11 de junho de 2008

Saudades...

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Sinto saudades de muitas coisas: situações e pessoas

Saudade, sentimento tão falado e cantado em prosa e verso. Que vai nascendo devagarinho no coração daqueles que amam.

Sinto saudades de muitas coisas: situações e pessoas. Mas hoje, vou contar-lhes a minha vivência em relação à saudade de uma filha que saiu de casa para estudar.

Neste momento, passam-se "flashs" de situações que vivemos juntas: a gravidez tranqüila, o nascimento – dor que explode em alegria - , a ansiedade da mãe desajeitada dos primeiros meses, os primeiros passos, as crises de bronquite, o primeiro dia no maternal, o nascimento da irmã, as mudanças de casa e de cidade, as brigas com a irmã, seu carinho com os pais e avós, a 1ª menstruação, as "festas" com os amigos, o primeiro namorado, a orientação vocacional, os vestibulares, a espera do resultado, o enfim... "passei", a "arrumação" das coisas, o dia da partida,....

Como bons pais fomos levá-la, deixamos milhares de recomendações e etc. Já ao entrar no carro para voltar para casa, olhei para trás e cadê ela? Pensei: tudo bem é só por um tempo. A viagem foi calada. Creio que seu pai assim como eu, veio rezando para Deus não desamparar-nos neste momento, para protegê-la e todas aquelas orações que pais que amam sabem fazer.

Cheguei em casa e o mesmo ritmo de vida continuou, isto é, uma "correria". Mas, em alguns momentos, passando por seu quarto, vendo uma peça de roupa sua, à mesa para o almoço, encontrando com suas colegas, a lembrança vinha tão forte que parecia como um soco no estômago, aí eu pensava: como ela está? Será que comeu? Está dormindo bem? Não ficou doente? E a rinite alérgica? Está gostando do curso, da casa, das colegas? Nas conversas pelo telefone tudo era respondido, mas dentro de mim ficava uma tristeza tão grande depois que desligava o telefone; então compreendi que era saudades e que precisava diferenciar as preocupações da saudade. A preocupação sempre existiu e sempre vai existir e só alivia quando se tem confiança em Deus.

Mas, a saudade deixa um buraco no coração, é como se algo faltasse e nada nem ninguém diferente dessa pessoa pode preencher. O lugar dela está ali e é só ela quem cabe naquele espaço.

Compreender isso me ajudou a lidar com a saudade, pois entendi que quem ama sofre e sofre muito mais de saudades. Mas o amor é maior que tudo, maior que a dor da separação a até maior que a morte. Então, se sofro por amor, este próprio amor preenche o espaço deixado pela falta.

Muitas vezes me questiono: "porque deixei que ela fosse?" e penso que esta era a decisão certa, não poderia prender aquela que criei para ser livre, para realizar a missão à ela destina, para ser aquilo que deve ser.

Já se passaram mais de 2 anos. Faço um "balanço": sou mais mãe, ela é mais filha, estamos mais maduras, aprendemos uma com a outra e Deus está realizando uma oração que faço todos os dias para minhas filhas: "que elas sejam felizes!"

Foto Mara S. Martins Lourenço
maralourenco@geracaophn.com
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