26 de outubro de 2026

Esperança para além das eleições: não se deixe levar pelo desânimo

Muitos estão tristes e sofrendo com o resultado das eleições de 25 de outubro de 2026, porque o seu candidato não foi eleito, com todas as perspectivas de vitória. Os governantes são, de certa forma, a imagem de todo o povo.

A dor da decepção eleitoral e a verdadeira confiança

Para os que estão sofrendo, é pela fé que se deve enfrentar e acolher a dor, recuperar a esperança e recordar que a nossa confiança última não deve estar depositada em um político, mas em Deus. Ele não abandona a história. Nada escapa da sua Providência. Nós não somos os senhores da história e o nosso destino não depende só de nossa vontade.

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Deus nos diz pelo profeta Isaías: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e os vossos caminhos não são os meus caminhos. Tanto quanto o céu está acima da terra, tanto estão os meus caminhos acima dos vossos caminhos e os meus pensamentos acima dos vossos pensamentos” (Isaías 55, 8-9).

Atravessar as tribulações com esperança, prudência e caridade

Onde está Deus diante das provações?

Muitos podem perguntar: “Onde estava Deus?” Nem toda derrota ou provação é sinal de abandono de Deus. As tribulações são uma forma de purificação.

Para quem viveu intensamente o período eleitoral, a derrota gera tristeza, medo do futuro, sensação de injustiça e até desânimo.


A fé cristã não nos manda ignorar esses sentimentos, mas aprender a atravessá-los com esperança, prudência e caridade.

Não se trata de mascarar ou ignorar a tristeza e a decepção. Vale a pena lembrar o que disse São Paulo aos que sofrem: “Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram” (Romanos 12, 15).

Deus continua conduzindo a história

Por outro lado, não podemos esquecer que a fé nos garante que “Deus continua conduzindo a história” e que “Ele sabe escrever reto por linhas tortas”.

Os acontecimentos políticos mudam, os governos passam e as circunstâncias se transformam. A Providência Divina não significa que tudo acontecerá como desejamos, mas que podemos continuar buscando o bem mesmo nas situações difíceis.

É nos momentos de dor e de tristeza que temos de nos lembrar e viver o que disse São Paulo: “Sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8, 28). Então, o cristão não se desespera, pois sabe que Deus tem o mundo em suas mãos.

Nenhum líder político ocupa o lugar de Deus

É legítimo e necessário apoiar candidatos, defender convicções e desejar que os valores cristãos sejam respeitados. Contudo, nenhum líder político pode ocupar o lugar de Deus em nosso coração. Nossa esperança cristã é maior do que qualquer eleição.

A esperança cristã não pode desmoronar por causa de um resultado eleitoral. A derrota não significa que Deus abandonou seus apoiadores.

A fidelidade cristã continua na verdade, na justiça, na defesa da dignidade humana e na perseverança no bem.

Preservar a paz, a unidade e o amor ao próximo

Rejeitar rumores e fortalecer a sabedoria

Nesta hora, é preciso não alimentar rumores e previsões catastróficas. “Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de sabedoria” (2 Timóteo 1,7).

Por outro lado, a política não pode destruir amizades, famílias e comunidades cristãs. Não devemos tratar como inimigos todos os que votam de maneira diferente. “Se possível, quanto depender de vós, vivei em paz com todos” (Romanos 12, 18), mesmo discordando de suas opções.

Vencer o mal com o bem

O mais importante agora, para os que estão angustiados e desanimados, é não permanecer na indignação, se fortalecer na oração e se dedicar aos bons trabalhos. “Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos 12, 21).

Continuemos defendendo, com coragem e serenidade, os valores em que acreditamos. Não permitamos que a tristeza se transforme em ódio, que o medo destrua nossa paz ou que a divergência acabe com a caridade.

A história não termina em uma eleição. Há sempre novas oportunidades de servir, construir, corrigir e fazer o bem.

O salmista nos ensina a “entregar ao Senhor o nosso caminho e confiar nele” (Salmo 37,5). “Não permitir que o mal, a raiva ou o ressentimento nos dominem” (Romanos 12, 21).

A nossa missão não termina quando um candidato perde, assim como não começa somente quando ele vence. Ela continua.

A vitória definitiva pertence a Cristo

O testemunho de esperança de São João Paulo II

São João Paulo II deixou palavras de grande força espiritual sobre a vitória do bem sobre o mal: “A vitória definitiva pertence a Cristo, e a fé nos dá forças para perseverar no bem, mesmo quando atravessamos derrotas e provações”.

Ele falava da “vitória do bem sobre o mal, da vida sobre a morte”.

