20 de outubro de 2017

Por que a prática do sexo antes do casamento é pecado?

O sexo exige o envolvimento da pessoa em sua totalidade

Na sua sabedora milenar, a Igreja não cessa de ensinar que "a sexualidade, mediante a qual o homem e a mulher se doam um ao outro com os atos próprios e exclusivos dos esposos, não é em absoluto algo puramente biológico, mas diz respeito ao núcleo íntimo da pessoa humana como tal. Ela só se realiza de maneira verdadeiramente humana se for parte integral do amor com o qual homem e mulher se empenham totalmente um para com o outro até a morte." (CIC 2361). Por que o sexo antes do casamento é pecado?

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Foto: grinvalds by Getty Images

Este texto do Catecismo nos fornece material suficiente para respondermos essa pergunta. A primeira e mais relevante afirmação é que o ato sexual é próprio dos esposos. Isso por um motivo nobre e justo: tal envolvimento não é puramente biológico, pois envolve a pessoa na sua integralidade. A segunda coisa é que nós homens, seja do ponto de vista biológico ou psicológico, somos completamente diferentes dos animais.

Corpo e alma

Analisemos, no primeiro momento, a diferença entre o animal e o homem no que toca a sexualidade. O animal, em uma relação sexual, quer chegar ao ápice do prazer a todo custo. Ao chegar à satisfação sexual, não lhe interessa quem ele acabou de acasalar. Já o ser humano não quer só chegar ao ápice do prazer sexual, isto é, ao orgasmo, ele quer também a companhia da pessoa. Existe entre ambos uma afetividade. Isso mostra, como ensina a Igreja, que existe algo que transcende o biológico.

Além de tudo isso que acabei de citar, vale recordar que o ser humano possui alma espiritual. Isso implica dizer que, em uma relação sexual, existe o envolvimento da pessoa em sua totalidade, corpo e alma. Esse fato de o ser humano possuir também alma espiritual faz toda a diferença em comparação com os animais. Fica evidente, desse modo, que o ensinamento da Igreja é claro, o sexo deve ser compreendido do ponto de vista espiritual e não meramente biológico. A alma busca felicidade e não mero prazer.

Por isso mesmo, há a insatisfação de muitas pessoas que vivem o sexo de maneira desregrada, pois sempre está lhe faltando alguma coisa, mesmo que tenha sexo diariamente e com mais de uma pessoa. Quando os seres humanos unem seus corpos, igualmente unem suas almas. Aqui está a razão e a necessidade do sacramento do matrimônio. Não podem se unir corporalmente se a alma não está unida por meio do sacramento.

Comprometimento

Outro aspecto muito importante dentro de um relacionamento é o comprometimento. Em uma união sexual, o homem diz para a mulher e a mulher para o homem "sou todo seu, sou toda sua!", mas quando o sexo é vivido fora do matrimônio, essa promessa não passa de uma mentira. Tanto é que, após a relação sexual, ambos se levantam do leito e cada qual vai para sua casa.

Vale ressaltar, dentro de tudo isso que estamos falando, do sentimento que a mulher tem de estar sendo usada. Ao atender pessoas que viveram tais experiências, percebo que esse fato é constante, pois há um forte sentimento de ter sido usada pelo namorado após a relação sexual. Isso a psicologia feminina não perdoa. A mulher, mais que sentir prazer, precisa sentir-se amada. No entanto, como ela vai se sentir amada se, ao término da relação sexual, o amado já não está mais ao seu lado? Surge, então, uma pergunta básica neste momento: "Ele me ama de verdade ou está me usando?". Esse sentimento de estar sendo usada é inevitável quando não se tem o compromisso.


Consequências do amor

A partir disso, vemos que a pessoa só se realiza plenamente dentro do relacionamento sexual se não lhe faltar o ingrediente principal: o amor. O problema é que, muitas vezes, o amor é confundido com sentimento ou algo parecido, quando, na verdade, ele é muito mais que isso, o amor compromete, exige renúncia, desapego e tantas outras coisas.

Quem não está disposto a arcar com as consequência do amor nunca saberá o que é amar verdadeiramente. As pessoas têm sede do amor verdadeiro, o problema é que estão bebendo em fonte errada. Estão buscando o amor no prazer, na satisfação pessoal, mas, infelizmente, não o encontrarão. Quem busca saciar sua sede de amor no prazer, fatalmente, morrerá de sede.

Assim sendo, o sexo antes do casamento é pecado não porque a Igreja proíbe, mas porque fere a natureza humana. O homem, além de ser biológico, é também espiritual. Mais que buscar prazer, ele busca a felicidade; sendo que a felicidade só será encontrada mediante a vivência concreta do amor. Quem buscar no outro somente o prazer nunca saberá o que é amar alguém de verdade.

18 de outubro de 2017

Você sabe o que é o voto íntimo ou voto secreto?

Reflita sobre o que seriam os votos íntimos que fazemos ao longo da vida

A grande verdade é que muitos de nós já vivemos a realidade de termos feito algum  tipo de voto íntimo ou o que muitos chamam de voto secreto ao longo de nossa vida. Se,​ ​portanto,​ ​o​ ​Filho​ ​vos​ ​libertar,​ ​sereis​ ​verdadeiramente​ ​livres​ ​(Jo​ ​8,36).

A primeira coisa importante a saber é do que, de fato, se trata a realidade de um voto íntimo ou voto secreto. Todo voto é um tipo de compromisso, uma aliança, um pacto que estabelecemos diante de uma situação ou até mesmo de uma pessoa. Uma vez estabelecido esse compromisso, essa aliança, acabamos por nos deixar influenciar por eles de alguma forma.

Você sabe o que é o voto íntimo ou voto secreto

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Em geral, votos íntimos estão sempre relacionados a acontecimentos traumáticos da nossa história ou a situações de sofrimentos que vivemos. Por causa desses acontecimentos dolorosos, estabelecemos, conscientemente ou não, uma aliança com aquela situação de dor. Essas situações, de certa forma, deixaram-nos marcas interiores, e, conforme o tempo foi passando, pode parecer até que deixamos esses traumas para trás, que nos esquecemos deles, mas se eles não foram resolvidos interiormente em nós, não conseguiremos ser homens e mulheres plenamente livres.

Memórias do passado

Viveremos o tempo presente, mas com um passado vivo, ferido e permanente dentro de nós. Um passado que, ao ser relembrado, nos traz ainda a mesma dor dos sentimentos e das emoções do tempo em que fomos feridos.

Para nós, que trabalhamos com a realidade da oração de cura e libertação, sabemos que os acontecimentos dolorosos, os sentimentos e emoções são tão reais, hoje, nessas pessoas, quanto o foram no passado quando ocorreram. E isso as faz, de certo modo, escravas do passado.

Essas situações de dor não resolvidas vão nos descaracterizando, ferindo nossa real identidade. Nesses momentos é que estabelecemos os votos íntimos, os quais permanecem dentro do nosso subconsciente. Mesmo guardados ali, estão vivos.

Quando, por algum motivo, em nosso momento presente, vivemos alguma realidade que seja parecida com a situação de dor que vivemos no passado, é como se abríssemos aquela gaveta e experimentássemos tudo de novo, com a mesma intensidade.

Existem pessoas que, quando criança ou adolescente, por exemplo, experimentaram, em casa, a traumática experiência de ver o casamento do seu pai e da sua mãe sendo destruído pelo álcool e pela violência. Aquele adolescente, ao ver sua mãe apanhando do seu pai, disse para si mesmo: "Eu​ ​não​ ​acredito​ ​no​ ​casamento!​ ​Eu​ ​não​ ​quero​ ​nunca​ ​me​ ​casar!".

Isso foi, na verdade, um voto intimo, pois a pessoa experimentou toda a dor da violência de seus pais e aquilo lhe feriu interiormente e não foi resolvido; ficou uma ferida. Pode acontecer que, quando essa pessoa crescer e começar a relacionar-se afetivamente com outra, iniciar um namoro, possa perceber que, até determinado ponto do relacionamento, tudo vai bem, mas, quando o relacionamento se tornar mais sério e começarem a conversar sobre um possível casamento, essa pessoa não conseguirá ir para frente com o namoro. Poderá dizer até mesmo que, por algum motivo, deixou de gostar da (o) namorada(o). Na verdade, o que está acontecendo, dentro dela, é que aquela situação de dor não resolvida e guardada, juntamente com aquele voto íntimo que ela fez, dizendo que "nunca​ ​se​ ​casaria"​, está vindo para fora novamente. Ela abriu a gaveta da situação dolorosa que a marcou, e agora, de maneira inconsciente, precisa cumprir o voto, o pacto que fez com si mesma. Para isso, precisa terminar o namoro, senão, ele a colocará frente a frente com o matrimônio.

O problema é que há diversos tipos de votos íntimos que vamos fazendo e que podem, realmente, influenciar nossa vida, mas nem percebemos que uma coisa está ligada a outra. Vamos criando pactos íntimos e carregando-os como jugo em nossa vida, como se tivéssemos o compromisso com tal ato!

Nunca diga nunca!

