11 de setembro de 2026

Os valores inegociáveis na escolha de um candidato nas eleições

Voto cristão: valores inegociáveis que nenhum projeto político pode violar

A Igreja Católica não manda votar em um partido ou candidato específico, mas ensina que o voto cristão deve ser dado à luz da consciência moral bem formada. Nesse contexto, os bispos brasileiros e diversos documentos do Magistério falam de “valores inegociáveis” ou princípios não negociáveis, isto é, bens fundamentais que nenhum projeto político pode violar.

Pessoa prestes ao confirmar um voto ao escolher um candidato em uma urna eletrônica.

Crédito: Marcio Binow Da Silva / Getty Images.

O Papa Bento XVI colocou que foram retomados por vários documentos da Igreja:

1 – Defesa da vida humana desde a concepção até a morte natural: rejeição do aborto, da eutanásia e de práticas que atentem diretamente contra a vida inocente. Assim, não se deve votar em um candidato que defenda uma posição contra o que está colocado acima.

2 – Promoção e proteção da família e do casamento segundo a concepção cristã; defesa da estabilidade familiar, da abertura à vida e da dignidade da família como célula fundamental da sociedade. São João Paulo II se referia à família, na “Carta às Famílias”, como o “Santuário da Vida”, “célula básica da sociedade”, “patrimônio da humanidade” e uma “instituição inegociável”.

Então, um católico não deve votar em um candidato que não valorize e não defenda a família, o direito dos pais de definir os filhos que quiserem e puderem ter.

3 – Liberdade de educação dos filhos: reconhecimento do direito primário dos pais de educar moral e religiosamente seus filhos. Cabe aos pais o direito de educar os seus filhos na fé que desejam e não ao Estado.

4 – Promoção do bem comum e da liberdade religiosa: respeito à dignidade da pessoa humana, à justiça, à paz, à solidariedade e ao direito de professar a fé sem coerção.

Esses princípios são claros, por exemplo, no “Compêndio da Doutrina Social da Igreja” (nn. 155–159, 231–233, 436–445); nas encíclicas do Papa São João Paulo II: “Evangelium Vitae” (nn. 71–74), “Veritatis Splendor”, “Sacramentum Caritatis” (n. 83) e no Documento da Congregação para a Doutrina da Fé: “Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao compromisso e comportamento dos católicos na vida política” (2002).

Não adianta, por exemplo, lutar contra as drogas e votar em algum candidato que seja favorável à liberação delas.

Não adianta lutar contra o aborto e votar em um candidato que seja favorável a ele.

Não podemos lutar pela família e votar em alguém que seja a favor da sua dissolução e contra os valores cristãos da família.

Não adianta lutar pela boa formação das crianças e votar em um candidato que aceite ensinar sexo livre e outras imoralidades para elas nas escolas, nas cartilhas e outros meios.

Não adianta lutar pela liberdade religiosa, e votar em um candidato que impeça a Igreja de ensinar com liberdade e segurança o que Magistério ensina.

Enfim, o que a Igreja “exige” do eleitor?

Ela exige que o católico não apoie deliberadamente propostas que atentem gravemente contra a vida e a dignidade humana; considere o conjunto da pessoa e do programa do candidato avaliando competência, honestidade, caráter, justiça social, combate à corrupção; e forme a própria consciência segundo a Escritura, o Catecismo e a Doutrina Social da Igreja.

Pode acontecer que, numa eleição, o eleitor não encontre alguém que siga os valores cristãos, então, o voto cristão deve escolher aquele que mais obedeça a esses valores. No caso de uma eleição onde só haja dois candidatos para um mesmo cargo, e nenhum deles apresentem os valores acima mostrados, deve-se votar no “menos mau”. Isso está dentro do conceito moral de “mal menor”. Nunca se deve anular o voto ou votar em branco, pois deixar de votar no “menos mau” acaba favorecendo o pior.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/politica/valores-inegociaveis-na-escolha-de-um-candidato-nas-eleicoes/

9 de setembro de 2026

Por que não noticiar suicídio?

Alguns especialistas em comunicação apostam numa mudança de comportamento do jornalismo no que diz respeito às notícias ligadas ao suicídio. Muitos meios acreditam que noticiar uma morte deste tipo tem como principal finalidade o equilíbrio do interesse público com a ética. Também afirmam que seria uma maneira de ajudar a entender melhor essa prática e com isso trabalhar reportagens que ampliem o debate e, quem sabe, reduzam o drama de quem enfrenta problemas emocionais e corre o risco de cometer tal ato.

Fala-se em evitar o sensacionalismo para não permitir o chamado “efeito imitação”, que ao longo das últimas décadas pode ter contribuído com o crescimento das estatísticas. Qualquer psicólogo é capaz de afirmar que pessoas com tendências suicidas se sentem estimuladas a fazer o mesmo quando assistem a conteúdos que noticiam, ou até mesmo ensinam como tirar a própria vida. Por conta disso, defende-se a criação de reportagens com foco exclusivo em prevenção e conscientização, desde que não se detalhem métodos ou locais em que suicídios acontecem.

Créditos: magnific.com

As diretrizes atuais de cobertura e seus limites éticos

Numa busca rápida, com auxílio da Inteligência Artificial, dá até pra encontrar algumas diretrizes práticas e éticas na forma de noticiar um suicídio. Coisas do tipo:

Evitar sensacionalismo: a cobertura não deve glamourizar ou detalhar o ato.
Foco na prevenção: a notícia deve ser pautada como saúde pública e incluir informações sobre busca de ajuda.
Respeito à família: a abordagem precisa ser empática, preservando a intimidade dos envolvidos.
Exceções: casos de figuras públicas ou ocorrências em locais públicos que impactam a coletividade podem exigir cobertura, mas com extremo cuidado.
Abordagem atual: o suicídio tem deixado de ser um tabu absoluto, sendo tratado com maior seriedade para quebrar o estigma, sem dar “roteiros” aos novos casos.

Uma análise crítica sobre as diretrizes

Uma cobertura jornalística sobre suicídio, já não revela uma pitada de sensacionalismo, ou alguém é capaz de achar sensacional um suicídio?

Ao noticiar um suicídio, o que mais eu consigo prevenir se a vítima já tirou a sua vida? Talvez, no máximo, criticar a inoperância do sistema de saúde, que, além do Setembro Amarelo, pouco faz para mudar esse quadro, que registra uma média de 38 pessoas que tiram a própria vida por dia no Brasil, cerca de 14 mil casos só em 2025.

Respeitar a família e preservar a intimidade do envolvido não seria também ficar sem ninguém para abordar sobre o suicídio ocorrido? Só em estar com seu equipamento jornalístico no local onde o suicida foi encontrado, já gera nos familiares uma mistura de angústia e vergonha, incapazes de serem reveladas de outra forma. Na prática, ou o jornalismo invade a privacidade familiar para extrair o caso, ou simplesmente não o faz; não há meio-termo confortável.

O problema das exceções e a banalização

As exceções, significam que as figuras públicas, são pessoas que não tem mais família? Os outros suicidas, sem fama pública, não impactam a coletividade? Como fazer uma cobertura extremamente cuidadosa? Falar o lado bom de quem se suicidou? Além disso, existe o risco iminente de que a chamada “abordagem atual”, ao tentar quebrar o tabu e dar excessiva visibilidade ao tema, acabe por banalizar a prática, ao contrário do tratamento sério que o assunto historicamente recebeu.

A perspectiva da fé: o vazio espiritual e a esperança

Não se pode discutir um tema tão denso sem analisar sua dimensão espiritual. Muitas vezes, ignora-se que as tentações malignas e influências demoníacas, instigam ao pecado que afasta a pessoa de Deus, a ponto de incitar o desespero interior e fatalmente os pensamentos suicidas. A vítima do pecado, instigada pelo inimigo de Deus, perde a confiança na misericórdia divina, se isola da comunidade e perde a esperança. E sem esperança se perde o sentido da vida.

No artigo 2280 do Catecismo da Igreja Católica lemos:
“Cada um é responsável por sua vida diante de Deus, que lhe deu e que dela é sempre o único e soberano Senhor. Devemos receber a vida com reconhecimento e preservá-la para honra d’Ele e salvação de nossas almas. Somos os administradores e não os proprietários da vida que Deus nos confiou. Não podemos nos dispor dela”.

O documento reforça ainda em seu Artigo 2281:
“O suicídio contradiz a inclinação natural do ser humano a conservar e perpetuar a própria vida. É gravemente contrário ao justo amor de si mesmo. Ofende igualmente o amor do próximo, porque rompe injustamente os vínculos de solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, às quais nos ligam muitas obrigações. O suicídio é contrário ao amor do Deus vivo”.

Boas notícias e confiança em Deus

Por isso as boas e belas notícias podem sim ser remédio para os que hoje enfrentam tentações. Principalmente aquelas que recordam, com riquezas de detalhes, que Deus é capaz de mudar toda e qualquer situação. Basta apenas que confiemos mais n’Ele e menos nas coisas do mundo.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/porque-nao-noticiar-suicidio/

7 de setembro de 2026

Irmãos: frutos da suprema instituição humana

A relação entre irmãos é um dos laços mais longos e autênticos de nossa vida

Ao longo da história, muitas civilizações tentaram colocar outras prioridades acima da estrutura familiar. Um exemplo clássico disso é Esparta, que focou toda a sua energia na guerra e no desenvolvimento militar. O resultado? A sociedade espartana acabou sucumbindo não por causa de um exército inimigo, mas devido a uma silenciosa crise de natalidade. Esse colapso demográfico foi mais devastador do que qualquer oponente no campo de batalha, provando uma grande verdade histórica: a família é a base insubstituível de qualquer sociedade e a suprema instituição humana.

