Um novo horizonte: o Pai-Nosso como programa de vida
No Evangelho de Mateus (6,9-13), o Senhor Jesus ensinou aos Seus discípulos a oração do Pai-Nosso, uma via de profunda intimidade com Deus. Nela, o Divino Mestre eleva a condição do gênero humano na relação com o Criador e inaugura um novo horizonte existencial: por meio do Filho Unigênito, somos também filhos e filhas do Pai amoroso (Rm 8,17).
Nessa sublime oração, encontramos o programa de vida de Jesus Cristo, alicerçado em fundamentos essenciais: a fraternidade, a construção do Reino, o alimento necessário para a subsistência humana, o perdão sem medida e a luta contra os males que ferem a dignidade da vida. Uma vez participante dessa singular condição, a pessoa humana necessita de cuidados, sem que isso a isente da responsabilidade de cuidar da Casa Comum.
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O cuidado divino e a nossa resposta de amor
Quando verdadeiramente oramos, pedimos as graças necessárias para o nosso estado de vida. Contudo, nessa prática tão necessária para a alma (Sl 42/41), percebemos que o próprio Espírito do Senhor reza em nós (Rm 8,26-27), a fim de garantir aquilo que convém à natureza humana. Destarte, Deus constantemente cerca o ser humano de cuidado e carinho (Sl 139,5) e deseja realizar nele o seu plano de amor, revelado na pessoa de seu Filho Unigênito (Jo 10,10).
Portanto, o cuidado para com a vida revela-se como uma realidade inerente ao chamado de Deus em favor da humanidade. A oração do Pai-Nosso deixa claro que a vida sonhada pelo Criador é uma realidade acessível ao gênero humano; contudo, ela espera de cada vivente uma resposta comprometida, condição indispensável para a sua concretização.
A força do Batismo: ser portador de uma viva esperança
Nessa direção, o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeira forma de vida, coloca todo batizado diante de uma grande tarefa: fortalecer as bases que tornam possíveis as exigências da Oração do Senhor. Diante disso, cabe-nos perguntar: o que tenho feito em favor da fraternidade, da construção do Reino, da partilha do pão e do amor que jamais desiste da vida?
Todo batizado é portador de uma viva esperança, pois traz dentro de si o Espírito do Ressuscitado, realidade que possui a força necessária para renovar a face da terra. Todavia, a manifestação dessa força renovadora acontece no compromisso assumido em favor dos que mais sofrem, no desejo sincero de viver a justiça e o direito e na relação filial com o Autor da Vida.
Semeadores do Reino: o chamado para florescer
Em suas catequeses e parábolas, o Senhor Jesus provoca os Seus discípulos a terem olhos atentos para as necessidades do próximo. Ensina-os a socorrer aqueles que sofrem por causa dos falsos religiosos (Lc 6, 9), os que são vítimas de situações injustas (Lc 10, 25-37) e os que padecem pela falta do pão de cada dia (Mt 15,32). Assim, o Divino Mestre, em perfeita comunhão com o Pai, convoca também homens e mulheres de boa vontade para que a vida seja cuidada em suas mais diversas expressões.
Agraciado com tão precioso dom, o ser humano é chamado a colaborar com Deus para que a vida floresça em liberdade, manifeste toda a sua força e preserve a harmonia que garante o respeito ao potencial inerente a cada criatura. Uma vez que o Senhor é Deus dos vivos e não dos mortos (Lc 20,38), seus filhos e filhas, obedientes à vontade do “Pai-Nosso”, procuram, por meio da imitação do Unigênito, semear os valores do Reino nesta terra, para que a esperança de Deus — que não decepciona — conduza cada vivente à verdadeira liberdade daqueles que foram chamados à Vida Eterna.
Frei Thiago da Silva Soares, OFM
Frade Franciscano da Província da Imaculada Conceição do Brasil.
Atua no Santuário de Frei Galvão (Guaratinguetá) na Pastoral da Acolhida dos Devotos.