10 de dezembro de 2018

A pessoa que ama tem coragem para confiar no outro

Quem ama confia

Ela o segurava nos braços debaixo de um sol forte e em meio à agitação própria da cidade grande, ele dormia sereno e calmo, pois estava seguro de que nada poderia atingi-lo. Esta cena não faz parte de um filme, é real, e apesar de a ter contemplado há algum tempo, ainda hoje me recordo claramente dela. No ponto de ônibus, uma mãe, com ar de preocupada, segurava seu filho nos braços enquanto mantinha os olhos fixos nos ônibus que chegavam e saíam sem parar. Um deles poderia ser o seu e ela não poderia nem sequer pensar em perdê-lo. Observei que, apesar da agitação própria do local e da preocupação aparente da mãe, a criança dormia tranquila e sossegada. Sem palavras, parecia dizer: "Nada temo, pois os braços que me seguram são de alguém que me ama".

A pessoa que ama tem coragem para confiar no outro

Foto ilustrativa: Bruno Marques/cancaonova.com

Deus fala nos fatos

Naquele dia, a cena foi um pretexto para Deus falar comigo. Já observou que quando não paramos para ouvir a voz de Deus por meio da oração, Ele nos fala pelos fatos? No meu caso, eu estava vivendo um tempo de muita correria no trabalho, já não conseguia rezar como antes e queria resolver todas as coisas com minhas forças. Quando ocupamos o lugar de Deus, é isso que acontece. Com aquela situação, o Senhor foi me mostrando que eu precisava confiar mais no amor d'Ele. Precisava viver a atitude daquela criança, ou seja, abandonar-me. Na verdade, precisava amá-Lo mais e deixar-me amar por Ele, pois só confia quem verdadeiramente ama, e quem ama consequentemente confia.

E mais: Deus Pai abriu meus olhos para eu perceber que a raiz da minha agitação era também falta de amor-próprio e má interpretação do Seu amor por mim. Eu estava me comportando como serva de Deus e não como Sua filha. E isso faz uma grande diferença em nossa vida como cristãos. O próprio Senhor disse em Sua Palavra: "Já não vos chamo servos, mas amigos […]" (João 15, 15). Ou seja, o Senhor nos elegeu, nos amou, não quer apenas o nosso serviço, mas nosso amor. Isso é próprio de uma relação de amizade. Amamos e somos amados, e o amor vai além do fazer.

Atitude de confiança

Hoje, por providência, contemplei uma cena semelhante e lembrei-me das lições de outrora. Já não estou tão agitada como antes, vivo uma fase diferente. Mas uma coisa é certa: preciso continuar na escola da confiança. Devo aprender mais de Deus na matéria do amor. "O amor lança fora todo temor, é paciente, tudo suporta, tudo crê, tudo espera […]" (I Coríntios 13,4-7). É por isso que quem ama confia!

Quanto mais amamos a Deus e nos deixamos envolver por Sua misericórdia, tanto mais vamos encontrando a harmonia que tanto desejamos, e que, muitas vezes, buscamos nas pessoas, nos cargos, no poder, no ter ou de tantas outras formas aparentes de segurança neste mundo.

O abandono é, antes de tudo, uma atitude de confiança, fruto da maturidade, e a maturidade não se alcança de uma hora para outra, é preciso ter paciência com o tempo, dar passos e superar os obstáculos. É por isso que quem já teve sua fé provada tem mais facilidade em confiar em Deus, tem forças para ir mais longe mesmo quando tudo parece perdido.


Abandonar-se em Deus

Aquela criança, provavelmente, sentia-se amada; por essa razão, as circunstâncias não a impediam de confiar e repousar tranquilamente no regaço acolhedor de sua mãe.

São Francisco de Sales faz uma interessante comparação quando falou da alma recolhida em Deus. De fato, diz ele, "[…] os amantes humanos contentam-se, às vezes, em estar junto da pessoa que amam, sem lhe falar nada e sem nem sequer pensar em outra coisa que não seja estar ali… Sentem-se amados e isso basta. É assim que acontece com a alma que se entrega aos cuidados do Criador. Repousa sossegada, mesmo em meio aos constantes desassossegos que vive no dia a dia".