Créditos: Domínio público

Por ser a primeira instituição abençoada por Deus, a família atrai tanto defensores apaixonados quanto críticos ferrenhos. No entanto, entender a importância da família não significa romantizá-la. Existe um grande erro em pintar o lar como um ambiente sempre pacífico, agradável e cordial. A verdade por trás dos laços familiares é muito mais profunda — e, às vezes, um pouco mais caótica.

Nem tudo é paz, e tudo bem!

Muitos apologistas da família tentam promover a ideia de que o lar é um porto seguro de pura harmonia. Esse é um equívoco. A família não é perfeita, e o seu verdadeiro valor não está na ausência de atritos, mas justamente na nossa capacidade de lidar com as diferenças reais e profundas do dia a dia.

Enquanto temos a liberdade de escolher nossos amigos e até nossos inimigos, é Deus quem escolhe a nossa família. Ela funciona como um retrato perfeito e inescapável da própria humanidade: nela, convivemos com as mais diversas facetas humanas — desde o pai mais rigoroso e o tio libertino até a avó tagarela e o avô com uma visão teimosa e antiga do mundo. Esse ambiente diversificado e incalculável não depende da nossa vontade ou seleção para existir; ele simplesmente se impõe, desafiando nosso egoísmo.

Por que tentamos escapar de quem está perto?

Existe uma forte tendência moderna que prega o prestígio de participar de vastos impérios e de cultivar ideias grandiosas. Contudo, quanto mais tentamos ampliar a nossa realidade de forma artificial, mais estreita ela se torna. O pensador G.K. Chesterton ilustrou perfeitamente esse comportamento ao descrever o esforço do homem moderno para escapar da rua onde nasceu.

Muitas vezes, as pessoas viajam para os confins da Terra — inventando modas, culturas e desculpas em lugares como Margate, Florença ou Tombuctu — para encontrar realidades passivas, onde os outros são apenas figuras distantes que não nos incomodam. É fácil admirar um veneziano ou um chinês distante porque eles não interagem diretamente com o nosso cotidiano. No entanto, se olharmos fixamente para a vizinha idosa do jardim ao lado, ela reagirá e nos confrontará.

Fugir para ambientes onde não somos confrontados e onde podemos “definir a nossa própria realidade” é um falso alívio que anula o crescimento. Como bem pontuou Chesterton, as pessoas que se revoltam contra a família não estão fugindo da morte; elas estão fugindo da própria vida e da raça humana. A verdadeira realidade, por mais incômoda que seja, nos obriga a enfrentar a divergência de nossos pares e nos impede de viver em uma bolha de escapismo.

Diferentes papéis no mesmo cenário

Dentro do pequeno e rico universo familiar, aprendemos a lidar com as diversidades mais profundas porque não selecionamos quem está ao nosso redor por afinidade. Defrontamos, assim, pensamentos e posturas completamente diferentes das nossas.

Cada membro da família desempenha um papel que molda nossa visão de mundo: se o pai rigoroso representa a lei e o avô representa o passado, os irmãos funcionam como “vizinhos de trincheira”. Embora os irmãos compartilhem uma proximidade física e emocional profunda por estarem na mesma posição hierárquica, eles ainda podem ser pessoas completamente diferentes. “Vizinhos de trincheira” não assinam um contrato de boa convivência, mas é nessa intensa experiência diária que suas almas individuais se reconhecem e se fortalecem.

Nossos eternos guardiões da humildade

No mundo lá fora, podemos usar máscaras sociais e tentar parecer mais fortes, inteligentes ou corajosos do que realmente somos. Mas, dentro de casa, os nossos irmãos sabem exatamente quem somos por trás de qualquer fingimento. Eles agem como guardiões da nossa humildade, garantindo que a nossa verdade não escape.

Nossos pais, pela ordem natural da vida, partem antes de nós. Cônjuges e filhos chegam depois. Amigos entram e saem da nossa vida conforme mudamos de escola, trabalho ou cidade. Mas os irmãos costumam nos acompanhar pelo caminho mais longo e duradouro.

Ter um irmão é conviver de perto com os frutos dessa instituição tão complexa que é a família. É uma relação genuína que não se apoia na ausência de brigas; pelo contrário, é justamente através do embate diário e da superação das divergências que o laço fraternal cresce. A cumplicidade e o companheirismo entre irmãos são incomparáveis e representam um presente indispensável da providência em nossas vidas.


Matheus Henrique Duarte Eleutério
Jornalista


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/familia/irmaos-frutos-da-suprema-instituicao-humana/

4 de setembro de 2026

A doença de Alzheimer e a sua relação com a alimentação

A Doença de Alzheimer (DA) é um dos transtornos neurodegenerativos mais estudados em todo o mundo atualmente. Trata-se de uma condição progressiva que, com o avanço dos danos, torna-se fatal, pois compromete significativamente a cognição, a memória e, gradualmente, as atividades cotidianas do paciente, vindo acompanhada de sintomas neuropsiquiátricos e comportamentais.

A doença tem início quando ocorrem falhas no sistema nervoso central decorrentes do acúmulo de substâncias tóxicas. Essa toxicidade resulta na perda progressiva de neurônios em regiões específicas do cérebro — como as áreas responsáveis pelo controle da memória, da linguagem, do raciocínio, dos estímulos sensoriais e do pensamento abstrato.

Como podemos ver não se trata de uma doença simples, e a Ciência se empenha em entendê-la por completo: identificando por que ela surge, como podemos prevenir o seu aparecimento e de que forma alcançar a sua cura. Mas o que já se sabe é que a alimentação desempenha um papel crucial na prevenção e no retardamento do Alzheimer, pois o cérebro depende diretamente dos nutrientes ingeridos para manter suas funções vitais.

Créditos: wildpixel by GettyImages

Embora a DA seja multifatorial — envolvendo predisposição genética e estilo de vida —, a nutrição adequada atua diretamente na redução da inflamação crônica e do estresse oxidativo, dois dos principais mecanismos associados à degeneração dos neurônios.

Como a nutrição equilibrada protege o cérebro?

Abaixo, veja como a alimentação protege a saúde cerebral e quais estratégias são cientificamente comprovadas.

  • Diminuição de processos inflamatórios: os alimentos ultraprocessados: ricos em açúcar, gorduras de má qualidade, corantes artificiais, conservantes entre outros ingredientes químicos e artificiais, inflamam o corpo como um todo e, consequentemente, os vasos sanguíneos, prejudicando a oxigenação cerebral e a ingestão diária de nutrientes saudáveis fazem o oposto.
  • Combate aos radicais livres: o tempo todo produzimos radicais livres (o corpo produz naturalmente, mas são também de forma natural combatidos, porém, fatores como estresse, poluição, tabagismo, ingestão excessiva de álcool, má alimentação, aumentam muito esta produção), mas as substâncias antioxidantes encontradas em alguns alimentos neutralizam moléculas que destroem as células cerebrais ao longo do tempo.
  • Gorduras de má qualidade (óleos vegetais ultraprocessados, como o de soja, margarina) são prejudiciais ao corpo, mas as gorduras de boa qualidade (azeite de oliva extravirgem, abacate, linhaça, gergelim) ajudam a manter as membranas dos neurônios saudáveis.

A Dieta MIND: a melhor aliada da cognição

A Ciência aponta que a Dieta MIND (uma junção da Dieta Mediterrânea com a Dieta DASH) é a mais eficaz para proteger a cognição. Estudos mostram que segui-la rigorosamente pode reduzir o risco de Alzheimer em até 53%.


Alimentos que devem ser incluídos (protetores do organismo):

  • Vegetais de folhas escuras: couve, espinafre e brócolis são ricos em folato e vitamina E.
  • Frutas vermelhas: morango, framboesa, mirtilo (blueberry) e amora contêm flavonoides que melhoram a memória.
  • Oleaginosas: amêndoas, castanhas e nozes, são ricas em gorduras boas, saudáveis e antioxidantes.
  • Peixes gordos: salmão, sardinha e atum são excelentes fontes de Ômega-3.
  • Leguminosas: inclui todos os tipos de feijões
  • Azeite de oliva extravirgem: Deve ser a principal fonte de gordura utilizada na cozinha.
  • Grãos integrais: aveia, quinoa, chia e arroz integral, trigo integral e seus derivados, excelentes para manter a energia cerebral e controlar a glicose.

Alimentos que devem ser consumidos com moderação (fatores de risco para o aparecimento da DA):

  • Carne vermelha gordurosa e embutidos: ricos em gorduras, conservantes e aditivos químicos.
  • Manteiga e margarina: fontes de gorduras saturadas e trans.
  • Queijos amarelos e gordurosos: ricos em gorduras que podem contribuir para o surgimento de doenças do sistema cardiovascular.
  • Doces e açúcar refinado: o excesso de glicose no sangue está ligado ao “Diabetes Tipo 3” (termo usado por cientistas para a resistência à insulina no cérebro associada ao Alzheimer).
  • Alimentos ultraprocessados e fritos: ricos em toxinas que aceleram o envelhecimento celular.

O poder da comida de verdade e da longevidade

Hábitos saudáveis numa alimentação pode ser um fator determinante para o crescimento e boa saúde a vida toda, mas uma mudança de hábito pode ser feita a qualquer momento da vida e isso só trará benefícios.

