20 de junho de 2018

O banquete dos miseráveis

É preciso alimentar-se

Um banquete só tem significado para quem tem fome. Os saciados não desejam a proximidade do alimento. A fome é o elemento chave para que possamos desejar e apreciar o banquete. Da mesma forma, o hospital não tem significado para quem está são. Somente os doentes carecem de hospitalização. Essa comparação é simples, eu sei, mas ela nos aproxima de uma verdade ímpar que Jesus fez questão de nos ensinar.

Foto Ilustrativa: Wesley Almeida / cancaonova.com

É desconcertante, mas a Eucaristia é o banquete dos miseráveis. Ela é o momento em que Deus se põe à mesa com os escórias da humanidade, com os últimos, os menos desejados.

Miseráveis, famintos, prostituídos, doentes, legítimos representantes da fome. Fome de pão, fome de beleza, de dignidade, de amor e companhia. Corações sufocados pela solidão do mundo, pelo descaso dos favorecidos e pela arrogância dos fortes.

A vida sem cuidados, mostrada nos olhos que já não sabem nutrir grandes esperanças. Olhares que nos fazem lembrar o olhar de Mateus, o olhar de Zaqueu, o olhar de Madalena. Olhares que não se sentem merecedores, e que já se convenceram de que estão condenados.
E então, a vida os surpreende com o sorriso de Deus, olhando-os nos olhos, dizendo que está feliz porque eles reapareceram, e que para comemorar esta alegria um banquete lhes foi preparado.

Roupas limpas, banhos demorados, coisa de quem não faz do amor um discurso teórico. O sabonete, o cheiro bom a nos recordar antigas esperanças.
Alegrias nas taças, toalha branca estendida sobre a mesa, o colorido que tem sabor agradável. O melhor vinho, a melhor música, o melhor motivo a ser comemorado. A ceia está posta.

E então eu me ponho a pensar… Recordo-me do quanto eu não sei viver a Eucaristia com essa mística. Penso no quanto sou seletivo ao pensar naqueles que Deus anda preferindo. E, então, hoje, nessa fração de tempo que passa, em que seus olhos se encontram com meu coração de padre, aqui, nesta tela fria de computador, eu fico desejando lhe convencer do quanto você é amado por Deus.

Ainda que seus dias sejam marcados pela rebeldia, pela derrota e pela queda, não desista! Religião só tem sentido se for para congregar, recordar a miséria como condição de nos tornar preferidos.


Deus quer cuidar de você

É simples de entender. Pense comigo: uma mãe geralmente tende a cuidar de forma especial do filho que é mais frágil. Concorda comigo? Pois bem. O que é frágil será sempre velado, cuidado e amado. Assim é você, um miserável que tem entrada garantida na última ceia de Jesus.

Não venha com muitos pesos. Traga apenas uma pequena lembrança para o Mestre que o espera. Uma florzinha, um pedacinho de doce, não sei. Você é criativo e saberá escolher melhor.

Que o presente seja pobre, pois assim você descobrirá que o maior presente que Ele pode receber é o seu coração de volta.
Combinados? Espero que sim.

O seu nome já foi chamado por Ele. Não o deixe esperando por muito tempo. A casa é a mesma. O endereço você já sabe!



Padre Fábio de Melo

Padre Fábio de Melo, sacerdote da Diocese de Taubaté, mestre em teologia, cantor, compositor, escritor e apresentador do programa "Direção Espiritual" na TV Canção Nova.

18 de junho de 2018

Deus é a resposta para os nossos questionamentos

Encontre em Deus a resposta para os porquês da vida

Digo-vos ainda isto: "Se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles" (Mt 18,19-20).

Por que eu perco todas as pessoas que amo?
Por que as coisas nunca dão certo para mim?
Por que eu estou passando necessidades?
Por que eu estou sofrendo?
Por que me sinto tão infeliz?
Por que eu fui traído?
Por que tive de passar por todas aquelas coisas quando era criança?

Deus é a resposta para os nossos questionamentos

Foto Ilustrativa: Paula Dizaró/cancaonova.com

Essas e outras perguntas levaram muitas pessoas ao desespero. Há momentos da nossa vida em que a dor é tão aguda, que nada parece responder às necessidades que temos.

Onde encontrar a resposta que faz calar o coração?

Nem sempre as perguntas podem ser respondidas com palavras. Há casos, cuja solução é humanamente impossível, como a morte de alguém ou uma doença incurável. Essa é a hora em que só Deus é a resposta.

A resposta pode ser um milagre. Ela existe! Mas cada pessoa precisa buscá-la pessoalmente, e o lugar do encontro é a oração. Deus pode e quer nos dar tudo do que necessitamos para sermos felizes. Se, muitas vezes, não recebemos, é porque não pedimos, porque temos dificuldade de acreditar que Ele nos atenderá.

Deus não nos quer atender se não tivermos a certeza de que seremos atendidos por Ele, mas "tudo é possível ao que crê".

Não há limites! Para Deus, tudo é possível. Se os nossos problemas nos superaram, não superam Deus. Se perdemos o domínio da situação, Deus não a perdeu. Ele é o Senhor de tudo e de todos.

O caminho é a oração

A oração é uma chave que abre as portas do Céu. Deus se comprometeu conosco e empenhou a Sua Palavra, já não pode voltar atrás. Ainda que os montes se abalem e as colinas mudem de lugar, Ele permanecerá fiel. Mesmo que passem o céu e a terra, Ele não abandonará você! Deus o ama e por isso lhe é fiel. Ele sabe do que você precisa e vem em seu socorro neste exato momento.

Não são poucas as pessoas que custam a crer que Deus vai ajudá-las; até acreditam que Ele é bom, acreditam também que é poderoso para fazer o que quiser. Pensam e aceitam que o Senhor fará bem a toda gente, mas não conseguem acreditar que o fará a elas. Na verdade, não se sentem amadas por Ele.


Se lhes perguntarmos por que, a resposta não demorará a vir: "Depois de tudo o que já fiz na vida, eu não mereço. Os meus pecados são muitos". A Palavra, no entanto, nos garante: "Se formos infiéis, ele continua fiel, e não pode desdizer-se" (2Tm 2,13b).

Ainda que tenhamos pecado, ainda que tenhamos caído na infidelidade, Deus continua ao nosso lado e nos convida a voltar para Ele, a fim de recebermos Seu amor. Ele veio para os pecadores e para os doentes, veio para quem precisa d'Ele.

E você, precisa de Deus?

O Senhor ama você e quer demonstrar o tamanho desse amor. Permita que aconteça! Aproxime-se d'Ele confiantemente, pela oração, e verá o que realmente é verdade. Vive bem quem reza bem!

Abra seu coração para ser amado e amar por meio da oração. Agora, é um bom momento para começar essa nossa caminhada de oração. E se você já começou a caminhar, será ainda melhor. Poderá lançar, mais profundamente, suas raízes no terreno fértil, úmido e quente de uma conversa amorosa com Deus.



Márcio Mendes

Nascido em Brasília, em 1974, Márcio Mendes é casado e pai de dois filhos. Ex-cadete da Academia da Força Área Brasileira, Mendes é missionário da Comunidade Canção Nova, desde 1994, onde atua em áreas ligadas à comunicação. Teólogo, é autor de vários livros, dentre eles '30 minutos para mudar o seu dia', um poderoso instrumento de Deus na vida de centenas de milhares de pessoas.

15 de junho de 2018

Você sabe como combater o pecado da impureza e viver a castidade?

O remédio para combater a impureza e a castidade

Dando continuação à nossa série de estudos sobre os pecados capitais, tomemos conhecimento, agora, do pecado da impureza e o remédio para combatê-la: a castidade.

Diz São Paulo aos Coríntios: "Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um de sua parte, é um dos seus membros" (ICor 12,27). Diz ainda: "Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo" (ICor 6,18). Com isso, podemos dizer que o pecado da impureza é grave, porque faz mal não só para quem o pratica, como também para todo o corpo místico de Cristo.

