antes de ser assassinado: "Grandes poderes requerem grandes responsabilidades". É isso mesmo! O "poder" que nos foi dado de sermos homens tem como anexo, "de quebra", grandes responsabilidades. Tá a fim de assumi-las?

Lembre-se de quando era criança e brincava com seu carrinho, que sempre o transportava para outras realidades. Com certeza, você o pegava e imaginava que estava levando alguém dentro dele, não é? Meu primeiro carrinho foi uma ambulância, que acendia as luzes da frente e fazia o barulho da sirene. Sempre pensava: "Saia, saia da frente que preciso chegar até o hospital". Esse desejo de proteção e de responsabilidade é parte de nós homens. Mesmo tendo esquecido, essa sensação está guardada em minha lembrança.


É preciso ser homem de verdade

Lá no fundo do coração, a mulher quer mesmo um homem que a faça feliz e cuide dela. O mundo vive nos dizendo para curtir a vida agora e nos preocuparmos com coisas sérias depois. Mas nosso coração não funciona dessa maneira. Cada pedacinho de masculinidade em nós protesta contra isso! Deus nos criou para sermos guerreiros, para lutarmos pelo que é certo e pelo verdadeiro amor. Isso não é um sonho.

Lembro-me da cena do filme 'Gigantes de Aço', no qual o Charlie entrega seu filho, Max, aos cuidados de sua cunhada por não ter condições nem disposição para educá-lo. Estava literalmente fugindo da luta! Fica bem claro que o garoto já o amava e queria ficar com ele. O pai (Charlie), então, indignado diz: "Você sabe que não consigo cuidar de você. Não sou o que você merece. O que quer que eu faça?". Nessa hora, com os olhos cheios de lágrimas, Max fala algo que tirou meu fôlego: "Eu só queria que você lutasse por mim".

Somos homens livres, racionais, com um pé na terra e outro na eternidade; temos inteligência para influenciar, direcionar e formar este mundo, fazendo-o valer a pena. Qual sua resposta diante dessa proposta? Qual a sua luta? Por onde recomeçar?

Nossa masculinidade não está encerrada em nosso corpo sarado e viril, mas sim em todo nosso ser. Não dá para pensar que o homem é aquele 'ogro' que não sabe ser corajoso e, ao mesmo tempo, acolhedor. Não é irônico que, um dia, o mundo tenha sido convidado a escolher a sua resposta a partir dessas duas visões de homem?

No dia do julgamento de Jesus, diante de Pilatos, foram apresentados dois modelos de homem: Jesus, o revolucionário do amor, homem de coragem e emoção, leão e cordeiro; e Barrabás, um revolucionário e lutador que matou por uma causa pessoal. "Bar Abbas", que em hebraico significa "o filho do pai".

Quem o povo escolheu?

Antes de o povo dar a resposta, Pilatos tentou mostrar quem, de fato, era homem verdadeiro: Ecce Homo! Eis o Homem! Foi o que ele disse. Mas não escolheram Jesus, ao contrário, matara-No!

Tentei mostrar o modelo de homem no qual precisamos nos espalhar, mas a resposta é sua, homem! Então, qual modelo você vai seguir? Dentro de você, quem ficará vivo? Jesus ou Barrabás?

3 de agosto de 2017

Quais são os erros mais comuns na educação dos filhos?

Deixar o filho ser criado por tudo e por todos, menos por você, é o único erro que não deverá haver na educação dos seus filhos

"Sua mãe é quem decide."
"Espere. Quando seu pai chegar, você vai ver, vou contar tudo a ele."

Quem nunca disse ou ouviu essas coisas em casa, na criação dos filhos? Crenças e costumes vão tornando a prática educacional, muitas vezes, sem medida, e não se percebe os erros cometidos. A falta dessa percepção persiste e quando os pais se dão conta já é tarde. Os frutos já nasceram e, muitas vezes, só lhes resta colhê-los. Por causa dessa necessidade em perceber o que e como se está fazendo para ver os filhos educados e bem criados é que todos os pais devem render-se a fazer uma constante avaliação da sua prática educacional. Precisaria de uma receita pronta para criar filhos? Mas quem iria prescrevê-la? Pediatras? Padres? Professores? Psicólogos? Avós? Juízes? Conselhos Tutelares? Impossível!

Foto: Daniel Mafra / cancaonova.com

Seria muita pretensão encontrar uma cartilha pronta, escrita por alguém. Talvez, aí esteja um erro possível de não cometer. Ter consciência de que os pais não estão prontos e que não são perfeitos. Essa certeza os tira da condição de culpados por tudo que não deu certo na vida dos seus rebentos. E, esses filhos, por sua vez, vão exigir menos dos seus pais por entenderem que eles também erram ou que tentam evitar ao máximo os piores erros. Erros que afetam o casamento, a vida dos filhos e a si próprios. Então, mesmo sabendo que nenhuma família é perfeita, existem erros possíveis de serem evitados na educação dos filhos.

Errar ou não errar

Errar ou não errar está muito associado à concepção de homem que cada família traz consigo. A forma com que ela enxerga a vida e como ela interage no ambiente será o caminho com que conduzirá a educação dos seus filhos. Os erros que os filhos não deveriam ter persistem nas criações por causa da cultura que as famílias desenvolvem. Portanto, para muitas, não se trata de erros, mas de continuidade de experiências familiares ou da prática de valores que passaram a adquirir pelas possíveis circunstâncias da vida. É muito comum, no ambiente escolar, ouvir de um pai: "Eu bato no meu filho. Meu pai me bateu a vida toda e eu não me transformei numa pessoa ruim".

Para identificar os erros que não deveriam fazer parte da educação dos filhos, faz-se necessário identificar as crenças que também conduzem essa relação; portanto, fiquem atentos:

Os filhos crescem e desenvolvem um comportamento por imitação ou por modelagem. A modelagem é um instrumento de modificar comportamentos por meio de intervenções e orientações da família, da escola e/ou da própria Igreja. A imitação acontece de forma natural quando o organismo seleciona comportamentos a partir do que vê, ouve, sente, toca, cheira, enfim, a partir do que percebe ou do que lhe atinge, mesmo que não tenha ainda construído um valor.