Compreendo, cada vez mais, que a experiência do abandono em Deus passa pela descoberta do Seu amor incondicional por nós. Peço ao Senhor que, hoje, ele lhe permita viver essa experiência e o cure profundamente de toda falta de amor, devolvendo-lhe a serenidade e a paz, fruto da confiança n'Ele.

Assim como a mãe segura em seus braços o filho amado, Deus hoje o segura. Não tema. Nos braços do Pai, nada poderá atingi-lo, e quem ama confia.



Dijanira Silva

Missionária da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Djanira reside na missão de São Paulo, onde atua nos meios de comunicação. Diariamente, apresenta programas na Rádio América CN. Às sextas-feiras, está à frente do programa "Florescer", que apresenta às 18h30 na TV Canção Nova. É colunista desde 2000 do portal cancaonova.com. Também é autora do livro "Por onde andam seus sonhos? Descubra e volte a sonhar" pela Editora Canção Nova.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/testemunhos/pessoa-que-ama-tem-coragem-para-confiar-no-outro/

6 de dezembro de 2018

Entenda os princípios éticos do bem

Fazer sempre o bem e fazer bem o que se faz

Fazer sempre o bem e fazer bem o que se faz. São esses os princípios éticos que devem orientar a vida de todos, para que floresçam as potencialidades sociais, políticas e culturais da sociedade. A simplicidade desses princípios tem força para operar transformações e recompor a moralidade no tecido cultural. Pois, a cultura desprovida de
moralidade conduz a sociedade rumo aos fracassos. Acirra disputas predatórias, acentua o desrespeito às instituições.  Produz destruição pelas ações dos que se consideram "os donos da verdade". Reconhecer o bem, como princípio ético, permite a cada indivíduo avaliar prioritariamente a própria interioridade, ao invés de, sempre, julgar o outro.

Entenda os princípios éticos do bem

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Estar atento ao próprio interior é dinâmica educativa indispensável. Fazer bem e promover o bem são atitudes que dependem do cuidado com a dimensão interior, conquistando clareza de consciência. É preciso reconhecer o papel que se tem no mundo. Identificar, também, os parâmetros ideológicos que moldam a própria mentalidade, ou seja, aquilo que permite a cada pessoa fazer escolhas com mais lucidez.

E, todo cuidado é pouco, no sentido de evitar impor ao outro, ou mesmo às instituições, certas perspectivas que são apenas convicções pessoais, traços da própria identidade, muitas vezes, problemáticos. Quem age sem observar esses princípios, distancia-se da tarefa de exercer nobre missão, prejudicando contextos pessoais, comunitários e institucionais.

Campo de batalha

E, é, especialmente, nas redes sociais que, hoje, evidencia-se a necessidade de se cultivar o bem como princípio ético, capaz de orientar todas as atitudes. O ambiente digital abre novas e bem-vindas possibilidades de interação, mas, ao mesmo tempo, torna-se verdadeiro "campo de batalha". As recorrentes agressões, cada vez mais presentes na internet, obscurecem o caminho da verdade, inviabilizando o bem.

Com frequência, indivíduos assumem falsa autoridade, apresentam-se como detentores da verdade, e sentem-se no direito de proferir vereditos. Porém, por serem incapazes de fazer distinções, promovem uma mistura que coloca, no mesmo quadrado, "ovelhas, bois e carneiros", como se diz proverbialmente.

Há um agravante a ser considerado: para muitas pessoas, falta formação humanística, ética e espiritual. São necessários investimentos para corrigir essa carência, para que todos possam oferecer contribuições relevantes às instituições e ao mundo. Se essa necessidade não for reconhecida, continuarão desvirtuados sentidos intocáveis, no
âmbito político, cultural e, muito gravemente, no contexto religioso, que não pode se deixar corromper, justamente, por ser referência para a ética e a moralidade.

Por isso mesmo, não basta apenas o grande volume de informações que circula no planeta para construir um futuro melhor. É fundamental dedicar atenção ao desenvolvimento cognitivo de cada indivíduo, cultivando o princípio ético que inspira todos a fazerem o bem – e a fazer bem o que fazem.


