28 de junho de 2013

Deus, o grande esquecido

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O estilo de Deus é a paciência

"A história demonstra que, quando o homem arranca Deus de sua consciência, também arranca do coração as fibras do bem que o ajudam a não cometer monstruosidades. Perdendo Deus, o homem perde também a humanidade" (Cardeal Angelo Amato - Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos).


Ao receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1970, Alexander Soljenítsin, famoso historiador e escritor russo, pronunciou essas palavras: "Consagrei-me durante 50 anos ao estudo. Li centenas de livros, reuni muitos testemunhos pessoais, publiquei oito obras. Hoje, se tivesse de resumir o mais brevemente possível a verdadeira causa de nosso problema, só teria uma explicação: o homem esqueceu-se de Deus... E se me pedissem que dissesse claramente qual a maior ameaça, ainda assim não acharia outra coisa a dizer, senão que o homem se esqueceu de Deus".


Os jornalistas não deram muita atenção a este chamado para voltarmos ao Senhor. Contudo, reconheçamos que a conclusão do escritor é oportuna. A Sagrada Escritura apresenta a história da humanidade, que optou por viver sem Deus como um drama renovado constantemente. Os progressos que o homem faz só mostram, de maneira mais evidente, as limitações e o abismo que o separa da satisfação plena. De fato, os progressos não beneficiam a todos e não preenchem o vazio do coração.

A constatação de Soljenítsin nos lembra que Deus, amorosamente, sempre nos convida a voltarmos para Ele. Primeiro, é necessário reconhecer, diante d'Ele, que O temos desprezado. De muitas maneiras O temos desprezado. Peça perdão ao Pai e volte para Ele, que é bom e misericordioso em perdoar, "e pronto a renovar sua vida, e abundante em benignidade para todos os que te invocam" (Salmo 86,5). "Vinde e tornemos ao Senhor" (Oséias 6,1). Só no bom Deus se encontra o verdadeiro sentido para a vida.

"A tentação de colocar Deus de lado para, assim, colocarmos a nós mesmos no centro, está sempre à espreita. Deus é paciente com os homens, porque os ama; e quem ama compreende, espera, dá confiança, não abandona, não corta as pontes, sabe perdoar. O estilo do Senhor é a paciência. Ele nunca se cansa de perdoar. Somos nós quem nos cansamos de Lhe pedir perdão. Voltemos ao Senhor, pois ele nos espera para nos perdoar", assim declara como pastor amoroso o Papa Francisco (L'osservatore Romano, 14/04/2013, pp.1 e 3).

O bom Deus vive em amor nas profundezas do nosso ser. O grande gênio, bispo e doutor da Igreja, Santo Agostinho exclamava: "Deus me é mais íntimo que meu íntimo, mais íntimo que eu a mim mesmo".

 

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Padre Inácio José do Vale
pe.inacio.jose@gmail.com

 

Padre Inácio José do Vale é professor de História da Igreja no Instituto de Teologia Bento XVI (Cachoeira Paulista). Também é sociólogo em Ciência da Religião.

27 de junho de 2013

Oração pela Canonização de Rosalie Rendu - Frederico Ozanam


1786-1856 1813-1853
Deus, Pai pleno de misericórdia,
Vós que inspirastes o bem-aventurado Frederico Ozanam,
pai de família e professor na Sorbonne,
principal fundador
da Sociedade São Vicente de Paulo,
e a bem-aventurada Rosalie Rendu,
Filha da Caridade,
apóstola do bairro Mouffetard em Paris,
a amar o Cristo em seus irmãos, os mais pobres.
Concedei-nos as graças que vos pedimos
pela intercessão de ambos,
para que a Igreja possa proclamá-los santo e santa,
e revelar sempre mais o vosso Amor
aos mais fracos e mais necessitados
Por Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Amém.

26 de junho de 2013

Protagonistas

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Alegria por ver o despertar dos jovens

Daqui a exatamente um mês, estaremos iniciando a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro (RJ). Antes de nos encontrarmos no Santuário Mundial da Juventude, os jovens viverão a "Semana Missionária" por todas as cidades do Brasil. Eis um tempo de graça e esperança!


