16 de janeiro de 2026

O Sentido do Jejum e da Abstinência: Disciplina Corporal e Liberdade Espiritual



Introdução

Em uma sociedade marcada pelo consumo e pela busca incessante por satisfação imediata, as práticas de jejum e abstinência podem parecer anacrônicas. No entanto, para a fé católica, elas são pilares da vida espiritual, não como fins em si mesmas, mas como poderosos meios de disciplina corporal e liberdade espiritual.
Este artigo explora o verdadeiro sentido do jejum e da abstinência, indo além da obrigação canônica, para revelar como estas práticas nos ajudam a dominar as paixões, a nos unir a Cristo e a crescer na caridade.


1. Jejum e Abstinência: Definição e Propósito

Jejum e abstinência são formas de penitência que a Igreja prescreve para nos ajudar na conversão e na união com Deus.
Jejum: Consiste em fazer uma só refeição completa ao dia, podendo-se tomar um pouco de alimento pela manhã e à noite, respeitando a quantidade e a qualidade [1].
Abstinência: Consiste em abster-se de carne (ou de outro alimento, conforme a determinação da Conferência Episcopal) [1].
Propósito Espiritual: O objetivo principal não é a privação em si, mas a conversão do coração. O jejum e a abstinência são atos de amor a Cristo, que nos permitem:
1.Controle da Concupiscência: Dominar os apetites da carne e as paixões desordenadas.
2.Elevação da Alma: Libertar a alma das preocupações materiais para elevá-la à oração e à contemplação.
3.Solidariedade: Unir-se ao sofrimento de Cristo e praticar a caridade, destinando o que seria gasto com o alimento àqueles que passam fome [2].


2. Disciplina Corporal e Liberdade Espiritual

A prática da penitência é uma escola de autodomínio que nos conduz à verdadeira liberdade.
O Corpo como Templo: O jejum nos lembra que o nosso corpo é templo do Espírito Santo e que devemos governá-lo, e não ser governados por ele. É um exercício de disciplina corporal que fortalece a vontade [3].
Liberdade do Coração: Ao dizer "não" a um prazer lícito (como o alimento), treinamos a nossa vontade para dizer "não" ao pecado. O jejum nos liberta da escravidão dos sentidos e nos torna mais livres para amar a Deus e ao próximo.


3. Jejum e Oração: Uma União Indissolúvel

O jejum, quando desacompanhado da oração e da caridade, torna-se um esforço vazio.
Penitência e Oração: O Catecismo ensina que o jejum deve ser acompanhado de uma oração mais intensa e de uma prática de caridade mais generosa. É a união dessas três práticas que torna a penitência frutuosa [4].
Jejum de Sentidos: Além do jejum de alimentos, somos convidados ao jejum dos sentidos: abster-se de críticas, de murmurações, de excesso de informação e de entretenimento fútil. É um jejum que busca o silêncio interior para ouvir a voz de Deus.


Conclusão

O jejum e a abstinência são dons da Igreja para a nossa santificação. Eles nos ensinam que a vida cristã é um combate espiritual que exige disciplina e autodomínio. Que possamos abraçar estas práticas com alegria e amor, para que a nossa alma se liberte das amarras do mundo e se torne mais disponível para a vontade de Deus.


Referências

[1]: "Jejum e abstinência: saiba o que ensina a Igreja sobre o assunto" - (Canção Nova )
[2]: "O sentido espiritual do jejum e da abstinência na Quaresma" - (Pocket Terço )
[3]: "Como o jejum nos liberta tanto física quanto espiritualmente" - (Aleteia )
[4]: "O que a Igreja orienta sobre o jejum e a abstinência de carne?" - (Canção Nova )
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