Reconhecer que é bom ser bom

O horizonte pluralista do contexto contemporâneo permite à humanidade reconhecer e apontar para tudo, mas, ao mesmo tempo, não se comprometer com nada. Uma situação que precisa ser superada, pois, o princípio ético alicerçado no bem, convoca cada pessoa a tornar-se força transformadora que modela nova cultura. Essa cultura renovada, urgente, está exatamente na contramão de escolhas bizarras que assombram a sociedade e deterioram boas práticas. Passo decisivo para a requerida mudança é promover sempre o bem, dedicando-se a cumprir adequadamente as próprias tarefas e responsabilidades.

Ajuda a moldar novas práticas e, consequentemente, constituir uma cultura renovada, deixar-se guiar por nobres princípios: promover sempre o bem e fazer bem o que se faz.  Não se deixar vencer pelo mal, mas vencer o mal com o bem. Reconhecer que é bom ser bom. Saber que o bem se promove com o bem. Esses princípios, se aprendidos,
permitem superar o circuito vicioso formado por perversidades, inveja, incompreensões, descompromisso com referências fundamentais.

Não se transforma a realidade buscando apenas os melhores índices da economia, nem só pela força da política, ou pela influência de confissões religiosas. Urgente é o despertar da consciência cidadã a partir do compromisso com a ética. É tempo de escrever, não em páginas de livros, mas no coração humano, a gramática da lei moral. Uma atitude prioritária para conquistar o desenvolvimento integral e configurar uma qualificada cidadania.



Dom Walmor Oliveira de Azevedo

O Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, é doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Atual membro da Congregação para a Doutrina da Fé e da Congregação para as Igrejas Orientais. No Brasil, é bispo referencial para os fiéis católicos de Rito Oriental. http://www.arquidiocesebh.org.br


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/sociedade/entenda-os-principios-eticos-bem/

3 de dezembro de 2018

A coroa do Advento e seu significado

A coroa ou a grinalda do Advento é o primeiro anúncio do Natal

Deus se faz presente na vida de todo ser humano. E, de todas as formas, Ele nos deixa sentir o Seu amor e desejo de nos salvar. A palavra Advento é de origem latina e quer dizer chegada. É o tempo em que os cristãos se preparam para a vinda de Jesus Cristo. O tempo do Advento abrange quatro semanas antes do Natal.

Atualmente, há uma grande preocupação em reavivar esse costume muito significativo e de grande ajuda para vivermos esse tempo. A coroa ou a grinalda do Advento é o primeiro anúncio do Natal. É um círculo de folhagens verdes, sua forma simboliza a eternidade e sua cor representa a esperança e a vida. Vem entrelaçado por uma fita vermelha, símbolo do amor de Deus por nós como, também, do nosso amor que aguarda com ansiedade o nascimento do Filho de Deus.

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Velas do Advento

No centro do círculo, colocam-se as quatro velas para se acender uma a cada domingo do Advento. A luz das velas simboliza a nossa fé e nos leva à oração. Simbolizam, também, as quatro manifestações de Cristo:

1° Encarnação, Jesus Histórico;
2° Jesus nos pobres e necessitados;
3° Jesus nos Sacramentos;
4° Parusia: Segunda vinda de Jesus.

No Natal, pode-se adicionar uma quinta vela branca, até o término do tempo natalino. E, se quisermos, podemos colocar a imagem do Menino Jesus junto à coroa: temos de nos atentar, porém, que o Natal é mais importante do que a espera do Advento.

História da coroa do Advento

Essa coroa é originária dos países nórdicos (países escandinavos, Alemanha), a qual contém raízes simbólicas universais: a luz como salvação, o verde como vida e o formato redondo como eternidade.

Simbolismos esses que se tornaram muito adequados ao mistério natalino cristão e, por isso, adentraram facilmente nos países sulinos. Visto que, se converteram rapidamente em mais um elemento de pedagogia cristã, para expressarmos a espera de Jesus como Luz e Vida em conjunto com outros símbolos, certamente mais importantes, como são as leituras bíblicas, os textos de oração e o repertório de cantos.

O comércio e o sistema deste mundo fazem questão de esquecer o verdadeiro sentido do Natal. E, nós, podemos cair nessa, mas é possível dar presente e celebrar o verdadeiro sentido: o Menino Jesus é o nosso grande presente!

Sugestão: você pode fazer uma coroa do Advento em sua casa e celebrar, com sua família, à luz da nossa fé, a chegada de Jesus Cristo nosso Salvador. A cada domingo, pode acender as velas, convidando seus familiares para rezar.