Quando os acontecimentos não correspondem às nossas expectativas, não devemos concluir que o bem foi derrotado definitivamente. O cristão continua chamado a praticar a justiça, defender a verdade e perseverar na esperança.

São João Paulo II, que viveu na pele o horror do nazismo e do comunismo, disse aos jovens um dia: “Não tenhais medo de Cristo! Não tenhais medo, porque o Senhor ressuscitado caminha conosco”.

A vitória interior e a perseverança na fé

Não podemos permitir que a decepção destrua nossa confiança em Jesus. A fé não promete que tudo acontecerá conforme desejamos; ela nos dá força para continuar caminhando. A fé e a esperança nos levam à vitória sobre o mal.

Agora, a primeira vitória é interior: vencer o ódio, o ressentimento, o medo e o desânimo. A vitória definitiva do bem pertence a Cristo!

A história da Igreja nos ensina a não perder a esperança diante das dificuldades: ela conheceu derrotas, provações e injustiças, mas a Ressurreição nos recorda que “o mal e a morte não têm a última palavra”.

Quem confia em Cristo pode atravessar as tempestades sem abandonar a esperança e pode continuar fazendo o bem mesmo quando os resultados não são os esperados.

“Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1 João 5, 4). Mas a vitória cristã não significa necessariamente obter o resultado que desejamos na vida política, mas permanecer fiéis a Deus e ao bem, confiantes na vitória definitiva de Cristo. Agora, não é tempo de desespero, lamentações inúteis ou indignações; é tempo de oração e coragem para continuar.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/esperanca-para-alem-das-eleicoes-nao-se-deixe-levar-pelo-desanimo/

25 de outubro de 2026

A justiça evangélica e política

Dom Lindomar Rocha Mota
Bispo de São Luís de Montes Belos (GO) 

 

A grandeza de uma sociedade pode ser medida pela maneira como vivem aqueles que menos possuem. Para conhecer um país, é preciso observar a vida dos pobres, as oportunidades oferecidas às crianças, a condição dos trabalhadores e a segurança daqueles que, depois de uma existência inteira de esforços, envelheceram. É nesses lugares, afastados dos centros de decisão, que uma sociedade revela o seu caráter moral. 

Jesus Cristo introduziu na história humana uma compreensão extraordinária da dignidade das pessoas. Sua atenção aos últimos, aos enfermos e aos excluídos manifestava uma nova maneira de compreender as relações. Quando anunciou, na sinagoga de Nazaré, que havia sido enviado para levar a Boa-Nova aos pobres e libertar os oprimidos (Lc 4,18), colocou no centro de sua missão aqueles que a organização social marginalizava, e declarou que cada pessoa possui um valor anterior ao mérito. 

No capítulo 25 de Mateus, o destino moral da humanidade é considerado a partir do tratamento dispensado aos mais pequeninos. A relação com Deus é uma expressão concreta da responsabilidade pelo outro, sobretudo quando ele se encontra ameaçado. 

Na parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37), a proximidade humana nasce da disposição de reconhecer o sofrimento alheio como uma responsabilidade própria. O samaritano percebe o homem ferido, aproxima-se, cuida de suas necessidades e providencia meios para sua recuperação. Seu gesto ultrapassa as fronteiras sociais e religiosas que poderiam justificar a indiferença. 

No encontro entre essa perspectiva e a perspectiva política, a compaixão pessoal puxa sua necessária continuidade em instituições capazes de proteger as pessoas. Uma sociedade solidária precisa cultivar virtudes humanas e organizar estruturas justas. A generosidade que alimenta uma família faminta constitui um gesto precioso e, nela, a caridade alcança sua expressão pública. 

É precisamente nesse horizonte que a Doutrina Social da Igreja faz afirmações muito relevantes. A destinação universal dos bens, a dignidade do trabalho, o bem comum e a opção preferencial pelos pobres recordam que a economia possui uma finalidade humana. Os recursos materiais são instrumentos destinados a sustentar a vida e favorecer seu desenvolvimento. A propriedade, a iniciativa econômica e a capacidade produtiva encontram sua legitimidade social no serviço que prestam à comunidade. Uma ordem econômica que multiplica riquezas, mas conserva multidões privadas das condições elementares de existência precisa ser reavaliada. 

