18 de setembro de 2026

O que está levando os jovens ao suicídio?

Vivemos tempos muito desafiadores e, sobretudo, os mais jovens são particularmente permeáveis às profundas transformações culturais e sociais que estão ocorrendo

Um dos indicadores que nos ajudam a perceber a gravidade de algumas dessas mudanças é o crescimento do suicídio entre adolescentes e jovens. Trata-se de uma realidade que não pode deixar ninguém indiferente. Como alguém que tem “toda a vida” pela frente chega ao ponto de desistir de viver? Que sofrimento pode tornar-se tão intenso que a própria existência deixa de aparecer como um bem e passa a ser experimentada como um peso insuportável?

Um dos indicadores que nos ajudam a perceber a gravidade de algumas dessas mudanças é o crescimento do suicídio entre adolescentes e jovens. Trata-se de uma realidade que não pode deixar ninguém indiferente.

Crédito: Olga Yastremska / GettyImages

É importante começar por uma afirmação fundamental: o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial

Não existe uma causa única capaz de explicar cada morte. Transtornos mentais, experiências traumáticas, conflitos familiares, violência, bullying, isolamento, abuso de substâncias, dificuldades econômicas, rupturas afetivas e ausência de redes de apoio podem, entre muitos outros fatores, aumentar a vulnerabilidade de uma pessoa. Por isso, qualquer abordagem séria deste tema exige também a valorização da prevenção, do acompanhamento psicológico e psiquiátrico quando necessário e da construção de redes humanas capazes de reconhecer e acolher o sofrimento.

Isso, porém, não impede que façamos uma pergunta mais ampla, de natureza cultural e antropológica: que tipo de sociedade estamos construindo quando um número tão significativo de jovens experimenta a vida sem esperança?

Os dados justificam a preocupação. No Brasil, por exemplo, uma análise abrangendo o período entre 2000 e 2022 verificou um aumento de aproximadamente 120% na taxa corrigida de suicídio entre adolescentes, de 2,10 para 4,62 mortes por 100 mil adolescentes. O crescimento foi particularmente expressivo entre os mais novos, de 10 a 14 anos. Esses números não oferecem, por si mesmos, uma explicação do fenômeno, mas obrigam-nos a perguntar pelo ambiente humano, familiar, cultural e espiritual no qual as novas gerações estão crescendo.

O ambiente social em que vivemos e, de modo particular, nos últimos anos, a oferta tecnológica que está ao nosso alcance — sobretudo todas as possibilidades trazidas pela inteligência artificial — levantam questões sobre o tipo de convivência que estamos construindo, especialmente quando a relação com as máquinas começa, em alguns casos, a ocupar espaços que antes pertenciam às relações interpessoais.

O caso das redes sociais é particularmente desafiador

Diante de uma sucessão aparentemente interminável de vídeos, imagens e mensagens, a pessoa pode ter a impressão de estar simplesmente se relacionando com outras pessoas. Na realidade, entre ela e os conteúdos existe um sistema algorítmico que seleciona aquilo que será apresentado com base em seu histórico, seus interesses e suas reações anteriores. O mesmo acontece com a publicidade, a aquisição de bens, as notícias, as opiniões e até mesmo as ideias políticas e culturais que chegam até nós.

O problema está em que o algoritmo tende a nos oferecer aquilo que mantém a nossa atenção, e não necessariamente aquilo que é verdadeiro, bom ou necessário para nós. Aos poucos, pode formar-se uma “experiência de bolha”, na qual determinadas ideias são incessantemente confirmadas. Opiniões infundadas — e, em casos extremos, ideologias violentas — podem assim encontrar seguidores acríticos, que acabam imaginando fazer parte de uma enorme maioria quando, na realidade, habitam um universo digital cuidadosamente selecionado para eles.

Toda essa situação cria um “ecossistema” social no qual existe o risco de o ser humano acabar instrumentalizado. Para isso chamou a atenção o papa Leão XIV, na encíclica Magnifica humanitas, quando advertiu: «Não se devem subestimar as formas mais sutis de dependência ligadas à economia digital da atenção, na qual plataformas e serviços são concebidos para captar o tempo e o olhar dos usuários, explorando as suas fragilidades e enfraquecendo a liberdade interior» (n. 170).

Diante dessa realidade, o Papa indica também uma direção

«É urgente promover uma utilização das tecnologias que reforce a liberdade interior: educação para a sobriedade digital, proteção dos menores e combate a modelos que prosperam à custa da vulnerabilidade» (n. 170).

Os desafios colocados pela inteligência artificial tornam novamente evidente um princípio fundamental: o progresso técnico não produz automaticamente progresso humano. O papa Francisco já havia chamado a atenção para isso: «o imenso crescimento tecnológico não foi acompanhado por um desenvolvimento do ser humano quanto à responsabilidade, aos valores, à consciência» (Laudato si’, n. 105).

Décadas antes, São Paulo VI havia formulado o mesmo alerta com palavras particularmente fortes: «Os progressos científicos mais extraordinários, as invenções técnicas mais assombrosas, o desenvolvimento econômico mais prodigioso, se não estiverem unidos a um progresso social e moral, voltam-se, necessariamente, contra o homem» (Discurso à F.A.O., 16 de novembro de 1970).

Retomando precisamente essa advertência, Leão XIV afirma na Magnifica humanitas: «Se o desenvolvimento tecnológico avança sem uma maturação ética e social adequada, pode acontecer que os meios aumentem sem que a humanidade cresça na mesma medida: “tem-se mais”, mas não “se é mais”, e a pessoa corre o risco de ser avaliada sobretudo com base no desempenho que garante» (n. 94).

Esta distinção é decisiva. Uma sociedade pode aumentar extraordinariamente a quantidade de informação disponível, a expectativa de vida, o poder econômico, a capacidade de comunicação ou o domínio tecnológico e, ainda assim, não saber responder às perguntas mais elementares do coração humano: Quem sou? Por que vale a pena viver? Sou amado? A minha vida tem um sentido? O sofrimento tem a última palavra? Existe alguma coisa pela qual valha a pena dar a própria vida?

É aqui que a questão de Deus se torna inevitável

Não porque a fé possa ser apresentada como uma espécie de tratamento clínico para o sofrimento psicológico — não pode —, nem porque se deva insinuar que uma pessoa que sofre de depressão ou chega a uma situação suicida o faça simplesmente porque “não tem fé”. Uma afirmação desse tipo seria injusta, pastoralmente insensível e cientificamente indefensável.

A questão é mais profunda.

Trata-se de perguntar se uma cultura que elimina sistematicamente a transcendência consegue oferecer uma resposta suficiente à pergunta pelo sentido último da existência.