Na oração oficial da JMJ, nós concluímos pedindo que, impulsionados por este momento único, os jovens se tornem "grandes construtores da cultura da vida e da paz e os protagonistas de um mundo novo".

É justamente isso que tenho visto por onde tenho encontrado os jovens. É o que constatamos com a peregrinação dos símbolos da JMJ por todos os cantos do mundo e, agora, nestes dois últimos anos, pelo nosso país.

Basta ver o "Comitê Organizador Local" – o COL – para perceber a maioria de jovens que decide e organiza o evento mundial com capacidade, criatividade, animação. Também sabem vencer as dificuldades e problemas que a cada momento ocorrem numa organização como essa.

Nestes dias em que os jovens brasileiros expõem ao mundo seus anseios de uma vida mais justa, fraterna e com dignidade, focando de maneira especial na saúde, educação e transporte, vemos a importância desse momento para o país. Esse programa precisa ser acrescentado com o saneamento básico, dignidade de moradia, segurança, lazer, alimentação e tantos outros ítens. Como teremos aqui, durante a JMJ, jovens de mais de 172 nações, a partilha de experiências poderá ajudar o mundo a ser diferente com o protagonismo deles. 


Em todas as dioceses por onde passaram os símbolos da JMJ, o testemunho foi sempre de entusiasmo e participação. É alegria por ver o despertar dos jovens.

O interesse de todos para participar da JMJ aparece a cada momento e para nós, organizadores, isso soa como um momento de comunhão, de unidade em meio a tanta diversidade.

Temos valores que norteiam nossas vidas e também nosso trabalho. Acreditamos que os valores cristãos que marcam a nossa civilização poderão ser a luz que ilumina todos os anseios de um mundo novo nascendo em nosso tempo.

Por isso, é providencial que tenhamos justamente neste tempo esse momento com os jovens do mundo e com o Papa Francisco. É a graça de Deus que nos precede e nos alimenta em nossa esperança e caminhada.

Os episódios lamentáveis que alguns grupos minoritários causaram nestes dias demonstram como necessitamos de uma espiritualidade para alimentar o coração e curar feridas e, assim, construir positivamente esse sonhado tempo novo.

Nós cremos num mundo novo com Cristo Ressuscitado! A boa notícia que nos enche a vida a cada momento deve ser extravasada para contagiar, com uma alegria incontida, todos os que de nós se aproximam nesses dias de partilha de vida em nossa JMJ.

Os jovens que vêm como peregrinos, fazendo sacrifícios para estarem aqui conosco, encontrarão uma família de irmãos e irmãs que os acolhem. Encontrarão uma cidade que, à semelhança do Cristo Redentor, os acolhe de braços abertos. Irão encontrar seus irmãos jovens que anseiam, como eles, por dias melhores para a sociedade. O jovem é protagonista de tudo isso. Eles estiveram no início de tudo e estarão nas consequências como protagonistas desse mundo novo.

Teremos muitos legados importantes da JMJ: rede para atender os dependentes químicos, educação ecológica, sustentabilidade, acessibilidade, trabalho em conjunto com entidades internacionais e nacionais sobre paz, justiça, futuro. Viveremos isso no diálogo com as religiões e entre os cristãos. Teremos também a oportunidade da admiração do belo e da arte para os que em nada creem. Mas a grande herança que queremos deixar para todos é a esperança de um "novo amanhecer" para o mundo. É ver os sonhos que todos trazem em seus corações terem caminhos de solução. Em tempos de tantas situações e diversidades o poder dizer, providencialmente, que "o mundo tem jeito" e que a esperança deve estar presente no olhar de cada jovem será um legado que eles levarão para sempre em seus corações.

E diante de tudo isto, depois de tantas controvérsias, trabalhos, incompreensões, lutas, preocupações poderemos olhar para traz com alegria do dever cumprido e, voltados para o futuro, dizer: "valeu a pena"! Deus seja louvado por esse dom que nos concedeu!