A sociedade brasileira, bastante precária, oferece um campo largo para essa reflexão. Vivemos num país de grande capacidade produtiva, riqueza natural e criatividade humana. Ao mesmo tempo, permanecem grandes distâncias entre as condições de vida de seus habitantes. O lugar de nascimento, a renda familiar e o acesso desigual aos serviços públicos continuam exercendo influência considerável sobre o futuro das pessoas. A superação dessas circunstâncias exige políticas capazes de ampliar oportunidades, valorizar o trabalho e proteger os idosos, assegurar educação de qualidade e, não apenas implementar projetos econômicos liberais que não funcionam nem para quem os inventou. 

A pobreza é uma questão que alcança a própria consciência moral de uma civilização. A necessidade de organizar instituições capazes de preservar a liberdade e a igualdade dos cidadãos, dando atenção especial à condição dos menos favorecidos, é uma exigência evangélica do amor e abre o horizonte de responsabilidade que interpela governos e instituições da humanidade.  


Fonte: https://www.cnbb.org.br/a-justica-evangelica-e-politica/

22 de outubro de 2026

Parábolas e inclusão: a linguagem de Jesus que ninguém ficava de fora

A pedagogia do Evangelho como caminho de acessibilidade e pertença

Ao refletirmos sobre a missão da Igreja hoje, especialmente no contexto da inclusão das pessoas com deficiência, é impossível não voltar os olhos para o próprio Cristo. Jesus não apenas acolhia os marginalizados, mas também comunicava o Reino de Deus de forma profundamente acessível. Sua pedagogia era inclusiva. Seu modo de ensinar derrubava barreiras. E suas parábolas são um exemplo claro disso.

Ilustração a preto e branco que retrata Jesus Cristo ao centro, com uma auréola luminosa, de pé e a gesticular com as mãos enquanto ensina. Ele está rodeado por um grupo de pessoas atentas, com vestes da época, que o ouvem atentamente ao redor de uma mesa com jarros e alguns alimentos. A obra tem uma iluminação dramática que destaca a figura de Jesus em contraste com as sombras do ambiente.

Giacomo Martinetti, Public domain, via Wikimedia Commons

Em um mundo onde muitos eram excluídos por não terem acesso ao estudo, à cultura formal ou à vida religiosa plena, Jesus escolheu um caminho simples: Ele falava para todos.

Essa é uma lição urgente para nossas paróquias: uma Igreja verdadeiramente inclusiva começa também pela forma como anunciamos a Palavra.


As parábolas não eram apenas histórias bonitas. Elas eram uma forma concreta de tornar o Evangelho compreensível e próximo. Jesus falava de sementes, redes, ovelhas, pão, luz, festas e famílias. Ele partia do cotidiano. Isso permitia que pessoas simples, pobres, doentes ou excluídas se reconhecessem dentro da mensagem.

A parábola era uma ponte. Jesus não exigia que o povo subisse até uma linguagem complexa. Ele descia até a realidade das pessoas. Isso é inclusão.

A Palavra acessível como expressão de caridade

Hoje, sabemos que a comunicação pode ser uma barreira invisível dentro da Igreja. Muitas pessoas com deficiência enfrentam dificuldades não apenas arquitetônicas, mas também comunicacionais.

Uma homilia cheia de termos abstratos pode excluir:

  • Pessoas com deficiência intelectual
  • Pessoas autistas ou neurodivergentes
  • Idosos com limitações cognitivas
  • Fiéis com baixa escolaridade
  • Pessoas que estão iniciando na fé

Por isso a linguagem simples não é empobrecimento. É caridade pastoral.

Jesus nos mostra que a profundidade não está na complicação das palavras, mas na clareza do amor. A pedagogia de Cristo era sempre relacional. Ele olhava nos olhos, chamava pelo nome, tocava, caminhava junto.

Quando Jesus diz: “O Reino de Deus é como um grão de mostarda…”

Ele oferece uma imagem pequena, concreta, palpável. Algo que qualquer pessoa podia compreender e até segurar na mão. Isso é acessibilidade cognitiva.

Ele ensina com recursos que alcançam diferentes formas de aprender: pela escuta, pela imagem, pela experiência sensorial. Essa é uma inspiração direta para a catequese inclusiva hoje.

Homilias inclusivas: quando a Palavra se torna espaço de pertença

A homilia dominical é, para muitos fiéis, o principal momento de formação espiritual. Por isso ela precisa ser também um espaço de inclusão.

Uma homilia inclusiva é aquela que:

  • fala com clareza e objetividade
  • usa exemplos do cotidiano
  • evita linguagem excessivamente técnica
  • faz pausas e repetições quando necessário
  • descreve as cenas bíblicas com riqueza sensorial (audiodescrição pastoral)
  • permite que todos compreendam e se sintam parte

A Liturgia da Palavra deve ser uma mesa onde todos se alimentam.