Também aqui existem dados interessantes. Estudos realizados nas últimas décadas mostram que a religiosidade e a espiritualidade podem funcionar como fatores protetores em relação à ideação e ao comportamento suicida, embora a relação seja complexa e não possa ser transformada numa causalidade automática. Uma revisão sistemática recente, reunindo 61 estudos e mais de 340 mil participantes, constatou que cerca de dois terços dos estudos identificavam uma associação protetora entre religiosidade ou espiritualidade e suicidalidade entre adolescentes. Entre os possíveis mecanismos encontram-se a construção de sentido, as razões para viver, o apoio comunitário e os vínculos sociais.

A fé, portanto, não substitui a medicina nem a psicologia

Mas uma visão integral da pessoa também não deveria ignorar a dimensão espiritual e a pergunta pelo sentido.

É justamente nesse nível que o papa Leão XIV oferece um critério fundamental, ao propor que se recoloque «Deus no horizonte do nosso agir e o ser humano no centro das nossas escolhas» (Magnifica humanitas, n. 16). Somente quando a pessoa não é reduzida à sua produtividade, às suas emoções, ao seu corpo, ao seu desempenho acadêmico ou profissional, ao seu poder econômico ou à imagem que projeta nas redes sociais é possível reencontrar plenamente a sua dignidade.

Bento XVI formulou essa questão de maneira particularmente clara: «Obscurecendo a referência a Deus obscureceu-se também o horizonte ético, abrindo espaço ao relativismo e confirmando-se uma concepção ambígua da liberdade que, em vez de ser liberatória, acaba por ligar o homem a ídolos». E acrescentou: «Se Deus perder a centralidade, o homem perde o seu justo lugar e não encontra a sua colocação na criação, nas relações com os outros» (Audiência geral, 14 de novembro de 2012).

Há aqui uma tese antropológica central do pensamento cristão: quando o homem deixa de se compreender em relação a algo que o transcende, corre o risco de passar a medir a si mesmo apenas por realidades imanentes — sucesso, prazer, reconhecimento, dinheiro, poder, desempenho ou aprovação social. E essas realidades, sendo necessariamente limitadas e instáveis, dificilmente conseguem sustentar sozinhas o peso inteiro de uma existência.

Esse problema possui raízes intelectuais profundas na modernidade, embora seja necessário evitar simplificações históricas

Em Hobbes, por exemplo, não encontramos simplesmente a negação de Deus ou a afirmação de uma impossibilidade absoluta de transcendência. O problema é mais complexo. Sua filosofia restringe severamente aquilo que a razão pode conhecer sobre Deus e, no plano político, submete a autoridade religiosa pública à soberania civil. Dessa forma, a ordem política passa a poder ser pensada fundamentalmente a partir da preservação da vida, da segurança e da paz civil, sem depender de uma finalidade transcendente compartilhada.

Rousseau, por sua vez, não elimina a religião. Pelo contrário, no final de O Contrato Social, propõe explicitamente uma “religião civil”. Mas precisamente aí surge uma questão fundamental: a religião tende a ser considerada também a partir de sua utilidade para a coesão da comunidade política. A transcendência religiosa corre assim o risco de ser enquadrada pelas necessidades da ordem civil, em vez de permanecer como instância capaz também de julgar moralmente o próprio poder político.

Não se trata, portanto, de atribuir a dois filósofos a responsabilidade pelo secularismo contemporâneo, mas de perceber uma longa transformação cultural: progressivamente tornou-se possível imaginar a sociedade, a política, a moral e, finalmente, o próprio ser humano sem referência necessária à transcendência.

E aquilo que aconteceu no plano intelectual produziu consequências culturais

Aos poucos, o ser humano passou frequentemente a ser compreendido sobretudo nas suas dimensões biológica, psicológica, econômica ou social, enquanto a dimensão espiritual foi relegada ao âmbito das escolhas privadas.

É contra essa redução que Bento XVI afirmava: «A abertura para a transcendência constitui uma garantia indispensável para a dignidade humana, porque há desejos e exigências do coração de cada pessoa que só em Deus encontram compreensão e resposta. Não se pode, portanto, excluir Deus do horizonte do homem e da história!» (Discurso à Internacional Democrática de Centro e Democrático-Cristã, 21 de setembro de 2007).

A peça Huis clos, de Jean-Paul Sartre, pode ser evocada aqui como uma provocação particularmente expressiva, desde que não se simplifique o seu significado. Nela aparece a célebre frase: “O inferno são os outros”. Sartre não pretendia simplesmente afirmar que toda relação humana é infernal. A expressão deve ser compreendida no contexto de sua análise do olhar do outro: quando fico aprisionado à imagem que o outro constrói de mim, corro o risco de me experimentar como objeto de seu julgamento. As personagens da peça estão fechadas, sem portas nem janelas… é uma correta imagem do mundo e da sociedade quando se faz desaparecer Deus do horizonte do agir.

Curiosamente, numa sociedade dominada pelas redes sociais, essa intuição adquire uma atualidade inesperada. Nunca foi tão fácil medir a própria existência pelo olhar alheio: quantas pessoas me seguem, quantas curtidas recebi, que aparência tenho, o que os outros pensam de mim, se sou suficientemente bonito, bem-sucedido, desejado ou admirado. A identidade pode acabar aprisionada numa sucessão infinita de olhares exteriores.

A fé cristã oferece uma libertação radical dessa lógica: antes do olhar dos outros sobre mim, existe o olhar de Deus. E esse olhar não é determinado pelo meu desempenho.

É o olhar daquele que me criou, me quis e me ama

É nesse sentido — antropológico e teológico — que podemos voltar à pergunta que encabeça este texto: o que está levando os jovens a desistirem da vida?

Não existe uma resposta única no plano psicológico, sociológico ou médico. Seria irresponsável pretender que exista. Cada história de sofrimento exige ser acolhida na sua singularidade, e toda pessoa em risco precisa encontrar ajuda competente, proximidade humana e acompanhamento.

Mas, no plano cultural, podemos formular outra pergunta: não estaremos construindo uma sociedade cada vez mais capaz de oferecer meios para viver e cada vez menos capaz de dizer por que vale a pena viver?

É aqui que a crise de transcendência se torna decisiva.

A retirada de Deus do horizonte cultural não explica, por si só, cada suicídio. Mas pode contribuir para um ambiente em que se tornam mais frágeis algumas das grandes fontes de sentido que, durante séculos, ajudaram o ser humano a compreender a própria existência: a consciência de ter sido querido, a certeza de possuir uma dignidade que não depende do sucesso, a esperança de que o sofrimento não tem a última palavra e a convicção de que a vida recebida contém uma vocação e um destino.