A longevidade pode ser garantida quando se alimenta com “comida de verdade”, ingredientes claramente reconhecidos como alimentos e sendo assim, tudo aquilo que é processado utilizando-se de ingredientes que o seu corpo não reconhece, com certeza não trará benefícios e exporá o seu corpo às situações de estresse oxidativo que poderá gerar não somente a (DA), mas sim outras doenças crônicas.

A importância do cuidado integral

Uma avaliação nutricional pode apontar pontos frágeis e escondidos que a sua dieta apresenta, e a suplementação de vitaminas, minerais e demais sustâncias que contribuem para um corpo saudável, muitas vezes é ignorada e é exatamente aí que surgem as doenças e processos de desgastes do seu corpo, muito antes do tempo. Lembrando que o intestino com uma microbiota equilibrada também trará muitos benefícios ao seu corpo e evitará o aparecimento de doenças neurodegenerativas.

Em se tratando de uma doença tão complexa, a ciência ainda está no início das pesquisas para a sua prevenção, manutenção e cura. Então, reavalie as suas escolhas todos os dias e sempre se lembre: a sua saúde sempre será a coisa mais importante a ser cuidada, e até dela depende a sua saúde espiritual. Aqui fica uma reflexão: SERÁ QUE QUEM TEM DOR CONSEGUE REZAR?


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/alzheimer-e-a-sua-relacao-com-a-alimentacao/

2 de setembro de 2026

Eu realmente preciso opinar sobre tudo?

Aprender a ouvir antes de querer opinar sobre tudo

Você já reparou como parece que, hoje em dia, precisamos ter uma opinião sobre tudo? Ouvimos alguém contar sobre algo e, automaticamente, vem uma vontade quase incontrolável de opinar. Claro que o direito de expressão e de manifestação do que pensamos é justo e digno.

É saudável para cada um de nós que tenhamos a liberdade de pensar com a própria cabeça e dizer o que sentimos. Mas basta olhar para a cultura do cancelamento e para os “fiscais da vida alheia” para notar uma dinâmica cruel: a tecnologia acabou dando voz (e poder) a uma legião de pessoas capazes de julgar e opinar sobre a vida de quem sequer conhece.

Mulher usando celular enquanto é cercada por balões de diálogo, representando a influência das opiniões nas redes sociais.

Crédito: sefa ozel / Getty Images.

Invadimos os perfis de pessoas desconhecidas por nós (pelo menos quando pensamos em intimidade) e damos opiniões: “eu faria diferente”, “isso é ridículo”, “você fala isso porque é rico ou pobre”. Essas e outras frases as encontramos aos montes nas redes sociais. Às vezes, nem percebemos o quanto fazemos isso. Parece natural. Como se ter uma opinião nos obrigasse, automaticamente, a compartilhá-la e, por vezes, até ofender o outro.

Ter opinião, evidentemente, não é um problema. Saber o que pensamos, reconhecer nossos valores e conseguir nos posicionar diante da vida é importante. A questão começa quando acreditamos que toda opinião precisa ser expressa, que toda escolha do outro precisa ser comentada ou que, de alguma maneira, precisamos mostrar às pessoas como elas deveriam conduzir a própria vida.

Muitas polêmicas causadas pelos questionamentos em redes sociais parecem ser uma voz que clama por algo, por mudança. Mas será que o verdadeiro ativismo consiste apenas em dar opiniões públicas? É um comportamento preocupante, muito amplificado pelas redes. Parece haver a crença de que ser implacável com os outros é uma forma de transformação. Mas limitar o engajamento a tuítes e cobranças pontuais não passa de uma falsa sensação de dever cumprido. É como se falar e dar opinião fosse uma forma efetiva de ação e de mudança do mundo, quando não é.

Quando confundimos a preocupação com controle

Talvez uma das perguntas mais importantes que possamos fazer antes de falar seja muito simples: “Essa pessoa pediu a minha opinião?”

Pode parecer uma pergunta óbvia, mas ela muda completamente a forma como nos relacionamos. Quando uma pessoa nos conta algo, precisa, na maioria das vezes, ser ouvida, e atualmente, parece que há muita dificuldade em apenas ouvir, acolher as preocupações do outro, encontrar alguém para desabafar. E, quando respondemos imediatamente com conselhos, julgamentos ou críticas, podemos acabar interrompendo justamente aquilo que ela mais precisava naquele momento: ser acolhida.

Imagine, por exemplo, que alguém próximo diga: “Estou passando por uma fase muito difícil no meu casamento”. Antes mesmo de ouvir a história inteira, podemos pensar: “Você precisa se separar”, “Eu já tinha percebido que ele não era uma boa pessoa” ou “Se fosse comigo, eu não aceitaria isso”. Mas será que é disso que aquela pessoa precisa? Talvez ela só queira contar o que está vivendo. Talvez ainda esteja tentando entender o que sente, ou esteja confusa, ou ainda nem saiba que decisão tomar.

Quando alguém desabafa sobre uma crise, o impulso imediato costuma ser dar conselhos ou julgar a situação. No entanto, ouvir não significa concordar nem assumir a responsabilidade pelas escolhas do outro, mas  oferecer escuta, presença e respeito. Lembrando que a nossa régua nem sempre servirá para o outro.

O problema é que frequentemente confundimos preocupação com controle. Queremos proteger quem amamos, mas esquecemos uma verdade essencial: não podemos viver a vida dos outros. Cada um deverá viver suas escolhas e aprender com elas. O que eu vivi nem sempre será molde para a vida do outro. E cabe uma boa pergunta:  “estou ajudando ou apenas impondo meu ponto de vista?”

Amar e respeitar o outro não significa querer decidir por ele

Amar e respeitar o outro exige reconhecer os limites entre nós e ele. Nem toda crítica precisa ser dita, nem toda escolha alheia precisa da nossa aprovação, e saber quando escolher o silêncio é uma das maiores demonstrações de sabedoria.

Isso acontece muito dentro das famílias. Pais que continuam tentando decidir a vida dos filhos adultos, irmãos que acreditam saber o que é melhor para os irmãos, amigos que se sentem responsáveis pelas escolhas uns dos outros. A intenção, muitas vezes, pode até ser boa. Queremos proteger quem amamos, evitar que a pessoa sofra, impedir que ela cometa os mesmos erros que nós cometemos. Só que existe uma verdade difícil de aceitar: não podemos viver a vida do outro por ele.

E aqui existe uma reflexão ainda mais profunda: por que sentimos tanta necessidade de opinar?

Será que realmente queremos ajudar? Ou será que temos dificuldade em aceitar que alguém pense diferente de nós? Será que precisamos sentir que estamos certos? Será que ficamos desconfortáveis quando não conseguimos controlar uma situação? Será que acreditamos que, se não interferirmos, algo ruim necessariamente acontecerá?

Nem sempre a nossa necessidade de opinar tem relação com o outro. Às vezes, ela revela uma necessidade nossa de controle, de reconhecimento ou até de segurança.

Quando conseguimos perceber isso, começamos a desenvolver uma relação diferente com as nossas próprias opiniões. Não precisamos abandoná-las. Não precisamos concordar com tudo. Não precisamos nos tornar pessoas passivas ou indiferentes. O que precisamos aprender é que ter uma opinião e precisar expressá-la são duas coisas diferentes.

Essa diferença pode parecer pequena, mas faz uma enorme diferença nos relacionamentos.


O valor da escuta é fundamental para um relacionamento de confiança e empatia

Imagine quantas discussões poderiam ser evitadas se, antes de responder, fizéssemos uma pequena pausa. Quantas conversas seriam diferentes se, em vez de imediatamente aconselhar, perguntássemos: “Você quer ouvir o que eu penso ou só precisa conversar?”. Quantas relações poderiam ficar mais leves se entendêssemos que nem toda diferença precisa ser corrigida?

Talvez uma das perguntas que mais podem nos ajudar, embora desconfortável, seja: “Eu estou dizendo isso porque realmente pode ajudar ou porque preciso que o outro pense como eu?”

No consultório, muitas vezes, percebemos o quanto essa dificuldade de respeitar o espaço do outro pode estar presente nas relações. E aprender a estabelecer limites não significa apenas dizer “não” quando alguém invade o nosso espaço. Também significa aprender a reconhecer os limites que existem entre nós e o outro. Cada um tem responsabilidade sobre suas próprias escolhas.

Expressar pontos de vista é saudável, mas o policiamento moral constante compromete o bem-estar e as relações. Nem toda opinião precisa ser compartilhada e nem toda a escolha das outras pessoas precisa da nossa aprovação.

Talvez a resposta para “Preciso opinar sobre tudo?” Seja simples: Não. Ter pontos de vista e discordar é natural, mas nem todo pensamento exige uma intervenção. Muitas vezes, o melhor a oferecer não é um conselho ou julgamento, mas escuta, presença e respeito. Afinal, uma das maiores demonstrações de maturidade é ter o que dizer e, ainda assim, escolher o silêncio.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/eu-realmente-preciso-opinar-sobre-tudo/

31 de agosto de 2026

As telas e a alma: um convite ao equilíbrio

Compreender quem somos é o passo fundamental para usar a tecnologia com sabedoria

Poucas questões contemporâneas tocam tão profundamente a vida interior quanto a relação que estabelecemos com as telas. Presentes em quase todos os momentos do dia, elas moldam hábitos, afetam a atenção e, como veremos, influenciam diretamente a nossa capacidade de pensar, de nos recolher e de orar. Compreender o que somos e como o nosso cérebro responde a esses estímulos é o primeiro passo para usar essa tecnologia com sabedoria — e não ser usado por ela.

