10 de abril de 2026

Como viver o nosso batismo? Sem ele, não somos capazes de amar

O Batismo como caminho de humanização integral

Somos convidados a fazer parte da família de Deus. É, portanto, de fundamental importância assumirmos o batismo, crescendo na fé professada, cultivando-a e comunicando-a aos homens.

No batismo, somos tocados pela graça de Deus. O termo graça santificante indica a presença do Espírito Santo vivificador em nossa vida. É preciso compreender essa realidade e permitir que Deus continue morando em nós.

Créditos: Arquivo CN.

Como viver nosso batismo? Como assumi-lo, se fomos batizados sem mesmo sermos consultados? Muitos questionam, hoje, o fato de a Igreja batizar crianças. Alguns especialistas, especialmente os behavioristas, o consideram um condicionamento prejudicial para a criança, que seria, dessa forma, desrespeitada e forçada, pelos pais, a assumir uma fé arcaica e cheia de tradições.

A nosso ver, os que pensam assim deveriam deixar também que o filho cresça para optar se for estudar ou não, comer ou não, tomar banho ou não etc. Trata-se de coisas fundamentais para o homem. O argumento não tem, portanto, nenhum valor. Afinal de contas, o ser humano necessita ser introduzido na sua cultura e de cuidados básicos para o seu desenvolvimento integral.

O Batismo e a capacidade de amar verdadeiramente

O homem não é somente um ser biológico, físico, racional. Ele tem emoções, sentimentos, espírito. Por isso é impossível que ele se torne pessoa sem que haja uma introdução e um crescimento também no campo espiritual. Existem, no mundo de hoje, muitas pessoas desajustadas, pessoas com muitos traumas, cheias de complexos, etc. A experiência nos leva a crer que essas pessoas não foram educadas de forma integradora. Não houve um crescimento espiritual adequado.

Na era da tecnologia, o homem é convidado a ser especialista em muitos campos. O computador trabalha por ele, pensa por ele, mas, infelizmente, não inventaram um computador que ame no lugar dele.

O homem, sem o batismo, não tem capacidade de amar verdadeiramente. No máximo, poderá gostar muito, mas amar mesmo será impossível, porque sem Deus, fonte e origem de todo o amor, é impossível amar. Só Deus é Amor (cf. 1Jo 4,8.16). O homem só poderá amar verdadeiramente se estiver ligado a esse amor.

O batismo propicia essa capacidade de amar. Assumido no dia a dia, o batismo permite ao homem desenvolver a capacidade de doação: o amor verdadeiro.

Um homem que só se preocupa com seu crescimento físico e intelectual, jamais se tornará uma pessoa. Uma sociedade que nega ao homem esse direito, nega-lhe a humanização e lança-o num humanismo estéril que já levou inúmeros jovens ao desespero, ao suicídio, à morte. É, portanto, uma sociedade assassina.

O batismo, antes de ser uma iniciação religiosa (o que é verdade também), é um novo nascimento, que permite ao homem tornar-se gente, íntegro, sem recalques.

De um ato a uma atitude: por que muitos cristãos não mudam?

Surge, então, um novo questionamento. Por que encontramos, entre os cristãos, pessoas tão complexadas, desestruturadas, amarguradas com a vida? Por que, entre os cristãos, nem sempre percebemos esse processo de humanização, já que ser cristão é tornar-se profundamente humano?

A resposta está no fato de que muitos não assumiram o batismo. Para muitos, o batismo não passa de uma lembrança, às vezes, emoldurada na parede de seu quarto. Para muitas pessoas, o batismo foi um ato, não se tornou uma atitude de vida, algo existencial. Daí, que nem mesmo os cristãos percebem a riqueza desse sinal sensível de Deus.

Sem o batismo verdadeiro, é impossível para o homem tocar o Senhor. No batismo, somos tocados pelo amor de Deus e convidados a experienciar esse amor durante toda a nossa vida.

Por serem batizados, alguns pensam que já estão salvos. Sem dúvida, o batismo é condição fundamental para a salvação, mas isso não significa que baste o rito em si para que sejamos salvos.

Jesus disse: “Se alguém não nascer do alto, não poderá ver o Reino de Deus” (Jo 3,3). Não basta nascer para ser gente, realizar-se como pessoa.


Batismo não é mágica, é crescimento

É preciso crescer em todos os aspectos. Pensar que o simples rito batismal “salva” é o mesmo que pensar que basta fazer vestibular de medicina para se tornar médico.

Batizado não é apenas aquele que foi imerso nas águas, e sim aquele que assume, no seu dia a dia, tudo aquilo que o Batismo lhe conferiu. Daí que é impossível falarmos de batismo sem falar nos demais sacramentos instituídos por Jesus Cristo.

O Batismo é o sacramento básico por meio do qual podemos tocar o Senhor. Ele nos purifica do pecado e nos torna filhos de Deus. Por ele somos acolhidos como filhos de Deus (Rm 8,15-16) no seu coração de Pai.

Trecho extraído do livro “Tocar o Senhor” de Pe. Léo, SCJ.


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/como-viver-o-batismo/

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