De certa forma, todo voto íntimo pode trazer algum tipo de consequência, principalmente quando está ligado a uma situação de dor, mágoa, tristeza ou decepção. Isso pode refletir mais claramente em nossa vida, por exemplo, quando dizemos:

"Nunca mais vou amar ninguém"
"Nunca mais vou confiar em homem/mulher algum"
"Nunca vou conseguir engravidar"
"Nunca serei feliz com essa pessoa"
"Para sempre vou viver essa vida de pobreza"
"Não vou conseguir jamais dirigir um carro!"
"Eu não presto para nada"
"Eu sou muito burro!"


Um outro exemplo é de uma jovem apaixonada por um rapaz e quer muito se casar com ele, mas, por situações adversas, o relacionamento acaba sendo  rompido. Essa jovem, ainda apaixonada, diz: "Se​ ​eu​ ​não​ ​me​ ​casar​ ​com​ ​ele,​ ​eu​ ​não​ ​me​ ​casarei​ ​com​ ​mais​ ​ninguém".

Nessa afirmação, ela fez um pacto com si mesma, estabelecendo seu voto íntimo. Depois disso, é possível perceber que essa moça somente consegue relacionar-se e apaixonar-se por pessoas erradas ou com rapazes que não queiram se casar com ela. Isso porque, lá no seu subconsciente, relacionar-se com pessoas erradas é uma forma de não conseguir se casar, cumprindo, assim, aquilo que ela determinou para sua vida, que só se casaria com aquele antigo namorado.

Deu para entender? Ficou claro?

Acabamos assumindo esses votos como verdades, as quais ficam guardadas em nosso subconsciente, e, de uma hora para outra, poderão vir à tona, causando-nos grandes prejuízos! Há pessoas que acabam determinando toda a sua vida em cima desses votos íntimos que fizeram; e, às vezes, se veem sem forças para sair dessas situações.

Qual é o caminho para a libertação dos votos íntimos?

O primeiro passo importante é fazermos uma averiguação e identificarmos se, em nossa história de vida, houve momentos de dores, sofrimentos, raivas, mágoas ou tristezas, que nos fizeram intimamente estabelecer um pacto com aquilo que afirmamos contra nós mesmos.

Uma vez que conseguirmos identificar isso, é necessário, agora, que o nosso passado, ainda vivo, seja ressignificado dentro de nós, reescrito. Isso acontece sempre pela luz do Espírito Santo, que nos ajuda a nos reconciliarmos com a nossa própria história, a perdoarmos nós mesmos, perdoar pessoas e até mesmo a necessidade de perdoar o próprio Deus. Esse caminho de reconciliação com nossa própria história é um passo fundamental para a libertação completa.

Após essa reconciliação, é necessário que a oração coloque tudo no seu devido lugar novamente. É preciso, por meio da oração, pedir que o Senhor quebre toda a força que essas palavras possam ter tido sobre nossa vida, pedir que tudo aquilo que nos prendia à força dessas palavras caiam por terra. Será necessário também uma Oração de Renúncia contra esses votos, para que isso seja desvinculado de nossa vida. Assim como, pessoalmente, por causa de situações dolorosas e por meio de palavras, fazemos os votos íntimos, será também por conta da ação do amor de Deus e por meio de nossas palavras que esses votos serão desfeitos.

Depois desses passos, é necessário que tenhamos, agora, a força e a determinação de superarmos o que antes, para nós, seria impossível. Começamos a perceber que, sobre determinadas situações que nos paralisavam, e talvez nos deixem em pânico, temos outros sentimentos e reações. É claro que pode surgir aquele medo ou receio de não conseguirmos, mas podemos ver que haverá uma força para enfrentarmos e superarmos tal situação. Força essa que, antes, achávamos que não tínhamos.

Esse, portanto, é o caminho que precisamos trilhar para nossa completa libertação dos votos íntimos. Que o Espírito Santo o ilumine e inspire.

Deus abençoe você!

16 de outubro de 2017

Aprenda a esperar em Deus

Reinflama nosso interior, Senhor Jesus, e ensina-nos a esperar em Ti

Sabe aqueles momentos, na vida da gente, que parece estarmos com água até o pescoço? Sufocados, sobrecarregados, cansados? Parece que andamos quilômetros sem sair do lugar? Fazemos tanto, mas não vemos os frutos. Talvez você tenha sido criticado, julgado injustamente, caído na má língua do povo, olhado ao seu redor, e só conseguiu ver olhares de reprovação. Você já se sentiu assim algum dia? Ou será que está se sentindo assim agora?

Fazemos parte de uma geração que desaprendeu a esperar! Não sabemos esperar mais nada! Detestamos fila de banco, ponto de ônibus, remédio que demora a fazer efeito. Comemos qualquer coisa, desde que seja rápido, para não atrapalhar o nosso atarefado dia. Transformamo-nos em pessoas imediatistas. Tudo é para ontem. Tudo é urgente. Inclusive a solução dos nossos problemas. Temos de ter uma solução! E bem rapidinho.

Foto: Wesley Almeida / cancaonova.com

Queremos respostas para nossos dilemas, paz, segurança, saúde, dinheiro, felicidade em casa, filhos obedientes e educados entre outros… E bem rapidinho!

Da mesma forma, somos rápidos no relacionamento com Deus, com os outros e com nós mesmos. E numa sociedade na qual a informação é cada vez mais veloz e a tecnologia muda a cada segundo, o tempo para descansar tornou-se artigo de luxo. Diante das situações em que gostaríamos de intervir no tempo, seria bom nos recordarmos da atitude de Noé naqueles dias de dilúvio.

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A lição de Noé

"(…) E eis que pela tarde a pomba voltou, trazendo no bico uma folha verde de oliveira. Assim Noé compreendeu que as águas tinham baixado sobre a terra. Esperou ainda sete dias, e soltou a pomba que desta vez não mais voltou" (Gênesis 8,10-12).

Esse servo de Deus traz essa lição de vida para você e para mim: esperemos as "águas baixarem"! É tudo uma questão de escolha. Ele optou por esperar e, enquanto ficava ali dentro da arca, aguardando, Deus agia. Ele não via, mas Deus agia! Ele [Noé] esperava e Deus baixava, milímetro por milímetro, as águas que cercavam a arca.

Penso que, do jeito que somos afobados, se estivéssemos no lugar dele, talvez pulássemos da arca com um balde na mão, tentando baixar, na marra, o mar ameaçador. E o Senhor iria dar boas risadas de nossa insensatez de imediatistas!


Peçamos a Cristo uma nova mentalidade, um novo jeito de pensar e querer que as coisas se realizem. Deixemos o querer "para ontem"; passemos para o "esperar hoje em Deus". Queira isso! Deseje-o de todo o coração. E você verá o sinal de Deus como resposta à sua obediente espera.

Para Noé, o sinal foi uma pomba com um ramo no bico. E as águas finalmente baixaram. E para você? Qual será o sinal? Espere e verá!

Vamos rezar?

Reinflama nosso interior, Senhor Jesus, ensina-nos a esperar em Ti! Que as águas ameaçadoras que nos cercam baixem ao som de Tua voz! Faça com que sejamos Noés no meio dessa humanidade que não sabe mais esperar por nada nem por ninguém. Faça de nós um sinal de contradição aos olhos deste mundo tão imediatista e necessitado do exemplo de homens e mulheres que sabem esperar em Deus. Amém.

E que essas águas baixem!

Um forte abraço. Na intercessão por você.

Alexandre Oliveira
Missionário da Comunidade Canção Nova


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/aprenda-a-esperar-em-deus/

13 de outubro de 2017

Minha mulher tem um novo amor

O nascimento do primeiro filho traz mudanças importantes na vida da mulher e do casal

Um primeiro olhar, as primeiras conversas, o interesse mútuo crescente que desemboca num compromisso: o namoro. Depois disso, com a bênção de Deus e a aplicação de ambos, o homem e a mulher se tornam cada vez mais unidos, até terem a certeza de que querem viver um com o outro "até que a morte os separe".

Celebra-se o matrimônio, um sacramento poderoso que ainda aguarda reflexões teologais à altura do que realmente significa e opera.


Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com 

Nova fase na vida do casal

Se as histórias de amor entre príncipes e princesas acabam aí, no matrimônio cristão este é o ponto de início de uma nova fase e desejo: gerar filhos.

O amor tem por característica unir, derramar-se e multiplicar-se. O fruto no ventre da esposa é um novo momento de intensa alegria para o casal, o amor está tomando a forma de um novo ser, uma perfeita síntese dos dois.

No entanto, quando a criança nasce, o marido parece ser o mesmo, ganhou um novo título de "pai" e uma cara de bobo que reflete uma alegria que não consegue colocar em palavras, mas, a mulher se torna mãe. Não exagero. Se o homem está tentando vestir a roupa de "pai", a mulher (sabendo ou não como lidar com a criança) tornou-se uma mãe.

Depois de passar por isso três vezes, posso dizer que o impacto do primeiro filho é sempre maior.

Para o homem, que pode acompanhar tudo como espectador, a realidade à sua volta começa a mudar: existe um único e poderoso centro das atenções, que é o filho que chegou.

Tudo gira em torno dele, e parece até que o homem passa a ser o terceiro na hierarquia da casa, pois, depois do reizinho, os cuidados com a mãe (para que esta possa servir ao filho) passam a ser preponderantes.