Mulher diante de uma tela de computador, representando os efeitos do uso excessivo da tecnologia sobre a atenção e a vida cotidiana.

Crédito: Cecilie_Arcurs / Getty Images.

Seres humanos e animais: o que nos distingue

O naturalista Carl Von Linné, em sua obra Systema Naturae (1735), classificou todos os seres vivos em uma hierarquia de categorias — reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie — e criou a nomenclatura binomial, pela qual cada espécie recebe dois nomes em latim (gênero e espécie, como Homo sapiens). Nessa classificação, nós, seres humanos, pertencemos à ordem dos Primatas e à espécie Homo sapiens. Vale notar que o chimpanzé, nosso parente mais próximo dentro dessa ordem, compartilha cerca de 98% do nosso DNA. No entanto, segundo a ciência, o que verdadeiramente nos distingue é a cognição e a cultura acumulada.

Cognição, cultura acumulada e a visão católica do ser humano

A cognição é o conjunto de processos mentais pelos quais conhecemos e interagimos com o mundo: percepção, atenção, memória, linguagem, raciocínio, resolução de problemas e tomada de decisão. Em outras palavras, é o modo como o cérebro recebe a informação, processa-a, armazena-a e a utiliza para agir.

Já a cultura acumulada é o conhecimento, as técnicas, os costumes e as descobertas que cada geração transmite à seguinte, somando-se ao longo do tempo: cada geração parte de onde a anterior parou, em vez de recomeçar do zero. É isso que permite à humanidade construir sobre o passado — ninguém precisou reinventar a roda, a escrita ou a agricultura; herdamos essas conquistas e as acrescentamos às nossas. Esse acúmulo é o que distingue a nossa cultura da “cultura” rudimentar de outros animais, como os chimpanzés que transmitem o uso de uma ferramenta, pois neles o conhecimento não se expande de forma cumulativa e duradoura como no ser humano.

Nós católicos sabemos, porém, que há uma característica fundamental que nos diferencia dos demais animais: somos criados à imagem e semelhança de Deus, conforme Gênesis 1,26-27: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança… Criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” Além disso, o Senhor colocou os animais sob o nosso domínio, conforme Gênesis 1,28: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.”

Telas e cérebro: o que a ciência revela

Mas o que isso tem a ver com as telas? O uso passivo — o scroll sem objetivo, o consumo compulsivo de conteúdo de baixa qualidade — está associado a piores resultados, incluindo o declínio da memória verbal e da cognição global. Ou seja: o problema não é a tela em si, mas o que se faz com ela.

O córtex cerebral, camada externa do cérebro, é responsável pelas funções mais nobres e complexas: pensamento, raciocínio, memória, linguagem, percepção sensorial (visão, audição e tato), planejamento e controle dos movimentos voluntários. É ele que nos permite interpretar o mundo, tomar decisões e coordenar ações conscientes — sendo, proporcionalmente, a região mais desenvolvida no ser humano. O seu afinamento, ou seja, a redução da espessura dessa camada, pode acarretar prejuízos cognitivos e emocionais, conforme a região afetada e a intensidade. Entre os efeitos mais comuns estão:

  • Dificuldade de atenção e concentração — o córtex pré-frontal, responsável pelo foco e pelo controle de impulsos, é uma das áreas mais sensíveis.
  • Perda de memória — sobretudo a memória de trabalho e a capacidade de reter informações novas.
  • Declínio da função executiva — planejamento, tomada de decisão, resolução de problemas e flexibilidade mental ficam comprometidos.
  • Alterações emocionais — maior irritabilidade, ansiedade e dificuldade de regulação emocional.
  • Redução do QI e da velocidade de processamento — em casos mais acentuados, como apontam estudos sobre o uso excessivo de telas em jovens.

É importante ressaltar que o afinamento cortical faz parte do envelhecimento normal e também ocorre em condições como demências e transtornos psiquiátricos.

Efeitos em adultos, crianças e adolescentes

Em adultos jovens (18–25 anos), estudos indicam que o uso excessivo pode provocar o afinamento do córtex cerebral e a redução da massa cinzenta em regiões ligadas à tomada de decisão. O termo “cérebro podre” (brain rot) foi eleito a palavra do ano de 2024 pelo Dicionário Oxford, refletindo essa preocupação cultural.

Em crianças e adolescentes — o grupo mais vulnerável — o consenso é mais forte: o uso excessivo pode causar alterações físicas no cérebro, como danos à substância branca e ao córtex, comprometer funções cognitivas, reduzir o QI, atrasar a linguagem e aumentar sintomas compatíveis com o TDAH quando a exposição ultrapassa cerca de duas horas por dia. A substância branca, formada principalmente por axônios revestidos de mielina — a bainha gordurosa que acelera a transmissão dos sinais elétricos — é a “rede de cabos” que conecta as diferentes regiões do cérebro entre si e com o restante do corpo. Quando danificada, a comunicação entre as áreas fica comprometida, afetando atenção, memória e coordenação.

Mas não é só isso. Um grande estudo de 2025, publicado no Psychological Bulletin, reunindo 71 pesquisas e quase 100 mil pessoas, confirmou que o consumo de vídeos curtos (TikTok, Reels, Shorts) está associado à piora da cognição e da saúde mental, com impacto negativo moderado. Os principais prejuízos recaem sobre a atenção e o controle inibitório — a capacidade de frear impulsos. O mecanismo é o chamado “loop de dopamina”: o formato de rolagem infinita entrega recompensas rápidas e imprevisíveis a cada gesto, ativando o circuito de dopamina do cérebro — o mesmo acionado pelos jogos. Isso treina a mente a esperar estímulos curtos e constantes, reduzindo a atenção sustentada e aumentando a fragmentação cognitiva, isto é, a dificuldade de manter uma linha de raciocínio.

Os efeitos específicos encontrados incluem: redução da atenção sustentada e dificuldade de concentração em tarefas longas; prejuízo na retenção de informações e na memória de trabalho; menor autocontrole e maior tendência ao phubbing (ignorar pessoas para olhar o celular); procrastinação acadêmica em universitários, mediada pela perda de controle atencional; e associação com ansiedade, estresse e piora do bem-estar. Adolescentes e adultos jovens são os mais afetados, pois o cérebro ainda está em desenvolvimento e o hábito se consolida cedo. Em crianças, o alerta é ainda maior, pois a exposição precoce pode reduzir a capacidade de atenção em uma fase crítica de formação.


Consequências para a vida de oração

O uso excessivo de telas atinge diretamente quase todas as dimensões da vida espiritual. O silêncio e o recolhimento são os mais prejudicados: a rolagem infinita e o loop de dopamina mantêm a mente em agitação constante, tornando quase impossível o estado de quietude interior que a oração exige. A perseverança e a fidelidade ao horário fixo sofrem com a fragmentação da atenção e o enfraquecimento do autocontrole — o mesmo mecanismo que provoca a procrastinação nos estudos também dificulta a manutenção de uma rotina de oração. A humildade e a confiança — a “entrega” de Santa Teresinha — são corroídas pela ansiedade, pelo estresse e pela comparação constante que o feed estimula, alimentando o ego e a dispersão. Por fim, a leitura espiritual (lectio divina) é diretamente atacada pela redução da atenção sustentada e da memória de trabalho: um cérebro habituado a estímulos de quinze segundos encontra grande dificuldade para se aprofundar em um texto longo.

Conclusão

É isso, meus irmãos. Que Deus nos conceda a sabedoria de usar os benefícios das telas de maneira equilibrada, para que as distrações deste mundo não nos afastem d’Ele.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/telas-e-alma-um-convite-ao-equilibrio/

26 de agosto de 2026

O lugar da refeição na vivência da fé em família

É na família que colocamos em prática o Evangelho nas ações do dia a dia

A Igreja cristã primitiva se reunia nas casas das famílias, onde se partia o pão, se compartilhavam os bens, se faziam orações e se celebrava a Eucaristia. Essa ideia de Igreja doméstica foi bastante trabalhada no Magistério de São João Paulo II. De acordo com o Papa das famílias, “a Igreja Universal, e nela cada Igreja Particular, revela-se de maneira mais imediata e concreta como esposa de Cristo na «igreja doméstica» e no amor aí vivido: amor conjugal, amor paterno e materno, amor fraterno, amor de uma comunidade de pessoas e gerações” (Gratissimam Sane, 19).

Família reunida à mesa durante uma refeição, com as mãos dadas em oração antes da refeição.

Crédito: andreswd by Getty Images.

É na família que recebemos – ou deveríamos receber – a catequese com as primeiras noções da fé. Nela também colocamos em prática o Evangelho através das renúncias, da doação, do zelo e dos cuidados com o outro, assim como das orações para as diversas circunstâncias vividas.

Toda essa dimensão se aprofunda ainda mais quando vivemos, dentro da própria família, os mistérios da fé. Muitas vezes, os pais católicos, por receio de os filhos se sentirem forçados a seguir uma religião, caem em outro extremo: o de não lhes ensinarem a viver a fé. 

Ensina a criança o caminho que deve seguir

A palavra nos ensina o seguinte: “Ensina à criança o caminho que deve seguir, que não se afastará dele, mesmo quando envelhecer” (Pr 22,6).

Quando, desde cedo, vivemos com os nossos filhos o dia a dia da fé – incluindo grandes celebrações como  Páscoa, Natal, tempos litúrgicos ou festas importantes da Igreja –, vamos incutindo neles o gosto e o entendimento sobre o que professamos. Dessa forma, embora nem sempre consigam compreender inteiramente questões profundas da doutrina, vai sendo despertado neles o desejo de compreender, na vivência diária, as razões do que cremos e celebramos. 