Oração

Senhor Jesus, celebrar o Teu Natal é fazer da minha vida, da minha casa, um lugar de eternidade e salvação. Que a Tua luz brilhe em cada coração. Ao acender cada vela, desta coroa do Advento, queremos acender a esperança, o amor, a fraternidade e a salvação, que é o grande presente que queremos dar a todos os que amamos, por intermédio do Menino Jesus, que nascerá em nossa família.

Como você se prepara para celebrar essa grande festa do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo? Clique nos comentários e responda: "Como você vive esse tempo litúrgico?".

Natal feliz é Natal com Cristo!



Padre Luizinho

Padre Luizinho, natural de Feira de Santana (BA), é sacerdote na Comunidade Canção Nova. Ordenado em 22 de dezembro de 2000, cujo lema sacerdotal é "Tudo posso naquele que me dá força". Twitter: http://@peluizinho


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/liturgia/tempo-liturgico/advento/a-coroa-do-advento-e-seu-significado/

30 de novembro de 2018

Correr, parar, prosseguir: o itinerário de todo o cristão

Às vezes, é preciso de um momento de parada para tomar um novo fôlego

Correr… Pode ser que esse não seja o verbo mais conjugado nas rodas literárias. Mas, atualmente, com toda a certeza, é a ação mais praticada. Corremos o tempo todo de um lado para o outro. Corremos da casa para o trabalho; do trabalho para a faculdade. Corremos da faculdade para a Igreja; da Igreja para casa. Corremos, corremos, corremos!

A sensação é a de que estamos estrangulados o tempo todo pelos ponteiros do relógio. Pare agora por um instante e pergunte a si mesmo: "Dentro de tudo o que eu preciso fazer durante o dia – trabalhar, estudar, descansar, alimentar-me (…) – tenho reservado um tempo suficiente para estar com o Senhor?".

Correr, parar, prosseguir o itinerário de todo o cristão

Foto Ilustrativa: Bruno Marques/cancaonova.com

Perceba que não estou determinando uma quantidade de tempo específico, afinal, cada um tem a sua necessidade, mas, também, não estou falando daquelas sobras de tempo entre um afazer e outro. Enfim, se você percebe que sua vida de oração, de diálogo com Deus está negligenciada, chegou o momento de fazer um "pit stop" para recobrar o fôlego, antes de retomar a corrida.

A vida espiritual, também, carece de "paradas", mas de uma forma muito específica

Todos nós temos ciência do quão importantes são aqueles pequenos momentos de parada em meio aos afazeres diários. Eles, de fato, são essenciais. Servem para percebermos se estamos caminhando bem, se devemos refazer a rota, reorganizar os próximos passos. Esse, talvez, seja o momento ideal para nos perguntarmos se Deus está encontrando espaço nas nossas ocupações diárias.

Também, na vida espiritual, esses instantes de parada são tão necessários quanto na vida concreta. Acontece que, esse verbo "parar" deve ser vivido de forma bem diferente dentro dessas duas realidades.

Se, na vida material, podemos e devemos, por exemplo, dormir; na vida espiritual, não. Um lindo trecho de Cântico dos Cânticos, no início do sexto poema, aponta-nos para este fato: "Eu dormia, mas meu coração velava e ouvi o meu amado que batia". (cf. Ct. 5, 2). Muito embora o corpo da amada estivesse repousando, quer dizer, em estado de parada, seu coração estava desperto, aguardando a chegada do amado. Portanto, "parar" na vida espiritual requer alguns cuidados.

Afinal, como o cristão deve viver os momentos de "parada" na vida espiritual?

Uma máxima muito conhecida de Santo Agostinho diz que: "No caminho espiritual, não andar adiante é voltar atrás". São Gregório explica isso muito bem, usando de uma imagem: "Se alguém, embarcado numa canoa, rio acima, deixasse de remar, e quisesse parar onde está, sem se adiantar nem recuar, iria necessariamente para trás, porque a correnteza o arrastaria".

Esses dois ensinamentos já seriam o bastante para responder a pergunta acima. Mas, quero utilizar-me de outro exemplo bem didático, para explicar como esse momento de parada na vida espiritual deve ser vivido pelo cristão.