O novo e exigente amor

Aí percebemos que, embora não tenhamos sido trocados por ninguém, nossa mulher tem um novo e exigente amor.

Do ponto de vista do relacionamento familiar e do casal, é importante que o homem respeite esse momento extraordinário que a nova mãe está vivendo.

Não existe como o ser masculino entender esses nove meses que a mulher passa gestando o filho, além de todas as reações e emoções que ela tem antes, durante e após o nascimento.

Pesa também, mesmo que inconscientemente, essa responsabilidade dela de nutrir, proteger e ajudar a desenvolver esse novo ser que nasceu, de modo que ela gasta todas suas energias e atenções nesse processo. Algo que, antes, realizava sem quase nenhuma dificuldade durante a gestação.

A mulher, ao se tornar mãe, precisa do apoio, presença e firmeza do marido ao seu lado. Não dá para serem "dois bebês" querendo atenção (um muito mais velho e temporão!) ou ficar suportando um ser bicudo, que está se sentindo um pouco de lado e, por isso, passa a ser grosseiro e resistente.

A missão fundamental do esposo

Por outro lado, faz parte da missão própria do marido, no matrimônio cristão, ajudar a mulher a encontrar um equilíbrio na vida e na família.

Cabe ao homem servir de baliza, fornecendo base e bordas seguras para que a mulher possa se movimentar sem cair em exageros.

Assim, a atenção ao filho é primordial, mas é o marido quem ajuda a esposa a não cair em extremos de não comer, não dormir ou ficar emocionalmente instável por preocupar-se demais com a criança.

A primeira febre do bebê é tão apavorante, que faz a Segunda Guerra Mundial parecer um desentendimento bobo para algumas mães de primeira viagem.

Com o passar dos anos, o equilíbrio entre uma educação materna, que se esforça a proteger a qualquer custo, e uma educação paterna, que exige a formação de independência, é extremamente salutar para a criança, o adolescente, o jovem e o ser humano.

Cabe também ao marido continuar esse papel delicado e constante de ajudar a mulher a entender que o filho é criado para o mundo, e não para os pais; e que ela precisa, para o bem de ambos, ir se desvencilhando desse – já não tão novo – amor, mas sempre e cada vez mais exigente.

Esse novo ser continua a ser amado pela mamãe, mas passará a amar e a querer unir-se com outro ser e criar uma nova família.

Ao papai de primeira viagem, fica a dica: você receberá não só uma nova e linda criaturinha no lar, o filho, mas também irá se deparar com uma pessoa que, embora você tenha se casado com ela, é completamente diferente de tudo o que você conhecia antes, é uma nova mamãe.

Ela continua sendo tão amável quanto era sua esposa, mas trará, agora, necessidades e desejos especiais. Bem-vindo à fase dois!

11 de outubro de 2017

O trabalho das mulheres na Igreja

As mulheres contagiam a comunidade com sua feminilidade e maternidade

Vivendo meu sacerdócio, entendo cada vez melhor o papel que as "santas mulheres" tiveram na vida de Jesus. A começar por Maria de Nazaré, poderíamos lembrar também muitas outras "Marias" que seguiram o Senhor fielmente. Ao pé da cruz, elas estavam lá.


Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com 

A maioria dos homens que Jesus evangelizou, durante os três nos de vida pública, simplesmente sumiu na hora do desafio maior. Judas preferiu a morte a encarar a falência do seu sonho de um Messias guerrilheiro.

Pedro, vejam só, o velho Pedro, negou Jesus três vezes diante de uma funcionária do palácio. Ele não estava ao pé da cruz. Nem Tomé, Mateus, Tiago, Judas Tadeu… ninguém. Apenas o jovem João, certamente conduzido pela Mãe de Jesus, e as outras pessoas que estavam ali eram todas mulheres.

As mulheres na Igreja

Hoje, não é diferente em nossas paróquias. São batalhões de catequistas, ministras extraordinárias da comunhão eucarística, secretárias, cozinheiras da casa paroquial, religiosas, agentes da pastoral da saúde, coordenadoras de movimentos, participantes da liturgia entre outras.

O que realmente impressiona não é a quantidade de mulheres que ocupam espaço em nossas paróquias, mas a força, a perseverança e a qualidade do trabalho delas.

As mulheres têm uma força para gerar um novo mundo, que, simplesmente, não existe nesses pobres bípedes pensantes sem útero, aos quais chamamos homens.

Em 1995, o saudoso Papa João Paulo escreveu uma "Carta para as Mulheres" em que dizia:

"Gostaria de manifestar particular gratidão às mulheres empenhadas nos mais distintos setores da atividade educativa, para além da família: creches, escolas, universidades, instituições de assistência, paróquias, associações e movimentos. Onde quer que se revele necessário um trabalho de formação, pode-se constatar a imensa disponibilidade das mulheres a dedicarem-se às relações humanas, especialmente em prol dos mais fracos e indefesos. Nesse trabalho, elas realizam uma forma de maternidade afetiva, cultural e espiritual, de valor realmente inestimável, pela incidência que têm no desenvolvimento da pessoa e no futuro da sociedade".


Feminilidade e maternidade

De fato, a importância do trabalho das mulheres na Igreja não se resume ao funcional. Elas contagiam a comunidade com sua feminilidade e maternidade.

Sem a presença forte e atuante da mulher em uma paróquia, seria impossível a Igreja viver sua dimensão de mãe, mestra e esposa. Contudo, devemos evitar a tentação feminista de criar um clima de "guerra dos sexos' ou de disputa pelos lugares.  No Reino de Jesus, reinar é servir.

Homens e mulheres precisam aprender a belíssima lição de que se completam para formar a mais perfeita imagem e semelhança de Deus, capazes de continuar a obra da criação e também de colaborarem na obra da salvação.

As mulheres têm um potencial enorme para ajudar cada comunidade a ser uma grande família. Este é o maior desafio do terceiro milênio: fazer da Igreja uma família e da família uma Igreja.

Para que isso aconteça é fundamental que todos se sintam responsáveis por uma pastoral da acolhida que esteja presente em todas as pastorais e movimentos. Aqui, novamente, as mulheres são especialistas, pois têm a vocação natural de acolher outra vida no seu ventre. Aliás, a palavra "misericórdia", em hebraico, evoca as entranhas femininas, ou seja, o útero.

A fecundidade evangelizadora da paróquia passa pela natureza feminina. Poderíamos dizer que há certos serviços sacerdotais, na sacerdotalidade própria de todo batizado, que somente podem ser exercidos pelas mulheres.

Faço minha a belíssima prece de gratidão de João Paulo II às mulheres, registrada na mesma carta de 1995

"Obrigado a ti, mulher-mãe, que te fazes ventre do ser humano na alegria e no sofrimento de uma experiência única, que te torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz, que te faz guia dos seus primeiros passos, amparo do seu crescimento, ponto de referência por todo caminho da vida.

Obrigado a ti, mulher-esposa, que unes irrevogavelmente o teu destino ao de um homem, numa relação de recíproco dom, ao serviço da comunhão e da vida.

Obrigado a ti, mulher-filha e mulher-irmã, que levas ao núcleo familiar, e depois à inteira vida social, as riquezas da tua sensibilidade, da tua intuição, da tua generosidade e constância.

Obrigado a ti, mulher-trabalhadora, empenhada em todos os âmbitos da vida social, econômica, cultural, artística, política, pela contribuição indispensável que dás à elaboração de uma cultura capaz de conjugar razão e sentimento, a uma concepção da vida sempre aberta ao sentido do «mistério», à edificação de estruturas econômicas e políticas mais ricas de humanidade.

Obrigado a ti, mulher-consagrada, que, a exemplo da maior de todas as mulheres, a Mãe de Cristo, Verbo Encarnado, te abres com docilidade e fidelidade ao amor de Deus, ajudando a Igreja e a humanidade inteira a viver para com Deus uma resposta «esponsal», que exprime maravilhosamente a comunhão que Ele quer estabelecer com a sua criatura.

Obrigado a ti, mulher, pelo simples fato de seres mulher! Com a percepção que é própria da tua feminilidade, enriqueces a compreensão do mundo e contribuis para a verdade plena das relações humanas."

9 de outubro de 2017

Qual é o posicionamento da Igreja em relação à numerologia?

O cristão não pode acreditar na numerologia, pois o seu futuro está nas mãos de Deus

Numerologia é o estudo qualitativo dos números aplicados ao ser humano. Também são utilizadas as letras do alfabeto, convertendo-as em números por meio de uma tabela e assim determinando um valor numérico para nomes.

Uma das modas dos últimos anos é mudar alguma letra do nome para melhorar a sorte. Também aumenta o número de pessoas que consultam o melhor número para realizar suas atividades. Essas práticas demonstram a crença de que os números e as letras associadas a eles têm a força para revelar aquilo que queremos saber sobre nossas necessidades e também influenciar o futuro. Chama-se a isso de numerologia.

Qual-é-o-posicionamento-da-Igreja-em-relação-a-numerologiaFoto: Sashkinw by Getty Images

O que diz a numerologia?