O sentido da refeição na Palavra de Deus

Um momento singular para transmitir e viver a fé dentro da família é a refeição. A simbologia desse ato perpassa toda a Sagrada Escritura. Em Gênesis, vemos que Abraão, quando recebeu a visita de anjos em forma humana, preparou para eles uma refeição durante a qual os visitantes levaram ao casal idoso a promessa divina de que Sara ficaria grávida apesar da velhice. Oferecer refeição é dar ao outro acolhimento e espaço em nossa família. Também Isaque, antes de abençoar o filho que seria seu primogênito, pediu que este lhe preparasse uma refeição que precederia o momento solene da bênção.

Na cultura judaica, sentar-se à mesa com alguém para refeição significa criar vínculo. Cristo foi diversas vezes criticado por comer com pecadores e publicanos. E ele o fazia a fim de mostrar unidade com essas pessoas como fez com Levi (cf Mc 2,15-17); Zaqueu (cf. Lc 19,1-10) ou os irmãos Lázaro, Marta e Maria (Lc 10,38-42).

Foi na Última Ceia que o Senhor revelou diversos ensinamentos a Seus discípulos, anunciou a traição, deixou o discípulo amado reclinar em seu peito (cf Jo. 13) e instituiu a Eucaristia ( Lc 22), que  é, em amplo sentido, uma refeição; há nela também o significado de partilha, doação e sacrifício.

O livro de Apocalipse também fala das bodas do Cordeiro, onde um banquete aguarda aqueles que abraçaram o chamado à santidade. O reino dos Céus é, portanto, comparado a um grande banquete, festa na qual viverão os que foram salvos por Cristo. Esses são apenas alguns  exemplos de como a mesa é para os cristãos lugar e sinal de harmonia, bênção, unidade, revelação, ensinamento e oração. 

O lugar da refeição na vivência da fé em família

As famílias precisam aproveitar, todos os dias, desta riqueza de sentido da que há na refeição em comum. Apesar do ritmo frenético e de uma agenda lotada de atividades, parar e sentar-se à mesa com os nossos é uma forma de lembrarmos do que mais importa e do que dá sentido àquilo que realizamos. É o momento de reconstruir ou construir laços, de ser presença na vida de cada um, ouvir suas lutas e dores e compartilhar vivências. É ainda a oportunidade de os pais transmitirem a fé com histórias, respostas às perguntas, e (por que não?), com seu próprio testemunho de vida.

Um breve testemunho

Em casa, temos o costume de levar a catequese e o ensinamento bíblico aos nossos filhos na hora do jantar. Lemos a Bíblia, histórias de santos ou outras com ensinamentos de virtudes. Além disso, ouvimos seus relatos e buscamos com eles os ensinamentos que partem das experiências do dia.

No domingo, Dia do Senhor, nosso momento especial é a hora do almoço: mesa posta com detalhes de flores e fotos da família ou algo sobre uma data importante; além disso, comidinha feita com um pouco mais de capricho e… histórias, perguntas sobre a fé ou conversas que ajudaram em seu desenvolvimento. As crianças auxiliam a pôr a mesa  e criam brincadeiras para depois. Cada um tem o seu lugar e sua função.

Como toda família com pequenos, às vezes tem choro de quem não quer comer, birras chamadas de atenção para quem quer sair logo, a fim de brincar… Mas percebemos que eles já esperam por esses momentos e sentem falta quando falta um detalhe ou outro.


É na família que o Reino de Céu se constrói

Precisamos redescobrir nossos lares como Igreja doméstica e acolher a refeição à mesa como espaço de transmissão de memória, identidade e fé.

Como querer que nossos filhos obedeçam a Deus se não cultivarmos essa Aliança com eles e  investirmos tempo nesse exercício?

É na família que o Reino de Céu se constrói: a fé nasce, cresce e se torna uma árvore frondosa que serve de sustento para vida e sustento no futuro.



Elane Gomes

Missionária da Comunidade Canção Nova desde o ano 2000. Professora de Língua Portuguesa, radialista e especialista em Comunicação e Cultura. Mestra em Comunicação e Cultura. Atualmente trabalha no Jornalismo da TV Canção Nova de São Paulo. Prega em encontros pelo Brasil e atua como formadora de membros da Comunidade. É esposa, mãe e trabalha também com aconselhamento de casais.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/familia/o-lugar-da-refeicao-na-vivencia-da-fe-em-familia/

22 de agosto de 2026

Maria, a Rainha que une o céu e a terra

A imagem de Nossa Senhora no nosso coração

Parece ser fácil falar sobre Nossa Senhora, afinal, ela é Mãe! Que filho não sabe dizer algo da sua mãe? A palavra “mãe” significa muito, porque a imagem de cada uma delas (ao menos da maioria) está, com certeza, gravada no coração de seu filho.

Mas, neste dia dedicado a Nossa Senhora, é importante e válida uma reflexão mais profunda: Como está a imagem dela dentro de seu coração de filho? Será que ela não precisa de alguns ajustes?

Pintura clássica de Nossa Senhora de Schoenstatt (Mãe Três Vezes Admirável), retratando a Virgem Maria com um véu claro e manto azul, segurando com ternura o Menino Jesus nos braços. Ambos possuem auréolas douradas sobre um fundo em tons de ocre e marrom.

Mãe Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt / Domínio Público

Deus criou Maria como a pessoa que une a terra ao céu, conduzindo-nos sempre a Jesus. Precisamos sempre de novo nos decidir por Ela, a fim de nos aproximarmos sempre mais do céu. Na coroação de Nossa Senhora, no Santuário de Pompeia, na Itália, o Papa São Paulo VI disse que, assim como aquela imagem de Maria havia sido reparada e decorada, “a imagem de Maria que todo o fiel tem em seu interior seja igualmente restaurada, renovada e enriquecida. Precisamos restaurar nos nossos corações o culto devido a Nossa Senhora… reacender em nós a verdadeira e correta devoção a Maria Santíssima” (23.04.1965).

Cada festa Mariana quer nos ajudar no trabalho da restauração da imagem de Maria em nosso interior, pois em cada uma delas, Deus comunica para nós a Sua própria imagem de Maria, assim como está nos planos eternos de salvação.

O que significa para mim ter uma Mãe que é Rainha?

O dia de Nossa Senhora Rainha é uma dessas celebrações litúrgicas que, em orações, cantos, iconografias etc., traz para nós a verdade proclamada pela Igreja, a realeza de Maria, que é sempre lembrada pela oração: Salve Rainha Mãe de Misericórdia, que rezamos no final de cada terço, no Ofício, Rainha dos Céus, cantado no Tempo de Páscoa, no quinto mistério glorioso do terço, e em tantas outras orações e iconografias que apresentam a coroação de Maria na glória do Céu. O Papa Pio XII escreve a fundamentação teológica da realeza de Maria, na Encíclica “Ad coeli Reginam” (A Rainha do Céu). É importante sabermos de tudo isso.

Mas quem é Maria Rainha para mim pessoalmente? O que significa ter uma Mãe – que é, ao mesmo tempo, Minha Rainha? Que imagem de Maria Rainha está gravada em meu coração? Aproximo-me do céu quando essa imagem é restaurada em meu coração.

Maria é Mãe e também Rainha

São duas realidades que pertencem a essa Mulher, escolhida por Deus, para ser a Mãe Imaculada de Jesus e de cada um de nós. Duas verdades que mostram como deve ser a nossa relação com Maria, nossa Mãe Santíssima: Diante da Mãe, sou filho. Diante da Rainha, sou súdito.

Maria Rainha sempre me conduz para junto de Deus de modo bem pessoal. Ela repete, sempre de novo, o pedido para mim: “Fazei tudo o que meu Filho vos disser!” (Cfr. Jo 2,5). Ela me ensina a ter a atitude de servo, mesmo sem entender tudo, assim como ela disse, na hora da Anunciação: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Como Rainha, ela me ensina que, mesmo que nada seja impossível para Deus, eu devo colocar as mãos à obra e fazer a minha parte. Isso ninguém pode e deve fazer em meu lugar, como diz o lema do Movimento Apostólico de Schoenstatt: “Nada sem Vós, Maria, nada sem mim!”.

Maria é Rainha, a mulher vestida do sol

Ela está entre o céu e a terra, tem a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas na sua cabeça! Que, em dores de parto, se confronta com o demônio que quer devorar o seu Filho, e dá à luz um Filho homem, que há de reger todas as nações com o cetro de ferro! (Cfr. Ap, 12, 1-6).

Mons. Jonas Abib ensina que “essa mulher, que a Palavra cita, é Maria. O dragão é o demônio, o grande adversário de Jesus, que queria acabar com Ele no ventre de Sua mãe. O demônio também é o grande adversário da mulher, pois ela gerou o Filho de Deus, cuidou d’Ele, foi aos pés da cruz e subiu aos céus. A cada dia, a vinda de Jesus se aproxima… Nesse tempo, enquanto Ele não chega, o demônio está colocando todos os esforços para acabar com nossos filhos, com nosso casamento, com a Igreja e com cada um de nós. Nossa luta é contra o demônio e as forças infernais. Temos uma Rainha Mãe, temos uma intercessora, ela nos assiste e está ao nosso lado, mas quem luta somos nós.”