 

Dom Orani João Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ) 

24 de junho de 2013

Frederico Ozanam para além das Conferências

Aos quinze anos ofereceu, como primeiro fruto de seu grande talento e sua experiência em escrever, um livro de poesias a seu pai e outro para sua mãe, demonstrando sua grandeza de alma e sua profunda piedade filial.

Aos dezoito anos publicou dois importantes artigos: um documento e um folheto refutando o sansimonismo e critica a propriedade privada porque conduz a uma organização anárquica da produção e consagra a exploração do homem pelo homem.

No outono do mesmo ano (1831), foi a Paris para estudar Direito seguindo a vontade de seu pai, em vez de Letras, como ele próprio desejava.

Aos vinte e três anos (30 de Abril de 1836), obteve o doutorado em Direito por Sorbonne; e aos vinte e seis anos (07 de Janeiro de 1839) o doutorado em Letras,

No dia 16 de Dezembro de 1839 pronunciou um discurso de abertura da Cátedra de Direito Comercial em Lyon. Vencendo seus sentimentos, que desejavam proximidade dos laços familiares e sociais, voltou para Paris onde no dia 30 de Outubro de 1840, com vinte e sete anos obteve a licenciatura de Línguas Estrangeiras por Sorbonne,

Viu claramente que sua vocação não era para o sacerdócio seguindo o exemplo e os passos de seu amigo, o Pe. Lacordaire. Escreveu numa carta de 26 de Agosto de 1839:

"E para falar com o coração na mão… a incerteza de minha vocação se manifesta mais inquieta como nunca…".

O casamento de Antônio Frederico Ozanam tornou-se um acontecimento famoso na história da Igreja. Pelo menos dois Sumo Pontífices se referiram a ele. O primeiro foi o Papa Pio IX, a quem Frederico visitou poucos anos antes de sua morte.

O Segundo foi o Papa João Paulo I, que numa de suas audiências do seu breve pontificado relatou o assunto ao tratar do matrimônio:

"No século passado havia na França um professor insigne, Frederico Ozanam; ensinava em Sorbonne, sendo eloquente e esplêndido. Tinha um amigo, Pe. Lacordaire, que costumava dizer: Este homem é tão admirável e tão bom que será sacerdote e chegará a ser um bispo. Porém não foi assim. Encontrou uma excelente senhorita e se casaram. O Pe. Lacordaire não se sentiu bem com isso e disse: Pobre Ozanam! Também caiu na armadilha! Dois anos mais tarde, Lacordaire veio a Roma e foi recebido pelo Papa Pio IX que lhe disse: Eu sempre ouvi dizer que Jesus instituiu sete sacramentos. Agora vem você, mexendo as cartas na mesa e me diz que foram instituídos seis sacramentos e uma armadilha. Não é assim padre! O Matrimônio não é uma armadilha, é um grande sacramento!" (João Paulo I, 13 de setembro de 1978).

Frederico Ozanam reforçava dia após dia o seu prestígio profissional como professor, como advogado e como escritor muito requisitado pela imprensa católica.

O Sr. Montalembert o incentivou a colaborar com "O Universo Católico" na obra de propagação da fé.

O Pe. Lacordaire pediu-lhe por carta:

"Não há desculpas para não escrever. Não nego que o trabalho de escrever é difícil, mas a imprensa converteu-se numa força poderosa, tão poderosa que não podemos abandoná-la. Escreva, não para nossa glória, senão para a glória de Jesus Cristo… E quanto a você, deve encontrar motivo de alento em tudo o que publicou até agora. Seu estilo tem vida e esplendor, e possui ainda uma erudição que o ajuda. Insisto que trabalhe nisto. Se eu fosse o diretor de sua consciência não insistiria, eu o obrigaria".

Quando Frederico Ozanam queixa-se sobre as condições em que as famílias Pobres estavam condenadas a viver, não queria que sua pobreza fosse amenizada somente dando esmola. Sugeriu também melhoria na estrutura econômica que causava a pobreza.