Para a numerologia, os números ou letras nos dizem como somos, com o que viemos a este mundo e qual será o nosso destino. Trata-se de um método de predição do futuro. Existem diversos métodos de adivinhação que também usam a numerologia: Tarô, Cabala, I Ching entre outros.

A numerologia tem duas crenças básicas: a vida é cíclica e não linear, e o mundo é dinâmico, está vivo, e tudo que está nele também vibra com sua energia. Os números simbolizariam esse fluxo cíclico de energia e os padrões da vida. Desse modo, cada número teria sua própria vibração e representaria caráter, poder, potencial e oportunidades. Para a numerologia, o poder e o potencial de tudo na natureza, incluindo nós mesmos, é mais bem compreendido mediante o estudo detalhado dos números.

A numerologia tem suas raízes no ocultismo e está ligada a antigas artes adivinhatórias. A adivinhação é a pretensão de prever as coisas futuras e ocultas. Pretende descobrir aquilo que pertence somente a Deus. Em diversas ocasiões, Israel usou desse recurso, desobedecendo à Palavra de Deus: "fez passar pelo fogo seus próprios filhos no vale de Beninom; entregou-se à astrologia, à adivinhação e à magia, praticou a necromancia e a bruxaria, e multiplicou-se atos que desagradam ao Senhor, provocando-lhe assim a ira" (2 Cr 33,6).

"Não escuteis, portanto, vossos profetas e adivinhos, nem vossos vaticinadores, astrólogos, e feiticeiros que vos disseram que não sereis sujeitos ao rei da Babilônia" (Jr 27,9)


O que diz a Igreja sobre a numerologia?

Desde o início, o Cristianismo manteve a proibição da prática de adivinhação. Os Concílios de Vanes (461), de Adge (506) e de Orleans (511) excomungaram os adivinhos de qualquer tipo. O Catecismo da Igreja Católica, nº 2115, ensina que o verdadeiro católico professa a certeza de que seu futuro está seguro em Deus.

O Senhor pode revelar o futuro a seus profetas ou a outros santos. Todavia, a atitude cristã correta consiste em se entregar, com confiança, nas mãos da providência, no que tange ao futuro e em abandonar toda curiosidade doentia a esse respeito. A imprevidência pode ser uma falta de responsabilidade.

Artigo extraído do livro "Católico pode ou não pode? Por quê?", de padre Alberto Gambarini, Edições Loyola, 2005.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/qual-e-o-posicionamento-da-igreja-em-relacao-a-numerologia/

5 de outubro de 2017

A luta e a superação de quem venceu a batalha contra o câncer de mama

Célia Barros testemunhou como foi viver o processo de tratamento do câncer de mama

Por Alessandra Borges

O câncer de mama é umas das doenças cancerígenas mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, mas também pode surgir em homens, porém, as chances de incidência neles são bem menores do que nas mulheres.

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é que, no ano de 2016, foram registrados cerca de 57.960 novos casos. Por isso, é importante que as mulheres façam exames periódicos, pois a prevenção do câncer de mama está relacionada ao controle dos fatores de risco como idade, endócrinos, história reprodutiva e comportamentos ambientais, além dos fatores genéticos e hereditários.

A luta e a superação de quem venceu a batalha contra o câncer de mamaFoto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Diante de todos esses fatores, é preciso manter uma vida saudável, pois se estima que, por meio da alimentação, atividade física e uma gordura corporal adequada, é possível reduzir em 28% o risco de a mulher desenvolver um câncer de mama.

História de quem venceu o câncer de mama

Conheça a história de superação de Célia Regina Alves de Barros, de 47 anos, da cidade de Cruzeiro (SP). Ela foi diagnosticada com câncer de mama, em 27 de agosto de 2010, aos 40 anos.

cancaonova.com: Como foi descobrir que estava com câncer de mama?

Célia Barros: Foi um grande susto, pois, sempre me cuidei, sempre fiz os exames preventivos anualmente. Tal foi a surpresa, que passei por três médicos mastologistas ao perceber uma deformação na mama. Então, recebi o diagnóstico de câncer. Foi um pesadelo!

cancaonova.com: Quais foram os maiores desafios vividos durante todo o tratamento?

Célia Barros: Medo de morrer, afinal, associamos o câncer à morte; a reação dos efeitos colaterais, pois, ouvia dizer do sofrimento que era fazer esse tratamento; o medo de não aguentar e desistir de tudo. Mas estes foram desafios vencidos, graças a Deus!

cancaonova.com: Onde você buscou forças para vencer todas as etapas do tratamento?

Célia Barros: Primeiramente em Deus! A promessa de que Ele estaria comigo até os confins dos tempos, Ele cumpriu. Glória a Deus!

Também em minha mãe, que esteve comigo desde o início, os preciosos amigos, irmãos de minha Comunidade Canção Nova – da qual faço parte no núcleo segundo elo –, e também de muitas pessoas que eu nem conhecia e rezaram por minha cura.

cancaonova.com: Hoje, livre do câncer de mama, o que você poderia dizer para as pessoas que estão passando por essa doença?

Célia Barros: Eu creio que passar por esse processo doloroso sem Deus seria impossível! Sem Ele, eu não estaria aqui contando minha história.

A melhor forma que encontrei para vencer foi estar com minha família, estar com os amigos e viver com alegria, pois eu acreditava que tiraria desse mal um bem maior!

cancaonova.com: Como vê a importância dessas campanhas de câncer de mama?

Célia Barros: Acho importantíssimas! Estarmos informadas sobre a prevenção, os cuidados e a eficácia do tratamento, quando a doença é descoberta precocemente, torna tudo mais fácil.


Prevenção ao câncer de mama

A única forma de prever o câncer de mama é a detecção precoce da doença, por meio de um diagnóstico eficaz, a partir do momento em que forem detectados os primeiros sinais ou sintomas. A mulher também pode realizar o autoexame da mama, pois, de acordo com o Instituto Brasileiro de Controle do Câncer de São Paulo, cerca 80% dos nódulos mamários são benignos, e apenas uma pequena porcentagem de secreções está relacionada ao câncer.

Faça a prevenção e não deixe de realizar os exames periódicos. E quanto às mulheres que estão enfrentando essa batalha contra câncer de mama, lutem pela vida.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/saude-atualidade/luta-e-superacao-de-quem-venceu-batalha-contra-o-cancer-de-mama/

2 de outubro de 2017

O perigo de um desabafo

Fazer de qualquer pessoa um conselheiro para nossos desabafos ou reclamações apenas expõe nossa intimidade

Quando desabafamos com alguém sobre nossas intimidades, podemos ter consequências desastrosas se escolhermos um confidente sem maturidade para acolher o que temos a falar. Uma pessoa fragilizada pelos desentendimentos e crises no seu relacionamento poderá, facilmente, recorrer à ajuda de quem está mais próximo dela.

Foto: Daniel Mafra / cancaonova.com

Dessa forma, um simples colega pode se tornar um conselheiro quando a pessoa, que se encontra numa crise, vê-se favorecida pelas longas horas diárias de convívio no trabalho ou na faculdade. Sem reservas, ela expõe situações, as quais deveriam apenas ser discutidas com aquele que, realmente, faz parte do problema: seu cônjuge, por exemplo. Talvez, por falta de coragem ou por certa dificuldade no diálogo com aquele que é a causa da crise, a pessoa vê no colega uma oportunidade para relatar o que está vivendo.

A pessoa necessitada de amparo, sem perceber e pelo fato de se sentir compreendida em seus desabafos, vê no amigo o "Sr. Compreensão", ainda que este tenha conhecimento de apenas parte da verdade.

Por meio de conversas, sobre assuntos relacionados à intimidade pessoal, a simples amizade poderá se transformar num relacionamento muito estreito. E qualquer desatenção por parte dos colegas poderá fazer surgir entre eles uma atração diferente; favorecida por comportamentos que não deveriam ser vividos entre os amigos. Isso será muito nocivo para qualquer relacionamento, especialmente se o vínculo com o colega se intensificar por meio de telefonemas reservados, e-mails secretos, entre outras atitudes que podem gerar uma crise de ciúme.

Ajuda externa

Muitas vezes, as pessoas que se encontram fora do nosso problema conseguem entender melhor a situação que estamos vivendo. Em certas ocasiões, se faz, realmente, necessário recorrer à ajuda externa, seja por intermédio de um profissional ou com alguém que já tenha vivência e amadurecimento, para que possa ajudar o casal a encontrar as possíveis soluções para seus impasses.

Partilhar é bom, entretanto, mais importante é saber com quem estamos falando de nossa intimidade, que é o nosso "sagrado". Fazer de qualquer pessoa um conselheiro para nossos desabafos ou reclamações apenas expõe nossa intimidade e, ao mesmo tempo, pode adiar a restauração do convívio com aquele que deveria ser o primeiro a saber de nossas necessidades.


A melhor forma de se resolver uma crise é contar com a participação direta do outro naquilo que se refere ao desentendimento. Afinal, faz parte do convívio a dois o acolhimento para as mudanças de forma mútua e o eterno ato de se reconciliar.

Um abraço.