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Foto Ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

O apóstolo ainda diz: "Tomarei, então, os membros de Cristo, e os farei membros de uma prostituta? Ou não sabeis que o que se ajunta a uma prostituta se torna um só corpo com ela? Está escrito: 'Os dois serão uma só carne' (Gen 2,24)" (ICor 6,16). Vemos que, para Paulo, entregar-se à prostituição é o mesmo que prostituir o Corpo de Cristo. Diz professor Felipe Aquino, em seu livro 'Os Pecados e as Virtudes Capitais', que "essa é uma realidade religiosa da qual ainda não tomamos ciência plena; isto é, toda vez que eu peco, o meu pecado atinge todo o Corpo de Cristo. Essa é uma das razões pela qual nos confessamos com o ministro da Igreja, para nos reconciliarmos com ela, que foi manchada pela nossa falta".

Pecado da impureza

Jesus levou muito a sério o pecado da impureza. No Sermão da Montanha, quando ensinava ao povo, Ele disse: "Todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração." (Mt 5,27-28). Com essas palavras, Jesus quer ensinar que o pecado da impureza necessariamente deve ser cortado pela raiz, isto é, já nos pensamentos e imaginações. "É do coração que provém os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias." (Mt 15,19). Se o pecado da impureza não for cortado nos pensamentos, não tardará em se transformar em ato.

O pecado da impureza é vivido, muitas vezes, entre os casais de namorados e noivos. Começam a viver uma vida marital antes do sacramento do matrimônio. Não compreenderam que a "união dos corpos só tem sentido quando existe a união prévia dos corações e das almas, de maneira sólida e permanente, como se dá no casamento" (Felipe Aquino).

Como bem ensina professor Felipe Aquino, "o sexo é belo, mas fora do plano de Deus é um desastre, explode como uma bomba atômica. Desgraçadamente, a nossa sociedade promove o sexo acintoso, sujo, sem responsabilidade nem compromisso, e depois se assusta com as milhões de meninas grávidas, estupros, separações, adultérios etc".


Castidade

Papa João Paulo II: "A educação sexual, direito e dever fundamental dos pais, deve fazer-se sempre sob a sua solícita guia, quer em casa, quer nos centros educativos escolhidos (…). Nesse contexto, é absolutamente irrenunciável a 'educação para a castidade' como virtude que desenvolve a autêntica maturidade da pessoa, e a torna capaz de respeitar e promover o 'significado nupcial' do corpo." (Familiaris Consortio, n. 37).

Vale recordar o emocionante momento de São João Paulo II quando esteve nas Filipinas em janeiro de 1995. Haviam ali mais de 4 milhões de jovens para participar da Santa Missa celebrada em Manila. Para surpresa e, ao mesmo tempo, alegria do Papa, um grupo de aproximadamente cinquenta mil jovens entregou a sua santidade um abaixo-assinado contendo o compromisso deles em viver a castidade. O Papa ficou emocionado.

Em suma, "a castidade é a virtude que mais forma homens e mulheres de verdade, de acordo com o desejo de Deus, e os prepara para constituir famílias sólidas, indissolúveis e férteis. Mas, infelizmente, também nós católicos, por terrível omissão, permitimos que fosse arriada a bela bandeira da castidade. Ficamos mudos e calados diante abaixo, os horrores de um "sexo-livre", devasso e pervertido" (Felipe Aquino).

O remédio contra a impureza é a castidade. Devemos fugir de toda e qualquer ocasião de pecado. Diz o ditado popular: "a ocasião faz o ladrão". Não podemos abrir brechas para o pecado em nossa vida. Se abrirmos, ele entrará e destruirá nossa vida. Por isso mesmo, devemos dizer não a tudo que nos leva a pecar: filmes, livros, revistas, músicas etc. Uma coisa é certa, jamais viverá a castidade quem não vigiar o olhar, os pensamentos e as imaginações. Acima de tudo, evitar as ocasiões que podem levar ao pecado.



Elenildo Pereira

Candidato às Ordens Sacras na Comunidade Canção Nova. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP).  Bacharelando em Teologia pela Faculdade Dehoniana, Taubaté (SP) e pós-graduando em Bioética pela Faculdade Canção Nova. Atua no Departamento de TV da Canção Nova, no Santuário Pai das Misericórdias e Confessionários.

14 de junho de 2018

Para superar os desgovernos é preciso participação de todos

Governos e desgovernos

A vida de um povo depende muito da maneira como seus representantes e dirigentes governam, mas determinante é a força da participação cidadã nos rumos de seu país. Pode-se dizer que os sucessos de uma administração, ou o seu oposto, os desgovernos, são também de responsabilidade de todos os cidadãos. Afinal, cada pessoa é responsável por acompanhar, fiscalizar e contribuir com as ações de seus representantes.

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Foto ilustrativa: IltonRogerio by Getty Images

Essa participação do povo é processo complexo, pois exige investimentos educativos e culturais, para que as atitudes cidadãs sejam pertinentes e capazes de incidir nos processos de gestão. Uma qualificada participação popular não pode ser confundida com as configurações ideológico-partidárias que, não raramente, limitam-se à proliferação confusa de siglas, de conceitos equivocados sobre a realidade, com atitudes que beneficiam pequenos grupos, alimentando esquemas de corrupção que tanto prejudicam o bem comum.

A qualificada participação popular relaciona-se à profunda compreensão dos próprios direitos e deveres. Alicerça-se no reconhecimento da dignidade de todos. É incontestável a força que está no povo, capaz de promover grandes transformações, principalmente quando investimentos educativos enriquecem o tecido cultural de uma população. A cultura pode permitir ao povo estabelecer dinâmicas marcadas pela solidariedade, respeito mútuo e por um fecundo sentido de objetividade.

Consequentemente, reconhece-se o valor da vida e são reduzidos os índices de violência, por exemplo. Eis, pois, uma verdade: são necessários investimentos em processos educacionais para uma eficaz participação popular. Diante dessa verdade, causa particular preocupação o comprometido estado da educação na sociedade brasileira.

Investir em educação

Além do espantoso número de jovens que não têm a oportunidade de ingressar nos processos da educação formal, é alarmante a quantidade dos que já abandonaram as salas de aula. Percebe-se que o mundo da educação é um dos que mais são impactados pelos desgovernos, com pessoas despreparadas ocupando cargos de gestão. Mesmo diante de graves erros, insistem nos equívocos, preocupando-se apenas com a manutenção do próprio cargo. A incompetência aliada à falta de capacidade para uma autocrítica produz passivos. Corroem não apenas os funcionamentos institucionais, mas também causam um vício – a "síndrome da desconexão." O sintoma é a incapacidade para enxergar os males que certos processos causam na vida de organizações e indivíduos.

A cura para esse mal não é simples, demanda muito tempo. Por isso, instituições, não raramente, contam, em seus quadros, com profissionais de sólida formação conceitual e acadêmica, mas incapazes de exercer bem as suas atribuições. Desconectados da realidade, permanecem presos ao egoísmo, atuam de modo descompromissado com o bem comum. Por isso, as metas não são alcançadas e as soluções para os problemas nunca são encontradas. No lugar da inventividade e da inovação, contentam-se com a própria mediocridade. Assim, os desgovernos são consolidados.


Participação cidadã

A sociedade torna-se mais complacente com os medianos, e até se assusta quando surge alguém capaz de propor algo novo. A incompetência que se generaliza faz com que muitos passem a tratá-la como algo natural. E as terríveis consequências manifestam-se em diferentes âmbitos, a exemplo do campo político. O exercício da política, que deveria ser entendido como ação solidária, passa a ser percebido com desconfiança e rejeição. As pessoas se distanciam da tarefa de escolher bem seus candidatos, postura que é fruto dos desgovernos e, ao mesmo tempo, contribui para gerá-los. É importante reconhecer que a mudança social almejada depende da adequada escolha dos nomes que representarão o povo nos próximos anos. E isso depende da participação cidadã mais efetiva, do investimento nos processos educativos e culturais que consolidem atitudes orientadas pela solidariedade.

