15 de fevereiro de 2026

A Lei de Deus e a Liberdade Cristã: Escolhas que Conduzem à Vida



No 6º Domingo do Tempo Comum do Ano A, a liturgia nos convida a uma profunda reflexão sobre a Lei de Deus, a liberdade humana e as escolhas que moldam nossa caminhada de fé. As leituras deste dia nos revelam a sabedoria divina que nos guia para a plenitude da vida, não como um fardo, mas como um caminho de amor e liberdade.
A Primeira Leitura, do livro do Eclesiástico (15,15-20), nos apresenta a Deus como aquele que, em sua infinita bondade, oferece ao homem a liberdade de escolha. Não somos meros autômatos, mas seres dotados de razão e vontade, capazes de decidir entre o bem e o mal, entre a vida e a morte. O texto é claro: "Se quiseres guardar os mandamentos, eles te guardarão; se confiares em Deus, também tu viverás" . Deus não nos impõe, mas nos convida a uma aliança de amor, onde a obediência aos seus preceitos é um ato de liberdade que nos conduz à verdadeira vida. Ele nos coloca diante do fogo e da água, da vida e da morte, e a escolha é nossa. Esta passagem ressalta a responsabilidade individual diante da Lei divina e a certeza de que Deus conhece nossos caminhos e intenções.
O Salmo 119, um hino de louvor à Lei do Senhor, ecoa o sentimento de alegria e gratidão pela Palavra de Deus. O salmista expressa um profundo amor pelos mandamentos, que são luz para seus passos, fonte de sabedoria e consolo. "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho" . Este salmo nos lembra que a Lei não é um conjunto de regras arbitrárias, mas uma manifestação do amor de Deus, que nos revela o caminho da felicidade e da retidão. É um convite a meditar na Lei, a amá-la e a vivê-la em cada aspecto de nossa existência.
Na Segunda Leitura, 1 Coríntios (2,6-10), São Paulo nos fala da sabedoria de Deus, que é um mistério revelado aos que o amam, por meio do Espírito Santo. Esta sabedoria divina é infinitamente superior à sabedoria humana, que muitas vezes se perde em raciocínios e filosofias vazias. "Nós, porém, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que vem de Deus, para conhecermos os dons da graça de Deus" . Paulo destaca que a verdadeira compreensão dos desígnios divinos não vem da inteligência humana, mas da ação do Espírito, que nos capacita a discernir a vontade de Deus e a viver segundo a sua verdade. É uma sabedoria que nos leva a uma vida de fé autêntica e a um conhecimento profundo do amor de Deus.
Finalmente, o Evangelho de Mateus (5,17-37) nos apresenta Jesus como o cumprimento da Lei e dos Profetas. Ele não veio para abolir a Lei, mas para levá-la à sua plenitude. Jesus aprofunda o sentido dos mandamentos, mostrando que a verdadeira observância não se limita à letra, mas alcança a intenção do coração. Ele nos convida a ir além da mera conformidade externa, para uma transformação interior que nos leva a viver o amor em sua radicalidade. "Não penseis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento" . Jesus eleva a Lei a um novo patamar, onde a ira se torna reconciliação, o desejo impuro se transforma em pureza de coração, e a palavra dada é um compromisso inabalável. É a Lei do amor que nos liberta do legalismo e nos convida a uma vivência autêntica da fé.
Em suma, as leituras deste domingo nos recordam que a Lei de Deus é um dom, um caminho de liberdade e vida. Ela nos convida a fazer escolhas conscientes, a buscar a sabedoria divina revelada pelo Espírito e a viver o amor em sua plenitude, conforme nos ensinou Jesus. Que possamos acolher a Lei do Senhor em nossos corações e, por meio dela, encontrar a verdadeira felicidade e a liberdade em Cristo.

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