Ela é a vencedora de todo mal

Ao lado de Jesus, Maria Rainha está junto de nós como Vencedora do poder do mal. Onde sua mão toca o maligno se afasta. Ela quer vencer o demônio em todo o mundo, por meio de nós, seus filhos. Por isso, cada um de nós, como seu filho e servo, deve ser como os seus pés que “esmagam a cabeça da serpente”, em cada escolha que fazemos no dia a dia. Padre José Kentenich pede a Ela: “Esmaga, através de nós, a cabeça da serpente que continuamente te rouba as almas e que, com violência, perturba no mundo a paz prometida aos povos. Por meio de nós, Cristo percorra o nosso tempo, pronto para a luta e a vitória” (Rumo ao Céu, 48-49).

É por meio de nosso coração, de nossas escolhas diárias de provar por meio de ações e comportamento o nosso amor a Ela, que a mão de Maria Rainha une o Céu e a Terra. Se realmente a temos como nossa Mãe Rainha, ela media a Paz que nosso coração tanto procura, a paz que vem de Jesus, o Príncipe da Paz.

Por isso, neste dia em que a Igreja faz memória à Maria Rainha, ao terminar de ler esse artigo, olhe para dentro de si mesmo e reflita, diante da imagem de Nossa Senhora: Como posso restaurar, renovar e enriquecer a sua verdadeira imagem em meu coração? Como, por minhas atitudes, posso manifestar às pessoas com quem me encontro que Nossa Senhora é minha Rainha?

Que esse dia não passe em branco, mas, pela imagem de Maria, o céu toque o seu coração e o de muitas outras pessoas por meio de você.

Ir. M. Isabel Machado, ims


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/nossa-senhora/maria-rainha-que-une-o-ceu-e-terra/

20 de agosto de 2026

São Carlo Acutis: um santo que nos ensina a incluir

São Carlo Acutis não ficava indiferente

Em uma época marcada pelo desafio de construir relações mais humanas e combater o bullying, a vida de São Carlo Acutis apresenta uma mensagem profundamente atual: ninguém deve ser deixado de lado.

Relatos de pessoas que conviveram com Carlo mostram sua atenção aos colegas que eram deixados de lado. Ele se aproximava daqueles que enfrentavam dificuldades e chegou a defender um colega com deficiência que sofria provocações e bullying. Ele não enxergava aquele colega apenas como alguém que precisava de ajuda. Ele o reconhecia como amigo.

Aqui encontramos uma das grandes lições de sua vida para a Igreja e para a sociedade: inclusão começa quando deixamos de olhar para a deficiência como aquilo que define uma pessoa e passamos a enxergar o ser humano, sua história, seus sentimentos, seus dons e sua dignidade.

Quando percebia que alguém estava sendo humilhado, Carlo não ficava indiferente. Quando via alguém sozinho, aproximava-se. Quando encontrava alguém que precisava de amizade, oferecia amizade.

 

Créditos: Arquivo pessoal / carloacutis.com

Uma fé que se transforma em atitude

São Carlo Acutis é conhecido por sua profunda devoção à Eucaristia e por seu desejo de levar outras pessoas a conhecer Jesus. Sua vida espiritual, porém, não o afastava das pessoas. Pelo contrário: quanto mais se aproximava de Cristo, mais se aproximava dos irmãos. Sua fé estava ligada ao serviço e à amizade.

Isso nos ensina algo fundamental: uma Igreja que deseja ser inclusiva precisa formar pessoas capazes de enxergar o outro e agir.

Não basta dizer que todos são bem-vindos. É preciso perguntar: Quem está sozinho? Quem está sofrendo? Quem está sendo deixado de lado? Quem precisa de um amigo?

Carlo nos ensina a não passar indiferentes

Quando falamos da inclusão das pessoas com deficiência, pensamos, com razão, em acessibilidade física: rampas, banheiros adaptados, lugares adequados, recursos de comunicação e outras estruturas necessárias.

Tudo isso é importante, mas São Carlo Acutis nos lembra que existe uma barreira ainda mais profunda: a barreira da indiferença. Uma igreja pode ter acessibilidade arquitetônica e, mesmo assim, alguém pode continuar se sentindo sozinho.

Podemos oferecer estruturas e recursos, mas, se não houver amizade, respeito, escuta e fraternidade, a inclusão permanecerá incompleta.

Carlo nos apresenta um caminho simples e concreto: aproximar-se.

Incluir também é sentar ao lado, conversar, defender quem sofre, convidar para participar, reconhecer os dons do outro e construir amizades verdadeiras.

“Todos nascem como originais”

Uma das frases mais conhecidas de Carlo Acutis afirma: “Todos nascem como originais, mas muitos morrem como fotocópias.”

Essa frase ilumina profundamente nossa compreensão sobre a inclusão. Cada pessoa é única. Cada pessoa tem uma história. Cada pessoa possui dons que Deus colocou em sua vida. Por isso não podemos reduzir alguém à sua deficiência.

Uma pessoa com deficiência não é apenas alguém que precisa receber. Ela também tem muito a oferecer. Pode evangelizar, servir, rezar, participar das pastorais, desenvolver seus talentos e testemunhar a presença de Deus.

Uma Igreja verdadeiramente inclusiva não pergunta somente: “O que podemos fazer por essa pessoa?” Ela também pergunta: “O que essa pessoa pode oferecer à comunidade?”

Essa mudança de olhar transforma a maneira como acolhemos.

O combate ao bullying começa no coração

O testemunho de Carlo também fala diretamente às famílias, escolas, paróquias e grupos de jovens. O bullying não é uma simples brincadeira. Ele pode ferir profundamente a dignidade de uma pessoa e deixar marcas que permanecem por muitos anos. Carlo percebeu isso e não escolheu o silêncio.

Seu exemplo nos convida a ensinar crianças e jovens a reconhecer a dignidade de cada colega. É preciso formar uma geração que não transforme a diferença em motivo de humilhação e que tenha coragem de defender quem está sendo injustiçado.

O cristão não pode ser espectador diante do sofrimento:

  • – Quando alguém é humilhado, a caridade nos chama a nos aproximar.
  • – Quando alguém é excluído, o Evangelho nos chama a acolher.
  • – Quando alguém é ferido, somos chamados a cuidar.

O que Carlo pode ensinar às nossas paróquias?

A inclusão começa com um simples gesto: chamar alguém pelo nome, sentar ao seu lado e dizer: “Venha, fique conosco”. Esse gesto aparentemente pequeno pode revelar o rosto de Cristo.

São Carlo Acutis morreu jovem, mas sua vida continua falando especialmente às novas gerações. Ele mostrou que é possível viver a santidade no cotidiano: na escola, entre amigos, na família, na paróquia e junto daqueles que sofrem.

Sua santidade não o afastou do mundo. Fez com que ele olhasse para o mundo com os olhos de Cristo, e nos recorda que a inclusão começa pelo coração.

  • Antes de construir uma rampa, precisamos construir pontes.
  • Antes de criar uma pastoral, precisamos criar vínculos.
  • Antes de falar sobre inclusão, precisamos aprender a amar.

Talvez essa seja uma das maiores lições que São Carlo Acutis deixa para nós: quando encontramos Jesus, não conseguimos permanecer indiferentes diante daquele que sofre.

Que nossas paróquias sejam lugares onde ninguém seja motivo de riso, ninguém seja deixado para trás e ninguém precise perguntar se existe lugar para ele.

Porque, onde Cristo está, sempre existe lugar para mais um.


Cynthia Santos é mestra em Comunicação Acessível pelo Instituto Politécnico de Leiria e licenciada em História pela PUC-Minas, católica comprometida com a evangelização, com uma trajetória dedicada à comunicação, à cultura e à inclusão. Com experiência internacional em países como Portugal, Estados Unidos, Israel, Itália e Espanha, destacou-se como produtora criativa do programa “Mãos que Evangelizam” (TV Canção Nova) e integrou, em Portugal, o marketing do Essence Inn Marianos (Fátima), primeiro hotel acessível do país. Atualmente, vive em Portugal e atua com formação e consultoria em acessibilidade.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/igreja/sao-carlo-acutis-um-santo-que-nos-ensina-incluir/

18 de agosto de 2026

Renovados pelo Espírito Santo

A força do Alto

Muitas vezes, a nossa experiência de fé e o nosso Batismo no Espírito Santo podem assemelhar-se àquela figueira estéril mencionada no Evangelho, que raramente produz frutos. No caminho cristão, não basta ostentar um título ou participar de grupos; é necessário que a estrutura da nossa alma seja fecundada e testada, não por critérios humanos, mas pela força do alto.

A desertificação espiritual

Vivemos em um tempo onde a desertificação física do planeta reflete uma preocupação global, com desertos avançando milhares de quilômetros e a escassez de água atingindo até países ricos em recursos hídricos, como o Brasil. Da mesma forma, em nossas vidas, pode acontecer uma desertificação espiritual.

Crédito: Mystockimages by GettyImages

O “rio caudaloso” do Espírito Santo está à disposição, mas, frequentemente, criamos barragens e comportas em nossos corações. O desejo de receber o Espírito muitas vezes vem acompanhado de restrições: “Eu quero o Espírito Santo, mas não quero esse negócio de cair”. No entanto, para receber esse banho de regeneração, é preciso estar disposto a passar pelo que os apóstolos passaram no Pentecostes, permitindo que o Espírito rompa nossas resistências.

Chamados para a transformação

O Espírito Santo sopra onde quer e Sua ação é o motor de tudo o que é bom na Igreja. Os grandes santos afirmam que qualquer sinal manifesto de Deus é obra direta do Espírito. Por isso o convite hoje é para deixar que Ele atinja as profundezas da sua história pessoal e complete todo o seu ser.