Na contramão da qualificada participação do povo, estão os descompassos gerados em muitos lugares, inclusive nas redes sociais. No ambiente digital, por exemplo, em vez de se aproveitar as oportunidades da tecnologia para criar conexões e formatar novos costumes, são propagados infrutíferos ataques pessoais. Ora, para construir uma sociedade melhor, é preciso que todos caminhem juntos, vencendo as diferentes formas de egoísmo. Isso significa abandonar radicalismos e a indiferença diante da exclusão social. Esses males atrapalham a qualificada participação cidadã, e o povo precisa combatê-los. Assim, encontrará lucidez para superar os desgovernos e, com a participação de todos, efetivar governos que priorizem a promoção do bem, da justiça e da paz.



Dom Walmor Oliveira de Azevedo

O Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, é doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Atual membro da Congregação para a Doutrina da Fé e da Congregação para as Igrejas Orientais. No Brasil, é bispo referencial para os fiéis católicos de Rito Oriental. http://www.arquidiocesebh.org.br

12 de junho de 2018

Saiba como conhecer e reagir positivamente no namoro

Como é possível nos conhecermos melhor no namoro?

Basicamente, o tempo de namoro serve para que uma pessoa conheça a outra, e então os dois saibam como reagir responder entre si dentro de um relacionamento. Como conhecer melhor seu namorado?

Num namoro, não basta apenas conhecer o amado no sentido de saber os gostos dele, saber definir suas habilidades e defeitos. Amigos se conhecem assim, familiares se conhecem assim, mas o namoro deve caminhar para que o casal tenha um vínculo afetivo tão grande, a ponto de ser único. Afinal, é exatamente isso que acontecerá se ambos chegarem a consolidar o matrimônio, pois, pela força do sacramento, eles serão uma só carne e uma só alma. E o namoro, naturalmente, proporciona tudo isso, que ambos se apropriem um do coração do outro no amor, pela livre opção do amado em se doar.

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Foto Ilustrativa: nd3000 by Getty Images

É claro que não se alcança toda essa cumplicidade de um dia para o outro. Deve-se respeitar as fases, o tempo, a gradualidade de cada coisa, a disposição interior que a outra pessoa tem em doar-se, em confiar cada vez mais no namorado e revelar o que ela é. Portanto, tudo parte do conhecimento entre o casal.

Vou citar quatro aspectos de como se dará esse conhecer o outro, e daí o bom relacionamento entre eles. Um detalhe: os quatro aspectos interagem entre eles, um funciona em vista do outro. Não dá para aplicar só um deles. É preciso analisar e praticar todos os quatro com atenção e zelo. Talvez pelas pessoas privilegiarem apenas um ou dois, e fazer "vista grossa" aos outros, é que seus namoros e casamentos vão mal.

Quatro pontos fundamentais para o conhecimento

1. Capacidade de diálogo

– "Não é simplesmente diálogo, pois capacidade de dialogar significa muito mais que o simples falar e ouvir, e diz respeito ao dom de compreender e interagir" (Livro: 'As cinco fases do namoro').

A pessoa tem de ser disposta a conversar, falar de si e também escutar sobre o outro. Devemos entregar aquilo que somos por meio da fala. Não tenha medo! Se você tiver muitos segredos, coisas que não gostaria de contar a ninguém, saiba que a melhor coisa do mundo é ser aceito por alguém que o ama independente dessas misérias pelas quais você possa ter passado. Então, pode começar contando as coisas mais leves e, conforme for sendo aceito pelo par, vai dizendo mais. Você precisa ter alguém que saiba tudo sobre você, em quem possa confiar.

– Nos entraves, nas discussões, o que deve prevalecer em nossos corações deve ser: os dois chegarem a um acordo satisfatório, em vez de só quererem ter razão e demonstrarem isso. Será a capacidade de diálogo que promoverá o acerto.

– "Nada de mentiras, informações parciais ou omissões. Ter uma informação e não a partilhar passa a funcionar como uma mentira para o parceiro, pois lhe negamos algo que poderia ser essencial em sua construção de pensamento sobre você e sobre o relacionamento" (Livro: 'As cinco fases do namoro').

– Não queira se expressar por meio de sinais. Exemplo: Se você está insatisfeito com algo, age friamente e dá respostas curtas. Se quer sair, arruma-se e fica esperando que o outro o convide. "Isso não funciona! Se sentir algo, fale; se pensar, expresse; se perceber reações diferentes, examine, pergunte. Se não entender da primeira vez, pergunte de novo. Saiba que as primeiras e as mais privilegiadas formas de comunicação são a fala e a escuta" (Livro: 'As cinco fases do namoro').

2. Vivência

– Veja se tudo o que ele relatou pelo diálogo é verdade ou se há, pelo menos, uma verdadeira disposição de viver o relato na prática.

Digamos que ele tenha dito que é amoroso e sensível, mas, na casa dele, é arredio, revoltoso e briga com seus familiares. (Aliás, entre os familiares da pessoa, é uma ótima ocasião para você ver quem realmente ele é). Disse a você que é perseguido no trabalho, mas, numa confraternização da empresa que você pôde participar, só o viu em "panelinha", falando mal dos outros colegas e praguejando a instituição.

A pessoa se diz honesta e idônea, cumpridora de seus deveres, mas avança sempre o sinal vermelho, gosta de levar vantagem e, continuamente, você fica sabendo de reclamações sobre ela nas instituições que frequenta.

Nem preciso dizer que você está sendo enganado, não é mesmo? Aquilo que a pessoa é de verdade acabará se manifestando uma hora ou outra no cotidiano dela. Não é porque você ama que deve "fechar os olhos" para tudo isso. Veja bem e seja sincero com você mesmo a esse respeito.

– Outro ponto da vivência é: envolva-se com as coisas dele. Queira fazer parte do dia a dia de seu par. Ajude-o quando puder no trabalho da faculdade, nos afazeres que talvez ele tenha em casa ou no trabalho extra. Será uma ótima oportunidade de ver como é o jeito dele em proceder e resolver as coisas.


3. Percepção

– "Tente reparar detalhes que escapam à fala, como situações que frequentemente fazem a pessoa que você ama ter as reações que você não entende, mas deseja compreender (…) Quanto mais conhecer seus anseios e planos, sua cultura, de onde veio, seus ritos e manias familiares, até sua história de vida e tudo o que passou e viveu, mais fácil será entender o que está por trás de seus gestos. A sensibilidade também é ferramenta da comunicação" (Livro: 'As cinco fases do namoro').

– Perceba também como seu amor se posiciona ao defendê-lo, se está ao seu lado quando você precisa e o quanto se preocupa e zela para manter o bom andamento do relacionamento. E mais uma vez, seja sincero com você mesmo ao analisar se ele é negligente com você e, consequentemente, com o namoro, pois, com certeza, não será uma boa companhia para toda a vida.

4. Amizade

– Apesar de namorados firmarem um compromisso muito mais íntimo do que a amizade, é imprescindível que ela exista dentro do relacionamento.

– Pela amizade fazemos uma escolha consciente pelo outro. "Sem a amizade não há algo além do "eros". Nenhum namoro sobreviverá apenas com a atração, com a paixão" (Livro: 'As cinco fases do namoro').

Não escolhemos por quem nos apaixonamos. Já, quando se constrói uma amizade dentro do namoro, temos condições de escolher, de continuar com o amado também pela razão. Que lindo quando uma pessoa pode dizer à outra: "Eu escolho, eu quero estar com você, porque já não estou sendo arrastado pelos meus sentimentos. Quando penso em nós dois juntos, vejo que me faz bem estar ao seu lado".

Existem muitos casais que estão juntos somente por considerarem o sentimento, pois não conseguem compreender um ao outro em coisas mínimas. Encontram-se para "beijos e abraços", mas cada um vive seus problemas. Quando houver dificuldades ou provações, a amizade fará aumentar a cumplicidade. "Estamos juntos nessa, tanto para os desafios quanto para as consequências ou os méritos".