29 de setembro de 2017

As novas regras de tradução dos textos e ritos litúrgicos

Reflita sobre as alterações dos textos e ritos litúrgicos no Direito Canônico

O mês de setembro de 2017 começou com uma importante alteração nas normas de Direito Canônico. No primeiro domingo do mês, o Vaticano publicou a Carta Apostólica Magnum Principium em forma de Motu Proprio, que modifica o cânone 838 do Código de Direito Canônico. A norma alterada diz respeito às regras para tradução dos textos litúrgicos, que, atualmente, determinam que pertence à Sé Apostólica ordenar a liturgia sagrada da Igreja, editar os livros litúrgicos e rever as versões nas línguas vernáculas, e vigiar para que se observem, fielmente, as normas litúrgicas. A preocupação do Sumo Pontífice é de que os textos litúrgicos possam se afastar dos profundos significados quando traduzidos, porque traduzir um texto não é simplesmente a substituição de palavras, mas requer uma cuidadosa adaptação ao contexto social do idioma para o qual se faz a tradução.

Se você tem preferência por assistir a filmes no idioma original, acompanhando as legendas ou se preocupa em encontrar expressões populares dentre os textos traduzidos, já percebeu que, muitas vezes, as dublagens ou mesmo as legendas não refletem exatamente a ideia do idioma original. E isso não representa uma falha da tradução, mas, simplesmente, uma manifestação das diferenças culturais entre o idioma de origem e o para o qual se faz a tradução. Caso essas curiosidades sejam do seu interesse, então você, facilmente, pode entender a preocupação do Papa Francisco.

As novas regras de tradução dos textos e ritos litúrgicosFoto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Na versão italiana do Código de Direito Canônico, o verbo "recognoscere" é traduzido comumente como "autorizar", mas a nota explicativa do Pontifício Conselho para a Interpretação de Textos Legislativos explica que o termo não é uma mera "autorização", mas quer expressar uma análise cuidadosa e detalhada ou revisão. Com a nova redação do cânone 838, essa imprecisão foi solucionada, e fica claro que a responsabilidade da Sé Apostólica é de rever as adaptações, cabendo às Conferências Episcopais preparar, fielmente, as versões dos livros litúrgicos nas línguas vernáculas para as regiões de sua relevância, após a confirmação da Sé Apostólica.

O que diz o Papa?

As traduções dos textos litúrgicos e dos textos bíblicos, para a Liturgia da Palavra, tem o objetivo de anunciar ao fiel a Palavra da Salvação em obediência à fé e expressar o culto da Igreja ao Senhor. Para que isso possa acontecer, é preciso comunicar-se, fielmente, com o povo, por meio de sua própria linguagem. Considerando isso, disse o Santo Papa: "Embora a fidelidade nem sempre possa ser julgada por palavras similares, deve ser no contexto de todo o ato de comunicação e, de acordo com seu gênero literário, no entanto, alguns termos peculiares também devem ser considerados no contexto da fé católica, uma vez que cada tradução dos textos litúrgicos deve ser equivalente com a boa doutrina".

Como explica o jornal vaticano L'Osservatore Romano, "a oração litúrgica deve adaptar-se à compreensão do povo, para ser plenamente vivida, com um estilo expressivo, fiel aos textos originários, mas capaz de comunicar o anúncio de salvação em qualquer contexto linguístico e cultural". Para tornar a colaboração entre a Sé Apostólica e as Conferências Episcopais mais fáceis e mais frutuosas neste serviço para os fiéis, o Papa Francisco criou a Comissão dos Bispos e Fundadores, fazendo a alteração de acordo com o que consta na Constituição Sacrosanctum Concilium, na Carta Apostólica Sacram Liturgiam, todos sobre o tema de traduções dos textos bíblicos e litúrgicos.


Na divulgação do Motu Proprio, o Sumo Pontífice autorizou a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos a modificarem suas próprias regras de acordo com a nova disciplina do Código de Direito Canônico e ajudar as Conferências Episcopais a realizar sua tarefa e trabalhar para promover, cada vez mais, a vida litúrgica da Igreja. Comumente, o Papa Francisco pede a oração dos fiéis ao fim de suas palavras. Atentos a isso, oremos para que a nova diretriz da norma da Igreja leve os textos sagrados ao povo de Deus com maior clareza, para que a Palavra encontre todos os corações.

REFERÊNCIAS

CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO. Promulgado por João Paulo II, Papa. Conferência Episcopal Portuguesa. 4. ed. Editorial Apostolado da Oração – BRAGA, 2007.

PAPA FRANCISCO. Carta Apostólica em forma de motu próprio "Magnum Principium". Roma 3. set. 2017.

27 de setembro de 2017

Eficácia do Método de Ovulação Billings

Por falta de conhecimento, muitos acreditam que o Método de Ovulação Billings é ineficaz

Estou aqui de volta para falar um pouco mais sobre o Método de Ovulação Billings. Desta vez, pediram que eu falasse sobre sua eficácia.


Foto: SIphotography by Getty Images

Permiti-me pensar na palavra eficácia e no que ela significa. Algo eficaz nos remete àquilo que promete ou que se espera que cause o resultado inicialmente pretendido. Nesses quase 20 anos como conhecedora do Método de Ovulação Billings, ouvindo as pessoas que me procuram para um atendimento, a pergunta que faço, já na entrevista inicial, é essa: "Qual é a sua motivação para aprender e utilizar o Método de Ovulação Billings, ou seja, quais são as suas pretensões, o que você espera?

Como protocolo de atendimento, essas motivações são divididas da seguinte forma

CF (Conhecimento da Fertilidade), ou seja, adolescentes e jovens que decidem reconhecer e ler os sinais do seu corpo para conhecer a sua fertilidade;

EG (Espaçar a Gravidez), ou seja, casais que, por motivos pessoais, no momento, querem espaçar os nascimentos e, geralmente, estão em algumas dessas situações: amamentando, querem interromper o uso do anticoncepcional ou ainda as que estão se aproximando da menopausa;

PG (engravidar), ou seja, casais que buscam, a partir do reconhecimento de sua fertilidade, obter uma gravidez.

Em todos os casos, o uso do Método ajuda essas pessoas ainda a monitorarem sua saúde reprodutiva. Realizamos, no Centro de Formação Famílias Novas, especializado no ensino do Método de Ovulação Billings, um relatório anual dos atendimentos realizados.


Eficácia do Método

Além da minha experiência pessoal e profissional, em que constato a eficácia do Método, segundo a Organização Mundial da Saúde, ele apresenta 98% de eficácia na maioria dos casos.

Comumente, escuta-se que o Método é ineficaz, mas isso se deve à falta de conhecimento sobre ele. Poucos profissionais de saúde possuem conhecimento profundo, apreciação e compreensão, e, geralmente, não prescrevem para seus pacientes.

Um dos motivos é que, nas Escolas de Enfermagem ou Medicina, a informação é escassa ou nula. No entanto, a natureza holística informativa e integrativa do Método de Ovulação Billings se ajusta bem à prática profissional da enfermagem e da medicina.

A maioria dos usuários estão altamente satisfeitos com o uso, sendo as razões principais de satisfação comuns o autoconhecimento, o não uso de medicamentos, a naturalidade e a efetividade.

O Método de Ovulação Billings cumpre aquilo que se espera dele

O Método de Ovulação Billings se baseia no reconhecimento da fertilidade mediante a percepção da sensação de umidade ou secura vulvar.

Pode ser utilizado em caso de ciclos regulares e irregulares. Requer do casal um período de aprendizagem com instrutores capacitados.

O autorreconhecimento da fertilidade e da infertilidade possibilita à mulher conhecer seus próprios padrões, sendo capaz de detectar uma gama de desordens ginecológicas.

Concluo dizendo aquilo que comprometeria a eficácia do Método de Ovulação Billings: a primeira coisa é a ausência do registro diário no gráfico; costumo dizer que quem não faz o gráfico a cada ciclo não pode se denominar usuária do Método de Ovulação Billings.

A segunda é a ausência de um instrutor qualificado para o acompanhamento, pois o Método NÃO é o da tabelinha, mas o que acompanha o Continuum Ovárico de cada mulher, e cada ciclo conta uma história diferente.

25 de setembro de 2017

O que fazer quando os filhos começam a sair de casa?

Os filhos crescem, fazem suas escolhas e começam a sair de casa

As mães, que tanto reclamam da correria com fraldas, mamadeiras, brinquedos e noites sem dormir por causa de doenças, criam, dentro de si, um desejo de que os filhos cresçam, para que possam ter tempo para si.


Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Quando crescem, as preocupações aumentam

Eles crescem e crescem rápido! Vem, então, a adolescência, e os pais se deparam com os problemas de escola, amigos e festas. Logo, descobrem que, quanto mais os filhos crescem, mais as preocupações aumentam. Vem o sentimento de impotência diante dos conflitos de um mundo que ensina tantas coisas aos filhos, mas que muito pouco tem a ver com os valores familiares.

Com os filhos adultos, as preocupações passam a ser com a escolha da profissão, das festas, bebidas, formaturas e casamentos. Os sentimentos dos pais para com os filhos vão muito além do cansaço, vivem também muitos momentos de alegria. Chega o dia, porém, em que os filhos crescem, fazem as suas escolhas e começam a sair de casa. É um momento importante e, às vezes, crucial na vida familiar. Pode ser uma mudança positiva, desde que considerada como uma oportunidade para dedicar mais tempo ao cônjuge, cuidar de si e da relação.