Não fomos chamados para ficar “trancados em casa”, evitando os ventos da vida; fomos chamados para a transformação. O Espírito Santo transforma tudo o que toca, e se nossa vida ainda não mudou, é porque ainda não permitimos que Ele toque em nossa história. É preciso ter coragem para se lançar nessas águas, pois esse rio deixa saúde por onde passa.

Sinais da água viva

A verdadeira experiência do batismo no Espírito Santo é visível pelos rastros que deixamos. Podemos aprender com a natureza: assim como as formigas deixam um odor que serve de guia para as outras, o cristão cheio do Espírito deve ser um sinal da água viva.

Infelizmente, quando não vivemos essa experiência de forma autêntica, acabamos deixando rastros de:

  • Desamor;
  • Desânimo;
  • Desunião e discórdia.

O objetivo da vida no Espírito é chegar ao ponto de “não conseguir mais nadar”, ou seja, deixar de caminhar apenas por esforços próprios para ser conduzido pela correnteza de Deus. Quando conseguirmos espalhar os rastros do amor de Deus por onde passarmos, poderemos dizer, com convicção, que experimentamos a vida em plenitude.

 

Trecho retirado do livro “Renovados pelo Espírito Santo” 

Pe. Léo, SCJ (09/10/1961  04/01/2007)

Adaptação: Amanda Martins


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/espirito-santo/renovados-pelo-espirito-santo/

17 de agosto de 2026

A vocação das Missionárias da Divina Revelação no coração da Igreja

Um Carisma para a Nova Evangelização

Nós, Missionárias da Divina Revelação, somos uma comunidade religiosa que nasceu na cidade de Roma, diretamente do coração da Virgem Maria para toda a Igreja.

Vivemos a experiência da responsabilidade de trazer conosco um carisma tão necessário para os nossos dias e, ao mesmo tempo, a alegria de poder, com a nossa pequena oferta quotidiana, oferecer aos irmãos aquilo que recebemos do tesouro da Igreja. Nossa comunidade é de recente fundação: nascemos na aurora do terceiro milênio, em 2001, sob o pontificado de São João Paulo II, para nos dedicarmos à Nova Evangelização.

Créditos – Arquivo Comunidade MDR

O apelo da Virgem Maria em Tre Fontane

Tudo começou, porém, no dia 12 de abril de 1947, quando, em Roma, mais precisamente na localidade de Tre Fontane, a Virgem Maria apareceu em uma colina para converter um protestante que se encontrava profundamente enfurecido com a Igreja Católica. Seu nome era Bruno Cornacchiola. Nessa aparição, totalmente singular, nossa Mãe disse a Bruno, entre muitas outras coisas, que ele precisava entrar novamente na Santa Igreja, que é o “Santo redil, Corte Celeste na Terra”. A Virgem Maria apresentou-se de modo materno, mas também muito sério, trazendo consigo as Sagradas Escrituras nas mãos, e disse a Bruno — e, por meio dele, a cada um de nós: “Sejam Missionários da Palavra da Verdade”.

“Quem evangeliza Roma, evangeliza o mundo”

Com esse chamado no coração, desejamos viver a missão que nos foi confiada: ajudar nossos irmãos a conhecer e amar cada vez mais a Igreja, através dos meios e das oportunidades que o Senhor coloca diante de nós. De fato, em Roma, onde vivem todas as irmãs, realizamos um intenso apostolado na diocese e descobrimos uma grande missão de evangelização através da arte, que, nesses últimos anos, tem nos permitido contemplar muitos frutos na vida das milhares de pessoas que passam por nós. Não temos dúvidas de que quem evangeliza Roma evangeliza o mundo todo!

A identidade e o carisma

O próprio nome “Missionárias da Divina Revelação” manifesta a identidade e o carisma que recebemos: um amor profundo e apaixonado pela Palavra de Deus e pelos “Três Amores Brancos” que a Virgem da Revelação indicou como tesouros da Igreja: a Eucaristia, a Imaculada e o Papa. Por meio da catequese, queremos ajudar a torná-los cada vez mais conhecidos, amados e vividos, permanecendo sempre em plena comunhão e fidelidade ao ensinamento da Igreja.

Como afirma a nossa Regra de Vida: “As Missionárias da Divina Revelação se sentem apóstolas do mistério da Igreja: pensam como pensa a Igreja de sempre, amam como ama a Igreja de sempre, querem o que quer a Igreja de sempre”. Essa profunda união com a Igreja orienta a nossa missão e dá forma à nossa maneira de viver e anunciar a fé.

Os significados do hábito e da saudação

Também o nosso hábito recorda visualmente a presença de Deus na nossa vida. As suas cores são inspiradas naquelas com as quais se apresenta a Virgem da Revelação: o verde, que nos recorda Deus Pai Criador; o branco, que representa o Filho Redentor; e o rosa, que simboliza o Espírito Santo Santificador. Assim, através desses sinais, somos continuamente chamadas a recordar que Deus deve ocupar o primeiro lugar em toda a nossa existência, pois somente Ele é o nosso verdadeiro Bem e o nosso Fim último.

A nossa saudação, “Deus nos abençoe e a Virgem nos proteja”, é aquela que a própria Virgem da Revelação nos deixou como expressão de unidade e de paz. Com simplicidade filial, dirigimo-la a todas as pessoas que encontramos. É uma invocação que pode acompanhar cada momento da vida e que nos recorda a nossa condição de filhos de Deus, levando aos corações uma mensagem de confiança, proteção e paz.

Viver a consagração sob o olhar de Maria

Olhando para Maria, Mãe da Igreja e nossa Mãe, e seguindo também o exemplo da nossa fundadora, Madre Prisca, que procurou imitá-la com humildade e simplicidade, procuramos acolher todos os dias, com gratidão, o dom da nossa vocação. A vida comunitária torna-se, assim, um caminho de fraternidade alegre e de crescimento no amor, alimentado pelo desejo de nos deixarmos preencher cada vez mais por Deus, para podermos oferecer esse amor a uma humanidade que tem profunda necessidade de ser acolhida, amada e conduzida ao encontro com Ele.

A nossa consagração também nos chama a viver uma entrega verdadeira e materna ao próximo, participando da maternidade espiritual de Maria. Renunciamos a muitas coisas, mas jamais renunciamos ao amor. Pelo contrário, a liberdade interior que nasce da entrega de tudo a Deus permite-nos oferecer-nos com maior disponibilidade aos irmãos, colocando a nossa vida a serviço daqueles que o Senhor coloca no nosso caminho.

Deus nos abençoe e a Virgem nos proteja!

 

Irmã Catarina Berion MDR
Missionárias da Divina Revelação


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/vocacao/a-vocacao-das-missionarias-da-divina-revelacao-no-coracao-da-igreja/

14 de agosto de 2026

"Minha esposa! Meus filhos!" O sacrifício de amor que venceu o ódio em Auschwitz

A visão das duas coroas: o chamado à pureza e ao martírio

Seu nome de batismo foi Raimundo Kolbe. Nasceu em 8 de janeiro de 1894 na Polônia. Desde criança, mostrou grande devoção a Virgem Maria. Aos 12 anos, teve uma visão de Nossa Senhora oferecendo-lhe duas coroas: uma branca (pureza) e outra vermelha (martírio). Ele aceitou ambas. A bandeira da Polônia Católica carrega estas duas cores.

Entrou na Ordem dos Frades Menores Conventuais (Franciscanos), em 1907, e recebeu o nome religioso de Maximiliano Maria. Estudou filosofia e teologia em Roma, onde foi ordenado sacerdote em 1918.

Créditos: Arquivo CN.

A milícia da imaculada: evangelizando através da comunicação

Em meio às perseguições contra a Igreja pelo comunismo e nazismo, e ao clima anticristão da época, fundou a “Milícia da Imaculada”, em 1917, com o objetivo de promover a consagração total a Virgem Maria, a conversão dos pecadores e utilizar todos os meios lícitos para a evangelização.

Seu lema era: “Conquistar o mundo inteiro para Cristo por meio da Imaculada”. Ele compreendeu muito cedo a importância dos meios de comunicação para a evangelização, e logo fundou a revista “O Cavaleiro da Imaculada”, que chegou à tiragem de 1 milhão de exemplares. Ele dizia que “pertencer à Imaculada é pertencer da maneira mais perfeita ao Sagrado Coração de Jesus”.

Criou também a “Cidade da Imaculada”, próximo a Varsóvia, que se tornou um grande mosteiro franciscano; centro de impressão, rádio e formação missionária; uma das maiores comunidades religiosas da Europa antes da Segunda Guerra Mundial.

Missionário no Japão: a providência em Nagasaki

Em 1930, partiu como missionário para o Japão e ali fundou um convento em Nagasaki e uma edição japonesa do “Cavaleiro da Imaculada”. Escolheu um terreno aparentemente inadequado para o convento; providencialmente, esse local foi poupado em grande parte da destruição causada pela bomba atômica de 1945.

“Só o amor cria”: o coração da espiritualidade de Kolbe

Os pontos centrais de sua espiritualidade são: a Consagração total à Imaculada; amor apaixonado por Jesus Cristo; obediência e pobreza franciscanas; uso dos meios modernos de comunicação para evangelizar; caridade levada ao extremo do dom da própria vida. Ele dizia que: “O ódio não é força criadora. Só o amor cria”. “A Imaculada deve conquistar cada coração, e por meio dela Jesus reinará no mundo”. O mesmo já tinha dito São Luiz de Montfort, dois séculos antes. 

São Maximiliano é considerado o padroeiro dos jornalistas católicos e dos meios de comunicação; exemplo de evangelização missionária; testemunha da dignidade humana diante do totalitarismo; modelo de amor sacrificial, por ter dado a própria vida por um pai de família.