Exemplo: "De que adianta a moça namorar um rapaz, mas dividir todos os seus segredos e sonhos, o que há de mais profundo nela, com uma amiga? Não! O casal precisa viver uma amizade especial e profunda. Ela pode até ter uma fiel confidente como amiga, mas o namorado precisa ser o maior e melhor amigo. Antes de chegarem ao noivado, um precisa saber tudo o que diz respeito ao outro. Afinal, futuramente, será com o parceiro que eles vão conviver, morar e construir uma vida juntos. Então, que comece, desde o namoro, a intenção de serem os melhores amigos" (Livro: 'As cinco fases do namoro').

Quem ama investe, preocupa-se em fazer acontecer o que promove o bem ao seu coração e ao da pessoa amada. Seja autêntico, seja sempre você mesmo, mostre sua alma e coração ao outro. Não tenha medo de renunciar a tudo o que atrapalha esses quatro aspectos, e, com certeza, vocês dois chegarão ao namoro, noivado e casamento felizes.

Deus abençoe!


 


Sandro Arquejada

Missionário da Comunidade Canção Nova, Sandro Arquejada é formado em Administração de Empresas pela Faculdade Salesiana de Lins (SP). Atualmente, trabalha na Editora Canção Nova. Autor de livros pela Editora Canção Nova, ele já publicou três obras: "Maria, humana como nós"; "As cinco fases do namoro"; e "Terço dos Homens e a grande missão masculina".

11 de junho de 2018

É possível perdoar a partir do sofrimento e das injustiças?

Após passar o sofrimento, é preciso aprender a descobrir o perdão

Uma de nossas reações mais comuns diante do sofrimento é a busca de justificativas e culpados para tais situações.

Não é fácil lidar com a dor, mais difícil ainda é enfrentar perdas e injustiças. Qual o pai que, ao perder seu filho em um assassinato não ficará revoltado? A dor humana é compreensível e não pode ser pormenorizada, porém, precisamos aprender a trabalhá-la em nós.

É possível perdoar a partir do sofrimento e das injustiças

Foto Ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Diante da injustiça, a mágoa e a revolta são consequências reais, contudo, a história nos revela que tais realidades são apenas consequências e não remédio.

A violência sempre gera somente mais violência, desencadeando assim um gradativo processo de disseminação do ódio, o qual nunca encontrará o seu final.

Mas como dar um fim a esse processo?

Para a violência se ausentar, é necessário que haja consciência de que um dos lados precisa ceder, perdoar.

Somos muito orgulhosos em consequência do pecado original enraizado em nós, e por vezes, contemplamos as situações somente a partir do ângulo de nossas próprias razões. Nunca queremos dar o braço a torcer, e sempre queremos ter a razão, e, muitas vezes, a temos mesmo. Porém, "amar significa perder para ganhar", perdoar é superar a própria razão por uma realidade mais nobre.


Por mais injustiçados que já tenhamos sido, a atitude mais racional diante de tal situação é o perdão. A mágoa nos torna pequenos e empobrecidos, além de nos causar inúmeras enfermidades de acordo com muitos dados científicos.

O portador do ódio é sempre o mais prejudicado. Quando estamos magoados pensamos na pessoa que nos causou essa mágoa durante 24 horas por dia, e acabamos por "aprisioná-la" dentro de nós. Aquele que alimenta o ódio enxerga somente a si mesmo, o seu sofrimento, fragmentando a própria existência e deixando de lado outras realidades essenciais.

Perdoar traz paz

Quem vive magoado não tem qualidade de vida, não tem paz. Perdoar é extinguir a trama de significações que o ódio produz em nós, e libertar-se para descobrir a beleza até mesmo na desventura.

Sei que em determinadas situações o perdão não é coisa fácil, porém, perdoar é questão de decisão e não de sentimento. A graça de Deus não nos desampara, ela está sempre pronta a auxiliar aqueles que querem verdadeiramente viver a reconciliação.

Não perca mais tempo, liberte-se da mágoa, porque existe muita vida para se viver, e muita alegria para se conquistar. Coragem!



Padre Adriano Zandoná

Padre Adriano Zandoná é missionário da Comunidade Canção Nova. Formado em Filosofia e Teologia, tem quatro livros publicados pela Editora Canção Nova e participação em dois CDs de oração e apresenta o programa "Pra ser Feliz"na TV Canção Nova.

7 de junho de 2018

Educação Sexual: assunto em família

O impulso sexual humano não pode ser reduzido à pura animalidade

Há muitos anos, temos sido bombardeados por uma lenta e paulatina "urgente necessidade" de que, segundo os líderes mundiais, os jovens tenham uma boa educação sexual. Com muita frequência, aparecem nos meios de comunicação estatísticas cada vez mais frequentes de casos de adolescentes e também meninas grávidas. Cada vez é mais alta a incidência de AIDS e outras enfermidades transmitidas sexualmente na população jovem.

Créditos: piola666 by Getty Images

Chegou às minhas mãos um livro grosso sobre o tema, intitulado "Guia para Capacitar a Saúde Sexual", cujos autores são a Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF). Este documento é muito perigoso. Ele apresenta a sexualidade como algo a que todo ser humano pode ter acesso, sem se importar se a prática é entre crianças, adolescentes, homossexuais; se as relações são extramatrimoniais ou pré-matrimoniais.

Em outros anexos, ensinam às crianças, graficamente, os íntimos detalhes das relações genitais, com o argumento de querer oferecer uma educação a favor do sexo seguro. Deus queira que não seja esta educação sexual que vão oferecer às crianças de nosso país. Seu conteúdo é imoral e agride o ser humano, considerando-o unicamente em seu aspecto sexual, esquecendo-se de um lado que, na realidade, é o mais importante: sua dignidade espiritual.

A importância dos pais no processo de educação sexual dos filhos

Diz o Papa João Paulo II que "os pais devem voltar a ocupar o papel principal na educação sexual de seus filhos até o ponto, adverte, que a formação que recebem fora de casa, em particular, não corresponda aos princípios católicos, devem retirá-los dos centros onde se dividem" (Sexualidade Humana, Verdade e Significado). A severidade de suas palavras não admite lugar a dúvidas. Algo muito grave está acontecendo com a educação sexual, para que o Santo Padre tenha tomado semelhante determinação.


O citado manual é enfático em exagerar no problema da superpopulação e nas enfermidades infecto-contagiosas. Ele não leva em conta o ser humano integral. Desconsidera o campo da moral e da espiritualidade, como se não fossem indispensáveis. Oferecem respostas equivocadas sobre sexo seguro, pois os tão propagados "preservativos", vêm crescendo uns 25%. É preciso dizer que se tem 25% de probabilidades de se adquirir AIDS com "preservativo".

A capacidade de pensar do homem e da mulher

O homem e a mulher não são como as demais espécies animais que povoam a Terra. Têm a capacidade de pensar, falar, de construir e, entre muitas outras coisas, algo muito importante: a capacidade de amar. A sexualidade humana é uma das formas mais expressivas de amor. Ela foi dada por Deus aos homens como regalo, para procriação, com gozo pleno.

Como pode um casal desfrutar plenamente de sua sexualidade quando os aterrorizam com a procriação? Os filhos são a maior bênção para um casal que se ama. Por que essa insistência de fazer-nos crer que os filhos são uma desgraça? Que grande tesouro têm as famílias quando são numerosas! Sabem amar, compartilhar, compreender, solidarizar-se com a dor alheia. Se fosse certo que a superpopulação é sinônimo de pobreza, o Panamá, que está praticamente despovoado, deveria viver folgadamente. Por outro lado, o Japão, país superpopuloso, estar morto de fome. E não é assim. A pobreza existe por causa das injustiças sociais, por falta de amor e compreensão entre os homens. Ali é onde mora o verdadeiro problema: no pecado social.

A obra do demônio, o assassino dos homens, é acabar com a humanidade. A sexualidade humana é um dos seus principais objetivos. Quer aniquilar o homem, ataca seu coração, fazendo com que as pessoas creiam que, unicamente importante entre os esposos é só o prazer físico. Utiliza o álcool, a droga e a pornografia, para levar o homem a planos meramente instintivos. Quer que os homens sejam como que animais, incapazes de resistir a um desejo puramente sexual.