Quando lecionava direito comercial, incentivava os estudantes a olharem para sua profissão não como algo isolado, senão como parte integrante da sociedade. Sua formação não deveria ter como objetivo adquirir simplesmente um status profissional. O direito deve ser apreciado como um verdadeiro serviço.

Às vezes pronuncia severas advertências. Como antecipando os pensamentos do Papa Pio XI – que a maior tragédia da Igreja da França durante o século XIX foi a perda da classe operária – Frederico critica não só os empresários mas também alguns padres:

"Se um grande número de cristãos e particularmente de clérigos, tivessem se preocupado com as classes operárias durante os últimos dez anos, estaríamos mais seguros acerca do futuro; e todas nossas esperanças descansam no pouco que foi feito até agora".

Uma advertência aos cristãos:

"Todos eles possuem fé, porém uma fé que não é nem quente nem fria; mesmo assim praticam sua religião com frequência sem entendê-la. Devemos introduzir a luz dentro desta obscuridade, aquecer este frio; edificação, mais que conversão, é a necessidade primordial. Devemos moldá-los para a santidade".

Frederico Ozanam – Carta ao seu irmão Afonso em 1848:

"Há exploração quando o patrão considera o operário não como um associado ou como um auxiliar, mas como um instrumento, do qual se tenta tirar o máximo proveito pelo menor preço possível. Mas a exploração do homem pelo homem é escravidão. O operário-máquina é então apenas uma parte do capital, como o escravo dos antigos; o trabalho torna-se escravidão".

Frederico Ozanam é um precursor reconhecido da Doutrina Social da Igreja. Por ocasião de sua beatificação, o Papa João Paulo II disse sobre Frederico Ozanam:

"A Igreja confirma hoje a escolha de vida cristã feita por Frederico Ozanam, assim como o caminho que ele empreendeu. Caridade e justiça caminham juntas pois nenhuma sociedade pode aceitar a miséria como uma fatalidade, sem que a sua honra não seja atingida. É assim que se pode ver nele um precursor da Doutrina Social da Igreja, que o Papa Leão XIII desenvolverá alguns anos mais tarde na Encíclica Rerum Novarum". João Paulo II, 22/08/1997

Frederico Ozanam é um santo moderno. Sua visão e suas atividades desenvolveram-se num ambiente semelhantes ao de hoje, e os problemas de sua época são os problemas de nossos dias. Ele não foi somente uma figura piedosa. Foi um homem de ação, comprometido com a justiça e a evangelização dos Pobres.

Autor: Joelson C. Sotem, CM

Fonte: http://pt.vicencianos.org/frederico-ozanam-para-alem-das-conferencias/

Imagem de Destaque À espera de um namorado

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Vale a pena esperar em Deus!

O sonho de encontrar um namorado com o qual casaria sempre fez parte de minha vida desde a infância.


Sou a sexta filha de uma família de nove filhos, dos quais sete são mulheres. Assim, cresci vendo minhas irmãs se arrumarem à espera dos namorados que as visitavam nos fins de semana.

Acompanhava o tempo de namoro, noivado e preparação do casamento de uma, depois de outra... E assim, o ritual de preparação e espera do amor sempre fez parte do meu cotidiano familiar. Neste clima de sonhos e realidades, no qual os valores da família cristã tem seu lugar privilegiado, fui crescendo e também trilhando o caminho de espera do meu "príncipe encantado".

Como trazia no coração o desejo de casar, sempre acreditei que, certamente, existia alguém criado por Deus para ser meu esposo. O desafio era somente encontrá-lo. E que desafio!


Recordo-me que, quando cresci e viajava para lugares distantes, ficava imaginando: "Será que ele está por aqui?". Conhecendo a cultura e o povo do lugar onde estava, pensava como ele seria se vivesse inserido naquele contexto. Desejava encontrá-lo, conhecer suas histórias, saber dos seus sonhos e partilhar com ele o "meu mundo". Contar-lhe meus segredos, falar dos meus gostos, segurar sua mão e poder caminhar com a certeza de que já não estava sozinha no universo. O tempo foi passando e a espera foi se tornando cada vez mais madura e exigente.