Ainda com os filhos pequenos, os pais apresentam um procedimento inadequado em relação à alimentação. Oportunizando-os a escolher o que querem comer, onde e como comer, fazem desse momento motivos de conflitos em casa, pois permitem que, quando pequenos, comam em frente à TV, deitados no sofá. Mas quando veem seus filhos crescidos, os obrigam a voltar para a mesa, porque lá é o lugar em que a família se reúne. E não era antes? O mimo excessivo gera superproteção; consequentemente, os filhos desenvolvem procedimentos que demonstram fragilidades referentes à autonomia emocional e intelectual. Eles têm quem pensem e quem sintam por eles. Esse erro se torna grave com o passar do tempo. Há pouco tempo, no Instituto de Psicologia, ouvi um pai se redimindo com sua filha: "Filha, desculpe-me por todas as vezes que fiz por você o que você deveria ter feito".


O bom senso é a melhor medida

Os filhos precisam viver experiências mesmo que amargas ou frustrantes. Negar a dor da criança ou do filho adolescente quando acaba o namoro, por exemplo, também pode ser considerado um erro evitável. Este se encontra no campo dos mimos excessivos, mas que acabam por desqualificar o que verdadeiramente o filho está sentindo. Tudo por quê? Porque os pais não conseguem ver filhos sofrendo. Quando o filho cai, a mamãe diz: "Não foi nada, filho. Isso passa!". Se o namorado da filha termina o namoro, a mesma mãe diz: "Que bobagem! Você está novinha, e homem é assim, vai um vem outro. Serviu de experiência!". O que esperar dessa educação baseada na fuga e na esquiva? Também não é possível buscar a radicalidade para ajustar tais comportamentos. Nem oito nem oitenta. Portanto, a linguagem verbal ou não verbal que os familiares fazem uso, poderá ser um grande acerto ou um sério erro para se estabelecer o respeito, o amor, a confiança e a amizade entre os membros. A crítica e o elogio demais e desnecessários maculam não só a educação dos filhos, mas o ambiente doméstico. Pais que se agridem, que não se valorizam, não cuidam um do outro, apresentam aos filhos um comportamento facilmente imitado e reproduzido. O bom senso é a melhor medida. Só não insistam no erro já detectado.


Busquem dentro da família ou peçam ajuda para sair de situações que vocês pais não admitem mais no ambiente familiar. É triste ouvir o quanto os meninos e meninas, os adolescentes, jovens e até mesmo filhos adultos têm recebido rótulos, críticas pesadas por causa de alguns tipos de comportamentos que corrompem o que a sociedade espera, quando eles foram formados para agir de tal forma. Quem quer uma geração de filhos estudiosos, responsáveis, obedientes, amáveis, dóceis, cuidadores do ambiente, da natureza precisará parar de facilitar tudo na vida deles e não os levar à loucura da inabilidade social. A escola, a família, a Igreja, o Estado tendem a apressar o caminho dos homens. É importante não desistir de ensinar.

Ensinar a aguardar o pijama, a pendurar a toalha de banho no varal, tirar a feira do carro, ensinar o filho a fazer um chá quando a mamãe estiver doente, a fazer companhia aos avós. Como diz o ditado, "é de pequeno que se torce o pepino". Em outras palavras, é de pequeno que os pais devem ser para os filhos o que estes esperam que eles sejam: autoridades do amor, da convivência, do limite, do reconhecimento, da evangelização doméstica e do trabalho.

Limites são necessários

Tapar o sol com a peneira, querendo ser amigo do filho e esquecer os limites é um caminho sem volta. Nós precisamos e buscamos limites, e quando não os encontramos em casa, nos diriam os antigos, vamos encontrar na rua e o que tem na rua.  E ai está um grande erro: não apresentar aos filhos o que tem na rua. Quando muitos a descobrem, passam a chamá-la de internet, família do vizinho, lugares indevidos, filmes inapropriados para idade do seu filho, área livre do condomínio. Deixar o filho ser criado por tudo e por todos, menos por você, é o único erro que não deverá haver na educação dos seus filhos.

É tempo de sentir-se culpado? Não. É tempo de reagir, de buscar suas próprias melhoras, mudar a forma de pensar, sair da preguiça e transformar. Pais, vocês são autoridades, vocês têm o poder de formar filhos melhores, porque Deus quer assim. Perdoem-se e perdoem aos outros, sigam conduzindo os filhos de vocês sem desistir de ensinar, de escutar, amar, exigir e ser uma família cristã.

31 de julho de 2017

Responsabilidade social: entenda o poder de suas escolhas

Escolhas e poderes

A vida humana está emoldurada por escolhas e poderes que definem a qualidade e o alcance da existência e da cidadania. Tudo depende das escolhas que se faz e, particularmente, de sua assertividade. Também contam os poderes exercidos e a qualidade desse exercício, na medida em que definem a velocidade e os rumos dos processos, com resultados e consequências boas ou nefastas para o bem comum.

São as escolhas e as decisões que determinam os acertos ou produzem descompassos. E é cada cidadão, inserido na complexidade dessa configuração, o responsável pelos processos que definem a sua condição política e a competência para o exercício dos poderes.

-Responsabilidade-social:-entenda-o-poder-de-suas-escolhas-Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Cidadania

Assim, as escolhas e os poderes guardam o alcance antropológico e sociocultural do significado da política. Equilibram ou desorganizam os funcionamentos institucionais, promovendo a sua evolução ou atrasando seus processos. Fundamentalmente, tudo depende do exercício competente e qualificado da própria cidadania, tanto quanto da capacidade de exercer o poder que se tem, que se assume ou que é concedido.