Por isso, diante da crise de esperança das novas gerações, um dos grandes desafios da vida e da missão da Igreja consiste em abrir novamente caminhos para Deus.

Não se trata de acrescentar uma camada religiosa artificial à vida dos jovens

Trata-se de lhes oferecer a possibilidade de descobrir que a fé ilumina todas as dimensões da existência.

O papa Francisco falava frequentemente das três linguagens necessárias à educação: a linguagem da inteligência, a linguagem do coração e a linguagem das mãos. No encontro com os jovens em Milão, no Estádio de San Siro, em 25 de março de 2017, sintetizou admiravelmente essa proposta: «Educar para a harmonia destas três linguagens, a tal ponto que os jovens, rapazes e moças, possam pensar naquilo que sentem e fazem, sentir o que pensam e fazem, e fazer aquilo que pensam e sentem. Não separar estas três realidades, mas colocá-las todas juntas».

Estas três linguagens podem indicar também três grandes tarefas para a Igreja.

Em primeiro lugar, a inteligência: precisamos reaprender a apresentar as razões da fé.

É necessário criar nas comunidades cristãs espaços e tempos de estudo da Sagrada Escritura, do Catecismo da Igreja Católica e dos grandes textos da tradição cristã. Mas não se trata nunca apenas de repetir fórmulas. Trata-se de compreender o nexo profundo entre as verdades da fé e as grandes perguntas da existência.

Por que existe alguma coisa em vez de nada? O que significa ser pessoa? De onde vem a dignidade humana? O que torna uma ação boa ou má? O que é a liberdade? Por que amar é melhor do que odiar? Como enfrentar o sofrimento? O que significa morrer? Existe uma vida eterna?

Uma fé incapaz de dialogar com estas perguntas corre o risco de se tornar superficial

Mas uma fé intelectualmente assimilada permite ao cristão compreender o mundo e dar razões da esperança que o habita.

A esse respeito, vale a pena recordar aquilo que o papa Leão XIII, no final do século XIX, já indicava como condição necessária para que os católicos pudessem fazer diferença na sociedade: «é necessário que todos os católicos dignos deste nome se determinem a ser e mostrar-se filhos dedicados da Igreja» (Immortale Dei, n. 57).

Em segundo lugar, o coração: precisamos ensinar novamente a rezar.

Uma coisa é a oração natural, que pode surgir espontaneamente diante do medo, da dor ou da necessidade. A oração cristã é mais do que isso: é relação filial com Deus. É descobrir que o cristianismo não começa por uma teoria, mas por um encontro.

Por isso, precisamos realizar verdadeiros itinerários de iniciação à oração. É necessário ensinar a entrar no silêncio, a escutar a Palavra de Deus, a permanecer diante d’Ele, a participar conscientemente da liturgia, a fazer exame de consciência, a descobrir a adoração e a compreender a vida sacramental.

Os jovens estão sedentos, e grande parte da nossa cultura oferece poços que prometem saciar e deixam ainda mais sede.

Na oração reaparece o pedido da samaritana a Jesus: «Senhor, dá-me dessa água» (Jo 4,15).

Posso testemunhar particularmente a realidade de Portugal, que conheço melhor

Em Lisboa, muitos jovens dedicam semanalmente uma hora inteira à adoração diante do Santíssimo Sacramento, inclusive durante a noite e a madrugada. Muitos testemunham como o silêncio diante do Senhor presente na Eucaristia transformou progressivamente a sua vida espiritual. Na cidade de Lisboa e em seus arredores existem hoje várias capelas de adoração perpétua, abertas 24 horas por dia, sete dias por semana, e muitas horas são assumidas precisamente por jovens.

Isto significa alguma coisa.

Numa geração acusada tantas vezes de não conseguir permanecer alguns minutos sem olhar para uma tela, encontramos jovens capazes de permanecer uma hora inteira em silêncio diante da Eucaristia.

Talvez a sede seja maior do que imaginamos.

Em terceiro lugar, as mãos: precisamos recuperar a linguagem do serviço.

A fé cristã nunca termina numa experiência intimista. Quem encontra Cristo é enviado ao encontro dos outros.

A este respeito, o papa Leão XIV oferece, na exortação Dilexi te, uma formulação particularmente bela: «o pobre não é apenas alguém a quem se presta auxílio, mas é presença sacramental do Senhor» (n. 44). É uma afirmação extraordinariamente exigente.

O pobre não é simplesmente destinatário da bondade do cristão. É lugar de encontro com Cristo.

Por isso, sobretudo nas grandes cidades, onde existem tantas formas de solidão, abandono e sofrimento, as estruturas da Igreja — hospitais, centros de apoio às pessoas em situação de rua, casas de acolhimento, instituições que acompanham crianças, jovens, idosos, migrantes, doentes e famílias vulneráveis — podem tornar-se também verdadeiras escolas de humanidade.

Mas essa linguagem só transforma quando é marcada pela fidelidade. Não basta uma experiência ocasional de voluntariado destinada apenas a produzir uma sensação agradável. É necessária uma aliança com quem sofre: aprender nomes, conhecer histórias, criar relações, assumir responsabilidades.

Pois o próprio Senhor nos deixou um critério para reconhecer a autenticidade da nossa fé: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes» (Mt 25,40).

Inteligência, coração e mãos

Conhecer a verdade, entrar em relação com Deus e transformar essa relação em amor concreto.

Talvez aqui esteja uma parte importante da resposta cristã à crise contemporânea da esperança.

A Igreja não possui uma explicação simples para todo o sofrimento dos jovens e não deve fingir que possui. Deve escutar, acompanhar, acolher e saber trabalhar também com famílias, educadores, psicólogos, psiquiatras e todos aqueles que procuram proteger a vida.

Mas possui algo que não pode deixar de oferecer.

Pode olhar para cada jovem e dizer-lhe: a sua vida não é um acidente. Você não vale aquilo que produz. Você não vale o número de pessoas que o seguem. Você não vale as notas que consegue, o dinheiro que ganha, o corpo que possui ou a aprovação que recebe. A sua dignidade vem antes de tudo isso. Você foi querido por Deus, é amado por Ele e a sua existência possui um sentido que nenhum fracasso pode apagar.

Num mundo que ensina continuamente os jovens a perguntar quanto valem, talvez a primeira missão da Igreja seja ajudá-los a descobrir que existem coisas que não têm preço.

E a vida humana é uma delas.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/sem-categoria/o-que-esta-levando-os-jovens-ao-suicidio/

16 de setembro de 2026

A Amoris Laetitia e a sua riqueza dez anos depois

O poder de Amoris Laetitia: Transformando vidas e lares hoje. Ninguém nasceu para viver sem os outros.

Os elementos de maior visibilidade na exortação pós sinodal Amoris Laetitia a meu ver são três: Antropológico, eclesiológico e sócio – familiar.