Difícil e doloroso

Dependendo, no entanto, de como é sentida a saída dos filhos, este momento pode, realmente, tornar-se difícil e doloroso, principalmente se o casal descobrir que construiu toda uma relação em função da vida deles. Nesse caso, a saída destes para construir a própria família ou por outras razões, deixa um grande vazio, e os pais se deparam com uma imensa solidão.

É um momento de reflexão, e não vale olhar no retrovisor do passado e pensar no "se tivesse", pois pensar que poderia ter agido diferente não vai mudar a situação; sentir-se culpada, porque não estudou ou não trabalhou, não vai ajudar em nada. É momento de olhar para o futuro e decidir o que fazer, o que não fez até hoje e recriar-se.
Como toda mudança, as pessoas são afetadas de forma diferente, dependendo das expectativas, dos projetos e do modo de ver essa transformação na vida delas. O ideal é aproveitar para redescobrir seu relacionamento conjugal e social. É hora de melhorar a qualidade de vida.

Realização dos novos projetos

Independente de ser fácil ou difícil, é necessário que os pais continuem a sua vida e, dentro do possível, realizem novos projetos. Lembrem que os filhos não abandonaram os pais, apenas estão seguindo o curso da vida. Isso vai ajudá-los a iniciar essa nova etapa de vida profissional, matrimonial ou missionária longe deles, de forma independente.
A distância se torna menor à medida que os filhos sentem vontade de estar com os pais não mais pela sobrevivência, mas pela alegria de estarem juntos. De modo geral, querem estar perto de pessoas felizes e realizadas.


Ângela Abdo

Ângela Abdo é coordenadora do grupo de mães que oram pelos filhos da Paróquia São Camilo de Léllis (ES) e assessora no Estudo das Diretrizes para a RCC Nacional. Atua como curadora da Fundação Nossa Senhora da Penha e conduz workshops de planejamento estratégico e gestão de pessoas para lideranças pastorais.

Abdo é graduada em Serviço Social pela UFES e pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e em Gestão Empresarial. Possui mestrado em Ciências Contábeis pela Fucape. Atua como consultora em pequenas, médias e grandes empresas do setor privado e público como assessora de qualidade e recursos humanos e como assistente social do CST (Centro de Solidariedade ao Trabalhador). É atual presidente da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos) do Espírito Santo e diretora, gerente e conselheira do Vitória Apart Hospital.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/familia/pais-e-filhos/o-que-fazer-quando-os-filhos-comecam-a-sair-de-casa/

22 de setembro de 2017

Nesta primavera, abra-se ao amor e seu seu jardim florirá

Primavera é tempo de doar-se

Na natureza, a vida renasce enquanto se doa, e conosco não é diferente. A primavera está batendo à sua porta, deixe-a entrar e viva-a concretamente, doando o que você tem de melhor sem reter para si as flores que foram geradas no inverno da vida.

-Nesta-primavera,-abra-se-ao-amor-e-seu-seu-jardim-florirá-Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Tenho pensado em viver a primavera de um jeito diferente este ano. Ao contemplar a natureza, percebo que preciso dedicar mais tempo ao cultivo das "flores" que um dia eu recebi. Os amigos, a família, e todas as pessoas que povoam minha vida são, na verdade, o maior tesouro que tenho. Elas são como as flores da primavera, demonstram sinais de etapas superadas, ciclos que se completam e, ao mesmo tempo, começam no eterno movimento, que é a vida! Quem já plantou uma semente e esperou os dias passarem para vê-la germinar, nascer e crescer, com certeza, sabe dar mais valor a um campo florido. E quem teve a coragem de passar pelo verão, outono e também pelo inverno, nos relacionamentos, sabe dar muito mais valor à primavera que o amor proporciona na alma!

O que a Palavra de Deus nos ensina?

A Palavra de Deus diz em Eclesiastes 3: "Há um tempo para cada coisa debaixo do céu… Tempo para plantar e tempo para colher o que se plantou". O problema é que temos tido muita pressa para colher, dedicado pouco tempo para plantar e menos ainda para cultivar o que um dia plantamos. Isso, em todos os sentidos, principalmente quando o assunto é amar. Sofremos as consequências do individualismo, onde a solidão lidera como uma das maiores chagas da humanidade. Falta afeto, respeito, companhia e dedicação, ou seja, falta amor! E onde falta amor, tudo perde o sentido. Só que o amor é exigente, e é por isso que poucos estão dispostos a amar de verdade!

A exemplo de um jardim, o amor carece de dedicação e cultivo constante para desabrochar em plenitude. E como temos andado com pressa para fazer mais, ganhar mais e mandar mais, mesmo sem perceber, estamos amando menos e vivendo menos também, porque amar é viver! Todo mundo sabe que jardim sem cultivo não oferece flores. E relacionamentos superficiais também não preenchem o coração.


Coragem de abrir-se ao amor

É preciso seguir o exemplo da natureza e, nesta primavera, abrir-se ao amor com coragem e disposição, sabendo que, nesta "aventura", não estamos sozinhos. Jesus, o Mestre do amor, veio até nós para nos ajudar a superar o medo de amar e nos encorajar a dar a vida se preciso for, mas, jamais, deixar de amar. Então, coragem! Deixe-se embalar pela beleza da primavera e abra-se ao amor! Sua vida é única e preciosa demais para passar despercebida por este mundo.

Aproveite todas as ocasiões para realizar ações ordinárias de modo extraordinário. Partilhe seu melhor sorriso, suas palavras, seu abraço e, principalmente, seu coração, sem perder um segundo sequer. Sendo assim, cada gesto seu, por mais simples que seja, será carregado de sentido e, cada instante, alegre ou não, será o momento mais importante, porque a vida acontece aqui e agora. Não tenha tanta pressa para colher os frutos do amor, pois o cultivo esconde uma grande satisfação. Semeei, cultive e espere. Em breve, seu jardim irá florir!

Tenha uma ótima Primavera!

20 de setembro de 2017

Como lidar com o ciúme entre os filhos

Qual família não vivenciou ou vivencia o ciúme do irmãozinho com os pais?

Nas conversas sociais, nos consultórios médicos ou psicológicos, os pais procuram saber como lidar com a situação do ciúme entre os irmãos. A resposta é que não existe receita pronta; no entanto, algumas dicas podem ajudar.


Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

O perigo da comparação

O comportamento dos pais pode acirrar o ciúme dos filhos à medida em que os comparam, mostrando os pontos fortes em relação aos fracos, porque eles são diferentes e possuem habilidades diferentes.

No lugar de comparar, mostre os pontos fortes de cada um, para que nasça uma admiração entre eles, reforçando a importância de um irmão na vida do outro, principalmente quando, além do parentesco, desenvolvem uma relação de amizade.

Quando nasce um irmão mais novo, o mais velho pode começar a ter comportamentos inadequados. Tenha cuidado para não exceder nos castigos, pois o que ele quer é chamar à atenção; e se ele não conseguir isso pelo lado positivo, o lado negativo passa a ser uma alternativa viável.

Atenção para aquele que é quieto, porque ele também precisa de atenção, apesar de não demonstrar. Sentimentos não trabalhados podem extrapolar em algum momento e de forma inadequada.

Uma das coisas que o mais velho quer é ter de volta a atenção que a chegada do outro tirou, por isso, reserve parte do seu tempo para curtir com ele o irmão caçula.

Outra dica é fazer com que ele participe do processo e se torne parceiro nos cuidados com o irmão mais novo, sem sobrecarregá-lo ou torná-lo responsável para uma tarefa da qual não se sente capaz.


Muita calma nessa hora

Muitos pais se desesperam com a briga entre irmãos. Muita calma nessa hora! É o tempo que eles têm para marcar seus espaços; porém, fique atenta às causas do ciúme. Se for preciso, intervenha, lembrando que a maioria dos atritos eles resolvem entre eles.

No momento que as brigas se tornam muito frequentes e acaloradas, canalizem as energias para o esporte, para atividades artísticas ou brincadeiras que reforcem o trabalho em equipe.

A maioria dos pais já escutou o filho perguntar se ele é adotivo, porque acha que o irmão é mais amado do que ele.

Não se culpe se tiver mais afinidade com um do que com o outro, mas isso não significa que ama mais ou menos. Os pais amam os filhos de forma diferente, respeitando a individualidade de cada um; contudo, é necessário o diálogo com eles, para que possa ser conversado o assunto e levantado os sentimentos.

Se eles apontarem a sua preferência por algum deles, observe seu comportamento para ver se procede, pois isso não pode acontecer.

A Bíblia nos mostra que, desde o início da humanidade, existia o ciúme entre os irmãos, pois Caim matou Abel, porque Deus "preferiu" as oferendas de um em detrimento do outro. O ciúme entre irmão, portanto, precisa ser trabalhado desde cedo, para que não vire inimizade.