Por sua vez, a envergadura da cidadania e a qualidade da própria existência influenciam as escolhas e o modo de exercer o poder. Isso significa apontar a seriedade e a gravidade das escolhas que são feitas, em diferentes níveis e intensidades. O que se escolhe incide determinantemente sobre processos, vidas, situações e circunstâncias. Faz avançar na direção de metas a serem atingidas ou atrasa conquistas e produz déficits que pesam fortemente sobre o conjunto da sociedade e sobre a vida das pessoas, particularmente as pobres e indefesas.

Valores sociais

Por isso, a política, sendo prática de escolha e exercício de poderes, há de se temperar e fecundar por valores, que se forem desconsiderados lançam a vida social em descompassos, com sérios comprometimentos. Desse modo, apenas o respeito e a consideração a valores fundamentais – verdade, justiça, liberdade e amor – poderão manter o ritmo e a dinâmica, com propriedades capazes de garantir os ordenamentos adequados da vida social e os procedimentos cidadãos qualificados.

Esses são valores sociais inerentes à dignidade da pessoa, com propriedades para favorecer o desenvolvimento autêntico e integral. Sem levar em conta e sem investir permanentemente nesses valores, corre-se sempre o risco das escolhas equivocadas ou estreitadas por interesses partidários e cartoriais. Consequentemente, o exercício do poder se prestará a alimentar vaidades, interesses mesquinhos e a perigosa sedução que o poder, em si, submete a alma humana.


Escolhas e poderes

Observamos, na atualidade, que os descompassos são muitos, comprovando a falta de qualificação daqueles que ocupam as várias instâncias de poder, sem se assentarem nos trilhos dos valores sociais. Resvalam na direção da mediocridade e da incapacidade de produzir as respostas que deveriam ser convertidas em qualificados serviços, impulsionando a sociedade e suas instituições aos parâmetros esperados.

Assim, a mediocridade representa um risco tão sério e fermentador, com força para produzir uma miopia capaz de induzir todos – os cidadãos e aqueles que exercem os poderes – a escolhas também medíocres. Enjaulando essas pessoas nas bitolas estreitas que inviabilizam respostas novas, mudanças urgentes e intuições inventivas como os tempos atuais exigem, as decisões assentadas nas escolhas medíocres atrasam as reformas que acabam não se fazendo e que não são intuídas na clarividência requerida de novos passos.

As escolhas e poderes hão de fazer seus percursos sobre os trilhos dos valores sociais inegociáveis, para, desse modo, possibilitarem práticas capazes de fomentar uma cultura que preze sempre mais os caminhos e as pessoas, que leve às respostas novas.

Viver a verdade

Um dos valores sociais que é prioritário é o de viver a verdade. À medida que os grupos sociais buscarem resolver os problemas à luz da verdade, é que avançarão na direção das escolhas acertadas. Esse é um enorme desafio de nosso tempo, imposto pelas circunstâncias sociais e políticas. Exige-se, desse modo, um grande investimento educativo no sentido de produzir gosto e empenho, em todos, pela busca da verdade.

A verdade deve alicerçar o valor da liberdade, inerente a todas as pessoas, que só pode ser respeitado e honrado na medida em que cada indivíduo é incentivado a realizar sua vocação pessoal e capacitado para discernir e recusar tudo o que possa comprometer a moral. Assim, o valor da justiça, particularmente no momento atual da sociedade, torna-se imprescindível para deter a tendência de se recorrer exclusivamente na direção da "utilidade" e do "ter".

Ora, a justiça não é uma simples convenção. O justo é intrínseco ao mais profundo do ser humano. Exige reconhecimento e incondicional respeito. Abre-se, então, o caminho para o amor que ultrapassa estreitamentos e fecunda a capacidade inventiva. O grande desafio da sociedade, especialmente nestes tempos de crise, é investir em um qualificado processo educativo capaz de aperfeiçoar as escolhas e o exercício dos poderes.

28 de julho de 2017

Sete dicas para rezar frutuosamente o rosário segundo João Paulo II

Rezar o rosário requer dedicação

Desde a juventude, a oração do rosário teve um lugar importante na vida de São João Paulo II. Ele mesmo testemunha: "O Rosário me acompanhou nos momentos de alegria e provações. A ele confiei tantas preocupações; nele encontrei sempre conforto". A oração predileta de São João Paulo foi o Rosário.

-Sete-dicas-para-rezar-frutuosamente-o-rosário-segundo-João-Paulo-II-Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Na sua encíclica, o Rosário da Virgem Maria (Rosarium Virginis Mariae), ele mostra que essa oração simples e profunda do rosário tem grande significado, além de gerar frutos de santidade, pois, ainda que sua característica seja mariana, no seu âmago é uma oração cristológica. Assim, para melhor contemplarmos o rosto de Cristo com Maria, vejamos algumas dicas que o próprio santo nos apresenta em sua encíclica, para melhor rezarmos o rosário:

1- Ritmo tranquilo e uma certa demora para pensar no mistério

Muitas pessoas rezam o terço com pressa, agitadas, impacientes, ou seja, deixam o reflexo do mundo imediatista tomar conta dessa oração. O rosário é uma contemplativa, requer um ritmo tranquilo das orações e reflexão sobre cada mistério que se está rezando. Cada mistério bem meditado ilumina o mistério do homem.

2- Pode-se fixar um ícone ou outro elemento visível e figurativo

Enunciar o mistério com a possibilidade de fixar um ícone ou outro elemento visível e figurativo que o represente é como abrir um cenário sobre o qual se concentra a atenção. Facilita-se a concentração do espírito no mistério, principalmente quando o Rosário é recitado em momentos particulares de prolongado silêncio.

3- Ler uma passagem bíblica

Para dar fundamentação bíblica e profundidade à meditação, é útil que a enunciação do mistério seja acompanhada pela proclamação de uma passagem bíblica alusiva, que, segundo as circunstâncias, pode ser mais ou menos longa. Isso ajuda a ouvir a voz de Deus e, até em determinadas ocasiões, essa passagem bíblica pode vir com um comentário posterior.

4- Silenciar

Após a enunciação do mistério e a proclamação da Palavra, é conveniente parar um tempo e fixar o olhar sobre o mistério meditado, antes de começar a oração vocal.