Crédito: andreswd / GettyImages

Para compreender o primeiro deles é necessário nos adentrarmos no conceito de pessoa que o pontificado do Papa Francisco desenvolveu ao longo de todos os anos nos quais ele sempre insistiu na pessoa como ser em “relação”. A capacidade que a pessoa possui de criar relações. A pessoa desvenda dentro de si a maior de todas as capacidades quer dizer a vontade de se relacionar, de se aproximar.

Ninguém nasceu para viver “sem os outros” somos para os outros. A análise desde o primeiro capítulo leva-nos a perceber que a superação do isolamento é a primeira atitude da pessoa que em si mesma sai ao encontro do outro. Um encontro com aquele ou aquela a quem pode amar e escolher.

Família a força indissociável do encontro que salva e fortalece

Deste encontro, que cura a solidão, surge a geração e a família. Este é um segundo detalhe, que podemos evidenciar: Adão, que é também o homem de todos os tempos e de todas as regiões do nosso planeta, juntamente com a sua esposa dá origem a uma nova família, como afirma Jesus citando o Génesis: «Unir-se-á à sua mulher e serão os dois um só» (AL 13).

Ao afirmar que os dois serão um só não está dizendo que um desaparecerá e o outro ficará. Os dois se unirão de tal modo que nada poderá dissociar aquela intenção de encontro que salva e fortalece.

O encontro corresponde a este chamado que faz o Criador de propor uma vida juntos, onde cada um vive sua identidade, mas que no momento específico se descobrem como um só.

A escolha como resposta e sobretudo como presença

Antropologicamente há dois movimentos na Amoris Laetitia que sustentam esta direção de ir um na procura do outro. Em primeiro lugar um movimento desde o coração e um segundo para fora do coração. Tudo isto faz parte da escolha que cada pessoa faz da outra como resposta e sobretudo como presença.

Amoris Laetitia, a liberdade de escolha e a prática das virtudes

Dentro da liberdade de escolha a pessoa pode não somente descobrir o verdadeiro e essencial sentido das suas opções como também da capacidade inerente à sua verdade. A grandeza deste item na exortação Amoris Laetitia permeia os elementos fundamentais de um processo que contribua a desenvolver uma pastoral de discernimento.

A liberdade de escolher permite projetar a própria vida e cultivar o melhor de si mesmo, mas, se não tiver objetivos nobres e disciplina pessoal, degenera numa incapacidade de se dar generosamente. De fato, em muitos países onde diminui o número de matrimônios, cresce o número de pessoas que decidem viver sozinhas ou que convivem sem coabitar”. (AL 33).

A grandeza do amor e das virtudes no matrimônio cristão

Para a vida cristã esta descoberta ajuda a entrever aquilo que poderíamos chamar da prática das virtudes que brotam do ser mesmo da pessoa.

Amabilidade, generosidade, desprendimento, perdão são dons gratuitos que brotam posteriormente na experiência mais genuína de quem opta pela vida conjugal. Acredito que aqui se encontra o sentido da vida matrimonial desde um âmbito teológico e antropológico ou como diz o mesmo documento é desde aqui que podemos enxergar a grandeza do amor de Deus por cada pessoa humana.

A vida conjugal, lugar de se perceber amado e de modo especial esperado

O matrimónio é um sinal precioso, porque, «quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do matrimónio, Deus, por assim dizer, “espelha-Se” neles, imprime neles as suas características e o carácter indelével do seu amor. O matrimónio é o ícone do amor de Deus por nós. Com efeito, também Deus é comunhão: as três Pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo – vivem desde sempre e para sempre em unidade perfeita. É precisamente nisto que consiste o mistério do matrimónio: dos dois esposos, Deus faz uma só existência»”. (AL 121).

Neste sentido, o Papa Francisco sempre insistiu ao longo do seu pontificado em traduzir o fato de que a vida conjugal não é um pacto ou uma convenção bilateral entre duas pessoas. Quando duas pessoas se encontram significa que cada uma delas está ciente da grandeza do “outro” onde pode se perceber como totalmente amado e de modo especial esperado.

Amoris Laetitia, casar-se por amor e para o amor

A beleza do matrimônio está justamente aqui. O reflexo da caridade que brota do mais belo exercício de reconhecimento que gera maior alegria quando cada um exerce o perdão como expressão grandiosa deste ato sublime de ser um para o outro.

É verdade que o amor é muito mais do que um consentimento externo ou uma forma de contrato matrimonial, mas é igualmente certo que a decisão de dar ao matrimónio uma configuração visível na sociedade com certos compromissos manifesta a sua relevância: mostra a seriedade da identificação com o outro, indica uma superação do individualismo de adolescente e expressa a firme opção de se pertencerem um ao outro. Casar-se é uma maneira de exprimir que realmente se abandonou o ninho materno, para tecer outros laços fortes e assumir uma nova responsabilidade perante outra pessoa”. ( AL, 131 – 133).

Um amor que manifestado e vivido

A beleza do casamento está então no casar-se por amor e para o amor. Um amor que manifestado e vivido, ajuda no crescimento e de modo especial no amadurecimento de cada um dos cônjuges. Na exortação podemos constatá-lo em alguns dos numerais que sublinham a importância deste processo vivido e sustentado a dois querendo ser um.

A análise que realizamos destes textos nos leva a concluir que a pessoa humana vivência desde antes do momento de pensar em si mesma a proposta de ir ao encontro de um outro que lhe faz pleno e realiza seu ser mais íntimo na esperança de responder a sua vocação. Isto vale para pessoas que optam pela vida de casal ou pela vida celibatária.

O que as leis não podem ensinar sobre o amor e a família

Aqui está a grandeza antropológica desta visão que trouxe para nós o desenvolver da Amoris Laetitia em relação ao mundo das emoções, das paixões e da maturidade afetiva. Só quem descobre o valor de uma vida dada e doada pode descobrir o singular e transcendental fato de amar e ser amado através do coração e não de posturas dogmáticas ou meramente abstratas. Cria-se relações éticas e evita todo tipo de manipulação.

O amor não só dignifica a pessoa como também a conduz dentro de um caminho cada vez mais claro em direção ao seu horizonte social e cultural.

Espero que cada pessoa possa entender que a antropologia do matrimônio e da família não dependem das condições que o estado ou as leis civis possam emitir e sim da especial e renovadora vida que cada pessoa descobre na sua família. Uma vida vivida para os outros e com os outros.