Sua vida une de modo extraordinário contemplação mariana, ardor missionário, criatividade apostólica e heroísmo da caridade, fazendo dele um dos grandes santos do século XX.

O prisioneiro 16670: o calvário em Auschwitz

Com a invasão da Polônia pelos nazistas, São Maximiliano acolheu refugiados, inclusive judeus; continuou exercendo a caridade cristã. Foi preso pela Gestapo em 1941 e enviado ao campo de concentração de Auschwitz, recebendo o número 16670.

O gesto heroico de São Maximiliano Kolbe: “Quero morrer no lugar desse pai de família”

Após a fuga de um prisioneiro, os nazistas escolheram dez homens para morrer de fome. Um deles, Franciszek Gajowniczek, chorou dizendo: “Minha esposa! Meus filhos!” São Maximiliano saiu da fila e pediu ao comandante: “Quero morrer no lugar desse homem”. O pedido foi aceito. Durante semanas, no bunker da fome, ele rezava, cantava hinos marianos, confortava os condenados.

As biografias de São Maximiliano atestam que os nazistas o agrediam duramente física e mentalmente apenas por vê-lo com as vestes sacerdotais e muitas vezes o forçava a negar sua fé; mas, pela Graça Divina e pela sua devoção a Imaculada Conceição, o grande mártir resistiu heroicamente. Testemunhou a Nosso Senhor Jesus Cristo mesmo subjugado pelas humilhações e agressões físicas e psicológicas infligidas pelos comandantes nazistas.

Como ainda permanecia vivo, foi morto por uma injeção de ácido carbólico em 14 de agosto de 1941. Foi beatificado em 1971, por São Paulo VI e canonizado em 10 de outubro de 1982 por São João Paulo II, que o proclamou “Mártir da caridade”. Sua memória litúrgica é celebrada no dia de sua morte.

A prova viva: O reencontro entre o salvo e o santo

No dia de sua canonização, São João Paulo II disse: “Foi uma vitória semelhante à obtida por Nosso Senhor Jesus Cristo, porque foi uma vitória alcançada pelo amor e pela fidelidade à verdade”. O Papa também declarou: “Em Maximiliano Kolbe manifestou-se de modo particular aquela maturidade espiritual pela qual o homem se torna dom para os outros.”

Sabe-se que Franciszek Gajowniczek, salvo da morte pelo Santo, estava presente na Praça de São Pedro e participou da celebração da canonização como testemunha viva do sacrifício de Kolbe. Após a cerimônia, ele teve a oportunidade de encontrar-se com João Paulo II.

Em diversas entrevistas e testemunhos posteriores, Gajowniczek afirmou sentir-se incapaz de expressar plenamente sua gratidão e dizia frequentemente: “Durante toda a minha vida, procurei ser digno daquele dom de vida que recebi do Padre Kolbe.”

Ele também declarou em outras ocasiões: “Enquanto eu tiver fôlego, contarei ao mundo o que Maximiliano Kolbe fez por mim”.

São João Paulo II lhe teria dito: “O senhor é a prova viva de que o amor é mais forte que a morte”. Um Papa polonês, sobrevivente da ocupação nazista, reconhecia oficialmente a vitória do amor cristão sobre o ódio totalitário.


Um legado para o século XXI: das redes sociais à eternidade

Analisar o martírio do Frei Maximiliano Kolbe é estudar a excelência daquele que atende à vocação para o sacerdócio com total fidelidade a Jesus Cristo e à Igreja. 

Ele viveu o que disse São Paulo: “Completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja” (Col 1,24). E o que Jesus disse: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (João 15,13).

São Maximiliano foi chamado por São João Paulo II, de “mártir da caridade”, não só porque morreu pela fé, mas também pela caridade; e tornou-se um testemunho luminoso de que a fé cristã pode transformar a inteligência, a comunicação social e até mesmo o sofrimento extremo em instrumentos de amor.

Ele ensina que os meios de comunicação devem servir à verdade, à dignidade humana e à evangelização. Isso é muito importante para nos servir de guia e exemplo nesses tempos das redes sociais e da Inteligência Artificial. Seu gesto em Auschwitz mostra que a pessoa humana encontra sua plenitude no dom de si.


 


Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br e Twitter: @pfelipeaquino


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/igreja/minha-esposa-meus-filhos-o-sacrificio-de-amor-que-venceu-o-odio-em-auschwitz/

12 de agosto de 2026

A advocacia além da profissão: um chamado nobre e divino

Uma profissão digna e necessária. Tão digna, que o próprio Deus quis se fazer um através de Jesus, que é o nosso advogado junto ao Pai (I Jo 2,1). Certamente o fez advogado porque viu a necessidade e a importância de alguém que pede, que intercede por alguém em situações de vulnerabilidade.

Crédito: seb_ra / Getty Images.

Ser advogado é nobre

Quantas injustiças o advogado, em seu chamado, consegue esclarecer! Quantas confusões o advogado, com seu chamado, consegue solucionar! Quantas brigas o advogado, com seu chamado, consegue conciliar! É… a advocacia é mais que uma profissão; ela é um chamado. Um chamado à justiça, à sabedoria, ao discernimento, à partilha, à solidariedade, à paciência, ao acolhimento.

Certamente, o advogado, além de suas capacidades intelectuais, é dotado também por uma capacidade divina em ser como uma “ponte” do bem e da esperança de que o amanhã poderá ser melhor na vida de alguém e ou de uma família.

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A família

O advogado também tem uma família, e ele sabe o quanto ela é valiosa, sabe o quanto a família precisa ser protegida, defendida.

O advogado, antes de ser advogado, é uma pessoa, e, muitas vezes, é pai, mãe, filho, filha… Em muitas situações, como deve ser difícil  separar os sentimentos da razão!

Imagino que, em muitos “processos” relacionados à família, o advogado precisa de muita técnica para ser justo, mas também de muita sensibilidade para não ser desumano, para  não quebrar o “caniço rachado”.  No Evangelho de Mateus 12,10, o “advogado” Jesus, dá a dica de como ser paciente, delicado, com o objetivo de conquistar as pessoas e as famílias nas situações.

É certo que o “advogado Jesus” teve uma excelente referência para exercer este chamado à advocacia. Sua referência foi alguém que também teve o mesmo chamado de advogar, de pedir e interceder pelos que precisavam até conseguir o que eles precisavam. (João 2,1)

Sim! Estou falando de Nossa Senhora! Ela ensinou Jesus. E, nos dias de hoje, eles continuam dando dicas de ouro de como ser um bom advogado.

A primeira dica é: não desistir das pessoas, das famílias. O que vem depois são frutos de vitórias.

Para você que é advogado, receba os nossos parabéns e também nossos agradecimentos. Principalmente por terem a coragem de assumir, concretamente, o desafio de ser como “ponte” do bem e da esperança na vida das pessoas. Seu chamado é lindo e divino!

Receba também nosso abraço apertado.


Maria Renata
Natural de Aparecida (SP), é membro da Comunidade Canção Nova desde 1992 no modo de compromisso do núcleo. 


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/advocacia-alem-da-profissao-chamado-divino/

6 de agosto de 2026

A Transfiguração: a glória de Deus que ilumina o caminho da cruz

Há momentos na vida em que Deus nos concede luz suficiente para continuarmos caminhando em meio às dificuldades. A Transfiguração de Jesus é exatamente um desses momentos. Pouco antes de seguir definitivamente para Jerusalém, onde enfrentará sua paixão e morte, Jesus conduz Pedro, Tiago e João ao alto de uma montanha e lhes permite contemplar algo extraordinário: a sua glória divina.

Mix321 na Wikipédia polonesa, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

O episódio narrado por São Marcos (Mc 9,2-13) não é um acontecimento isolado. Ele está profundamente ligado aos anúncios da paixão. Jesus já havia começado a ensinar aos discípulos que iria sofrer, morrer e ressuscitar (Mc 8,31). No entanto, eles ainda não compreendiam essas palavras.

Um vislumbre da Páscoa antes da Sexta-feira Santa

Por isso, antes do sofrimento da cruz, o Senhor lhes oferece uma antecipação da vitória da ressurreição. A Transfiguração é, portanto, um vislumbre da Páscoa antes da Sexta-feira Santa.

E, no auge da experiência, uma nuvem cobre a montanha. E dela surge uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai-o!” (Mc 9,7).

O mandamento do Pai: “Escutai-o!”

As palavras recordam o batismo de Jesus, quando o Pai já havia revelado sua identidade. Mas existe aqui um acréscimo importante: “Escutai-o!”. O Pai não apenas apresenta o Filho. Ele orienta os discípulos a acolherem seu ensinamento. Mesmo quando falava do sofrimento e da cruz. Mesmo quando suas palavras pareciam difíceis de compreender.

A Transfiguração na vida do cristão hoje

A Transfiguração continua sendo atual para cada cristão. Também nós atravessamos momentos de dificuldade, sofrimento, dúvidas e cruzes. Também nós, muitas vezes, não compreendemos os caminhos de Deus. Por isso, a Igreja nos apresenta esse Evangelho como um convite à esperança.

A Transfiguração nos recorda que a cruz nunca é a última palavra. Por trás dos sofrimentos da vida presente, já brilha para nós a luz da ressurreição.

 

Prof. Denis Duarte
Especialista em Bíblia e Cientista da Religião
@prof.denisduarte


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/biblia/transfiguracao-gloria-de-deus-que-ilumina-o-caminho-da-cruz/