Imaginemos um jovem montado em sua bicicleta, fazendo seu passeio numa manhã ensolarada. Para que a bicicleta não perca o impulso, o jovem não pode parar totalmente de pedalar. É verdade que, em alguns momentos, ele pode interromper as pedaladas, porque a bicicleta ainda possui algum impulso das pedaladas anteriores.


Atenção! Chegamos ao ponto central do nosso artigo!

De uma maneira bem direta, a mensagem é a seguinte: "Não pare de pedalar, não pare de remar, não desista!". É possível interromper as pedaladas ou as remadas por um breve instante para ganhar fôlego, mas desistir, nunca. Se o ciclista desistir de pedalar, fatalmente perderá o equilíbrio e cairá. Se você se cansou, interrompa por um instante as pedaladas, respire e volte a pedalar.

A primeira formadora que tive na Canção Nova,  deu-me um ensinamento muito importante. Lembro-me como se fosse hoje: "Se hoje você consegue correr na vida espiritual, corra; caso contrário, caminhe, mesmo que lentamente, mas caminhe". No fundo a mensagem é a mesma: "Não desista de caminhar".

Que tal otimizar esse momento de parada, buscando um retiro espiritual? Hoje, graças a Deus, os diversos movimentos da Igreja Católica nos oferecem infinitas possibilidades de retiro. Portanto, se você perceber que está cansado, busque se retirar para estar a sós com o Senhor. Respire, encha os pulmões!

Após o momento de parada, é preciso continuar

Depois que você já correu, se cansou e tomou novo fôlego, chegou a hora da decisão mais importante: prosseguir. Segundo um dicionário da Língua Portuguesa, "prosseguir" é retomar uma atividade momentaneamente interrompida, ou seja, voltar a pedalar, voltar a remar, voltar a correr. Lembrado-nos de que estamos falando da vida espiritual.

O apóstolo Paulo nos dá um excelente conselho: "Esquecendo o que fica para trás, lanço-me para o que está à frente" (cf. Fl. 3,13). Quem quer chegar a algum lugar, não o fará se não caminhar.

Para finalizar, quero fazer um pequeno alerta, caminhar sem rumo também não dá. Os nossos olhos, pensamentos, sentidos e vontades devem estar fixos no alvo: o Senhor. Sem propósito, objetivo e meta, ninguém chega a lugar algum.

Deus o abençoe e até a próxima!



Gleidson Carvalho

Gleidson de Souza Carvalho é natural de Valença (RJ), mas viveu parte de sua vida em Piraúba (MG). Hoje, ele é missionário da Comunidade Canção Nova, candidato às ordens sacras, licenciado em Filosofia e bacharelando em Teologia, ambos pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP). Atua no Departamento de Internet da Canção Nova, na Liturgia do Santuário do Pai das Misericórdias e nos Confessionários. Apresenta, com os demais seminaristas, o "Terço em Família" pela Rádio Canção Nova AM. (Instagram: @cngleidson)


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/correr-parar-prosseguir-o-itinerario-de-todo-o-cristao/

28 de novembro de 2018

Que pecados podem matar a fé?

O mais grave dos pecados contra a fé é a infidelidade

Vimos, no artigo anterior, que a Virtude da Fé é chamada de Teologal por se orientar a Deus e ser dado por Ele para o ser humano. Embora essa virtude seja dada em semente por Deus, é dever do homem permanecer unido a Deus e trabalhar pelo seu crescimento. Desse modo, a fé cresce do perfeito para o imperfeito, ou seja, pelo estímulo de Deus para o ser humano e do imperfeito para o perfeito, isto é, do esforço do homem para chegar a Deus. No entanto, embora Deus dê a fé gratuitamente, o ser humano pode negá-la em si mesmo e, até mesmo, destruí-la. Como aquilo que se opõe a Deus é o pecado, quais são os pecados que destroem a fé?

Que pecados podem matar a fé?

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

O mais grave pecado contra a fé é a infidelidade (ST II-II Q10A3). Por ele o homem voluntariamente resiste a fé, não querendo recebê-la, crescer nela ou a distorce. Assim, aquele que procura não conhecer melhor a fé professada pela Igreja, com medo de ser cobrado por esse conhecimento em alusão à palavra "a quem muito for dado, muito será cobrado" (Lc 12,48), peca contra a fé. Essa infidelidade é uma cegueira voluntária, que corrompe e destrói a virtude da fé. A fé deve ser estimulada a crescer e não ser combatida ou cerceada.