Rafael Solano. Presbítero da Arquidiocese de Londrina – PR. PhD em Teologia Moral. Pontifícia Universidade Lateranense de Roma. Coordenador do Curso de Teologia da PUCPR Campus Londrina – PR.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/familia/amoris-laetitia-e-sua-riqueza-dez-anos-depois/

14 de setembro de 2026

Quando a porta do quarto se fecha: entendendo o silêncio do seu filho adolescente

Compreendendo as mudanças da adolescência

Muitos pais me procuram com a mesma frase: “Meu filho dormiu de um jeito e acordou de outro”. Aquela criança que era amorosa, que gostava de estar perto, que conversava, parece ter sido substituída da noite para o dia por uma pessoa nova: alguém que prefere o quarto, o silêncio, as respostas monossilábicas e a companhia dos amigos à da família.

Antes de qualquer coisa, é preciso entender: isso faz parte da história do seu filho. Esse afastamento é parte do processo de amadurecimento. As reflexões que trago aqui não são fórmulas mágicas, nem modelos prontos para aplicar. São placas sinalizadoras, uma visão geral para você se guiar, usando a percepção que tem do seu filho e a proximidade que tem com ele.

Adolescente sentado na cama, sozinho no quarto, usando o celular diante da janela.

Crédito: baona by Getty Images.

O primeiro olhar deve ser para dentro

Quando a adolescência chega, uma enxurrada de perguntas nasce em nós: “Será que falhei? Será que não estive presente? Será que estou errando num mundo onde tudo é permitido?” Sim, vamos falhar, e muito. Mas nossas falhas não determinam se o filho vai ou não passar por essa fase de afastamento. A maioria dos jovens passa por ela, uns em grau maior, outros menor.

É preciso também não reagir com imaturidade: nada de revolta, agressividade ou cobranças exageradas de conversa e carinho. Lembre-se: o amor é livre. Amar exige liberdade, mas isso não significa ser permissivo: a obediência aos valores da casa é essencial e inegociável, mas significa compreender o processo para se portar bem diante dele.

Vale perguntar, ainda: o que está lhe machucando mais? A revolta do filho ou a vergonha de que ele não se comporte como esperado diante dos parentes e amigos, de que a família não se encaixe no padrão das redes sociais? Somos todos pecadores e falhos. As humilhações que colhemos das nossas falhas (e das falhas dos filhos) podem ser exercício de humildade, de reconhecimento daquilo que somos.

A adolescência é uma metamorfose

As transformações são físicas e psicológicas, e elas não acontecem em paralelo. O corpo muda de forma visível, mas a alma e o cérebro seguem outro ritmo: enquanto o córtex pré-frontal (a parte ligada à razão, à lógica e ao planejamento) ainda se desenvolve, a parte ligada às emoções está fervilhando. O resultado é uma insegurança que o jovem também sente, mesmo sem conseguir expressar. É como se ele se levantasse todos os dias perguntando: “Quem sou eu? Por que sinto isso?”

E há também a alma. O adolescente começa a perceber o vazio existencial, em que nenhuma emoção, nenhuma conquista o preenche. Santo Agostinho já dizia: Deus nos fez para Ele, e nosso coração não descansa enquanto não repousa n’Ele. É por isso que o afastamento, tantas vezes, não é fuga: é uma busca de identidade. O jovem precisa olhar para si mesmo, construir o caminho para ser quem ele é, e isso exige distância, e não abandono.

Aqui está uma grande chave: mude a pergunta. Deixe de perguntar “o que está errado com meu filho?” e pergunte: “o que está acontecendo com meu filho?”.

Autonomia e privacidade

Duas palavras essenciais. Autonomia: o jovem precisa caminhar com as próprias pernas, mas não pode ficar só. Ele busca aprovação e acolhimento; se não os encontra em casa, pessoas inadequadas podem ocupar esse lugar. Privacidade: a porta do quarto precisa ser negociada, sem excessos, e com a clareza de que privacidade não é segredo. O filho precisa de um canto seu (muitas vezes até um espaço pequeno, com seus adesivos e suas coisas), mas não pode viver num casulo. Ele precisa de um lugar para ser ele mesmo, sem deixar de ser parte da família.

O silêncio em casa e o barulho lá fora

Há adolescentes que em casa são monossilábicos e, com os amigos, são expansivos, líderes do grupo. O que fazer? Aquele remédio antigo, que dá muito fruto: a discrição. São Felipe Néri nos ensina a estar próximos sem invadir. Leve e traga seu filho, deixe-o conversar com os amigos no carro, seja ali quase um motorista invisível. Você não é amiguinho dele: é pai. Mas quanto mais imperceptível você for estando junto, mais vai conhecer o seu filho de uma maneira indireta.


Os grupos e as redes sociais

Se o seu filho tiver que arrumar uma confusão, ele vai arrumá-la dentro de casa, porque dentro de casa ele sabe que é amado. Lá fora, o grupo é cruel: isola, pune, humilha. O jovem precisa de distância de você para ser aceito pelo grupo: é o clássico “me deixa um quarteirão antes da escola”. Entenda e equilibre: autonomia, privacidade, liberdade com os amigos, mas sempre com responsabilidade e presença.

Há ainda um segundo mundo crescendo em paralelo: as redes sociais. Elas podem gerar uma vida completamente paralela, suprindo carências afetivas de forma desordenada, com riscos graves como a pornografia. Esteja atento sem entrar em paranoia; quanto mais você se comportar como perseguidor, mais seu filho vai fugir de você.

As guerras silenciosas e a hipocrisia

Muitas vezes o problema que dizemos estar no filho não está no filho. Casais que vivem guerras silenciosas, discutindo e se desrespeitando, acham que o adolescente não percebe. Ele percebe, e reage. O adolescente é um detector de hipocrisia: se você exige oração e não reza, exige honestidade e não é honesto, exige respeito e não respeita, ele vai repetir isso com toda a intensidade.

Seja honesto. Não precisa contar tudo (seu filho não é seu confessor nem seu terapeuta), mas partilhe suas lutas: “estamos passando por dificuldades, mas estamos caminhando, lutando”. Assim como ele percebe a hipocrisia, ele percebe a luta sincera. E isso o torna menos agressivo.

No próximo artigo, veremos como responder a tudo isso na prática: a presença, o porto seguro, a escuta, a firmeza amorosa e os sinais de alerta que pedem ajuda.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/familia/pais-e-filhos/quando-porta-quarto-se-fecha-entendendo-o-silencio-seu-filho-adolescente/

11 de setembro de 2026

Os valores inegociáveis na escolha de um candidato nas eleições

Voto cristão: valores inegociáveis que nenhum projeto político pode violar

A Igreja Católica não manda votar em um partido ou candidato específico, mas ensina que o voto cristão deve ser dado à luz da consciência moral bem formada. Nesse contexto, os bispos brasileiros e diversos documentos do Magistério falam de “valores inegociáveis” ou princípios não negociáveis, isto é, bens fundamentais que nenhum projeto político pode violar.

