Setembro é, na Igreja, o Mês da Bíblia. Não é por acaso — é um convite anual a redescobrir o Livro que não envelhece, a Palavra que foi antes de tudo e permanecerá depois de tudo
Como proclama a própria Bíblia: “A tua palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos” (Sl 119,105). Não uma luz de estádio, que ilumina tudo de uma vez, mas uma lâmpada — que ilumina o passo seguinte, o suficiente para caminhar com confiança.
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Vivemos numa época de muita informação e pouca formação. Consumimos conteúdos em segundos e raramente deixamos que alguma coisa nos transforme por dentro. A Bíblia não funciona assim. Ela pede tempo, silêncio, disponibilidade. Ela não quer ser lida como se fosse uma notícia — quer ser habitada como se fosse uma casa.
São Jerônimo: o homem que amou as Escrituras até o fim
A Igreja celebra São Jerônimo no dia 30 de setembro, e não é por acaso que o Mês da Bíblia termina com a sua festa. Jerônimo foi um dos maiores estudiosos das Escrituras de todos os tempos. Foi ele quem traduziu a Bíblia do hebraico e do grego para o latim — a chamada Vulgata —, tornando a Palavra de Deus acessível ao mundo ocidental durante séculos. Mas Jerônimo não era apenas um intelectual. Era um homem apaixonado. Disse ele, numa frase que ficou para a história: “A ignorância das Escrituras é a ignorância de Cristo.” Para ele, não conhecer a Bíblia era não conhecer o próprio Senhor. Retirou-se para Belém, próximo da gruta do Nascimento, e ali passou décadas a estudar, traduzir e comentar os textos sagrados. O seu exemplo interpela-nos: se um homem do século IV, sem internet, sem bibliotecas digitais, dedicou a vida inteira à Palavra, o que nos impede?
Monsenhor Jonas Abib e o amor à Palavra
No coração da Comunidade Canção Nova, o fundador Monsenhor Jonas Abib sempre proclamou que a Bíblia não é um livro de decoração — é o manual de vida do cristão. Com a sua característica simplicidade e ardor evangelizador, ensinou gerações a abrir as Escrituras com fé, a ler com o coração e a deixar que a Palavra mudasse a vida por dentro.
Para Monsenhor Jonas, ler a Bíblia era um ato de amor. Era sentar-se diante de Deus e ouvi-Lo falar. Essa espiritualidade ecoa o que o profeta Jeremias confessava: “Eu devoro as tuas palavras onde as encontro, e eu as comi; a tua palavra é a minha alegria e as delícias do meu coração” (Jr 15,16). Não é leitura por obrigação, mas alimento por amor — porque a Palavra nutre o que o mundo não consegue saciar.
Como tornar a Bíblia parte do dia a dia
Jesus, no Evangelho de Mateus, é bem claro: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). A Palavra não é um complemento espiritual — é necessidade vital. Assim como ninguém sobrevive sem comer, a alma cristã não cresce sem o alimento das Escrituras.
Setembro é o momento de recomeçar ou aprofundar este hábito. Não é preciso ler livros inteiros de uma vez. Basta um capítulo ou até mesmo um versículo, lido devagar, relido com atenção, deixado a repousar no coração ao longo do dia. A lectio divina — leitura orante da Bíblia — é uma prática milenar que continua atual: lê, medita, ora e contempla. Mas Monsenhor Jonas vai além e ensina um novo método, simples, revolucionário e eficaz (como no livro A Bíblia no Meu Dia a Dia).
A Canção Nova convida cada pessoa a abrir a Bíblia este mês com olhos novos, deixando que São Jerônimo nos inspire com o seu rigor apaixonado. Deixe que Monsenhor Jonas nos lembre que a Palavra é alegria e não peso. E deixe que o próprio Deus nos diga, como disse a Josué: “Que as palavras do livro desta Lei jamais se afastem da tua boca; medita-o constantemente, e observa tudo quanto nele se contém” (Js 1,8).
A Bíblia está à sua espera. Abra-a. Habite-a.
Fonte: https://formacao.cancaonova.com/biblia/biblia-no-dia-dia-pao-que-alimenta-luz-que-orienta/