Heresia e a apostasia

Dentre os modos do pecado da infidelidade estão a heresia e a apostasia. A heresia, que vem do grego "eleição", tem esse nome porque o herege escolhe ou elege a doutrina que julga ser melhor ou mais adequada para si mesmo. Nega-se, assim, que existe uma doutrina verdadeira que deve ser seguida e defendida, não importando a opinião pessoal que tem-se sobre ela. A partir do momento que se arbitra sobre o que se deve ou se quer crer, escolhendo no que acreditar e no que não acreditar da fé ensinada pela Igreja, adota-se a postura do herege e se destrói a fé. Aquele que já ouviu a expressão: "- Sou católico, mas não concordo com isso e aquilo que a Igreja diz", conheceu um herege de perto. Pode ser um herege que não entrará para os livros de história mas, fatalmente, destruirá a própria fé (e de quem der ouvidos às suas "opiniões" ou "eleições").

A apostasia, por outro lado, é uma forma de infidelidade de quem se afasta completamente da fé em Deus (ST II-II Q12A1). Aquele que teve uma formação católica, foi introduzido nos sacramentos e abandona a Igreja e a fé, é um apóstata. A consequência da apostasia é a morte da fé de um modo mais rápido e eficaz do que a heresia, pois, essa ainda procura conservar alguma coisa da fé, embora a distorça. O apóstata, no entanto, tem como objetivo (e consegue) destruir a própria fé.

Como a fé exige um aplicar-se, conscientemente, no aprendizado das coisas de Deus para se desenvolver, a cegueira ou embotamento da mente é outro vício que destrói a fé. Ou seja, aquele que se aplica a entender, usufruir e aperfeiçoar-se nas coisas terrestres ou materiais, deixando de lado o aprendizado da fé, comete um erro que mata a sua fé. Afinal, acumular títulos acadêmicos após décadas de estudo e permanecer no "jardim de infância" da fé é uma distorção intelectual extraordinária. O conhecimento e aprofundamento em relação à fé tem de caminhar no mesmo tom e qualidade dos outros aprendizados intelectuais. Quando, por negligência, deixa-se de se aprender e aprofundar as verdades de fé, cria-se o pecado da cegueira intelectual que faz a fé ficar débil até morrer.


Entre os inúmeros dons recebidos de Deus, a inteligência é um dos maiores

Por outro lado, o embotamento da mente, causado por uma falta de vivência intelectual em qualquer área, não é menos danoso ou menos problemático. Se aquele que desenvolve toda sua capacidade intelectual em várias áreas, menos no conhecimento da fé, peca; aquele que não desenvolve, também, peca. Entre os inúmeros dons recebidos de Deus, a inteligência é um dos maiores. Ela nos dá a capacidade de ver e compreender o mundo, além de receber e entender a revelação de Deus que contém as verdades de fé. Aquele que embota (debilita, insensibiliza) a sua própria inteligência, não só destrói suas capacidades de viver melhor em sociedade como, também, se priva de aprender a revelação de Deus.

Procurando corrigir-se desses erros voluntários, isto é, os pecados; e dos involuntários, que são os vícios adquiridos por maus hábitos, conseguimos preservar a fé dada, gratuitamente, por Deus. Mas, como se pode aumentar a nossa fé? No próximo artigo nos deteremos nos passos que podemos dar, conscientemente, para aumentar a nossa virtude da fé.



Flávio Crepaldi

Flavio Crepaldi é casado e pai de 3 filhas. Especialista em Gestão Estratégica de Negócios, graduado em Produção Publicitária e com formação em Artes Cênicas. É colaborador na TV Canção Nova desde 2006 e atualmente cursa uma nova graduação em Teologia com ênfase em Doutrina Católica.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/que-pecados-podem-matar-fe/

26 de novembro de 2018

Será que o casamento está fora de moda?

O casamento precisa ser uma relação de troca e cumplicidade vivida pelo casal

Vivemos o que muitos sociólogos dizem: uma pós-modernidade, caracterizada por mudanças drásticas no modo de se colocar no mundo. E, nisso, o homem pós-moderno não é o mesmo que o de antes, ele é fortemente influenciado por essas mudanças caracterizadas pela desconstrução de certezas como relativismo, pluralismo, falta de referências, crises afetivas, consumismo desenfreado, superficialidade, culto ao corpo, perda total de sentido entre outras coisas; porém, o individualismo parece assumir um lugar de destaque.