5- Realçar o nome de Cristo, acrescentando-lhe uma cláusula evocativa do mistério

Acrescentar ao nome de Jesus uma cláusula evocativa do mistério intensifica a fé cristólogica, sobretudo na recitação pública. Por exemplo, se contemplamos o mistério do nascimento de Jesus, podemos rezar: "Ave Maria… fruto do vosso ventre Jesus", "que nasceu em Belém". Santa Maria… Em cada mistério que se contempla acrescenta-se uma cláusula para ajudar na meditação.

6- Destacar o "Glória"

A glorificação trinitária de cada dezena é o apogeu da contemplação, pois estamos continuamente na presença do mistério das três Pessoas divinas para as louvar, adorar e agradecer. Na recitação pública, pode-se cantar para dar maior destaque ao "Glória".


7- Terminar cada um dos mistérios com uma oração

Dessa maneira, a contemplação dos mistérios poderá manifestar melhor toda a sua fecundidade, uma vez que ela terá maior ligação com a vida cristã e se obtém os frutos específicos da meditação desse mistério. São João Paulo ensina que percorrer com Maria as cenas do Rosário é como frequentar a "escola" de Maria para ler Cristo, penetrar nos seus segredos, compreender sua mensagem. Dentre todos os seres humanos, ninguém como ela conhece melhor Cristo. Portanto, torna-se necessário rezar adequadamente o rosário, pois assim Cristo é formado no discípulo plenamente.

26 de julho de 2017

Os avós podem ter grande influência na educação dos netos

Os avós têm um papel importante na educação dos netos diante da realidade dos pais trabalharem fora

Aqui em casa, há uma placa que ganhei da minha irmã: "Na casa dos avós tudo pode!". No início, pensei que seria deseducador, mas, com o tempo, senti que os meus netos se sentiam orgulhosos com o grau da sua importância para nós. Tudo pode quando eles vêm apenas para passear e não temos a função de educá-los; justamente por isso, fica fácil ser conselheiro, companheiro e contribuir para o desenvolvimento emocional e espiritual. O "domingo" para os netos é dia de diversão, quando podem experimentar e misturar alimentos, tais como batata com leite condensado e comer apenas arroz, porque é o que gostam, mas sem valor nutritivo.

-Os-avós-podem-ter-grande-influência-na-educação-dos-netos-

Foto: Johnny Greig 

Num mundo conturbado, onde os pais precisam trabalhar para garantir o "melhor" para seus filhos, muitos avós assumem a responsabilidade de ficar com os netos durante a jornada de trabalho de seus filhos.

O tempo de convivência diária e o tipo de relação definem a forma de relacionamento. A responsabilidade cotidiana tem uma forma de tratamento diferente de quem ajuda temporariamente, porque, nesses casos, os avós assumem o papel de educadores. É preciso também ter regras diferentes, para os casos de apoio enquanto os pais trabalham ou quando os avós assumem integralmente a responsabilidade parenteral, em caso de morte ou abandono dos pais.


Efeitos positivos e negativos

Para os avós, os efeitos positivos dessa convivência é que rejuvenescem, sentem-se alegres, reencontram sua utilidade e objetivos de vida. Os efeitos negativos aparecem quando se sentem explorados e sobrecarregados física e economicamente. Em alguns casos, os conflitos entre modelos educacionais causam crises entre os pais e avós, que requer um diálogo para definir as bases da educação.

Para estudar ou trabalhar, deixar os filhos com pessoas que confiam, com laços de parentesco e amor, propicia tranquilidade na maioria dos casos. Os impactos negativos surgem quando as culturas das famílias são muito diferentes e conflitantes ou por imaturidade dos avós que querem competir com os pais pelo amor da criança.

As crianças são beneficiadas, porque convivem com gerações diferentes, aprendem a valorizar os idosos, mantêm o sentimento de pertença familiar, sentem facilidade de negociação com os avós, pois, teoricamente, pela idade, já estão mais maduros para definir as prioridades do que podem ceder ou não. Os estudos mostram que os avós, mesmo que não possuam formação escolar adequada, fornecem valores sólidos, apoio emocional e se esforçam para garantir a felicidade dos netos, o que impacta positivamente na vida escolar e afetiva deles. Por outro lado, é preciso um alerta para não ter uma educação permissiva, conflitiva, mimada ou de compensação pela falta dos pais.

Manter a harmonia entre pais e avós

Quando os avós dividem com os pais a responsabilidade pela educação, alguns cuidados precisam ser tomados, tais como, definir em conjunto a rotina infantil, respeitar os princípios educacionais dos pais, não criticar os pais diante das crianças. Alguns pais se preocupam se os avós podem deseducar netos, a resposta é sim quando: eles não cumprem o seu papel de pais, os avós discordam e agem diferente dos princípios dos pais e estes não encontram disponibilidade de tempo para introjetar os valores e comportamentos que acreditam serem certos.

Em síntese, nesta convivência entre avós e netos, a família pode se beneficiar se as crianças percebem os pais como responsáveis pela educação e o acolhimento, e os avós como apoiadores que oferecem carinho. Entretanto, pode ser prejudicada quando, nesta relação, existe conflito de papéis e princípios, disputa de poder e falta de amor. É preciso discernimento para os avós estarem perto quando precisam e longe quando pais e filhos estão num momento que pertence só a eles. Ou seja, aquilo que ficar combinado num diálogo franco terá de ser cumprido para não sair caro para a família no final.


Ângela Abdo

Ângela Abdo é coordenadora do grupo de mães que oram pelos filhos da Paróquia São Camilo de Léllis (ES) e assessora no Estudo das Diretrizes para a RCC Nacional. Atua como curadora da Fundação Nossa Senhora da Penha e conduz workshops de planejamento estratégico e gestão de pessoas para lideranças pastorais.