A sexualidade está para além da busca pelo prazer físico

O homem e a mulher se denigrem quando fazem uso de sua sexualidade somente pelo prazer físico. Por isso, a grande maioria dos jovens que se deixam levar por essas práticas tem pouco apreço por si próprios. No fundo de seus corações, sabem que não está bem esse tipo de intimidade sem haver assumido a responsabilidade matrimonial.

O citado Manual de Educação Sexual parece ter sido escrito com a precisa intenção demoníaca: denegrir a sexualidade humana. Induzi-los somente ao prazer sexual, sem responsabilidades.

No momento em que o homem põe Deus de lado, é quando robustecem essas teorias totalmente antinaturais, criadas com o único fim de sugerir o sussurro da serpente, que, desde o drama do Paraíso, intenta buscar nossa destruição.

A questão da AIDS

Por último, quero insistir nas palavras do Santo Padre João Paulo II quando disse, em outro de seus parágrafos, que os pais devem rechaçar a promoção do chamado "sexo seguro", porque se trata de uma estratégia perigosa e imoral, baseada na ilusória teoria de que o "preservativo" pode ser uma proteção adequada contra a AIDS.

A instrução acerca da prevenção da AIDS não só é contrária à moral, mas também uma mentira que termina por incrementar a promiscuidade e as relações livres com a falsa ideia de segurança. Os pais, contra essa política, devem insistir sobre a continência sexual antes do matrimônio e a fidelidade no matrimônio como a única verdadeira e segura educação para a prevenção do contágio.

Fala também sobre o problema da masturbação, qualificando-a como desordem grave, ilícito em si mesmo, que não pode ser justificado; e sobre o homossexualismo, aconselha que se explique a diferença entre conceito de normalidade e anormalidade, de culpa subjetiva e de desordem objetiva, evitando instigar a hostilidade. (Sexualidade Humana, Verdade e Significado).

É por isso que devemos ter muito claro esse conceito de que, quando se fala de educação sexual, deve levar-se em conta corpo, alma e espírito de forma integral; e, assim, não se correr o perigo de deformar, em vez de formar a nossa juventude.

*IPPF: Organização Não Governamental, que realiza um trabalho mundial financiando os programas de Planejamento Familiar especialmente em países de terceiro mundo.

Artigo produzido pela Formação Canção Nova.

5 de junho de 2018

Luz da Fé: Sagrada Escritura, alimento e força para os filhos de Deus

Se a Palavra de Deus é alimento e força para nossa vida, o que acontece quando não fazemos uso dela?

Neste programa 'Luz da Fé', quero refletir com você sobre o número 104 do Catecismo da Igreja Católica, o qual nos ensina o seguinte:

104. Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra, incessantemente, seu alimento e sua força, pois nela não acolhe somente uma palavra humana, mas o que ela é realmente: a Palavra de Deus. "Com efeito, nos Livros Sagrados, o Pai que está nos céus vem carinhosamente ao encontro de seus filhos e com eles fala."

Foto ilustrativa: Luciano Camargo / cancaonova.com

Ao ensinar que a Igreja encontra, na Sagrada Escritura, seu alimento e força, "pois nela não acolhe somente uma palavra humana, mas o que ela é realmente: a Palavra de Deus", o Catecismo da Igreja nos recorda aquilo que está escrito em I Tessalonicenses 2,13: "Agradecemos a Deus sem cessar, porque, ao receberdes a palavra de Deus que ouvistes de nós, vós a recebestes não como palavra humana, mas como o que ela de fato é: palavra de Deus, que age em vós que acreditais". 

Esse acréscimo que I Tessalonicenses 2,13 traz sobre a Palavra de Deus é muito importante, pois age em vós que acreditais. Pois afirma que a Palavra de Deus é atuante, ou seja, a Palavra Divina age naquele que crê. E a Igreja nos ensina – através do Catecismo – que essa Palavra Divina, que age naquele que crê, é alimento e também força para cada um de nós.

No seu livro "A Bíblia no meu dia a dia", monsenhor Jonas Abib, ao falar sobre a Canção Nova, essa Obra de Deus que em 2018 celebra seus 40 anos de fundação, afirma o seguinte: "Nós nascemos da Palavra, da receita que se chamou 'A Bíblia foi escrita para você'. O que somos e fazemos, hoje, continua sendo resultado da Palavra de Deus trabalhada com afinco por meio dessa ferramenta que Deus pôs em nossas mãos".

Monsenhor Jonas nos ensina que a Palavra de Deus é ferramenta que nos orienta. O Catecismo da Igreja Católica, por sua vez, ensina-nos que a Palavra é alimento e força para nós.

O que você tem feito com a sua Bíblia?

Então, diante de tudo isso, permita que eu seja bem direto com você e lhe pergunte: O que você tem feito com a sua Bíblia? Em que local ela se encontra hoje? Ela está guardada dentro da gaveta? Escondida naquele "criado-mudo"? Sua Bíblia está juntando poeira em cima daquela estante? Veja: está na hora de você fazer uso da sua Bíblia, pois a Palavra de Deus é ferramenta, alimento e força para a nossa vida.


Ora, se a Palavra de Deus é alimento e força para a nossa vida, o que acontece quando não fazemos uso dela? Resposta: vamos ficando desnutridos e fracos na fé. Porém, não é a isso que somos chamados. Pelo contrário! Somos chamados a estarmos fortes e bem nutridos em Deus. Portanto, volto a lhe perguntar: O que você tem feito com a Palavra de Deus na sua vida? Questione-se!

Ao longo dessa semana, eu convido você a tomar nas mãos sua Bíblia (talvez empoeirada pela falta de uso) e começar a ler a Sagrada Escritura novamente. Mais ainda: faça o estudo bíblico diariamente, e você verá como tudo irá mudar na sua vida.

Um forte abraço!

Assista ao programa:


Alexandre Oliveira

Membro da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Alexandre é natural da cidade de Santos (SP). Casado, ele é pai de dois filhos. O missionário também é pregador, apresentador e produtor de conteúdo no canal 'Formação' do Portal Canção Nova.

30 de maio de 2018

Como Deus pode nos ajudar na construção da vida espiritual?

Deus investe na nossa santidade, através dos Sacramentos

Nestes próximos artigos da série Caminho Espiritual e as Moradas veremos como Deus, além de não nos deixar sozinhos na construção da vida espiritual, investe enormemente na nossa santidade fornecendo os meios necessários para a santificação.

Lembremo-nos que nas primeiras moradas que já refletimos, a Igreja ensina: "só quando os germes estranhos forem tirados do campo do nosso coração, as sementes da virtude podem ser convenientemente alimentadas em nós". Essa verdade, aqui registrada nas palavras do Papa São Leão Magno (Sermão XXXIX), nos lembra de que as primeiras moradas são o território em que nos defrontamos com nossas próprias falhas, vícios e paixões. Elas, via de regra, impedem nosso avanço espiritual e constroem aquela imensa fatia de cristãos que, embora fiéis à Igreja e professando uma fé verdadeira, não são tão exemplos de conduta e santidade.

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Foto Ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Ressaltamos que, Aquele que nos chama à santidade, não nos abandona no caminho, nem nos deixa sucumbir sobre um pesado fardo (Sl 54,23). Ele também não age com prepotência esperando que tenhamos corrigido plenamente nossa humanidade para depois nos presentear com dons e virtudes espirituais (Rom 5,6). Assim, estar em "estado de graça", após uma confissão válida, significa que Deus derrama sobre o batizado a Graça Santificante, ou seja, um organismo sobrenatural que nos torna capazes de ouvi-Lo e acatar a Sua vontade para nós. Claro que, como vimos nos artigos anteriores, nossas tendências desregradas e paixões cultivadas por muitos anos, acabam criando uma barreira à ação plena de Deus em nós. Somente com o avanço nas moradas e a retirada dos "germes estranhos" é que as "sementes da virtude" infundidas por Deus em nós, através da Graça Santificante, podem germinar e desenvolver-se com força.