O que essa aula de sociologia tem a ver com o verdadeiro amor? Tudo, pois ele também sofre com tais mudanças. Percebemos esse resultado na dinâmica do casamento. Casar-se é ter disposição de viver a conjugalidade, porém, essa tem sido ameaçada pela valorização da possível liberdade, a satisfação de cada cônjuge em detrimento do outro, a perda de uma zona de interação entre eles e, assim, uma consequente dependência doentia.

Será que o casamento está fora de moda

Foto ilsutrativa: Daniel Mafra/cancaonova.com

O desafio do casamento

Se a pós-modernidade favorece ao indivíduo o relativismo no pensar, cada um pode agir como lhe convém, o que leva cada um a criar sua ideia e regra a respeito do amor, do homem, da mulher, da família e da fidelidade; entre outras ideias, a própria ideia sobre o casamento. Se podemos ser tudo, acabamos não sendo nada; e o nada é vazio, por isso, acompanhamos tantos casamentos vazios.

Estamos, de tal forma, vivendo esse vazio do pensamento, de que tudo pode, que acabamos vivendo a vida da forma que convém, não nos prontificando a viver as exigências de uma vida a dois. Dessa forma, corremos o risco de valorizar o casamento, somente quando ele nos proporciona uma sensação de bem-estar. Não possuindo a força interior para enfrentar as experiências difíceis que fazem parte do estar a dois sendo um.

Sei que casar é bom demais, mas como tudo que é bom tem seu valor, logo, haverá um preço a ser pago! Como é doloroso acompanharmos casais que se casam, mas, infelizmente, continuam com a cabeça de solteiros. São casais que não são casais. Os homens querem continuar com a vida como era antes e as mulheres reivindicam o direito de ser o que querem e fazer o que lhe "der na telha". Não conseguem harmonizar a individualidade e a conjugalidade e acabam por viver o individualismo.


Ser um só sem perder a essência

O individualismo é destrutivo ao amor verdadeiro, pois, faz com que olhemos somente para nosso umbigo, enquanto a individualidade nos leva a sermos nós mesmos para o outro.

Quando estou no individualismo, busco caminhos fáceis, torno-me imaturo e infantil, não permito que o outro apareça, pois isso é me tornar "não visto" e, logo, se instala o conflito conjugal. Nem de longe há lugar para a belíssima experiência de conjugalidade. O casamento é utilizado para satisfazer somente necessidades individuais, sem compromissos duradouros, tendo como resultado pessoas fragmentadas.

O casamento é fonte de integração. Quando há amor verdadeiro, duas pessoas inteiras podem ser elas mesmas, são livres e autênticas no que têm de bom e não tão bom, mas ambas saem enriquecidas com essa relação. A construção da conjugalidade torna-se fonte de sustento para o amor e jamais um campo minado onde, a qualquer momento, acontecerá uma mega explosão!

Como ser dois sendo um, e um sendo dois? Eis o desafio! Eis a aventura a se viver, rimar individualidade com conjugalidade.

Obs: Quer saber mais sobre esse assunto? Adquira o livro 'Agora e para sempre', de Adriano e Letícia Gonçalves.




Adriano Gonçalves

Mineiro de Contagem (MG), Adriano Gonçalves dos Santos é membro da Comunidade Canção Nova. Formado em filosofia e Psicologia. Atuou na TV Canção Nova como apresentador do programa Revolução Jesus. Hoje atua no Núcleo de Psicologia que faz parte da Formação Geral da Canção Nova. É autor dos seguintes livros: "Santos de Calça Jeans", "Nasci pra Dar Certo!", "Quero um Amor Maior" e " Agora e Para Sempre: como viver o amor verdadeiro".


Fonte: 

23 de novembro de 2018

Luz da Fé: Anjos, mensageiros da Salvação de Deus

Como temos nos relacionado com nosso anjo da guarda?