Como missionária na Comunidade Canção Nova, a vida proporcionou-me várias mudanças de lugar, permitindo-me conhecer muitos rapazes interessantes. Vivi alguns relacionamentos, muitas amizades, mas nada correspondia à minha expectativa de cumplicidade. Até que fui enviada para a missão de Portugal e lá, finalmente, conheci aquele que Deus havia designado para ser meu esposo.

Foi admiração recíproca à primeira vista. Até hoje não sei dizer com palavras o que senti, mas uma coisa é certa: percebi nele algo diferente que eu jamais havia encontrado em nenhum rapaz até então. Tornamo-nos grandes amigos, depois namorados, noivos e, finalmente, chegou o tão sonhado casamento.

Hoje, sou uma esposa feliz e posso testemunhar que valeu (e vale!) a pena esperar em Deus a pessoa com a qual Ele a unirá um dia pelo sacramento do matrimônio.

Se você está vivendo, como eu vivi, o "tempo de espera", tenho uma boa notícia: você não está sozinho! Existem ainda muitos rapazes e moças que querem levar a sério o projeto de Deus e construir uma família baseada nos valores cristãos. Elas estão esperando a pessoa certa assim como você. Tenha paciência e persevere. Deus vai surpreendê-lo qualquer dia desses.

Eu sei que não é fácil esperar, mas há muitas coisas boas a serem feitas neste tempo. Baseada na minha própria experiência, eu o aconselho a buscar, em primeiro lugar, a cura interior. Rezar, ler livros, ouvir pregações e participar de encontros relacionados ao tema é colaborar com Deus no processo de restauração que todos nós precisamos viver para sermos plenos. O namoro é o primeiro passo que o levará à doação total de si mesmo a outra pessoa, e estar com o coração curado e aberto para isso já é uma grande vitória que você pode conquistar pela cura interior.

Depois, não se esqueça de viver. Sua vida não pode parar na espera. Seja agradável, descomplicado, alegre, disponível e esteja aberto a novas amizades. Tenha interesse pelas pessoas, ouse sair de si mesmo e ir ao encontro de quem precisa. Desarme seu coração de todo preconceito. Isso não ajuda ninguém a ser feliz. Leia bons livros, mantenha contato com a natureza, vá ao cinema, ao shopping, à praia, e, na medida do possível, faça o que realmente você gosta.

Procure viver seus dias com leveza e gratidão. A vida é bela! E mesmo em meio aos desafios, também oferece diversas oportunidades para celebrar. Procure aproveitá-las.

Outra dica também importante é cuidar do seu visual: arrumar o cabelo, combinar a roupa com o ambiente e a idade, e para as meninas uma maquiagem sempre ajuda a realçar a beleza que já existe em você. Mas atenção! Os exageros não combinam com nada. Não é verdade que dá gosto contemplar uma pessoa que se ama e se cuida com harmonia e discernimento? Seja você esta pessoa e o mundo será mais bonito com sua presença.

Levante a cabeça, respire fundo e entregue seu coração a Deus. Não deixe que a angústia, a tristeza e a solidão façam morada nele.

Esperar pode ser, hoje, a pedagogia que Deus está usando para formá-lo no homem (ou na mulher) segundo o coração d'Ele.

Acredito que nada acontece por acaso em nossa vida, nem as provas pelas quais passamos. Enfim, não desista do seu sonho de construir uma família nos desígnios de Deus. Ele é fiel e não é indiferente aos anseios do seu coração. Persevere! Ele já está ajudando você.

Estou unida a você. Vou sonhar e rezar junto com você.

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Dijanira Silva
dijanira@geracaophn.com

21 de junho de 2013

As linhas invisiveis



Sempre Deixe Seu Recado!!!

A natureza do sofrimento

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Sofremos e assim nos firmamos como humanos

Quando o sofrimento bater à sua porta, é melhor abri-la. Resistir ou negá-lo é apenas um jeito de fugir do que, mais cedo ou mais tarde, você terá de enfrentar.

Sofrimentos são naturais na vida humana. Eles acontecem no percurso dos fatos que nos envolvem.