Pedagogia de Jesus

Podemos reconhecer, na própria pedagogia de Cristo, etapas que ajudam a comunidade a crescer em inclusão:

1. Acolhida: Jesus chama pelo nome e aproxima: ninguém é invisível.
2. Mediação: Ele adapta a mensagem ao cotidiano: ninguém fica sem entender.
3. Participação: Ele envolve os excluídos: ninguém é apenas espectador.
4. Envio: Ele reconhece missão e dignidade: todos são protagonistas no Corpo de Cristo.

Agora entendemos que Jesus ensinava com parábolas porque queria que todos compreendessem. Ele comunicava o Reino de Deus de modo acessível porque ninguém deveria ficar de fora e uma Igreja inclusiva precisa ter uma catequese adaptada e homilias que alcançam todos os corações.

Que nossas comunidades aprendam com Jesus a arte de falar de modo simples, concreto e profundamente humano, porque quando a Palavra é acessível, o Evangelho se torna realmente Boa Notícia para todos.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/parabolas-e-inclusao-linguagem-de-jesus/

18 de outubro de 2026

Como posso ajudar missionários do mundo inteiro?

A evangelização começa no coração. Quando uma pessoa se deixa alcançar por Cristo, nasce nela o desejo de partilhar essa experiência com toda a humanidade. É a partir dessa perspectiva que o Papa Leão XIV convida a Igreja a viver o Dia Mundial das Missões de 2026.

Com o lema “Um em Cristo, unidos na missão”, a celebração recorda os cem anos de sua instituição pelo Papa Pio XI em 1926. Na ocasião, paróquias e comunidades católicas de todo o mundo são chamadas a rezar pelos missionários e a colaborar com projetos de evangelização nos territórios mais necessitados.

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A mensagem do Papa é inspirada no lema de seu pontificado, In Illo uno unum — “No único Cristo, somos um”. A expressão, atribuída a Santo Agostinho em sua reflexão sobre o Salmo 127, recorda que, embora os cristãos sejam numerosos e diferentes entre si, todos encontram sua unidade em Jesus Cristo.

Leão XIV deseja que a Igreja se deixe conduzir pela graça divina para “renovar em nós o fogo da vocação missionária” e avançar, juntos, em uma nova etapa da evangelização.

Unidos em oração, na missão e no amor

Na mensagem para o Dia Mundial das Missões, o Papa destaca três caminhos para que os cristãos vivam a unidade missionária.

Unidos em oração

Ser cristão não significa apenas seguir um conjunto de práticas ou defender determinadas ideias. Trata-se, antes de tudo, de viver em união com Cristo e participar da relação filial que Ele mantém com o Pai, no Espírito Santo.

“Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós”, ensina Jesus no Evangelho de São João (Jo 15,4). Para o Papa, a vida missionária nasce justamente dessa permanência em Cristo, como os ramos permanecem unidos à videira.

Unidos na missão

A missão exige comunhão, colaboração e abertura à ação do Espírito Santo. De acordo com Leão XIV, crescer nessa espiritualidade permite olhar para os irmãos com os olhos da fé, reconhecer o bem que Deus realiza em cada pessoa e acolher a diversidade como uma riqueza.


Também significa carregar os fardos uns dos outros e buscar constantemente a unidade que vem de Deus. Afinal, os cristãos possuem uma única missão, fundada em “um só Senhor, uma só fé, um só batismo” (Ef 4,5).

Essa comunhão não deve permanecer apenas no discurso. Ela constitui uma forma concreta de viver, todos os dias, o discipulado missionário.

Unidos no amor

Se a unidade é condição para a missão, o amor é a sua essência. A Boa-Nova anunciada pela Igreja não é um ideal abstrato, mas o Evangelho do amor fiel de Deus, revelado no rosto e na vida de Jesus Cristo.

Por isso, evangelizar significa anunciar, viver e partilhar esse amor com todas as especialmente com os pobres, os sofredores e aqueles que ainda não conheceram a esperança do Evangelho.

Outubro: mês dedicado às missões

O mês de outubro é tradicionalmente dedicado às missões. No dia 1º, a Igreja celebra Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das missões.

O Dia Mundial das Missões é celebrado no penúltimo domingo de outubro. Criada em 1926 pelo Papa Pio XI, a data também é marcada por uma coleta realizada nas paróquias e comunidades católicas. Os recursos arrecadados são destinados a projetos de evangelização e ao apoio de comunidades nos lugares mais necessitados do mundo.

