13 de junho de 2026

Santo Antônio e o combate às heresias no século XIII

Biografia e legado de Santo Antônio

Santo Antônio nasceu em Lisboa, em 15 de agosto de 1195, e morreu em 1231, com apenas 36 anos. Seu nome de batismo era Fernando de Bulhões e Taveira de Azevedo, e só mais tarde adotou o nome de Antônio.

A decisão pela vida religiosa veio com uma voz que lhe disse: — Fernando, se queres ser perfeito, vem e segue-me.

Aos 17 anos, ele entrou para os Cônegos Regulares de Santo Agostinho. Sua mãe queria impedi-lo na vida religiosa, mas ele lhe disse: “Desculpe, mamãe. Sei perfeitamente o que faço. Não nasci para a vida do mundo. Quero dedicar-me inteiramente ao serviço de Deus. Não insistam mais comigo. Sei que ninguém poderá compreender minhas aspirações. Quero viver para Deus”.

Créditos: Arquivo CN.

Foi para o mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, da Ordem dos Cônegos Regulares, onde pôde estudar Filosofia e Teologia até ser ordenado sacerdote. Uma vida de penitência, estudo e oração. Quando ficou sabendo do martírio de cinco franciscanos no Marrocos, quis ir para lá. Disse: “Não seria difícil tornar-me um mártir. Bastaria partir para Marrocos. Lá, os sarracenos infiéis detestam os cristãos e não conhecem a palavra divina… Eu poderia tentar convertê-los”.

Em sonho, ele viu os cinco frades franciscanos mártires caminhando alegres, com palmas nas mãos, e fazendo sinais para que ele os seguisse. Um deles disse claramente: — Por que não nos segue? Por que não nos segue?

Em 1220, Santo Antônio entrou na Ordem de São Francisco e, autorizado, partiu em busca do martírio no Marrocos. Mas o navio teve problemas e parou em Messina, na Itália. “Deus não quis aceitar meu sacrifício. Seja feita a sua vontade, assim na terra como no céu”.

A caminhada na Itália e na França

Já que Deus o enviou às costas da Itália, ele foi a Assis para ficar sob as ordens de São Francisco de Assis. Participou do Capítulo dos franciscanos com São Francisco e, depois, foi para o eremitério de Forli.

Foi feito pregador-geral da Ordem franciscana após uma homilia numa ordenação sacerdotal com franciscanos e dominicanos. Tornou-se o primeiro professor de teologia da Ordem, por determinação de São Francisco, de quem recebeu uma carta: “Bondoso irmão Antônio. Agrada-me que ensines Teologia aos teus irmãos, desde que com esse estudo não haja detrimento em ti nem neles do espírito da santa oração e devoção, conforme está escrito na Regra. Deus te guarde”.

As pregações de Santo Antônio, ainda jovem, eram tão cheias de unção do Espírito Santo que ele chegou a pregar para o papa Gregório IX (1227-1241), que o chamou de “Arca do Testamento”.

Santo Antônio esteve na canonização de São Francisco, em Assis, pelo Papa Gregório IX, em 16 de julho de 1228, pois era o superior de uma província italiana da Ordem.

O Santo teve um papel fundamental na conversão de muitos hereges cátaros que agitaram profundamente a Igreja — o que motivou a instituição da Sagrada Inquisição pelo Papa Gregório IX em 1231. Converteu muitos cátaros em Rimini, na Itália, discutindo publicamente com eles. A pedido do Papa Honório III (1216-1227), São Francisco o mandou para a França em 1224, passando por Montpellier e Tolosa, o centro de formação teológica para os que se preparavam para a atividade missionária entre os cátaros. Sua fama foi tão grande, que o povo o chamava de “martelo dos hereges”.

O combate aos desvios e aos milagres

Mas Santo Antônio questionava também duramente os bispos relapsos de seu tempo. Certa vez, participou do importante Sínodo de Bourges, em 1225, com 6 arcebispos e 100 bispos. Dizia a eles que “desviavam dos hereges o vento que lhes enfunava as velas”, referindo-se ao interesse dos bispos nas posses dos cátaros.

Santo Antônio, assim como o Santo Padre Pio e São João Vianney, passava muitas horas no confessionário. Ele comparava a confissão com o relato daquele leproso que se prostrou diante de Jesus e disse: “Se quiseres, podes curar-me” (Mt 8,2s; Mc 1,40).

Certa vez, fez uma pregação aos cardeais junto a Gregório IX (havia gregos, latinos, eslavos, francos, ingleses e outros), e todos o entenderam em sua própria língua. Os cardeais, maravilhados, perguntaram: “Ele não é português?”.

A vida do Santo foi repleta de milagres. Os cátaros lhe armaram muitas ciladas, mas ele escapava de todas. Um dia, tentaram envenená-lo.

Em Rimini, os cátaros esvaziaram a igreja onde ele iria pregar, afastando o povo de Santo Antônio com suas heresias. Então, vendo a igreja vazia, ele se dirigiu ao rio Marecchia e foi pregar aos peixes. Disse: “Estou certo de que eles me ouvirão com muito mais atenção do que esses hereges”.

E começou: “Irmãos peixes, os homens esquecem-se de Deus. Por isso aqui estou para vos falar”. Os peixes colocaram a cabeça fora da água; a notícia se espalhou e o povo todo se dirigiu ao Santo. Os homens caíram de joelhos, arrependidos de terem dado ouvidos aos hereges.

Conta-se que, também em Rimini, ele foi desafiado pelo herege cátaro Bonillo, que negava a presença real de Cristo na Eucaristia. O desafio consistia em deixar uma mula em jejum por três dias; passado esse tempo, trariam um feixe de capim diante do animal, enquanto o Santo traria a Hóstia Santa. Santo Antônio aceitou o desafio e também guardou três dias de jejum. No dia marcado, ao soltarem a mula, ela se ajoelhou diante da sagrada hóstia e só depois foi comer o capim. Bonillo e muitos cátaros teriam abandonado a heresia após o ocorrido.


O fim da vida terrena e o reconhecimento da Igreja

Santo Antônio morreu aos 36 anos e foi canonizado pelo Papa Gregório IX em 30 de maio de 1232, menos de um ano após sua morte. Foi declarado Doutor da Igreja pelo Papa Pio XII, no dia 10 de fevereiro de 1946, com o título de Doutor Evangélico. Sua língua foi encontrada intacta na exumação do corpo em 1263.

Ele dizia que “o pregador fala com os dois lábios: com a sua vida e com a sua boa fama”. Dizia também: “Fala em várias línguas quem está repleto do Espírito Santo. As diversas línguas são o testemunho que devemos dar a favor de Cristo, a saber: humildade, pobreza, paciência e obediência”.



Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br e Twitter: @pfelipeaquino


Fonte: https://formacao.cancaonova.com/igreja/santo-antonio-combate-as-heresias-no-seculo-xiii/

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