7 de abril de 2026

O Transtorno do Espectro Autista sob a luz do catolicismo

O mês mundial da conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista é uma oportunidade de refletir sobre a dignidade de cada pessoa como expressão do amor de Deus

Já parou para refletir que cada pessoa tem um jeito próprio de ser e de existir no mundo? Pois bem, o ser humano é único e irrepetível, com uma história que somente ele é capaz de realizar. Dentro desse contexto, compreendemos que, nas diferenças de cada pessoa, Deus também se revela. Revela-se porque, em nossa essência, somos imagem e semelhança do Amor — de um Amor que nos ama incondicionalmente. Qual mãe de um filho com transtorno do espectro autista, apesar dos desafios vivenciados — que vão muito além do transtorno — nunca disse: “Pelo meu filho eu faço tudo”?

Crédito: FG Trade / GettyImages

Aqui, não estamos romantizando o transtorno, mas apontando que o amor é capaz de ultrapassar limites e que a aceitação dessa realidade pode nos abrir à conexão com um sentido maior. Afinal, a inclusão começa quando deixamos de olhar apenas para as limitações e passamos a reconhecer a dignidade e a riqueza de cada pessoa.

O Papa Francisco, ao se dirigir à delegação do Centro para o Autismo “Sonnenschein”, afirmou: “Deus criou o mundo com uma grande variedade de flores de todas as cores. Cada flor tem sua beleza, que é única. Cada um de nós também é belo aos olhos de Deus, e Ele nos ama.”

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha o indivíduo ao longo de toda a vida. Estamos falando de uma pessoa que possui uma forma própria de perceber, processar e se relacionar com o mundo ao seu redor.

O Transtorno do Espectro Autista não é algo a ser “consertado”

Ainda que intervenções adequadas contribuam significativamente para o desenvolvimento da pessoa, trata-se, sobretudo, de reconhecer, respeitar e favorecer sua forma singular de existir, promovendo condições para que ela desenvolva suas potencialidades.

Enquanto sociedade, independentemente do nível de suporte que cada pessoa com TEA necessite, cabe a nós a responsabilidade de acolher com empatia e respeito sua individualidade e especificidade. Pessoas autistas podem apresentar, por exemplo, interesses mais restritos, comportamentos repetitivos, maior sensibilidade sensorial, seletividade alimentar, além de diferenças na comunicação e no contato visual — características que fazem parte de sua forma singular de estar no mundo.

A inclusão começa quando buscamos compreender mais sobre o tema, aprender como acolher essa pessoa em sua realidade e respeitar seu modo de ser. Trata-se de reconhecer que ali existe alguém que deve ser olhado com dignidade, respeito e humanidade.

Em nossas paróquias e na sociedade, essa atitude não pode passar despercebida. É fundamental compreender a assembleia, reconhecer as demandas das famílias e saber lidar com a complexidade de cada realidade. Considerar essas particularidades é um passo essencial para que pessoas com deficiência sejam verdadeiramente acolhidas.

O acolhimento se concretiza quando pensamos em suas necessidades e criamos condições para sua participação

Recordo-me de uma situação em que uma mãe, com seu filho autista, participava da Santa Missa. A criança apresentava desconforto devido ao volume elevado da música naquele momento. Após uma conversa simples com o pároco, foi possível sensibilizar a equipe para essa realidade, e passou-se a oferecer um abafador de ruído para a criança.

Foi um gesto simples, mas profundamente significativo: a família se sentiu acolhida, a criança conseguiu participar da celebração com maior regulação sensorial e bem-estar, e a própria assembleia foi sensibilizada para uma necessidade muitas vezes invisível. Pequenas atitudes como essa tornam a Igreja e a sociedade espaços verdadeiramente inclusivos e acolhedores para todos — ainda que tenhamos muito a avançar.

Neste mês em que refletimos sobre a conscientização do autismo, fica o convite a todos nós: como temos olhado e acolhido as famílias e as pessoas com autismo?

Tenho sido como Jesus, que, ao longo do caminho, parava para dar atenção a todos? Tenho amado os meus em sua individualidade?

Ou tenho passado pelo caminho sem tocar a realidade do meu irmão, que espera de mim nada mais do que aquilo que lhe é devido: um olhar atento, sensível e capaz de acolhê-lo?

“Nem todos nós podemos fazer grandes coisas, mas podemos fazer pequenas coisas com grande amor.” Madre Teresa de Calcutá.

Psicólogo Hermano Jr. – Pós-graduado em Psicologia Clínica e Psicopatologia, e graduando em Logoterapia. Atua como psicólogo clínico, professor universitário e Coordenador de Desenvolvimento das Famílias na Instituição Mão Amiga.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/o-transtorno-espectro-autista-sob-luz-catolicismo/


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https://youtu.be/GFLl_mUilLA

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