O Papa Leão XIV conhece de perto a realidade missionária. Como sacerdote e bispo, viveu sua experiência pastoral no Peru. “Vi com meus próprios olhos como a fé, a oração e a generosidade demonstradas neste Dia podem transformar comunidades inteiras”, afirmou.

Por isso, ele convida toda a Igreja a se unir em oração pelos missionários e pela fecundidade de seu trabalho apostólico.

Confira o apelo do Papa: https://www.youtube.com/watch?v=vR7Fy8mQqSw

Como ajudar os missionários?

Cada cristão pode participar da missão evangelizadora de acordo com sua vocação e os dons que recebeu. A missão é obra do amor e pode ser vivida em diferentes realidades e serviços.

O Papa destaca duas formas concretas de colaboração:

  • testemunhar a vida em Cristo por meio das escolhas, atitudes e relacionamentos;
  • rezar pelos missionários e oferecer ajuda concreta, especialmente durante a coleta do Dia Mundial das Missões.

Nenhuma contribuição é pequena quando nasce da generosidade. Cada doação se torna um gesto de comunhão missionária e ajuda a levar o Evangelho do amor de Deus aos mais pobres e necessitados.

São Francisco e Santa Teresinha

A mensagem de Leão XIV também recorda o testemunho de São Francisco de Assis e de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Neste ano, a Igreja celebra o Jubileu de São Francisco, o “Pobrezinho de Assis”. Ao recordar a frase do santo: “O Amor não é amado”, o Papa convida nos convida a renovar o desejo de viver no amor de Deus e transmiti-lo a todos, próximos e distantes.

“Deixemo-nos contagiar pelo seu desejo de viver no amor do Senhor e de o transmitir ao próximo e ao distante”, afirma Leão XIV.

O Papa também destaca o ardor missionário de Santa Teresinha, que desejava continuar sua missão mesmo depois da morte. A santa dizia: “No Céu, desejarei a mesma coisa que na terra: amar Jesus e fazê-Lo amar.”

Reze com o Papa Leão XIV

O Papa deixou uma oração para ser rezada e compartilhada:

Pai santo, concedei-nos ser um em Cristo, enraizados no seu amor que une e renova. Fazei que todos os membros da Igreja sejam unidos na missão, dóceis ao Espírito Santo, corajosos no testemunho do Evangelho, anunciando e encarnando todos os dias o vosso amor fiel por cada criatura.

Abençoai os missionários e as missionárias, sustentai-os no seu esforço, guardai-os na esperança!

Maria, Rainha das missões, acompanhai a nossa obra evangelizadora em todos os cantos da terra: tornai-vos instrumentos de paz e fazei que o mundo inteiro reconheça em Cristo a luz que salva. Amém.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/igreja/como-ajudar-missionarios-no-mundo-inteiro/

15 de outubro de 2026

Primazia do bem na democracia

O compromisso partidário com o bem de todos

O Brasil vive o singular momento de eleições livres, amplas e limpas – sustentáculo da democracia, autêntico exercício de cidadania. Os resultados das urnas expressam a vontade do povo e sinalizam seus anseios. Esse processo se efetiva contando com a determinante contribuição do arcabouço político-partidário, que reflete a dimensão plural da sociedade neste tempo. Os partidos políticos têm a função de favorecer ampla participação e o acesso de todos às responsabilidades públicas, ensina a Doutrina Social da Igreja Católica. Desempenham, assim, a importante tarefa de interpretar as aspirações da sociedade civil orientando-as para o bem de todos. Portanto, os partidos devem ter o compromisso de desenvolver sínteses políticas e projetos capazes de ajudar os cidadãos a formular suas próprias opções. Naturalmente, são regidos por princípios e valores diferentes, mas devem partilhar sempre o compromisso com o bem comum. Isso significa que um partido político não pode alicerçar a sua ideologia em princípios e concepções que venham atentar contra valores democráticos, particularmente o respeito à dignidade humana.

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Governar para todos além da ideologia

Eleições são um jogo plural em que ora vence um partido com sua coligação, ora vence outro. As diferenças podem acirrar sentimentos e, para que não levem a perdas irreparáveis, todos devem buscar a primazia do bem. Lamentavelmente, convive-se com disputas figadais que podem se desdobrar em revanches raivosas e ondas de intolerância. Esse caminho apenas contribui para que a paixão política alimente polarizações. E corre-se o risco de minimizar a grandeza de se buscar o bem da sociedade, apequenando-se, consequentemente. O exercício do poder na democracia, para além da ideologia partidária, exige um governar para todos, tanto para os vencedores quanto para quem não foi exitoso no pleito. Trata-se de postura que expressa grandeza, na contramão de revanchismos, perseguições e disputas, com o equívoco de buscar construir-se pela desconstrução do semelhante.

