14 de abril de 2026

Uma reflexão sobre a inclusão na Igreja

Inclusão na Igreja não é presença: é encontro, e Cristo nos mostra como. “Éfeta!”

No Evangelho de São Marcos (7, 31-37), vemos o encontro de Jesus com um homem que era surdo e tinha dificuldade de falar. É importante perceber um detalhe que muitas vezes passa despercebido: o Evangelho diz que lhe trouxeram um “surdo-mudo” (ou com dificuldade na fala), mas, na realidade, ele não era mudo por condição própria. Ele era surdo, e sua fala estava limitada justamente porque não conseguia ouvir. Essa distinção é essencial, sobretudo quando queremos compreender o modo como Jesus acolhe as pessoas com deficiência. Jesus não o reduz a uma etiqueta, não o define por sua limitação. Ele o vê como pessoa. Da mesma forma, devemos exercitar métodos de inclusão na Igreja.

Jesus não o reduz a uma etiqueta, não o define por sua limitação. Ele o vê como pessoa. Desta mesma forma devemos exercitar métodos de inclusão na Igreja

Crédito: FG Trade / GettyImages

O Evangelho nos diz: “Jesus tomou-o à parte dentre o povo…” (Mc 7, 33)

Jesus não expõe aquele homem diante da multidão; não faz dele um espetáculo. Ele o chama para perto, para um espaço de intimidade e dignidade. Nestes exemplos, somos chamados a aprender a olhar o outro com respeito, sem pressa, sem julgamento e sem rótulos. Jesus nos ensina que inclusão não é apenas permitir que alguém esteja presente, mas é acolher de verdade, aproximar-se com amor e buscar meios de estabelecer um diálogo.

No caso deste homem que não ouvia, Jesus faz algo extraordinário: Ele não fala de longe, não exige que o outro se adapte, mas aproxima-se e usa gestos concretos:

Põe os dedos nos ouvidos dele;

Toca a sua língua;

Olha para o céu;

Suspira profundamente.

Jesus estabelece uma comunicação acessível, amorosa e adaptada à realidade daquele homem. Isso é profundamente pastoral: Cristo entra no mundo do outro para que o outro possa se abrir à vida. Quantas vezes, ainda hoje, pessoas com deficiência auditiva se sentem isoladas — não porque lhes falte capacidade, mas porque o mundo, e até a Igreja, não aprende a se comunicar com elas?

“Éfeta!”: Abre-te para a vida, para o amor, para a comunhão

Então Jesus pronuncia: “Éfeta!”, que quer dizer: “Abre-te!” (Mc 7, 34). Essa palavra não é apenas um milagre físico; é um chamado espiritual. “Abre-te” é o grito de Deus para uma humanidade que, tantas vezes, fecha portas:

Portas da escuta;

Portas da empatia;

Portas da inclusão;

Portas da fraternidade.

O Cristo que abre os ouvidos daquele homem é o mesmo que deseja abrir os ouvidos do nosso coração

O Papa Francisco não cansou de insistir: “A Igreja deve ser uma casa para todos, e a sua paróquia precisa ser um lugar onde ninguém se sinta invisível”.

Jesus fez questão de acolher aquele homem com atenção, proximidade e ternura. Ele nos mostra que as pessoas com deficiência não são “casos” a serem resolvidos, mas irmãos a serem amados, escutados e integrados plenamente. Hoje, Jesus continua passando no meio do seu povo e repetindo:

“Abre-te à escuta do outro”;

“Abre-te à inclusão”;

“Abre-te ao amor que cura”.

Que nossas paróquias sejam, cada vez mais, lugares onde os surdos não estejam apenas “presentes”, mas sejam verdadeiramente acolhidos, compreendidos e amados. Porque, como diz o Evangelho: “Ele fez bem todas as coisas”(Mc 7, 37). E continua fazendo.

Cynthia Santos – Mestre em Comunicação Acessível pelo Instituto Politécnico de Leiria e licenciada em História pela PUC-MG, católica comprometida com a evangelização, com trajetória dedicada à comunicação, cultura e inclusão. Com experiência internacional em países como Portugal, Estados Unidos, Israel, Itália e Espanha, destacou-se como Produtora Criativa do programa “Mãos que Evangelizam” (TV Canção Nova) e integrou, em Portugal, o marketing do Essence Inn Marianos (Fátima), primeiro hotel acessível do país. Atualmente, vive em Portugal e atua com formação e consultoria em acessibilidade.

Contacto: Cynthiadecassiasantos@gmail.com
| Instagram: @cynthiacrsantos


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/igreja/uma-reflexao-sobre-a-inclusao-na-igreja/

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