Os Sacramentos que nos impulsionam

Um meio altamente eficaz de aumentar a Graça Santificante e, consequentemente, a recepção de virtudes e dons, é por meio dos Sacramentos. Para a vida espiritual, dois deles colaboram durante todo o percurso rumo à santidade e, também, fornecem um grande impulso para atravessar as primeiras moradas.

O Sacramento da Eucaristia é o mais sublime de todos os sacramentos. É o próprio Cristo em presença real. Chama-se presença real porque além da alma e divindade de Jesus, entramos em contato com o Seu Corpo e Sangue materiais. Temos plenamente Jesus em Sua divindade e humanidade. Isso não quer dizer que a presença de Cristo na comunidade, na oração particular ou na Palavra seja menos verdadeira, somente não tem essa conotação também material e, dessa forma, atua poderosamente no nosso corpo e materialidade.

Para o caminho de perfeição precisamos nos convencer cada vez mais desta certeza: ao comungar, temos um contato direto com Deus e, Ele mesmo, vem habitar em nós. Essa presença real aumenta enormemente a graça santificante e, quanto mais estivermos preparados, abertos e ansiosos por recebê-Lo, mais essa presença real será aumentada. É por essa disposição interior mais perfeita que duas pessoas recebem o mesmo Cristo e uma delas colhe frutos melhores e mais profundos. Assim, quanto melhor é a participação na Santa Missa, quanto melhor está preparado o coração de quem comunga, maior e melhor será a aquisição de graças.

Infelizmente é necessário lembrar aqui que, quem comunga em estado de pecado mortal, não só não recebe nenhuma dessas graças, como se condena acrescentando um novo e mais grave pecado: participar indignamente do Corpo e Sangue de Cristo (1Cor 11,29). Usando uma metáfora, aquele que comunga sem se confessar, atua como Judas Iscariotes e, sob a aparência de um gesto de amor, esconde uma traição.

A importância da Eucaristia

A Eucaristia repercute em nós como a oração; quanto mais, melhor. Mas, exatamente como a oração, a Eucaristia não pode ser um gesto mecânico, sob o risco de perder a eficácia. Assim, ir à Missa diariamente e comungar frequentemente por puro "hábito", sem atenção e reverência ao que se está fazendo, é um caminho certo para lugar nenhum. Pior, podemos desenvolver uma impermeabilidade à e uma insensibilidade aos nossos próprios pecados. Comungar, portanto, precisa ser sempre um ato consciente de fé e amor. Sendo assim, se for diário e bem feito, é melhor.

Outro ponto importante para o crescimento da vida espiritual com a Eucaristia é nos lembrarmos de sempre realizarmos uma completa e eficiente ação de graças após a comunhão. Durante o tempo em que as espécies ainda não se dissolveram no nosso organismo, temos em nós o Cristo, em uma união tão íntima como jamais poderíamos tê-Lo se Ele estivesse andando entre nós, como fez com o discípulos d'Ele. É o momento de amá-Lo e treinar esse contato com Ele. Sim, isso mesmo, treinar. Precisamos ter cada vez mais consciência desse contato e mantê-lo ativo em nós. É um treinamento porque, mais tarde, quando tivermos em adoração ou simples oração, precisamos nos lembrar de que estamos estabelecendo um verdadeiro contato com o Senhor e nesse novo contato, precisamos amá-Lo da mesma forma que O amamos na ação de graças após a comunhão.


Como relatado no artigo anterior, precisamos crescer e evoluir nos nove graus de oração até a santidade perfeita e, este artigo é uma espécie de caminho, equivalente o das Moradas, mas com outra divisão. É o contato com o Senhor na Eucaristia e o treino em amá-Lo durante essa presença real em nós, que nos prepara para o terceiro grau de oração: a oração afetiva. Nesse tipo de oração, mais do que falar com Deus (primeiro grau ou oração vocal), mais do que pensar em Deus (segundo grau de oração, oração mental ou meditação), precisamos amar a Deus cada vez mais e nos afeiçoar a Ele (oração afetiva). Esse grau de oração só é alcançado plenamente, nas segundas moradas. Mas é necessário uma prévia aqui, para que possa ficar claro a importância do Sacramento da Eucaristia nesse treinamento para um grau mais elevado de oração.

O padre Antonio Royo Marín, OP, lembra que, nunca expulsamos uma visita que recebemos na nossa casa. Esperamos que ela vá embora sozinha. E, se a amamos, se ela é importante para nós, se for uma alta autoridade, pedimos para que fique o máximo de tempo possível em nossa companhia. Do mesmo modo, ao receber Jesus na comunhão, não devemos sair correndo, começar a conversar ou nos distrair com qualquer coisa. A hora é de acolhê-Lo e amá-Lo o máximo de tempo que nos for permitido.

Os sacramentos que fortalecem a alma contra o pecado

O outro Sacramento que serve de impulso nas primeiras moradas é o sacramento da Reconciliação, da Penitência ou da Confissão. Já tratamos dele como condição fundamental para habitar o Castelo Interior da própria alma e avançar nas moradas rumo à santificação pessoal. No entanto, além de nos restituir a graça santificante com o perdão dos pecados mortais, ele tem uma outra ação eficaz na santificação: fortalecer a alma contra o pecado.

É fato que, mesmo com grande esforço para levar a vida espiritual com seriedade e desejo sincero de não errar, acabamos caindo e cometendo um pecado mortal. O Sacramento da Reconciliação, nesse caso, não só restabelece em nós a Graça Santificante, como também infunde uma fortaleza especial contra aquele pecado em particular. Assim, se ao cair, existir um arrependimento imediato e sincero; e, o mais breve possível, realizamos uma confissão válida, com verdadeiro desejo de conversão, também recebemos uma virtude infusa para nos tornarmos mais fortes diante daquele tipo de pecado.

Isso também é verdadeiro para os pecados veniais. Assim, embora não seja necessário confessar os pecados veniais, se mesmo assim os confessarmos com o sacerdote, o Sacramento da Reconciliação nos ajuda a nos livrarmos mais rapidamente do risco de voltar a cair nesses mesmos pecados. Os que se confessam regularmente, experimentam esta eficácia: as quedas (no mesmo tipo de pecado) tornam-se cada vez mais espaçadas, até que tornam-se raras e desaparecem.

Nas primeiras moradas vimos que devemos combater os dois vícios principais: a ira e a concupiscência. A utilização frequente do Sacramento da Reconciliação, focando principalmente em todos os pecados dessas áreas, mesmo os veniais, ajuda a rapidamente vencê-los e a desenvolver solidamente a virtude da paciência e a virtude da temperança.

Na via ascética, embora pareça que todo o esforço para sermos santos parte de nós, fica evidente que Deus atua com todos os meios possíveis para nos santificar e nos renovar segundo a imagem daquele que Ele enviou (Cl 3,9). Aqui vimos, detalhadamente, os dois sacramentos: a Eucaristia e a Reconciliação. Nos próximos artigos desta série "Caminho Espiritual e as Moradas", veremos como as três virtudes teologais devem ser vividas e aumentadas nas primeiras moradas. Logo depois, veremos como os dons do Espírito Santo se apresentam e se desenvolvem em nós, um após o outro, seguindo uma ordem bem clara e sucessiva, para nos levar até as segundas moradas.



Flávio Crepaldi

Flavio Crepaldi é casado e pai de 3 filhas. Especialista em Gestão Estratégica de Negócios, graduado em Produção Publicitária e com formação em Artes Cênicas. É colaborador na TV Canção Nova desde 2006 e atualmente cursa uma nova graduação em Teologia com ênfase em Doutrina Católica.

28 de maio de 2018

Um compromisso para toda a vida

Conseguiremos levar a cabo a fidelidade de um compromisso por toda nossa vida quando nos empenharmos em ser melhores

A ideia do compromisso eterno pode nos provocar calafrios. Como poderíamos medir o infindável se nossa percepção de tempo está compreendida dentro de um calendário, montado e definido por homens, com 365 dias e formatados em 24 horas?