O exercício do poder com lisura e ética

O bem comum está acima das comemorações daqueles que venceram as eleições e da inquietação dos que perderam. Importa a grandeza e a nobreza de se exercer o poder para promover e garantir o bem comum, agindo com lisura moral, rechaço à corrupção, sempre a partir do respeito à dignidade humana. Vencer eleições é admitir que se deve enfrentar também, com serenidade e sabedoria, os problemas da própria comunidade política, dedicando-se à busca de soluções para problemas que desfiguram o rosto de uma sociedade democrática. A primazia do bem deve ser o compromisso das instituições e instâncias de poder que configuram o exercício da democracia. Nesse sentido, não se pode negociar o princípio basilar de que a comunidade política está, essencialmente, a serviço da sociedade civil. Não se pode inverter essa ordem hierárquica. Não se pode considerar a sociedade civil como um apêndice ou uma variável da comunidade política.


A responsabilidade dos representantes eleitos

A Doutrina Social da Igreja sublinha a preeminência da sociedade civil: a comunidade política existe e se justifica no contexto maior da sociedade civil, de quem está a serviço. Agir na contramão dessa realidade leva também ao desencanto com a política, que passa a ser instrumento de vinganças ou de manipulações interesseiras, inviabilizando o bem de todos. A responsabilidade de quem é sufragado nas urnas é enorme. Não se esgota no compromisso partidário, mas projeta-se na amplitude da responsabilidade de dar conta do exercício do mandato, consideradas as complexidades de funcionamento, os desafios e as exigências na confecção de um novo tecido social, superando a consideração de interesses oligárquicos para garantir o bem do povo. Vencer as eleições deve ser “porta de entrada” para a oferta da própria vida em benefício do bem comum. Não é simplesmente ocupar cadeiras para a satisfação de caprichos, da vaidade pessoal, ou conquistar benesses.

Justiça social, solidariedade e compromisso ético

A primazia do bem comum é farol que deve iluminar diálogos e confrontos. O momento atual exige análises lúcidas para que não se perca a oportunidade de novas respostas aos desafios e necessidades do povo. As análises, opiniões e narrativas constituem importante contribuição para que muitas promessas se efetivem. A corrida eleitoral não é uma gincana entre vencedores e perdedores, mas a busca por um bem maior.

O sabor da vitória ou o amargo da derrota não podem ser o critério de atuação, de discernimentos sobre prioridades. Aqueles que foram às urnas esperam que toda a classe política priorize o bem comum, deixando-se guiar por princípios morais que fermentam a honestidade, a credibilidade, resultando em qualificadas gestão e representação. O ponto de partida e de chegada será sempre a primazia do bem, corrigindo descompassos, superando crises, reavendo credibilidade na política. Respeitada essa primazia, impulsiona-se, na sociedade, a justiça social e o compromisso com a solidariedade. Abandonado esse caminho, prevalecerão as escolhas equivocadas, as manipulações interesseiras, com prejuízos pesados para todos. Aqueles que verdadeiramente buscam servir ao povo, exercendo qualificadamente a cidadania, têm este horizonte luminoso e inspirador: buscar sempre a primazia do bem.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/primazia-do-bem-na-democracia/

13 de outubro de 2026

A aceleração tecnológica e o desejo de voltar ao passado

O paradoxo da tecnologia e a nostalgia do tempo

A humanidade, de tempos em tempos, vive momentos de transição, transformação profunda, que, sem exageros, poderiam ser considerados revolucionários, com desdobramentos nas mais diferentes áreas. Alguns autores referem-se a esses momentos como “pontos de virada”, dada a complexidade e a extensão das mudanças que ocasionam.

Seguramente, hoje vivemos um desses pontos de virada, uma época marcada pela aceleração — em grande medida consequência dos avanços tecnológicos. Redes sociais, dispositivos digitais, comunicação instantânea e Inteligência Artificial transformaram substancialmente nossa relação com o tempo, com o conhecimento e, por fim, conosco mesmos.

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Praticamente tudo hoje está ao alcance de um clique: falar com alguém do outro lado do mundo, restaurar uma fotografia antiga, ouvir uma música esquecida ou recorrer às inúmeras possibilidades ao alcance das IAs. E aí se estabelece um paradoxo: quanto mais avançamos tecnologicamente, mais cresce em muitos o desejo de voltar ao passado.