Pessoa prestes ao confirmar um voto ao escolher um candidato em uma urna eletrônica.

Crédito: Marcio Binow Da Silva / Getty Images.

O Papa Bento XVI colocou que foram retomados por vários documentos da Igreja:

1 – Defesa da vida humana desde a concepção até a morte natural: rejeição do aborto, da eutanásia e de práticas que atentem diretamente contra a vida inocente. Assim, não se deve votar em um candidato que defenda uma posição contra o que está colocado acima.

2 – Promoção e proteção da família e do casamento segundo a concepção cristã; defesa da estabilidade familiar, da abertura à vida e da dignidade da família como célula fundamental da sociedade. São João Paulo II se referia à família, na “Carta às Famílias”, como o “Santuário da Vida”, “célula básica da sociedade”, “patrimônio da humanidade” e uma “instituição inegociável”.

Então, um católico não deve votar em um candidato que não valorize e não defenda a família, o direito dos pais de definir os filhos que quiserem e puderem ter.

3 – Liberdade de educação dos filhos: reconhecimento do direito primário dos pais de educar moral e religiosamente seus filhos. Cabe aos pais o direito de educar os seus filhos na fé que desejam e não ao Estado.

4 – Promoção do bem comum e da liberdade religiosa: respeito à dignidade da pessoa humana, à justiça, à paz, à solidariedade e ao direito de professar a fé sem coerção.

Esses princípios são claros, por exemplo, no “Compêndio da Doutrina Social da Igreja” (nn. 155–159, 231–233, 436–445); nas encíclicas do Papa São João Paulo II: “Evangelium Vitae” (nn. 71–74), “Veritatis Splendor”, “Sacramentum Caritatis” (n. 83) e no Documento da Congregação para a Doutrina da Fé: “Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao compromisso e comportamento dos católicos na vida política” (2002).

Não adianta, por exemplo, lutar contra as drogas e votar em algum candidato que seja favorável à liberação delas.

Não adianta lutar contra o aborto e votar em um candidato que seja favorável a ele.

Não podemos lutar pela família e votar em alguém que seja a favor da sua dissolução e contra os valores cristãos da família.

Não adianta lutar pela boa formação das crianças e votar em um candidato que aceite ensinar sexo livre e outras imoralidades para elas nas escolas, nas cartilhas e outros meios.

Não adianta lutar pela liberdade religiosa, e votar em um candidato que impeça a Igreja de ensinar com liberdade e segurança o que Magistério ensina.

Enfim, o que a Igreja “exige” do eleitor?

Ela exige que o católico não apoie deliberadamente propostas que atentem gravemente contra a vida e a dignidade humana; considere o conjunto da pessoa e do programa do candidato avaliando competência, honestidade, caráter, justiça social, combate à corrupção; e forme a própria consciência segundo a Escritura, o Catecismo e a Doutrina Social da Igreja.

Pode acontecer que, numa eleição, o eleitor não encontre alguém que siga os valores cristãos, então, o voto cristão deve escolher aquele que mais obedeça a esses valores. No caso de uma eleição onde só haja dois candidatos para um mesmo cargo, e nenhum deles apresentem os valores acima mostrados, deve-se votar no “menos mau”. Isso está dentro do conceito moral de “mal menor”. Nunca se deve anular o voto ou votar em branco, pois deixar de votar no “menos mau” acaba favorecendo o pior.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/politica/valores-inegociaveis-na-escolha-de-um-candidato-nas-eleicoes/

9 de setembro de 2026

Por que não noticiar suicídio?

Alguns especialistas em comunicação apostam numa mudança de comportamento do jornalismo no que diz respeito às notícias ligadas ao suicídio. Muitos meios acreditam que noticiar uma morte deste tipo tem como principal finalidade o equilíbrio do interesse público com a ética. Também afirmam que seria uma maneira de ajudar a entender melhor essa prática e com isso trabalhar reportagens que ampliem o debate e, quem sabe, reduzam o drama de quem enfrenta problemas emocionais e corre o risco de cometer tal ato.

Fala-se em evitar o sensacionalismo para não permitir o chamado “efeito imitação”, que ao longo das últimas décadas pode ter contribuído com o crescimento das estatísticas. Qualquer psicólogo é capaz de afirmar que pessoas com tendências suicidas se sentem estimuladas a fazer o mesmo quando assistem a conteúdos que noticiam, ou até mesmo ensinam como tirar a própria vida. Por conta disso, defende-se a criação de reportagens com foco exclusivo em prevenção e conscientização, desde que não se detalhem métodos ou locais em que suicídios acontecem.

Créditos: magnific.com

As diretrizes atuais de cobertura e seus limites éticos

Numa busca rápida, com auxílio da Inteligência Artificial, dá até pra encontrar algumas diretrizes práticas e éticas na forma de noticiar um suicídio. Coisas do tipo:

Evitar sensacionalismo: a cobertura não deve glamourizar ou detalhar o ato.
Foco na prevenção: a notícia deve ser pautada como saúde pública e incluir informações sobre busca de ajuda.
Respeito à família: a abordagem precisa ser empática, preservando a intimidade dos envolvidos.
Exceções: casos de figuras públicas ou ocorrências em locais públicos que impactam a coletividade podem exigir cobertura, mas com extremo cuidado.
Abordagem atual: o suicídio tem deixado de ser um tabu absoluto, sendo tratado com maior seriedade para quebrar o estigma, sem dar “roteiros” aos novos casos.

Uma análise crítica sobre as diretrizes

Uma cobertura jornalística sobre suicídio, já não revela uma pitada de sensacionalismo, ou alguém é capaz de achar sensacional um suicídio?

Ao noticiar um suicídio, o que mais eu consigo prevenir se a vítima já tirou a sua vida? Talvez, no máximo, criticar a inoperância do sistema de saúde, que, além do Setembro Amarelo, pouco faz para mudar esse quadro, que registra uma média de 38 pessoas que tiram a própria vida por dia no Brasil, cerca de 14 mil casos só em 2025.

Respeitar a família e preservar a intimidade do envolvido não seria também ficar sem ninguém para abordar sobre o suicídio ocorrido? Só em estar com seu equipamento jornalístico no local onde o suicida foi encontrado, já gera nos familiares uma mistura de angústia e vergonha, incapazes de serem reveladas de outra forma. Na prática, ou o jornalismo invade a privacidade familiar para extrair o caso, ou simplesmente não o faz; não há meio-termo confortável.