Abdo é graduada em Serviço Social pela UFES e pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e em Gestão Empresarial. Possui mestrado em Ciências Contábeis pela Fucape. Atua como consultora em pequenas, médias e grandes empresas do setor privado e público como assessora de qualidade e recursos humanos e como assistente social do CST (Centro de Solidariedade ao Trabalhador). É atual presidente da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos) do Espírito Santo e diretora, gerente e conselheira do Vitória Apart Hospital.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/familia/educacao-de-filhos/os-avos-podem-ter-grande-influencia-na-educacao-dos-netos/

24 de julho de 2017

O segredo é evangelizar através de atitudes concretas

A eficácia da evangelização é evangelizar através de atitudes concretas

Preparar os caminhos do Senhor não é somente amar e adorar; Ele quer que amemos e adoremos pelos que não amam nem adoram.

Quantos, em sua casa, não amam, não esperam, não creem, ou vivem como os que não creem! O Senhor pede, da nossa parte, a porção dupla. Deus pede mais daqueles que podem dar mais. Quem pode dar mais, que dê mais! Dê por si e pelos outros, sentindo-se mais responsáveis!

Deus pede e precisa de reparadores! Além dessa reparação, fazer pelos outros o que não fizeram, reparar o que estragaram. Deus está apelando por aqueles que tem mais amor; é assim que nos ensina a preparar os caminhos do Senhor.

https://formacao.cancaonova.com/diversos/o-ceu-se-faz-presente-aqui/Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

João Batista foi escolhido por Deus, que, humanamente, não poderia vir a este mundo por meio de um ancião e uma mulher estéril. O Senhor, no entanto, queria preparar a primeira vinda de Jesus! Então, escolheu uma pessoa especial para obedecer a voz de Deus, viver uma vida austera, pregando a conversão em toda Judeia. Sua pregação era convicta e as pessoas realmente se convertiam! Esperavam o Messias que viria!

A missão de João Batista

João Batista dizia com palavras proféticas: "Eu vos batizo com água, mas Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo" (Mt 3, 11). Tudo isso para preparar a primeira vinda do Senhor.

O povo não aceitou Jesus, matou-O, mas Ele ressuscitou e subiu aos céus. Os homens simples e ignorantes foram batizados com o Espírito Santo, e anunciaram todo o Evangelho a toda parte!

No fim do século passado, por volta de 1969, Deus fez a mesma coisa como em Pentecostes, repetindo-se, de maneira forte, no mundo inteiro. Esse é o sinal de que a promessa de Deus se realiza: "O Reino de Deus está próximo". Somos obrigados a pregar a penitência, o arrependimento; e hoje é obrigação da Canção Nova. Isso acontece no mundo inteiro!

É preciso que sejamos como João, pregando a conversão, preparando as pessoas para a vinda de Jesus!


"Ele vai limpar a sua eira, o trigo guardará em seus celeiros e a palha queimará no fogo eterno." Jesus separará o joio do trigo. Precisamos tirar todo o joio de nossa vida! Está na hora de mudar a realidade, está na hora de sermos por aqueles que não são! É hora da generosidade!

Nossa Senhora precisou mostrar o inferno aos pastorinhos, para que eles fizessem penitência. Deus não quer a perdição de ninguém, pois é misericordioso! Por isso é preciso tirar de nossa vida tudo aquilo que é joio. Precisamos ser homens e mulheres novos!

Deus está retardando o tempo (como um juiz de futebol), para que nos convertamos, porque Ele é misericordioso! Isso acontece para que possamos tirar todo joio e até mesmo a palha de nossa vida.

Parece-nos que aqueles que servem a Deus são tolos, pois os espertos sabem viver a vida no prazer, no dinheiro. Mas quando o Senhor vier, o justo e a justiça florirão e o matagal será queimado no fogo eterno; então, não podemos ser mato.

A coisa mais linda é a santidade. Deus quer homens, mulheres e jovens, todos santos, e a santidade é possível!

Por isso, precisamos viver a santidade até por aqueles que não a querem viver; e quando fizermos isso, o céu se fará aqui! Talvez, seja necessário carregar, em dose dupla, esposa pelo esposo, filhos pelos pais; com nossa penitência, os nossos se converterão. É preciso comungar, penitenciar-se, ser santo por eles.

 

20 de julho de 2017

Um escudo para os nossos relacionamentos

Castidade é mais que é um escudo, é a expressão do amor

Uma verdadeira amizade em Cristo não é governada pelos instintos nem motivada por interesses, mas é uma escolha mútua, que tem valor por si mesma. Os amigos em Cristo se unem no amor recíproco em favor dos outros. Não são fechados em si mesmos. Toda amizade precisa ser purificada; e algumas coisas podem destruí-la: injúria, calúnia, arrogância (o que impede a correção) e a traição.

Um santo diz que se acontecer de você ser agredido por um amigo, que você deve suportá-lo até que o possa. Assim você vai render honra à velha amizade. A amizade verdadeira, de fato, é eterna. Quem é amigo sempre ama. Devemos nos preocupar com o bom nome do amigo e não revelar jamais os segredos dele; mesmo que ele tenha revelado os nossos.

Um-escudo-para-os-nossos-relacionamentosFoto: by Getty Images

Castidade

Hoje, eu gostaria de falar de um assunto diferente, ainda dentro do plano da amizade, que é fundamental para todas as idades. Queria falar de uma amizade, que é um fruto do Espírito Santo. Queria falar – com a Santíssima Virgem como nosso modelo – da amizade à castidade. Pois não podemos pensar num mundo novo sem a castidade. Esse mundo, que está aí, está desmoronando por falta dessa virtude. E um dos sinais é que ele está perdendo o sentido da vida, que é Deus e o amor. E qual é a coroa do amor? A castidade. Aquela pedra de toque que dá potência ao amor e o leva à plenitude.

A castidade é um escudo para os nossos relacionamentos. Mais que um escudo é uma expressão do verdadeiro amor. Ela nutre e potencializa o amor. Quando falta essa virtude [castidade], o amor perde a força em nós e nos tornamos presas fáceis do desamor, da violência e da degradação. A castidade é um segredo que os jovens cristãos têm para a sua vida; no entanto, o mundo de hoje perdeu a beleza dessa virtude nobre. Ela [castidade] é vista como um tabu, moralismo, preceito, obrigação.