Quando dizemos que algo é "natural", nós o fazemos para demonstrar que não foi acrescentado, mas faz parte da vida. É natural, porque pertence ou refere-se às leis que nos regem e configuram a nossa condição humana. É natural, porque pertence à ordem das coisas que nascem espontaneamente.

Um dos grandes nomes da filosofia contemporânea, o filósofo Schopenhauer, num ensaio intitulado "Dos Fundamentos da Moralidade", faz a seguinte pergunta: "Como é possível que o sofrimento, que não é meu nem me interessa, afete-me de imediato como se fosse meu e com força tal a ponto de impedir-me a ação?

A pergunta do filósofo é instigante. Para ele, o contato com o sofrimento do outro nos recorda quem somos. O sofrimento é uma espécie de espelho, por meio do qual nos enxergamos a partir daquele que sofre. Nele, o nosso sofrimento está refletido em sua totalidade. Ao encontrarmos o outro e sua precariedade, nele descobrimos a nossa verdade fundamental, nossa condição expressa e viva em toda criatura.
O filósofo teoriza aquilo que todos experimentamos na prática. O sofrimento é uma das molduras que dão sustento à nossa existência. É o tecido que envolve a vida.

Nós o experimentamos desde o momento de nossa concepção. Pesquisas comprovam que muitas crianças, no processo de gestação, já sofrem com a ansiedade e com alguma forma de sofrimento da mãe. Muitos medos e inseguranças, manifestados ao longo da vida, parecem ter raízes em rejeições acontecidas ainda na vida intra-uterina. Nem mesmo na proteção de nossa primeira morada estamos livres do sofrimento.

O nascimento também é uma experiência de sofrimento. O parto não é doloroso somente para a mãe, mas também para o filho.

Nascemos a partir de movimentos de contrações, isto é, em movimentos de estreitamentos, compressões, encolhimentos. As contrações proporcionam o movimento do ato de nascer. É por meio delas que a criança se encaminha para o mundo. A mãe sofre o processo de expulsar o filho de seu ventre. Toda a musculatura trabalha num mesmo objetivo – encaminhar a criança para o nascimento.

Ao perceber o movimento que a retira do ventre, a criança também inicia um processo de dor. Terá que sair da tranquilidade do útero, do lugar da segurança, para passar pelo estreito caminho materno que a conduzirá ao novo mundo.

Nascer já é uma forma de sofrer. Sofrimento físico e psicológico. Físico, porque envolve o movimento de esforço muscular, rompimentos, sangramentos. Psicológico, porque representa mudanças de fases para a mãe e para a criança.

O caminho estreito, por onde chegamos ao mundo, já parece ser uma metáfora do que será a nossa vida. Nem sempre as passagens são amplas, facilitadas.

Outra questão que já nos coloca diante de sofrimentos inevitáveis é a nossa condição de seres inacabados. Os especialistas nos ensinam que o ser humano é o ser vivo que nasce mais incompleto. Nossa incompletude nos expõe a muitos sofrimentos naturais, próprios de quem precisa de cuidados para sobreviver.

Nascemos incapazes de ficar eretos por nós mesmos, diferente de tantos outros animais que já se equilibram sozinhos logo após o nascimento.

Sofremos cólicas terríveis nos primeiros meses de nossa vida. São os movimentos de ajuste que a natureza faz aos poucos, conduzindo-nos às adaptações necessárias para cada fase.

Sofremos quando vivemos as distâncias dos que amamos. Sofremos com os afastamentos temporários, as primeiras experiências de solidão, quando, por necessidade comum à vida de todos nós, temos de ser cuidados por estranhos.

Sofremos e assim nos firmamos como humanos. Homens e mulheres que recolhem, diariamente, o sentido de ser o que são e de sentir o que sentem.

O inegável é o sofrimento humano, pois este é natural.

(Extraído do livro "Quando o sofrimento bater à sua porta")
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Padre Fábio de Melo

Padre Fábio de Melo, sacerdote da Diocese de Taubaté, mestre em teologia, cantor, compositor, escritor e apresentador do programa "Direção Espiritual" na TV Canção Nova