Nostalgia e anemoia: entre a experiência vivida e a imaginação

E esse olhar para o que passou pode estar vinculado a uma nostalgia que seria a saudade de experiências vivenciadas ou mesmo a uma “anemoia”, um conceito contemporâneo que define a saudade de um passado que não foi experiencial, ou seja, de um tempo do qual soubemos, mas não vivemos.

A visão de Santo Agostinho sobre o tempo e a memória

No centro de ambos os conceitos está o passado, o pretérito, o decorrido. Santo Agostinho, no volume IX das “Confissões”, sua obra autobiográfica, ao se debruçar em reflexões sobre o tempo, estabeleceu que o passado, o presente e o futuro se entrelaçam de forma mais complexa do que uma simples sucessão de eventos.

O passado e o futuro não existem por si sós, e o presente escapa na imediatidade do momento. No entanto, o passado se faz presente pela memória e o futuro pela expectativa. E, assim sendo, a memória é parte constitutiva de nossa identidade: em certa medida, somos o que lembramos, em um processo de autorreferenciação.

O paradoxo digital: abundância de informação e distanciamento da experiência

No mundo cada vez mais tecnológico e acelerado, o homem tem a necessidade de identificar continuidade, de perceber raízes. E aqui se estabelece um paradoxo: se os recursos tecnológicos nos permitem hoje um acesso cada vez maior ao passado, por meio de fotografias, músicas, jornais e relatos em uma diversidade e volume extraordinários, por outro lado, evidencia o quanto estamos cada vez mais distantes dessa época, deste tempo. Afinal, reconstruir a aparência do passado não devolve a integralidade da experiência vivenciada. E é neste ponto que ficamos nostálgicos.

A dor do retorno x a idealização do passado

A nostalgia, que pode ser entendida etimologicamente como “a dor do retorno”, diz respeito à tristeza ou melancolia causada pela saudade de um tempo ou lugar do passado que não volta mais e é experiencial.


Já a anemoia desloca-se para outro campo: o da imaginação. Pelos recursos de que hoje dispomos, criamos uma imagem do passado idealizada e que não comporta as suas próprias complexidades e problemáticas. E, sendo assim, é o sentimento de saudade de um mundo, de um passado que imaginamos ter existido. A saudade, neste caso, é de uma imagem do passado, e não do passado histórico. Ela se fundamenta naquilo que desejávamos encontrar no presente: simplicidade, pertencimento, estabilidade, proximidade, silêncio e sentido.

A busca por sentido na Era da Superficialidade

O presente nos faz refletir: o que fazemos mais rápido e com maior eficiência de fato produz mais sentido? Ou a aceleração presente tem nos deixado sempre à superfície das coisas, sem aprofundamento e consistência? Temos de considerar que as coisas que atravessam o tempo levam tempo.

Fazer memória: a perspectiva cristã e o resgate da humanidade

Como cristãos, não devemos desprezar o passado, mas elevá-lo à condição de memória. No olhar cristão, recordar não deve se reduzir a pensar em algo que aconteceu, mas ao “fazer memória” atualiza-se sacramentalmente a ação de Deus. E, sendo assim, não se trata de uma ideação do passado, mas de um olhar de gratidão.

Ao fazer memória, nosso olhar não se fixa no passado, mas contempla com expectativa o futuro, na certeza de que “o melhor está sempre por vir”. Olhamos com amor, reverência e adoração o santo sacrifício da morte e ressurreição de Cristo, situada no tempo e na história, na expectativa confiante e iminente de sua segunda vinda.

Preservando o essencial diante do futuro

Diante do avanço da tecnologia e das IAs, das transformações rápidas, dos bens efêmeros e da obsolescência programada, é urgente mantermos no presente e levarmos para o futuro os fundamentos de nossa humanidade: os valores, a família, a fé, a honestidade, o amor e a verdade. Somos desafiados a utilizar a tecnologia e suas benesses sem permitir que ela determine a maneira como vivemos.

Afinal, “foi para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).

Deus nos abençoe!


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/a-aceleracao-tecnologica-e-o-desejo-de-voltar-ao-passado/

9 de outubro de 2026

Os males da autopiedade: quando o sofrimento vira identidade

Desânimo, amargura e ingratidão

Tenho percebido este grande mal que hoje afeta muitas pessoas, e me parece que, de certa forma, são estimuladas a isso até pelos que querem manipulá-las, especialmente aquelas que mais precisam de ânimo e estímulo para vencer os problemas existenciais.

A autopiedade é o mau hábito de olhar para si mesmo principalmente como vítima das circunstâncias, concentrando-se excessivamente nas próprias dores, injustiças e limitações. Quando isso se torna habitual, pode produzir vários frutos negativos, fazendo a pessoa sofrer e também fazer os outros sofrerem.