Foto ilustrativa: Paula Dizaró / cancaonova.com

Ficamos surpresos em conhecer casais que, numa idade em que a vitalidade de suas vidas esteja apoiada por muletas, ainda celebram suas bodas. Acreditar que nossos relacionamentos durarão por toda uma vida pode até nos trazer um sentimento de impossibilidade ao seu cumprimento, quando deparamos com a vulnerabilidade de nossa natureza humana. Conscientes de nossa fragilidade, entendemos que jamais poderíamos por nós mesmos atingir este objetivo, ainda que fosse por um período pré-determinado por homens e regido por um contrato.

Muitas pessoas se casam na expectativa de nunca viverem crises conjugais ou acreditam que jamais terão problemas com filhos ou amigos. Atritos, nem sempre leves, acontecerão na vida em família e em todas as outras esferas de nossos relacionamentos. E o desejo de rescindir o compromisso assumido não passará longe de nossas considerações quando emergirem as tensas dificuldades.

Dar um novo sabor à relação

Defrontamos com algumas situações de convivência que exigem de nós empenho e coragem para continuarmos a viver o propósito assumido, especialmente quando parecem estar sem sabor ou impossíveis de serem sustentadas. Nessas ocasiões, poderíamos apenas tolerar o outro para manter uma aparência favorável, mas estaríamos longe de um vínculo verdadeiro, digno daqueles que realmente se esforçam para ser melhores.

Uma cozinheira, como se não estivesse contente com aquilo que comumente faz, não hesita em acrescentar um condimento especial, seguindo sua intuição em querer fazer melhor uma determinada receita. Em nossas vidas, de maneira semelhante, devemos estar sempre prontos a realizar algo diferente do que a maioria normalmente tenderia a fazer. Acreditar que poderá surgir um novo sabor na relação vivida, mesmo depois de atritos, seria o "condimento especial" da eterna reconciliação à qual deveríamos acrescentar na receita da boa convivência.


Alguns poetas, lançando mão da liberdade da escrita e na tentativa de escapar do compromisso exigido por um relacionamento dinâmico e vivo, enquadram o sentido do eterno à fragilidade dos sentimentos fugazes, como justificaria Vinicius de Moraes: "Que seja eterno enquanto dure…"

Entretanto, diante da convidativa proposta de nossa fragilidade, precisamos lembrar que somente poderia nos propor a condição de um compromisso eterno Aquele que por natureza o é; e que tem o domínio de todas as coisas, inclusive de nossa limitada e débil natureza. Portanto, conseguiremos levar a cabo a fidelidade de um compromisso por toda nossa vida, quando nos empenharmos em querer ser melhores e depositarmos a confiança em Deus que nos capacitará para assimilarmos e ultrapassarmos os golpes contrários que surgirão com relação a esse propósito.

Deus abençoe.



Dado Moura

Dado Moura trabalha atualmente na  Editora Canção Nova, autor de 4 livros, todos direcionados a boa vivência em nossos relacionamentos. Outros temas do autor estão disponíveis em www.meurelacionamento.net twitter: @dadomoura facebook: www.facebook.com/reflexoes

25 de maio de 2018

Confie, sempre existe uma Palavra para cada momento

'Não só de pão é que se vive, mas de toda palavra que sai da boca de Deus'. (Mt 4,4)

Essa é a resposta de Jesus à primeira das três tentações que ele sofreu no deserto, depois de ter jejuado "quarenta dias e quarenta noites". E é a mais elementar das tentações, a fome. Justamente por isso, o tentador aproveita a ocasião para propor a Jesus que se utilize de seus próprios poderes para transformar as pedras em pão. Que mal existiria no fato de satisfazer uma necessidade própria da condição humana? Jesus, porém, percebe a armadilha que está por trás daquela proposta: a sugestão de instrumentalizar Deus, pretendendo que Ele se coloque somente a serviço das nossas necessidades materiais. No fundo, o tentador quer levar Jesus a uma atitude de autonomia e não de abandono filial ao Pai. Eis, portanto, a resposta de Jesus, que é também uma resposta a todos os nossos porquês diante da fome no mundo, e também à reivindicação cada vez mais dramática de milhões de seres humanos que necessitam de alimento, de casa, de roupas. Ele, que alimentará as multidões com o milagre da multiplicação dos pães, e que fundamentará o juízo final também no ato de dar de comer aos que têm fome, nos diz que Deus é maior que a nossa fome e que a sua Palavra é o nosso principal e essencial alimento.

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Foto ilustrativa: 4maksym by Getty Images

"Está escrito: 'Não só de pão é que se vive, mas de toda palavra que sai da boca de Deus'."

Jesus apresenta a Palavra de Deus como pão, como alimento. Este pensamento, esta comparação de Jesus nos ajuda a entender como deve ser o nosso relacionamento com a Palavra. Mas, afinal, como podemos nos alimentar da Palavra? Se, antes de ser o que é, o grão é semente, depois se torna espiga e finalmente pão, assim a Palavra é como uma semente plantada em nós que deve germinar; é como um pedaço de pão que é comido, assimilado, transformado em vida da nossa vida.

A Palavra de Deus, o Verbo pronunciado pelo Pai e que se encarnou em Jesus, é uma presença de Deus entre nós. Cada vez que acolhemos e procuramos colocar a Palavra em prática é como se nós nos alimentássemos de Jesus. Se o pão nos alimenta e nos faz crescer, a Palavra nos nutre e faz crescer o Cristo em nós, nossa verdadeira personalidade. Uma vez que Jesus veio à Terra e se fez nosso alimento, não pode ser mais suficiente um alimento natural como o pão. Precisamos do alimento sobrenatural que é a Palavra para crescer como filhos de Deus.

"Está escrito: 'Não só de pão é que se vive, mas de toda palavra que sai da boca de Deus'."

A natureza deste alimento – a Palavra – é tal que se pode dizer dele o que se diz de Jesus na Eucaristia que, quando dele nos alimentamos, ele não se transforma em nós, mas somos nós que nos transformamos nele, porque somos, de certo modo, assimilados por ele. Portanto, o Evangelho não é um livro de consolação onde nos refugiamos unicamente nos momentos dolorosos, mas sim o código que contém as leis da vida, leis que não devem ser apenas lidas, mas assimiladas, "comidas" com a alma e, assim, elas nos fazem semelhantes a Cristo em cada momento da vida. Podemos nos tornar outros Jesus atuando plenamente e ao pé da letra a sua doutrina. As suas Palavras são Palavras de um Deus, cheias de uma força revolucionária, inimaginável.

Logo, devemos nos alimentar da Palavra de Deus. E, assim como hoje o alimento necessário para o corpo pode ser concentrado numa única pílula, também nós podemos nos alimentar de Cristo vivendo a cada momento uma única Palavra do Evangelho, porque em cada uma de suas Palavras Jesus está presente. Existe uma Palavra para cada momento, para cada situação da nossa vida. E é a leitura do Evangelho que poderá nos revelar cada uma delas. Então, por amor a Deus, vivamos agora o amor ao próximo que é um concentrado de todas as Palavras.

Fonte: www.focolares.org.br


23 de maio de 2018

Qual é a natureza da virtude da religião para nós cristãos?

Essa virtude nos aproxima do encontro pessoal com Deus

A natureza da virtude da religião é sobrenatural: é uma virtude moral, que nos inclina à vontade de prestar a Deus o culto que lhe é devido, por causa da sua excelência infinita e do seu supremo domínio sobre nós.

Foto ilustrativa: Wesley Almeida

É uma virtude anexa à virtude da justiça, por nos fazer prestar a Deus o culto que lhe é devido. É justo, tanto quanto possível à nossa natureza, prestar o culto mais perfeito a Deus.

É uma virtude distinta das três teologais, cujo objeto direto é Deus, ao passo que o objeto próprio da religião é o culto de Deus, tanto interno como externo. No entanto, ela precisa da virtude da fé, que nos ajuda iluminando acerca dos direitos de Deus. Quando é informada pela caridade, a virtude da religião acaba por ser uma manifestação das três virtudes teologais. Seu objeto formal ou motivo é reconhecer a excelência infinita de Deus, nosso primeiro princípio e último fim, o Ser perfeito, o Criador de que tudo depende e para o qual tudo deve gravitar.