O Catecismo da Igreja Católica, do número 328 ao número 336, traz-nos o seguinte ensinamento de Santo Agostinho: "Anjo (mensageiro) é designação de encargo, não de natureza. Se perguntares pela designação da natureza, é um espírito; se perguntares pelo encargo, é um anjo: é espírito por aquilo que é, é anjo por aquilo que faz". Por todo o seu ser, os anjos são servidores e mensageiros de Deus. Porque contemplam "constantemente a face de meu Pai que está nos céus" (Mt 18,10), são "poderosos executores de sua palavra, obedientes ao som de sua palavra" (Sl 103,20).

Como criaturas puramente espirituais, eles são dotados de inteligência e de vontade: são criaturas pessoais e imortais. Superam em perfeição todas as criaturas visíveis. Disto dá testemunho o fulgor de sua glória […]. A vida da Igreja se beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos anjos. Desde o início até a morte, a vida humana é cercada por sua proteção e por sua intercessão. "Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida" (São Basílio).

Foto ilustrativa: Andréia Britta / cancaonova.com

A partir desse ensinamento fica claro que: todos nós temos um anjo, o chamado anjo da guarda.

Padre Pio e seu anjo da guarda

Monsenhor Jonas Abib escreveu um livro a respeito dos anjos intitulado "Anjos, companheiros no dia a dia". Nessa obra, ele escreve, também, a respeito de alguns santos da nossa Igreja que viveram uma profunda intimidade com os anjos. Um exemplo disso é o Padre Pio que viveu um relacionamento com o seu anjo da guarda, mesmo trazendo consigo um temperamento muito forte. Durante sua vida, Padre Pio foi, por diversas vezes, atacado pelo demônio, chegando ao ponto de ser até mesmo agredido fisicamente pelo inimigo.

Monsenhor Jonas escreve o que aconteceu numa dessas ocasiões: Quando o anjo demorava a intervir, Padre Pio, confidencialmente, sabia dirigir-lhe uma reprovação áspera e fraterna: Nem imaginam como aqueles infelizes têm me machucado. Algumas vezes tenho a impressão de que vou morrer. Sábado, pareceu que queriam acabar comigo. Não sabia nem qual santo invocar. Volto-me para meu anjo. Depois de esperar algum tempo, ei-lo enfim a voar ao meu redor e, com sua voz angelical, cantar hinos à divina Majestade. Então, eu o repreendi duramente por ter demorado tanto, enquanto eu não me esquecera de chamá-lo em meu socorro. Para castigá-lo, recusei-me a olhar seu rosto, queria afastar-me dele, queria evitá-lo, mas ele, coitadinho, alcançou-me quase chorando, até que, elevando o olhar, vi seu rosto e o encontrei todo desgostoso. "Estou sempre perto de você" ele disse, "nunca o abandono, esta minha afeição por você não terminará nem mesmo com a vida".

Como temos nos relacionado com nosso anjo da guarda?

Quero dizer a você, meu irmão, que o nosso anjo da guarda age conosco do mesmo jeito que o anjo da guarda do Padre Pio agia com ele, ou seja, o nosso anjo da guarda está sempre ao nosso lado. Diante disso, vamos refletir: Como temos nos relacionado com nosso anjo da guarda? Será que apenas nos lembramos de que ele existe quando "nosso calo aperta", na hora da dificuldade ou nos momentos de combate espiritual?

O Catecismo da Igreja e, também, monsenhor Jonas, no seu livro, nos convidam a um relacionamento com o nosso anjo da guarda, gerando, assim, uma intimidade com ele. E "intimidade" não é algo que surge da noite para o dia… Requer que seja trabalhada diariamente. Então, comece agora!


Se, até hoje, você não cultivou um relacionamento com o seu anjo da guarda, não se desespere. Comece a partir desse momento! E, cultive esse relacionamento com seu anjo, dia após dia.

Convido você a rezar comigo essa simples oração, suplicando o poderoso auxílio e proteção desse nosso bom amigo que vem do Céu, oração essa que, muitos de nós, aprendemos com os nossos pais e avós: Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarde, me governe e me ilumine. Amém.

Um forte abraço!

Assista ao programa:


Alexandre Oliveira

Membro da Comunidade Canção Nova, desde 1997, Alexandre é natural da cidade de Santos (SP). Casado, ele é pai de dois filhos. O missionário também é pregador, apresentador e produtor de conteúdo no canal 'Formação' do Portal Canção Nova.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/series/luz-da-fe/luz-da-fe-anjos-mensageiros-da-salvacao-de-deus/