13 de abril de 2026

Como manter a sua fé ativa depois da Páscoa?

Como manter a fé ativa depois da Páscoa?

A Páscoa é a maior celebração da fé cristã, pois compreende a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Jesus. Nela, atualizam-se os mistérios da Redenção operado por Cristo, celebrando a vitória definitiva da vida sobre a morte. Após a Páscoa, somos chamados a viver um estilo de vida de ressuscitados.

A grandeza, a força e a beleza da Páscoa se chocam com a realidade dos desafios que enfrentamos no mundo contemporâneo depois que se encerram as celebrações. Entretanto, o cristão é chamado a levar a alegria da fé na vitória de Cristo sobre a morte às realidades ordinárias da sua vida.

A Páscoa é um evento que nunca se encerra; a cada domingo, celebramos a Páscoa do Senhor. Como batizados, somos chamados a anunciar que fomos sepultados no batismo com Cristo, e com ele também ressuscitamos pela fé no poder de Deus, que nos ressuscitou dos mortos (cf. Col 2,12).

Créditos: Arquivo CN.

Mas como manter a fé ativa depois da Páscoa de fato? O caminho seguro é seguir os passos de Jesus e dos Seus discípulos após a Páscoa. Nas Sagradas Escrituras, há um itinerário que Jesus ressuscitado percorreu durante 40 dias aparecendo na Judeia e Galileia, a fim de confirmar a fé dos discípulos na ressurreição e instruí-los quanto a Sua missão.

O itinerário de Jesus: o caminho para uma fé inabalável

Vamos mergulhar nesse itinerário que tem poder de manter ativa a nossa fé?

Primeiro ponto: é preciso compreender que a fé é a união entre duas vontades: da iniciativa amorosa de Deus e da resposta livre do homem. Explica o Catecismo que a “fé é um dom de Deus”, e que “só se chega a ela mediante uma graça prévia de Deus e com os auxílios internos do Espírito Santo”.

Eis como o Espírito age nessa obra: ele “move o coração e o converte a Deus, abre os olhos da mente e dá a todos a suavidade no consentir e crer na verdade” (CIC 153). A Santa Igreja orienta ainda aos fiéis a fim de manter viva e ativa a sua fé, a permanecer ancorados na Sagrada Escritura, na Sagrada Tradição e no Magistério da Igreja.

Os pilares do encontro com o Ressuscitado

A partir dessa premissa, vejamos os principais passos do itinerário do Ressuscitado e de Seus discípulos para manter nossa fé ativa após a Páscoa. São eles: o encontro pessoal com Jesus, a intimidade com o Senhor (vida de oração), a vida comunitária, a vida sacramental e a ação missionária como fruto da ação do Espírito Santo.

De fato, o encontro pessoal de Jesus Ressuscitado com Seus discípulos marca notoriamente o percurso que Ele trilhou para reacender e manter ativa a fé na vida deles. As principais aparições de Jesus após a ressurreição foram a Maria Madalena – no túmulo, no caminho de Emaús, no Mar da Galileia, no Cenáculo e, por fim, no Monte das Oliveiras para a Ascensão.

O impacto desses encontros na vida dos discípulos foi transformador, eles mudaram radicalmente! De medrosos e sem esperança, tornaram-se homens e mulheres revestidos de fé inabalável, permaneceram unidos em comunidade e com ardor missionário (cf. At 2,42-47).

Esse encontro não foi somente um fato histórico, mas uma profunda experiência espiritual que redefiniu o sentido de sua vida. Ao contemplar os efeitos do encontro pessoal com o Ressuscitado na vida dos discípulos, também nós somos chamados a ter ou a renovar o nosso encontro pessoal com Jesus ressuscitado para manter ativa nossa fé.

Do encontro pessoal com Jesus ressuscitado brota a vida de intimidade com Deus. O mesmo pode acontecer ao contrário: a vida de oração promove o encontro pessoal com Jesus; ambas as situações mantêm ativa a nossa fé e nos impulsionam para a missão.

A primeira que experimentou essa graça foi Maria Madalena. Na aurora da ressurreição, Jesus ressuscitado lhe aparece e dialoga com aquela que muito Lhe amou e que possuía um coração incendiado de amor divino e uma fé ativa. Maria Madalena é modelo de oração íntima com Jesus. Santa Teresa d’Ávila, em ‘ O Livro da Vida’, afirma: “Para mim, a oração não é outra coisa senão tratar de amizade, estando muitas vezes a sós com quem sabemos que nos ama…”.

A oração vivida assim, na intimidade, verdade e constância, não apenas feita em fórmulas, mas em um relacionamento amoroso que transforma a alma, tem como fruto a restauração da fé no chamado de Jesus e dá novo sentido à missão.