Quem é casto ama por inteiro, não se dá por partes. Sabe por que o mundo perdeu o sentido da castidade? Porque perdeu o sentido de quem é Deus e quem é o amor. Portanto, como o mundo não sabe quem é Deus – e Deus é amor – não sabe o que é amor. E como não sabe quem é Deus, também não sabe quem é o homem. Porque só Deus pode revelar quem é verdadeiramente o homem.


Ato de amor

O homem não é separado. Contudo, é isso que o mundo faz hoje com ele, ou seja, o separa. Começa a usar o corpo com um princípio utilitarista, como se "nosso corpo" não fosse "nós", como se pudéssemos separá-lo. Dessa forma, começa-se a pensar: "Eu posso usar meu corpo para me autossatisfazer egoisticamente (que é o pecado da masturbação, por exemplo, como se isso não ferisse o que somos por inteiro). E posso também usar o corpo dos outros para o meu bel-prazer; posso ficar com quantas meninas eu quiser numa noite (e vice-versa, as meninas também podem ficar com quantos quiserem). Meu corpo é apenas algo que eu uso como uma borracha, um lápis".

Parece que nós nos enganamos. Cada união íntima de corpos é como um pedaço de você dado ao outro, porque seu corpo está intimamente ligado à sua alma. Em cada relação sexual feita fora do matrimônio, não pense que você está dando e recebendo prazer. Engano. Em cada relação sexual assim você está dando um pedaço de você para sempre àquela pessoa.

A castidade é um grande dom, que faz com que compreendamos a unicidade do nosso ser. Esse abraço, essa boca e esse beijo sou eu. Se eu vivo no pecado, eu me destruo e destruo os outros.

Por isso, meu irmão, o meu e o seu corpo não foram criados para um prazer egoístico, para a sensualidade que fere o nosso ser. A presença da castidade gera felicidade, dignidade, grande capacidade para amar, para se doar – não por pedaços –, mas para se doar por inteiro, como Jesus se deu na cruz. Hoje, vemos um mundo que despreza a beleza da castidade. Por isso, as consequências são tão graves.

Por isso, o "ficar" não deixa de ser um tipo, um certo nível de "prostituição". Nos namoros avançados é valorizada mais a relação física. Sem uma relação profunda de amizade durante o namoro, não vai existir um matrimônio verdadeiro e feliz. E, infelizmente, como não priorizamos essa virtude [a amizade] nesse tempo [namoro], nós temos, por consequência disso, matrimônios imaturos, inseguros, muitas vezes, gerados por relações sexuais pré-matrimoniais. E assim vamos vendo os frutos nas nossas casas, nas nossas famílias. Vamos vendo uma sociedade que reivindica a regularização e a aceitação do adultério.

Onde começa essa deformação do mundo?

Quando se despreza a castidade. Como podemos ser amigos da humanidade com uma sociedade que despreza a castidade? Como amigos de Deus e como amigos dos homens, nós somos chamados a testemunhar e a proclamar a beleza da castidade. E como é que podemos testemunhá-la e proclamá-la? Em primeiro lugar, com matrimônios castos, abertos para a vida. Precisamos de jovens que se disponham a viver namoros castos. Precisamos pedir essa graça a Deus.

Aos jovens que vivem uma luta desigual em relação à castidade, convido-os a virem ao encontro da Santíssima Virgem Maria, que é toda bela e casta. Ela deu Jesus ao mundo pela sua virgindade. Ela pode fazer você um jovem casto, virgem, puro, dando Jesus ao mundo pelo olhar, pelas mãos, pela Palavra. Se você quiser ser um jovem casto, venha até aqui serenamente, até os pés dela.

"Maria, santa e fiel, ensina-nos a viver como escolhidos".

Moyses Azevedo
Fundador da Comunidade Shalom


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/afetividade-e-sexualidade/castidade/um-escudo-para-os-nossos-relacionamentos/

17 de julho de 2017

Você se considera uma pessoa livre?

Entenda o que é liberdade e reflita se você é uma pessoa livre

Quantos de nós já não tivemos uma imensa vontade de sair "voando" por aí, vendo-nos livres das responsabilidades, das dificuldades, daquilo que nos aflige, daquela prova que não queremos fazer, da decisão que não queremos tomar ou, simplesmente, ser livres para não seguir regras de casa, dos pais, da sociedade.

vocêseconsideralivreFoto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Mas será que tudo é permitido? Nossa referência é da liberdade enquanto poder, ou seja, daquele desejo de ultrapassar limites. Nesse sentido, quanto menos limites, restrições e regras, tanto maior é sensação de liberdade sentida pela pessoa. Porém, isso é uma visão distorcida do verdadeiro ser livre. Esta passagem bíblica nos traz essa recordação: "Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém" (cf. I Cor 6,12).

Não é possível negar uma realidade que sempre impõe regras a serem respeitadas e delas dependem a convivência saudável de uma comunidade. Assumir suas escolhas, analisar as possibilidades e observar os caminhos disponíveis de forma consciente são atos de liberdade responsável, especialmente quando, de fato, tomamos um posicionamento definido.

Não escolher já é uma escolha. Porém, as escolhas podem ser mais ou menos conscientes. Quando ela não é clara para o homem, quando os motivos não estão explicitados, a escolha transforma-se em condenação, pois, de qualquer maneira, haverá uma escolha.

Entenda o conceito de liberdade

A liberdade é própria do homem. Quando podemos ser livres nessas escolhas, colocamo-nos em papel de responsáveis pelos atos e consequências destes. Fugindo e deixando que os outros pensem por nós, decidam por nós, ou ainda quando atribuímos alguma responsabilidade para o outro, isso também é um ato livre, mas, talvez, não o mais consciente.