O problema das exceções e a banalização

As exceções, significam que as figuras públicas, são pessoas que não tem mais família? Os outros suicidas, sem fama pública, não impactam a coletividade? Como fazer uma cobertura extremamente cuidadosa? Falar o lado bom de quem se suicidou? Além disso, existe o risco iminente de que a chamada “abordagem atual”, ao tentar quebrar o tabu e dar excessiva visibilidade ao tema, acabe por banalizar a prática, ao contrário do tratamento sério que o assunto historicamente recebeu.

A perspectiva da fé: o vazio espiritual e a esperança

Não se pode discutir um tema tão denso sem analisar sua dimensão espiritual. Muitas vezes, ignora-se que as tentações malignas e influências demoníacas, instigam ao pecado que afasta a pessoa de Deus, a ponto de incitar o desespero interior e fatalmente os pensamentos suicidas. A vítima do pecado, instigada pelo inimigo de Deus, perde a confiança na misericórdia divina, se isola da comunidade e perde a esperança. E sem esperança se perde o sentido da vida.

No artigo 2280 do Catecismo da Igreja Católica lemos:
“Cada um é responsável por sua vida diante de Deus, que lhe deu e que dela é sempre o único e soberano Senhor. Devemos receber a vida com reconhecimento e preservá-la para honra d’Ele e salvação de nossas almas. Somos os administradores e não os proprietários da vida que Deus nos confiou. Não podemos nos dispor dela”.

O documento reforça ainda em seu Artigo 2281:
“O suicídio contradiz a inclinação natural do ser humano a conservar e perpetuar a própria vida. É gravemente contrário ao justo amor de si mesmo. Ofende igualmente o amor do próximo, porque rompe injustamente os vínculos de solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, às quais nos ligam muitas obrigações. O suicídio é contrário ao amor do Deus vivo”.

Boas notícias e confiança em Deus

Por isso as boas e belas notícias podem sim ser remédio para os que hoje enfrentam tentações. Principalmente aquelas que recordam, com riquezas de detalhes, que Deus é capaz de mudar toda e qualquer situação. Basta apenas que confiemos mais n’Ele e menos nas coisas do mundo.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/porque-nao-noticiar-suicidio/

7 de setembro de 2026

Irmãos: frutos da suprema instituição humana

A relação entre irmãos é um dos laços mais longos e autênticos de nossa vida

Ao longo da história, muitas civilizações tentaram colocar outras prioridades acima da estrutura familiar. Um exemplo clássico disso é Esparta, que focou toda a sua energia na guerra e no desenvolvimento militar. O resultado? A sociedade espartana acabou sucumbindo não por causa de um exército inimigo, mas devido a uma silenciosa crise de natalidade. Esse colapso demográfico foi mais devastador do que qualquer oponente no campo de batalha, provando uma grande verdade histórica: a família é a base insubstituível de qualquer sociedade e a suprema instituição humana.

Créditos: Domínio público

Por ser a primeira instituição abençoada por Deus, a família atrai tanto defensores apaixonados quanto críticos ferrenhos. No entanto, entender a importância da família não significa romantizá-la. Existe um grande erro em pintar o lar como um ambiente sempre pacífico, agradável e cordial. A verdade por trás dos laços familiares é muito mais profunda — e, às vezes, um pouco mais caótica.

Nem tudo é paz, e tudo bem!

Muitos apologistas da família tentam promover a ideia de que o lar é um porto seguro de pura harmonia. Esse é um equívoco. A família não é perfeita, e o seu verdadeiro valor não está na ausência de atritos, mas justamente na nossa capacidade de lidar com as diferenças reais e profundas do dia a dia.

Enquanto temos a liberdade de escolher nossos amigos e até nossos inimigos, é Deus quem escolhe a nossa família. Ela funciona como um retrato perfeito e inescapável da própria humanidade: nela, convivemos com as mais diversas facetas humanas — desde o pai mais rigoroso e o tio libertino até a avó tagarela e o avô com uma visão teimosa e antiga do mundo. Esse ambiente diversificado e incalculável não depende da nossa vontade ou seleção para existir; ele simplesmente se impõe, desafiando nosso egoísmo.

Por que tentamos escapar de quem está perto?

Existe uma forte tendência moderna que prega o prestígio de participar de vastos impérios e de cultivar ideias grandiosas. Contudo, quanto mais tentamos ampliar a nossa realidade de forma artificial, mais estreita ela se torna. O pensador G.K. Chesterton ilustrou perfeitamente esse comportamento ao descrever o esforço do homem moderno para escapar da rua onde nasceu.

Muitas vezes, as pessoas viajam para os confins da Terra — inventando modas, culturas e desculpas em lugares como Margate, Florença ou Tombuctu — para encontrar realidades passivas, onde os outros são apenas figuras distantes que não nos incomodam. É fácil admirar um veneziano ou um chinês distante porque eles não interagem diretamente com o nosso cotidiano. No entanto, se olharmos fixamente para a vizinha idosa do jardim ao lado, ela reagirá e nos confrontará.

Fugir para ambientes onde não somos confrontados e onde podemos “definir a nossa própria realidade” é um falso alívio que anula o crescimento. Como bem pontuou Chesterton, as pessoas que se revoltam contra a família não estão fugindo da morte; elas estão fugindo da própria vida e da raça humana. A verdadeira realidade, por mais incômoda que seja, nos obriga a enfrentar a divergência de nossos pares e nos impede de viver em uma bolha de escapismo.

Diferentes papéis no mesmo cenário

Dentro do pequeno e rico universo familiar, aprendemos a lidar com as diversidades mais profundas porque não selecionamos quem está ao nosso redor por afinidade. Defrontamos, assim, pensamentos e posturas completamente diferentes das nossas.

Cada membro da família desempenha um papel que molda nossa visão de mundo: se o pai rigoroso representa a lei e o avô representa o passado, os irmãos funcionam como “vizinhos de trincheira”. Embora os irmãos compartilhem uma proximidade física e emocional profunda por estarem na mesma posição hierárquica, eles ainda podem ser pessoas completamente diferentes. “Vizinhos de trincheira” não assinam um contrato de boa convivência, mas é nessa intensa experiência diária que suas almas individuais se reconhecem e se fortalecem.

Nossos eternos guardiões da humildade

No mundo lá fora, podemos usar máscaras sociais e tentar parecer mais fortes, inteligentes ou corajosos do que realmente somos. Mas, dentro de casa, os nossos irmãos sabem exatamente quem somos por trás de qualquer fingimento. Eles agem como guardiões da nossa humildade, garantindo que a nossa verdade não escape.

Nossos pais, pela ordem natural da vida, partem antes de nós. Cônjuges e filhos chegam depois. Amigos entram e saem da nossa vida conforme mudamos de escola, trabalho ou cidade. Mas os irmãos costumam nos acompanhar pelo caminho mais longo e duradouro.