Ângela Abdo

Ângela Abdo é coordenadora do grupo de mães que oram pelos filhos da Paróquia São Camilo de Léllis (ES) e assessora no Estudo das Diretrizes para a RCC Nacional. Atua como curadora da Fundação Nossa Senhora da Penha e conduz workshops de planejamento estratégico e gestão de pessoas para lideranças pastorais.

Abdo é graduada em Serviço Social pela UFES e pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e em Gestão Empresarial. Possui mestrado em Ciências Contábeis pela Fucape. Atua como consultora em pequenas, médias e grandes empresas do setor privado e público como assessora de qualidade e recursos humanos e como assistente social do CST (Centro de Solidariedade ao Trabalhador). É atual presidente da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos) do Espírito Santo e diretora, gerente e conselheira do Vitória Apart Hospital.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/familia/educacao-de-filhos/como-lidar-com-o-ciume-entre-os-filhos/

18 de setembro de 2017

Evangelização self-service, o que isso quer dizer?

O que você entende por evangelização?

Em muitos cursos bíblicos, neste mundo de meu Deus, costumo fazer uma pergunta, a qual estendo a você: "Quem aqui promove a evangelização?". Muitos, senão quase todos, levantam a mão. Então, vem a segunda pergunta: "Quando evangelizamos, pregamos a história de quem?". A resposta chega em forma de coro: "De Jesus!". A terceira pergunta é fácil: "E onde está escrita a história de Jesus?". "Na Bíííbliaaa", respondem.

-Evangelização-self-service,-o-que-isso-quer-dizer?-Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

A última pergunta é mais dura: "E quem aqui lê a Bíblia?". Geralmente, o pessoal cai na risada, mas a realidade é dura! Hoje, nossos cristãos estão perdendo o costume de orar com a Sagrada Escritura, e a verdade é que não há como evangelizar se não conhecermos a Palavra de Deus e nos relacionarmos com ela. Dedicar-se pela metade é morte certa!

Deus castiga?

Os Atos dos Apóstolos (At 4,36-5,11) contam uma história forte e muito catequética, por assim dizer. O texto apresenta Barnabé, um dos cristãos da primeira hora, originário de Chipre, que mostra seu apoio à Igreja, a qual nascia vendendo um campo e oferecendo o dinheiro aos apóstolos para dar sustento à evangelização. Sinal de verdadeiro amor! Então, aparece um casal daqueles bem complicados: Ananias e Safira. Eles também vendem uma propriedade, mas, na hora de oferecer o dinheiro aos apóstolos, dizem que oferecem tudo, mas o "colchão de casa" guardava uma parte do dinheiro. O filme não tem final feliz: os dois morrem por tentar enganar os apóstolos.

A narrativa é cheia de significados, mas, por favor, não pense que ela quer ensinar que Deus castiga, porque Ele é Pai de amor. A mensagem é mais profunda: quando nossa experiência com Ele abraça só uma parte de nosso coração, a morte é certa. Em termos bíblicos, se só conhecermos de Jesus umas poucas histórias e, nem sequer, lermos os quatro Evangelhos, acredite: chegará uma hora em que a espiritualidade começará a desfalecer.

O evangelizador self-service

É comum que, quando nos dedicamos pouco à leitura da Palavra, por preguiça, por falta de formadores ou tantas outras desculpas que possamos pensar, nossa evangelização fica um pouco "manca". Sabe por quê? Por que só sabemos falar de um par de passagens bíblicas que conhecemos: a parábola do filho pródigo, do semeador, as bem-aventuranças… É o evangelizador self-service, que escolhe só batata frita para comer, mas se esquece de alimentar a alma com o banquete completo do Reino! Na hora da dificuldade, a alma pede mais e, se a fé não tem sustento, começa a morrer.

Fica aqui um convite: Jesus falou do Reino de Deus com a vida e com Seus discursos. Para evangelizar, deixe-se alcançar por essa pregação do Senhor, alimente-se da Palavra de Deus, que faz com que nasça um encanto profundo com esse projeto do Reino. Disso, vem a conversão, que chega na alma e toca o coração com profundidade. Vai brotando, aos poucos, como boa semente, e cria raízes ao caminhar com Cristo pelas estradas do Evangelho e aprender com Ele como viver e ser feliz.

A cada página da Escritura, com amor ou correção, carinho ou exortação, vamos perdendo a imagem cinematográfica de Jesus e ganhando a imagem bíblica do Mestre, que ensina como ser cristão de verdade. Coisa que só quem perde a preguiça de doar-se pela metade para a evangelização consegue.

Fabrizio Zandonadi Catenassi
Mestre e doutorando em Teologia (PUCPR); professor de Sagrada Escritura (Católica SC); membro da diretoria da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica; assessora cursos bíblicos e retiros no Brasil e na América Latina.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/biblia/estudo-biblico/evangelizacao-self-service-o-que-isso-quer-dizer/

15 de setembro de 2017

Por que celebrar a Missa de sétimo dia?

Celebrar a missa de sétimo dia significa que fazemos parte do Corpo de Cristo

No santo sacrifício da Missa, sempre rezamos pelos defuntos. Geralmente, nas nossas paróquias, capelas e celebrações pelos meios de comunicação, já ouvimos, num comentário inicial, na oração da coleta e, principalmente na oração eucarística, alguém rezar pelos que morreram. Sempre rezamos pelos mortos e, de maneira especial, na Santa Missa.

Por que celebrar a missa de sétimo dia
Foto: Arquivo CN

O Catecismo da Igreja Católica, baseada em sua Tradição e na Bíblia, ensina a comunhão com os defuntos. "Reconhecendo claramente essa comunicação de todo o Corpo místico de Cristo, a Igreja dos que ainda peregrinam venerou, com muita piedade, desde os primeiros tempos do cristianismo, a memória dos defuntos; e, 'porque é um pensamento santo e salutar rezar pelos mortos, para que sejam livres de seus pecados' (2 Mac 12, 46), por eles ofereceu também sufrágios". A nossa oração por eles pode não só os ajudar, mas também tornar mais eficaz a sua intercessão em nosso favor.

«Todos os que somos filhos de Deus e formamos em Cristo uma família, ao comunicarmos uns com os outros na caridade mútua e no comum louvor da Santíssima Trindade, correspondemos à íntima vocação da Igreja (CIC 958-959)."


Reza-se pelos mortos, porque é bom e salutar, ou seja, é saudável não só pela ligação afetiva com aquela pessoa que partiu, mas é saudável porque cremos que fomos batizados em nome da Santíssima Trindade, portanto, fazemos parte do Corpo de Cristo. Por isso, rezamos por aqueles que partiram, para que, não tendo morrido totalmente santo, possa alcançar por nossas preces e pela misericórdia de Deus a vida eterna (CIC 1031-1032).

Reza-se pelo defunto, oferece-se algum sacrifício para que a alma alcance a purificação, e pela fé na ressurreição. Deus, em sua imensa misericórdia, purifica as almas, toma-as para o seu Reino. Por que, então, rezar por sete dias? Ou por que uma Missa de sétimo dia?

O número sete na bíblia

O número sete na Bíblia indica perfeição. Em sete dias, Deus criou o mundo (Gn 2,2). Na história de Noé, choveu por sete dias e, depois de sete dias, Noé soltou a pomba, e a ave trouxe um ramo de oliveira que indicava o fim do dilúvio (Gn 8,10). Em relação à morte, quando Jacó morreu, José fez luto de sete dias (Gn 50,10). Em relação a um sacrifício purificador, durante sete dias deveria se oferecer um sacrifício expiatório (Êx 29,36-37). A mulher grávida que tivesse o bebê, apenas no sétimo dia estaria purificada (Lv 12,2). O leproso, para ser considerado limpo, precisaria de sete banhos de purificação (Lv 14,7).

Nos Evangelhos, Jesus fez a multiplicação dos pães com sete (Mt 15,36). Ele disse a Pedro que se deveria perdoar setenta vezes sete (Mt 18,22). No episódio com a samaritana, ela havia tido cinco maridos e o sexto não era dela, mas ela encontrou o Sétimo, Jesus, que lhe deu água viva para beber (Jo 4,1-26). Sete indica perfeição, indica um percurso, perseverança; na oração por um falecido, também se reza pelo significado do sete, reza-se para que a alma seja purificada.

Histórico da Missa de sétmo dia no Brasil

Na realidade brasileira, reza-se ainda uma Missa de sétimo dia por causa da extensão territorial. Os parentes que não podiam chegar a tempo para velar o morto vinham depois de alguns dias; assim, a Missa de sétimo dia permitia que o parente distante pudesse estar com a família e rezar pelo defunto.

Por fim, reza-se a Missa de sétimo dia, porque desde o Gênesis havia o costume fazer luto pelos mortos, por outras passagens que falam dessa realidade de purificação da alma do falecido, reza-se devido à fé católica na ressurreição dos mortos, reza-se pela oportunidade de um parente distante estar com a família do falecido e rezar com a família. Reza-se uma Missa de sétimo dia para fazer alusão ao dia que o Senhor descansou. Rezar é ainda uma oportunidade para aqueles que ficaram, louvar a Deus pelo dom da vida daquele que partiu, rezar uma Missa de sétimo dia, para aqueles que ficaram, é uma oportunidade de pensar como está a própria vida.