Créditos: Yta23 by Getty Images

Antes de tudo gera o “vitimismo”; a pessoa passa a atribuir constantemente aos outros ou às circunstâncias a responsabilidade pelo que lhe acontece; acha-se uma vítima da sociedade e dos outros.

Isso gera o desânimo, a pessoa perde a esperança de que possa mudar ou superar as dificuldades. Pode cair na amargura e no ressentimento, e fica se lembrando e remoendo as ofensas e os fracassos sofridos, sem vencer a inércia; em vez de agir, fica, então, à espera de que alguém resolva seus problemas ou reconheça seu sofrimento. “Ai que dó de mim!”

A autopiedade gera amargura e ressentimento porque produz a revolta contra tudo e contra todos, como se os outros fossem responsáveis pelos seus problemas. É claro que isso gera também ingratidão, pois as dificuldades ocupam tanto espaço, que as coisas boas recebidas deixam de ser percebidas.


Egocentrismo e inveja

O vitimista vive se comparando com os outros e pode ser dominado pela inveja, ciúme, e até mesmo violência, por achar que é justo: “Por que os outros têm uma vida melhor do que a minha?”

Ele pode cair no isolamento, e até afastar familiares e amigos, especialmente quando toda conversa passa a girar em torno das próprias dores. “O senhor lamúria! Pode ficar sempre na dependência da aprovação dos outros, buscando constantemente compaixão, atenção e reconhecimento do próprio sofrimento.

Quem cultiva a autopiedade tem dificuldade de perdoar, porque se acha injustiçado, o que é grave. Pode também perder a alegria até mesmo diante de coisas boas, porque a atenção permanece fixada no que falta ou no que deu errado.

O vitimista age com egoísmo, egocentrismo, porque fica excessivamente centrado em seus próprios problemas e deixa de perceber as necessidades dos outros. Em vez de perguntar: “O que posso fazer por alguém?”, concentra-se em “O que fizeram comigo?”. É claro que tudo isso leva a um perigoso enfraquecimento espiritual, a dúvidas, revoltas contra Deus e contra os outros, e à dificuldade de aceitar a cruz com fé.

Para o cristão, é urgente lutar contra a autopiedade. A Palavra de Deus nos coloca muitas passagens que nos incitam a fugar do “ai que dó de mim!”.

A alternativa à autopiedade não é negar a própria dor, mas apresentá-la a Deus e transformá-la em ocasião de crescimento, oração, serviço e confiança.

São Paulo diz: “Em tudo somos atribulados, mas não abatidos; perplexos, mas não desesperados” (2Cor 4,8). “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rom 8,28).

“Em todas as circunstâncias, dai glória a Deus, porque essa é a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus” (1 Tes 5,17). “Completo na minha carne o que falta à Paixão de Cristo pelo seu corpo, que é a Igreja” (Col 1,24).

São Pedro aconselha: “Lançai sobre ele toda a vossa preocupação, porque ele cuida de vós” (1Pd 5,7).

Podemos encher páginas com passagens bíblicas que reprovam a autopiedade:

Fil 4,13 – “Tudo posso naquele que me fortalece.”

Rom 8,37 – “Em tudo isso somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou.”

Josué 1,9 – “Sê forte e corajoso! Não temas nem te acovardes, porque o Senhor teu Deus está contigo.”

Tg 1,2-4 – “Considerai uma grande alegria, meus irmãos, quando tiverdes de passar por diversas provações.”

2 Cor 4,8-9 – “Em tudo somos atribulados, mas não esmagados; perplexos, mas não desesperados.”

Provérbios 24,16 – “Pois o justo cai sete vezes e torna a levantar-se.”

2 Tim 1,7 – “Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de força, de amor e moderação.”

1 Cor 10,13 – “Deus é fiel e não permitirá que sejais provados acima das vossas forças.”

Lucas 9,23 – “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me.”

O cristão deve lutar contra a autopiedade com humildade; reconhecer que tem limitações, mas que pode contar com Deus para aceitar a sua realidade e trabalhar com a graça de Deus para vencer os problemas, sem lamentações, revoltas e acusações aos outros. Deve sempre dizer: “Esta situação é difícil, mas posso enfrentá-la com a graça de Deus”.

E também agir com caridade. “Minha dor não precisa me impedir de cuidar dos outros”. Saindo de si mesmo, do seu isolamento, para servir ao outro, vai vencendo o vitimismo, que, infelizmente é estimulado por muitos meios hoje, como já disse, até pelos que querem manipular as pessoas.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/sociedade/os-males-da-autopiedade/