Ser livre é assumir responsabilidade por cada momento de seu viver, cuidando de suas escolhas da maneira mais autêntica possível, encarando os desafios e a angústia de estar lançado em um mundo que não oferece nenhum tipo de garantia de sucesso ou felicidade. Essas conquistas vão depender da maneira como cada um constrói seu caminho para a realização de seus projetos e como cada um de nós assume o projeto de liberdade responsável em nossa vida, conduzindo nossa existência, porque "tudo me é permitido, mas nem tudo me convém".

14 de julho de 2017

Quebrar uma corrente de oração pode me dar azar?

Você já recebeu alguma corrente de oração?

Quem nunca recebeu, em seu celular, pela internet ou mesmo nos bancos das igrejas, a conhecida corrente de oração? Quem nunca recebeu aquela mensagem: "Passe essa oração para no mínimo…?". Falo aqui daquelas correntes em que as pessoas pedem que se propague a devoção a um santo ou um modelo de oração, sob a pena de maldição e desgraças. As pessoas recebem esses tipos de oração e ficam temerosas por não continuarem a corrente.

-Quebrar-uma-Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Sou obrigado ou não a passar esse tipo de oração a diante?

Uma coisa é a corrente de oração por uma pessoa ou uma intenção sadia, ou seja, por alguém que esteja precisando de uma graça da cura de uma doença, um emprego, uma necessidade particular, por exemplo. Não estou falando desse tipo de oração. Jesus ao dizer, "Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus" (Mt 18,19), declara-nos a importância de nos unirmos em oração para pedir a graça do Pai. Podemos nos unir em oração por uma intenção concreta e real, mesmo quando não conhecemos as pessoas participantes da oração ou não conhecemos a pessoa por quem estamos rezando.

Outra coisa bem diferente são essas correntes ameaçadoras, ou seja, "ameaçam" com certos castigos aqueles que não as seguirem à risca. São orações que prometem desgraças a quem não as fizer ou a quem as interromper temporária ou definitivamente, ou a quem não as repassar. Além disso, procuram sustentar tais ameaças citando falsos exemplos ou testemunhos de pessoas que supostamente as romperam e sofreram punições; esse tipo de ameaça realiza verdadeira "chantagem psicológica".

Em nome de Deus

A oração é instrumentalizada e transformada em superstição, ou seja, em oração pagã. Esse tipo de oração ou superstição tem a intenção de instrumentalizar Deus, como que O obrigasse a cumprir nossos desejos. Fomentam um tipo de oração, a fim de conseguir resultados de modo mágico, fáceis, rápidos e interesseiros, sem considerarem a verdadeira vontade de Deus. Apresentam receitas ou fórmulas mágicas para conseguir resultados em detrimento da própria fé. Promove uma atitude de medo de Deus ao apresentá-Lo como castigador. Difundem uma imagem cada vez mais equivocada do Senhor, obrigam as pessoas a fazer mau uso da oração, desvirtuando-a ou banalizando-a.


Posso ou não quebrar a corrente?

A Igreja não admite que a oração seja instrumentalizada e reduzida a essa espécie de "chantagem psicológica". Mesmo que se admita a boa intenção, a de fazer crescer a devoção a determinado santo, na realidade, é superstição, atribui-se à simples materialidade dessas supostas orações uma eficácia que nelas não existem. Não podemos manipular Deus. Ele não se pauta pela vontade humana nem é um dispensador de milagres conforme nossos interesses.

O cristão não pode promover esses tipos de correntes de oração em nome de Deus, porque se tornam falsos profetas, e ninguém pode ameaçar ninguém em nome de Deus. As ameaças e fórmulas mágicas para conseguir resultados são contrárias à verdadeira fé, por isso, não só comete falta quem cria, envia e difunde essas correntes de oração, mas também quem acredita nelas.

Vincular desgraça ou recompensa a uma determinada corrente de oração é contrário aos ensinamentos da Igreja. Nem prêmio nem condenação decorrem de se participar ou deixar de participar de uma "corrente". O Catecismo nos lembra que "atribuir só à materialidade das orações ou aos sinais sacramentais a respectiva eficácia, independentemente das disposições interiores que exigem, é cair na superstição" (CIC, 2111).

Quebrar a corrente

Ninguém precisa se sentir mal por ignorá-las, quebrá-las. Aconselho que até quebrem esses tipos de correntes de oração, porque elas nos enganam, apresentam uma falsa imagem de Deus, algo que Ele não é, um Deus castigador e ameaçador. A pessoa acaba colocando a confiança na corrente, na materialidade da oração e não em Deus. É por isso que essas "correntes de oração" não merecem nossa credibilidade, e podem ser quebradas.

Quando se encontra no banco de uma igreja, na porta da casa, papéis divulgando essas correntes de oração, lançando maldições; ou mesmo quando recebe via internet essas correntes, não se deve temê-las nem ficar preocupado, mesmo que prometam desgraças para quem não as divulgar. Esses tipos de ameaças, com certeza, não têm lugar na verdadeira religião cristã.


Padre Mário Marcelo

Mestre em zootecnia pela Universidade Federal de Lavras (MG), padre Mário é também licenciado em Filosofia pela Fundação Educacional de Brusque (SC) e bacharel em Teologia pela PUC-RJ. Mestre em Teologia Prática pelo Centro Universitário Assunção (SP). Doutor em Teologia Moral pela Academia Alfonsiana de Roma/Itália. O sacerdote é autor e assessor na área de Bioética e Teologia Moral; além de professor da Faculdade Dehoniana em Taubaté (SP). Membro da Sociedade Brasileira de Teologia Moral e da Sociedade Brasileira de Bioética.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/sociedade/quebrar-uma-corrente-de-oracao-pode-me-dar-azar/

12 de julho de 2017

Alma feminina e sua importância para compreender o mundo

A alma feminina e o seus dons para propagar o amor e a esperança

Com muito respeito, alegria e senso de responsabilidade, aceitei esse imenso desafio de, como homem e sacerdote, escrever sobre a realidade da mulher, na certeza de que sua presença agrega um valor inestimável para este mundo. Sua alma é portadora de talentos e dotes capazes de trazer novas cores e esperanças em meio às penumbras de nosso tempo.