Ter um irmão é conviver de perto com os frutos dessa instituição tão complexa que é a família. É uma relação genuína que não se apoia na ausência de brigas; pelo contrário, é justamente através do embate diário e da superação das divergências que o laço fraternal cresce. A cumplicidade e o companheirismo entre irmãos são incomparáveis e representam um presente indispensável da providência em nossas vidas.


Matheus Henrique Duarte Eleutério
Jornalista


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/familia/irmaos-frutos-da-suprema-instituicao-humana/

4 de setembro de 2026

A doença de Alzheimer e a sua relação com a alimentação

A Doença de Alzheimer (DA) é um dos transtornos neurodegenerativos mais estudados em todo o mundo atualmente. Trata-se de uma condição progressiva que, com o avanço dos danos, torna-se fatal, pois compromete significativamente a cognição, a memória e, gradualmente, as atividades cotidianas do paciente, vindo acompanhada de sintomas neuropsiquiátricos e comportamentais.

A doença tem início quando ocorrem falhas no sistema nervoso central decorrentes do acúmulo de substâncias tóxicas. Essa toxicidade resulta na perda progressiva de neurônios em regiões específicas do cérebro — como as áreas responsáveis pelo controle da memória, da linguagem, do raciocínio, dos estímulos sensoriais e do pensamento abstrato.

Como podemos ver não se trata de uma doença simples, e a Ciência se empenha em entendê-la por completo: identificando por que ela surge, como podemos prevenir o seu aparecimento e de que forma alcançar a sua cura. Mas o que já se sabe é que a alimentação desempenha um papel crucial na prevenção e no retardamento do Alzheimer, pois o cérebro depende diretamente dos nutrientes ingeridos para manter suas funções vitais.

Créditos: wildpixel by GettyImages

Embora a DA seja multifatorial — envolvendo predisposição genética e estilo de vida —, a nutrição adequada atua diretamente na redução da inflamação crônica e do estresse oxidativo, dois dos principais mecanismos associados à degeneração dos neurônios.

Como a nutrição equilibrada protege o cérebro?

Abaixo, veja como a alimentação protege a saúde cerebral e quais estratégias são cientificamente comprovadas.

  • Diminuição de processos inflamatórios: os alimentos ultraprocessados: ricos em açúcar, gorduras de má qualidade, corantes artificiais, conservantes entre outros ingredientes químicos e artificiais, inflamam o corpo como um todo e, consequentemente, os vasos sanguíneos, prejudicando a oxigenação cerebral e a ingestão diária de nutrientes saudáveis fazem o oposto.
  • Combate aos radicais livres: o tempo todo produzimos radicais livres (o corpo produz naturalmente, mas são também de forma natural combatidos, porém, fatores como estresse, poluição, tabagismo, ingestão excessiva de álcool, má alimentação, aumentam muito esta produção), mas as substâncias antioxidantes encontradas em alguns alimentos neutralizam moléculas que destroem as células cerebrais ao longo do tempo.
  • Gorduras de má qualidade (óleos vegetais ultraprocessados, como o de soja, margarina) são prejudiciais ao corpo, mas as gorduras de boa qualidade (azeite de oliva extravirgem, abacate, linhaça, gergelim) ajudam a manter as membranas dos neurônios saudáveis.

A Dieta MIND: a melhor aliada da cognição

A Ciência aponta que a Dieta MIND (uma junção da Dieta Mediterrânea com a Dieta DASH) é a mais eficaz para proteger a cognição. Estudos mostram que segui-la rigorosamente pode reduzir o risco de Alzheimer em até 53%.


Alimentos que devem ser incluídos (protetores do organismo):

  • Vegetais de folhas escuras: couve, espinafre e brócolis são ricos em folato e vitamina E.
  • Frutas vermelhas: morango, framboesa, mirtilo (blueberry) e amora contêm flavonoides que melhoram a memória.
  • Oleaginosas: amêndoas, castanhas e nozes, são ricas em gorduras boas, saudáveis e antioxidantes.
  • Peixes gordos: salmão, sardinha e atum são excelentes fontes de Ômega-3.
  • Leguminosas: inclui todos os tipos de feijões
  • Azeite de oliva extravirgem: Deve ser a principal fonte de gordura utilizada na cozinha.
  • Grãos integrais: aveia, quinoa, chia e arroz integral, trigo integral e seus derivados, excelentes para manter a energia cerebral e controlar a glicose.

Alimentos que devem ser consumidos com moderação (fatores de risco para o aparecimento da DA):

  • Carne vermelha gordurosa e embutidos: ricos em gorduras, conservantes e aditivos químicos.
  • Manteiga e margarina: fontes de gorduras saturadas e trans.
  • Queijos amarelos e gordurosos: ricos em gorduras que podem contribuir para o surgimento de doenças do sistema cardiovascular.
  • Doces e açúcar refinado: o excesso de glicose no sangue está ligado ao “Diabetes Tipo 3” (termo usado por cientistas para a resistência à insulina no cérebro associada ao Alzheimer).
  • Alimentos ultraprocessados e fritos: ricos em toxinas que aceleram o envelhecimento celular.

O poder da comida de verdade e da longevidade

Hábitos saudáveis numa alimentação pode ser um fator determinante para o crescimento e boa saúde a vida toda, mas uma mudança de hábito pode ser feita a qualquer momento da vida e isso só trará benefícios.

A longevidade pode ser garantida quando se alimenta com “comida de verdade”, ingredientes claramente reconhecidos como alimentos e sendo assim, tudo aquilo que é processado utilizando-se de ingredientes que o seu corpo não reconhece, com certeza não trará benefícios e exporá o seu corpo às situações de estresse oxidativo que poderá gerar não somente a (DA), mas sim outras doenças crônicas.

A importância do cuidado integral

Uma avaliação nutricional pode apontar pontos frágeis e escondidos que a sua dieta apresenta, e a suplementação de vitaminas, minerais e demais sustâncias que contribuem para um corpo saudável, muitas vezes é ignorada e é exatamente aí que surgem as doenças e processos de desgastes do seu corpo, muito antes do tempo. Lembrando que o intestino com uma microbiota equilibrada também trará muitos benefícios ao seu corpo e evitará o aparecimento de doenças neurodegenerativas.

Em se tratando de uma doença tão complexa, a ciência ainda está no início das pesquisas para a sua prevenção, manutenção e cura. Então, reavalie as suas escolhas todos os dias e sempre se lembre: a sua saúde sempre será a coisa mais importante a ser cuidada, e até dela depende a sua saúde espiritual. Aqui fica uma reflexão: SERÁ QUE QUEM TEM DOR CONSEGUE REZAR?


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/atualidade/alzheimer-e-a-sua-relacao-com-a-alimentacao/