Como praticar a virtude da religião?

Pelos ​atos internos, submetemos a Deus a nossa alma, em todas as nossas potências, sobretudo a inteligência e a vontade.

Um desses atos internos é a ​adoração​, que prostra inteiramente todo nosso ser diante daquele que dá o ser a todas as coisas. Na adoração, cultivamos a admiração respeitosa diante de Suas infinitas perfeições. Outro ato interno é a nossa ​gratidão​ Àquele que é a fonte de todos os bens que possuímos. Outro ato interno é a penitência​ que repara a ofensa cometida. Por fim a ​oração​, onde buscamos Seu auxílio para fazer o bem.

Veja que é preciso vigiar, para que o nosso relacionamento com Deus não seja somente uma pedição sem fim, por curas, milagres, graças e libertações. A virtude da religião, para crescer em nós e nos ajudar a crescer em uma intimidade com Deus, precisa ser, antes, uma vivência de amor a Deus, e não de pedições, onde a maioria de nós se afasta de Deus tão logo alcançada a graça pedida.

Os ​atos externos se manifestam a partir dos internos, onde podemos atingir expressões mais perfeitas.

Incontestavelmente, o maior de todos os atos externos é o santo sacrifício da Missa. Ato externo e social, pelo qual o sacerdote oferece a Deus, em nome da Igreja, uma vítima imolada, para reconhecer o seu supremo domínio, reparar a ofensa feita a sua Majestade e entrar em comunhão com Ele. Juntamente à Missa, as preces públicas em nome da Igreja por seus representantes.
Outros atos externos são o Ofício Divino;, as bênçãos do Santíssimo Sacramento, as orações em particular, os juramentos e votos feitos com discrição em honra a Deus, dentro das condições dos tratados de teologia moral.

De tudo isso, pode-se concluir que a virtude da religião é a mais excelente das virtudes morais.


Necessidades da virtude da religião

Estamos numa completa e inteira dependência de Deus. Uma vez que Ele criou todas as coisas do nada, para elas permanecerem existindo, é necessário que Ele as mantenha existindo. Sem Ele, nossa existência termina imediatamente. Ele nos conserva e ajuda com Sua graça. Por causa disso, devemos dar-lhe glória todo o tempo! É dever do homem, e tão somente dele, capacitado de intelecto e de razão, louvar o Criador em nome de toda a criação. É dever do sacerdote, justamente por sua posição e missão entre os homens, dar a Deus aquilo que nós, envolvidos e perdidos no meio secular, fazemos de modo imperfeito: glória e adoração a Deus.

Meios para a prática da virtude da religião

O primeiro passo para a vivência da virtude da religião, para alcançar um avanço espiritual, é pedir a fé a Deus insistentemente, de manhã, de tarde e de noite. "Senhor, aumenta a minha fé!" É graça dada tão logo é pedida. Outro passo é permanecer em estado de graça. Para isso, é preciso evitar ao máximo os pecados graves. E se caso venha a cometê-los, buscar a confissão sacramental imediatamente.

É preciso cultivar a devoção. É a disposição habitual da vontade que faz com que nos entreguemos pronta e generosamente a tudo quanto é do serviço de Deus. Em última análise, uma manifestação do amor de Deus. É assim que a religião se liga à caridade. Para exercitar bem a virtude da religião, é fundamental observar as leis de Deus e da Igreja. Evitar as distrações e perdas de tempo nos divertimentos mundanos, dos devaneios inúteis (TV, internet). Eles causam em nós a distração na oração e a falta de atenção em Deus. Devemos buscar o recolhimento antes e durante a oração.

Cultivar um sentimento profundo, misto de respeito e temor, onde reconhecemos Deus como nosso Criador e Mantenedor, supremo Senhor, do qual em tudo dependemos d'Ele. Amar em tudo ao Pai amabilíssimo e amantíssimo, que nos adotou por filhos e não cessa de nos envolver em Sua ternura paternal. Daí, brotam a admiração, ação de graças, o louvor. Procurar glorificar o Pai com a nossa vida, mesmo em meio aos sofrimentos e em tudo contentar a Deus. Procurar atrai-Lo e dar-nos a Ele, para que, em nós, conosco e por nós a virtude da religião seja praticada.

Deve-se viver em espírito de sacrifício, crucificando prontamente as tendências da natureza corrompida e obediência prontamente às inspirações da graça. Para isso, importante nos é pedir a Deus a graça de saber mortificar as nossas más inclinações: jejuns, abstinências, sofrimento com confiante alegria, caridade para os necessitados, esmola e perdão. Então, todas as nossas ações agradarão a Deus e serão outras tantas hóstias, outros tantos atos de religião, louvando e glorificando a Deus, nosso Criador e nosso Pai. Por esse meio, proclamamos praticamente o tudo de Deus e o nada da criatura, já que imolamos até as últimas parcelas todo o nosso ser, todas as nossas ações à glória do nosso supremo Senhor.

21 de maio de 2018

Síndrome espiritual da macrocefalia e microcardia

Você sabe o que é a síndrome espiritual da macrocefalia e microcardia?

Macrocefalia e microcardia espiritual, a doença do século XXI. As pessoas têm crescido em conhecimento, porém pouco em sabedoria. Possui uma mente grande para armazenar conhecimento e informações. Porém, um coração pequeno e insensível às necessidades dos outros. Descreve o Evangelista São Lucas que "Jesus ia crescendo em sabedoria, tamanho e graça diante de Deus e dos homens" (Lc 2,52).  Sendo Jesus o modelo por excelência para todos os homens, podemos nele nos inspirar e seguir.

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Foto ilustrativa: kaelhser by Getty Images

São Lucas é categórico, afirma que Jesus crescia em sabedoria, tamanho e graça diante de Deus. A sequência das palavras são significativas. O crescimento em sabedoria antecede os demais, vem por primeiro. Isso para expressar que o homem deve ser cheio de sabedoria antes de qualquer coisa. Crescer em estatura, mas não em sabedoria, isto consiste em um desajuste, em uma deformação.

Jesus é o modelo do crescimento completo e integral de todos os homens. Na sequência das palavras, o ultimo crescimento é em graça diante de Deus. Ou seja, quem cresce em sabedoria e em estatura, cresce de forma harmônica, consequentemente será cheio da graça de Deus.

Em nenhum outro tempo o mundo teve acesso a tantas informações e conteúdos diversos. Assuntos de religião, política ou economia. Livros impressos ou digitais. São inúmeras as facilidades para obter conhecimento. Desta forma, o ser humano tem se tornado conhecedor de quase tudo. Através da técnica tem buscado explorar a natureza e tornar a vida humana menos pesada. Por outro lado, também é verdade que as pessoas têm perdido a sensibilidade com o próximo e pensado somente em si. Isso significa que elas têm crescido em conhecimento mediante as informações recebidas, mas não têm crescido em sabedoria, fruto do Espírito Santo. A sabedoria está ligada às necessidades do coração. O amor ao próximo, a  solidariedade, o perdão… Todos esses são atributos do coração.


É por isso que nossa sociedade tem adoecido e se deformado pela síndrome da macrocefalia e da microcardia, isto é, cabeça grande e coração pequeno. Meus irmãos é preciso sim, crescermos em conhecimento. Porém, não podemos esquecer que é preciso também, crescer em sabedoria e Graça diante de Deus. Não seja uma pessoa deformada. Se crescer a cabeça, não esqueça de aumentar da mesma forma o coração.



Elenildo Pereira

Candidato às Ordens Sacras na Comunidade Canção Nova. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP).  Bacharelando em Teologia pela Faculdade Dehoniana, Taubaté (SP) e pós-graduando em Bioética pela Faculdade Canção Nova. Atua no Departamento de TV da Canção Nova, no Santuário Pai das Misericórdias e Confessionários.