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Padre Marcio

Padre Márcio do Prado, natural de São José dos Campos (SP), é sacerdote na Comunidade Canção Nova. Ordenado em 20 de dezembro de 2009, cujo lema sacerdotal é "Fazei-o vós a eles" (Mt 7,12), padre Márcio cursou Filosofia no Instituto Canção Nova, em Cachoeira Paulista; e Teologia no Instituto Mater Dei, em Palmas (TO). Twitter: @padremarciocn


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/por-que-celebrar-missa-de-setimo-dia/

13 de setembro de 2017

Oração pela cura dos traumas da gestação

Ironi Spuldaro rezou por todas os filhos que sofreram traumas na gestação

Rezemos pelos filhos que ainda estão no ventre materno e por aqueles que, durante a gestação, sofreram algum trauma.

"Vinde, Espírito Santo, sob a nossa alma e toda nossa história, desde a nossa concepção, gestação e nascimento, libertando todos aqueles que sofrem as feridas do ventre materno.

Que Jesus Cristo, neste momento, toque com Suas mãos benditas, os Seus filhos e filhas que sofreram traumas na gestação e que, muitas vezes, não foram desejados. Quebrai, em nome de Jesus, pela potência do Espírito Santo, toda essa negatividade que causa opressão, falta de sentido de vida, depressão, medo, pânico, espírito de morte. Afastai, eliminai todos esses males da mente e da alma desses filhos e filhas."

Oração pela cura dos traumas da gestacaoFoto: Arquivo CN

Pelas mães solteiras

Nós queremos orar pelas mães solteiras, as quais, muitas vezes, se sentiram sozinhas e abandonadas na difícil missão de criar seus filhos.

Aborto

Oremos para aquelas mães que tentaram abortar e por aquelas crianças que sofreram traumas na tentativa do aborto, e pelos filhos que foram rejeitados; agora, muitas coisas têm dado errado na vida deles.

Rejeição

"Cura, Senhor, todos esses traumas de rejeição. Pelo poder do Teu Sangue, fonte natural de cura e libertação, cura e liberta esses filhos de todas as feridas interiores, porque muitos filhos foram gerados sem que seus pais estivessem esperando aquela gravidez.

Cura, Jesus, todos os traumas desses filhos que não foram programados e, por isso, hoje, sofrem doenças espirituais, traumas e bloqueios; muitas vezes, eles não conhecem nem sua própria origem.

Cura, Jesus, todas as feridas de captação, porque muitos filhos e filhas nasceram com o sexo diferente daquilo que os seus pais pensavam. Cura, Senhor, todos os traumas que, hoje, bloqueiam e trazem feridas profundas na alma, na afetividade e sexualidade de um filho que nasceu com uma natureza diferente.


Cura dos sentimentos

Cura, Senhor, todas as feridas de morte. Quantos filhos e filhas se sentem vazios e trazem complexos de inferioridade, traumas, medos, fobia, ansiedades e neuroses em suas vidas, porque nasceram depois de um aborto, seja ele provocado ou natural por problemas de saúde. No entanto, ali ficaram os resíduos de morte. Elimina, Senhor, todas essas feridas de morte que estão sob esses filhos e filhas.

Senhor, nós Te pedimos para quebrar toda ferida de rejeição do ventre materno e curar esses filhos e filhas. Pelo derramamento do Teu Espírito, que esses filhos e filhas, que traziam esses traumas do ventre materno, sejam, agora, libertados e curados, e passem a ter vida nova e possam nascer de novo não mais da carne, mas agora do Teu Espírito.

Pai, restaura a mente, o coração e a vida desses filhos e filhas, para que, por Suas chagas e feridas, sejam curados de todas as heranças negativas do ventre materno, da rejeição, do desejo de abortar e daquelas situações financeiras que muitos pais enfrentam."

Liberte-se dos traumas

Eu, em nome de Jesus, levanto sobre você o estandarte sangrento do madeiro da cruz e ordeno que sejam desfeitas, agora, todas as feridas de programação, captação, de resíduo de morte que estavam sob o seu consciente e inconsciente, a fim de que você receba a cura. Que o batismo no Espírito Santo avive essa alma e restaure esse ser.

Que o Senhor o abençoe, hoje e sempre, em todos os teus caminhos, e, com o manto da Virgem Maria, guarde-te de todo mal.

Ouça a oração:

Ironi Spuldaro
Exerce o ministério de pregação em todo o Brasil e em outros países


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/cura-interior/oracao-pela-cura-dos-traumas-da-gestacao/

11 de setembro de 2017

Controle de natalidade, o que há por trás dele?

O controle de natalidade é direcionado aos países subdesenvolvidos

O controle de natalidade é uma questão bastante discutida em vários setores como sociedade como política, economia, antropologia, religião etc., e é um assunto um tanto polêmico. Essa polêmica está em torno do aumento populacional dos países pobres e a diminuição da população nos países ricos.

O que há por tras do controle de natalidade
Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Pesquisadores, estudiosos e cientistas do social apresentam relatórios que induzem o controle de natalidade. No entanto, esse controle é direcionado aos países subdesenvolvidos e não aos países desenvolvidos. Esses especialistas incentivam [o controle de natalidade], mas a prática é outra, ou seja, nesses países desenvolvidos ocorrem incentivos para que as famílias tenham mais filhos. Por isso, promovem uma guerra silenciosa especialmente direcionada aos países em desenvolvimento, com vistas a frear seu crescimento demográfico. Para isso, usam do eufemismo "desenvolvimento sustentável", que compreende políticas que terão como contrapartida toda e qualquer técnica contraceptiva e abortiva para frear o crescimento populacional.

Os "profetas" do "The Population Bomb" (A bomba populacional) e da "destruição" do mundo usam de um bombardeio de propagandas de que existe gente demais para o planeta e que essa "superpopulação" é a responsável pelo desequilíbrio ecológico e futura destruição da própria humanidade. Porém, sabe-se que as maiores violências contra o meio ambiente têm sua origem nas indústrias dos países desenvolvidos e a população consumista desses mesmos países.

Benefícios do aumento populacional

É verdade que, após 200 anos de desenvolvimento econômico, propiciado pela Revolução Industrial, a população mundial ganhou com a redução das taxas de mortalidade e o crescimento da esperança de vida. Porém, o crescimento da riqueza se deu à custa da pauperização do planeta e do aumento do abismo entre ricos e pobres. Pesquisas populacionais revelam que houve um aumento populacional, que começou no século dezoito e aumentou seis vezes nos 200 anos seguintes. Contudo, isso é um aumento, não uma explosão, porque, com esse aumento populacional, também houve aumento de produtividade, de recursos de comida, informação, comunicação e tecnologia.

Interesse por parte da sociedade em reduzir a natalidade dos mais pobres

Considerando que nos países subdesenvolvidos a taxa de natalidade aumenta a cada instante e que, nos países desenvolvidos, esse número reduz, a distribuição de renda fica mais concentrada, nos países subdesenvolvidos, nas mãos das pessoas com renda mais alta, enquanto os mais pobres quase não participam dessas conquistas, provocando uma elevada desigualdade da distribuição da renda. Por isso, existe o interesse de alguns setores da sociedade reduzir a taxa de natalidade dos mais pobres em vez de reduzirem os seus consumos por meio da partilha.


Acredito que a melhor análise já nos foi apresentada pelo Papa Francisco: "Em vez de resolver os problemas dos pobres e pensar num mundo diferente, alguns limitam-se a propor uma redução da natalidade. Não faltam pressões internacionais sobre os países em vias de desenvolvimento, que condicionam as ajudas econômicas a determinadas políticas de 'saúde reprodutiva'. Mas 'se é verdade que a desigual distribuição da população e dos recursos disponíveis cria obstáculos ao desenvolvimento e ao uso sustentável do ambiente, deve-se reconhecer que o crescimento demográfico é plenamente compatível com um desenvolvimento integral e solidário'.

Uma forma de não enfrentar os problemas

Culpar o incremento demográfico, em vez do consumismo exacerbado e seletivo de alguns, é uma forma de não enfrentar os problemas. Pretende-se, assim, legitimar o modelo distributivo atual, no qual uma minoria se julga com o direito de consumir numa proporção que seria impossível generalizar, porque o planeta não poderia sequer conter os resíduos de tal consumo. Além disso, sabemos que se desperdiça aproximadamente um terço dos alimentos produzidos, e 'a comida que se desperdiça é como se fosse roubada da mesa do pobre'" (Papa Francisco, Laudato sì, n.50).


Padre Mário Marcelo

Mestre em zootecnia pela Universidade Federal de Lavras (MG), padre Mário é também licenciado em Filosofia pela Fundação Educacional de Brusque (SC) e bacharel em Teologia pela PUC-RJ. Mestre em Teologia Prática pelo Centro Universitário Assunção (SP). Doutor em Teologia Moral pela Academia Alfonsiana de Roma/Itália. O sacerdote é autor e assessor na área de Bioética e Teologia Moral; além de professor da Faculdade Dehoniana em Taubaté (SP). Membro da Sociedade Brasileira de Teologia Moral e da Sociedade Brasileira de Bioética.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/bioetica/defesa-da-vida/controle-de-natalidade-o-que-ha-por-tras-dele/