Marias, Fernandas, Franciscas ou Bárbaras, cada mulher é um universo particular composto pelo mosaico de suas experiências, aprendizados, dores e alegrias. Há mulheres mais frágeis, outras mais fortes e destemidas, algumas do campo, outras da cidade. Cada uma com uma história diferente, escrevendo, com a caneta da alma, enredos e capítulos muito peculiares na biografia que a existência lhes confiou.

Alma feminina e sua importância para compreender o mundoFoto: Daniel Mafra/cancaonova.com

 

Dons femininos

Cada mulher precisa se compreender, enxergar-se e valorizar-se como um verdadeiro dom. Ela não pode se "nivelar por baixo", abrindo mão de sua dignidade em virtude das inseguranças ou de um cárcere de dominação emocional fabricado por carências. Quando uma mulher se permite dominar pelo medo, insegurança ou frustração, e troca sua dignidade pelo desejo de ser aceita e falsamente amada, ela está traindo o propósito divino de felicidade que há sobre sua vida, jogando pelo ralo as inúmeras possibilidades que descansam sobre sua história.

É claro que são muitas as realidades que podem ferir a alma de uma mulher, no entanto, haverá sempre um caminho de regresso para o coração ferido, que se perdeu em busca de afeto e aprovação: haverá sempre a possibilidade de reconstruir a própria história, reencontrando o caminho de virtude e felicidade que o Criador escreveu em cada alma feminina.


Deus, que criou com infinito amor cada mulher, é especialista em compreender os anseios e dilemas presentes em cada alma feminina. Saiba que Ele te entende como você é; e interpreta com exatidão suas lágrimas e os pedidos que, muitas vezes, você não foi capaz sequer de formular, mas que estão presentes em suas emoções, tornando opaca a realidade de seus afetos e motivações.

Enfim, é um pouco disso e muito mais que você encontrará neste meu novo livro.



Padre Adriano Zandoná

Padre Adriano Zandoná é missionário da Comunidade Canção Nova. Formado em Filosofia e Teologia, tem quatro livros publicados pela Editora Canção Nova e participação em dois CDs de oração.

Todas as segundas-feiras, o sacerdote preside a Missa na Catedral Nossa Senhora do Líbano, às 19h30, em São Paulo (SP). A transmissão é ao vivo pela TV Canção Nova. Padre Zandoná apresenta o programa 'Pra ser Feliz' na mesma emissora, todas as quintas-feiras ao meio dia, e também na Rádio América CN AM 1410, todas as quintas-feiras às 13h.

Atualmente, o sacerdote exerce a função de responsável local da Canção Nova em São Paulo (SP) e promove o evento 'Abraça São Paulo'.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/afetividade-e-sexualidade/afetividade-feminina/alma-feminina-e-sua-importancia-para-compreender-o-mundo/

10 de julho de 2017

A fofoca gera pessimismo de vida

Entenda por que a fofoca gera pessimismo de vida e um negativismo constante

É muito difícil manter a paz e a serenidade até descobrirmos a paz inquieta. Ela é exatamente o contrário da apatia: provoca-nos as mudanças necessárias e nos ajuda a aceitar o que não pode ser mudado.

A fofoca gera pessimismo de vidaFoto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Infelizmente, o mundo parece não gostar das coisas boas. Prova disso é o amplo espaço que dá às coisas negativas. Fico muito triste quando vejo as pessoas valorizando somente o que é negativo. Basta olharmos para as manchetes dos jornais e da TV para perceber o quanto o mundo parece gostar do que não presta. Existe uma sede muito grande de fofoca. São os "urubus" sócias, que ficam à espera de algo negativo para poder arladear. Mentiras, fofocas e calúnias. Isso gera pessimismo de vida, um negativismo constante. Com isso, as pessoas não sabem mais sorrir. Vivem se criticando e lamentando-se. Acho que aqui se encontra uma das grandes causas da maioria das doenças.

O motivo da fofoca

Sabemos que existe uma causa para tudo isso. As pessoas que vivem para falar mau das outras, na verdade, estão querendo se esconder por trás de tudo isso. Com medo de que descubram o quanto são infelizes e frustradas, elas procuram comentar a vida alheia, esperando que suas carências e frustrações passem despercebidas. São doentes sociais, não aprenderam a saborear a vida. São carentes e mal-amados; além disso, deixam de buscar auxílio. A fofoca, na verdade, esconde sentimentos negativos plantados no coração dessas pessoas.

Muitos não descobriram a paz inquieta, porque são especialistas em criticar os outros. São aqueles que estão sempre atentos a descobrir o erro alheio e mais prontos ainda para alardear esses erros aos quatro ventos.


A paz inquieta não se consegue por meio de brigas, discussões, ações penais, autodefesa nem tantos outros caminhos que as pessoas nos sugerem. A paz inquieta é fruto de um coração sereno. Ela nos vem pela graça de Deus e pela humildade.

Humildade não é sinônimo de apatia nem roupas velhas ou surradas, é uma atitude de vida, é saber quem somos. Conhecer nossos defeitos, limitações e lutar para mudar o que pode ser mudado. Isso exige um coração curado.

Pela cura interior, o Espírito Santo molda nosso coração, tornando-o semelhante ao coração de Jesus Cristo. É um processo lento e progressivo. Exige que sempre fiquemos atentos às moções do Espírito, que sempre procuremos nos alimentar com a Palavra de Deus e com os sacramentos que o Espírito Santo presenteou a Igreja, especialmente o sacramento da Eucaristia e da reconciliação.

A cura interior nos ensina que viver é como nadar contra a corrente. Não podemos parar nunca. Por isso precisamos sempre ter objetivos bem-definidos para nossa vida. Quem sabe para onde vai não se detém diante de críticas injustas. A cura interior nos ajuda também a discernir o valor da crítica positiva e construtiva. Ela nos revela que todos somos passíveis de erros e falhas e nos ajuda a aceitar tudo isso como um grande processo de amadurecimento.

Padre Léo


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/comportamento/a-fofoca-gera-pessimismo-de-vida/