Pedro viveu isso após a negação, mas o Ressuscitado foi à sua procura – novo encontro, novo chamado. No diálogo com o Senhor, à beira do Tiberíades, Pedro experimenta a graça do amor divino que o restaura interiormente, renova o seu chamado e, assim, é capaz de assumir a missão na mesma perspectiva do Senhor: “dando a vida pelos seus” (cf. Jo 21, 1-19; 15,13).


A vivência em comunidade e a força dos sacramentos

A vida comunitária é primordial para manter a fé ativa após a Páscoa. Sinal claro disso é o Apóstolo Tomé que estava ausente na primeira aparição de Jesus aos discípulos e acabou duvidando da ressurreição do Senhor. Somente oito dias depois, quando estava presente e viu Jesus Ressuscitado que o convida a uma experiência pessoal com Ele e diz: “Não sejas incrédulo, mas crê!”, é que Tomé proclamou sua fé: “‘Meu Senhor e meu Deus!” Jesus então lhe diz: “Porque viste, creste. Felizes os que não viram e creram!” (cf. Jo 20, 24-29).

Após a Páscoa, Jesus deu várias instruções aos Seus discípulos relativas à vida comunitária para manter ativa a fé em Seu nome. Mas, na Oração Sacerdotal, o Senhor deixa a unidade como princípio fundamental e instrumento para que o mundo creia n’Ele.

João Paulo II, em 1990, na Redemptoris Missio, afirma isso ao dizer: “Os discípulos devem viver a unidade entre si, permanecendo no Pai e no Filho, para que o mundo O conheça e creia (cf. Jo 17,21.23)”.

A vida sacramental é uma fonte perene dessa unidade, de comunhão com o Senhor e dos fiéis entre si para manter ativa a fé no Senhor ressuscitado após a Páscoa. No Caminho de Emaús, o Senhor ressuscitado, ao caminhar com os discípulos desesperançados, revela a força da Sua Palavra e a Eucaristia como momento privilegiado para se reavivar a fé em Cristo e se reintegrar na vida da comunidade de fé (cf. Lc 24, 31-33).

Após a Páscoa, Jesus confere aos apóstolos o dom do perdão (Jo 20,21-23). Verdadeiramente, o Sacramento da Confissão e da Comunhão Eucarística unem a alma a Deus, fortalecendo a fé para não cair no pecado e, consequente, morte espiritual. A Eucaristia é “fonte e ápice de toda a vida cristã”, ensina a Igreja (CIC, 1324). Nela, atualiza-se, constantemente, o sacrifício e a vitória de Cristo sobre a morte.

A ação missionária do Senhor e dos Seus discípulos é um testemunho de que a fé se mantém ativa quando transborda em ações práticas dando testemunho com a vida que “Jesus Cristo ressuscitou”. Isso inclui a prática de obras de misericórdia, pois, como ensina a Santa Igreja, “a fé deve agir pela caridade (Gl 5, 6) (Cf. Tg 2, 14-26), ser sustentada pela esperança (Cf. Rm 15, 13) e permanecer enraizada na fé da Igreja. Cuidemos, pois nós podemos perder este dom inestimável da fé. Paulo adverte Timóteo a respeito dessa possibilidade: ‘Combate o bom combate, guardando a fé e a boa consciência; por se afastarem desse princípio é que muitos naufragaram na fé’ (1 Tm 1, 18-19)” (CIC, n. 162).

Concluo com Alguém que tem a primazia do início ao fim da vida cristã e que sem Ele não existe fé, muito menos uma fé ativa, que é a pessoa do Espírito Santo. Verdadeiramente, “É o Espírito, portanto, que dá a graça da fé, que a fortifica e a faz crescer na comunidade” (CIC 1102). Meus irmãos, São João Paulo II, 1998, assim afirmou: “O coração do homem, ferido pelo pecado, só é curado pela graça do Espírito Santo e somente pode viver como verdadeiro filho de Deus, se for sustentado por esta graça. Assim também afirmou René Laurentin: “Espírito Santo é a resposta” diante dos desafios da vida presente (LAURENTIN, 1977, p.16).

Peçamos, neste tempo após a Páscoa, o auxílio da Virgem Maria, aquela que primeiro acreditou no poder do Espírito Santo, no Senhor que dá a vida para manter ativa a nossa fé na ressurreição.

De sua irmã em Cristo,

Rosa Maria Dilelli Cruvinel


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/liturgia/tempo-liturgico/como-manter-fe-ativa-depois-da-pascoa/

0 Comentários

Nenhum comentário: