20 de julho de 2009

Autoconhecimento é importante?

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A necessidade de descobrir o sentido da vida

Vivemos mundo mundo que nos incentiva a sermos independentes de Deus e de todos. Incentiva-nos a uma autorealização, que para a grande maioria parece cada vez mais distante, pois, trata-se de incentivo a uma vida cada vez mais fora de nós mesmos, cada vez mais exteriorizada. O resultado disso é que as pessoas cada vez se preocupam menos com seu interior e cuidam menos dele, gerando sentimentos de frustração, de vazio. Cada vez mais encontramos pessoas que sentem um grande vazio interior e uma grande insatisfação, não conseguindo sequer dar nomes ao próprio sentimento.

A sabedoria clássica considera o pensamento de Sócrates: "Conhece-te a ti mesmo" como ponto de partida da filosofia humana. No entanto, este é um caminho muito difícil de ser percorrido para quem não tem um referencial, um modelo de personalidade a ser atingido. Mas, para nós cristãos que temos este modelo, este referencial, que é Jesus Cristo, precisamos ter a coragem de nos pôr a caminho e nos conhecer em profundidade. O autoconhecimento é um caminho que nos leva a olhar para dentro de nós mesmos, reconhecer nossos dons e talentos que de Deus recebemos e também os nossos limites, fraquezas, os pontos que precisamos melhorar. "Conhecer-se a si mesmo é uma necessidade e um dever ao qual ninguém pode subtrair-se.

O homem tem necessidade de saber quem é. Não pode viver se não descobre que sentido tem sua vida. Arrisca-se a ser infeliz, se não reconhecer sua dignidade" (Amarás o Senhor teu Deus - Amadeo Cencini - pág. 8 - Edições Paulinas).

Conhecer-se a si mesmo é uma necessidade é uma fundamental para se ter um conceito correto e real de si próprio, pois somente aquele que descobre seu verdadeiro valor, permite uma aceitação serena de si mesmo e de suas limitações, o que lhe proporcionará a segurança necessária para viver sua vida e realizar mudanças que podem ser necessárias.

Muitos até acham que se conhecem, mas até que ponto é este conhecimento de si? Para que você possa se verificar até que ponto você se conhece, recomendo um teste simples: escreva em uma folha 10 qualidades que você gosta de si mesmo e que reconhece que possui, e 10 pontos fracos que você percebe que precisa melhorar. O que foi mais fácil para você escrever? As qualidades ou os defeitos?

O autoconhecimento nos leva a uma autoestima e um amor-próprio adequados, ou seja, a um olhar para si mesmo e reconhecer-se como criatura de Deus, como obra-prima de Deus, sem exaltações e sem degradações.

Sem esta visão adequada, o que é gerado é insegurança, perfeccionismo, dificuldades de lidar com os próprios erros e fraquezas e também com os dos outros, entre muitas outras consequências. Santo Agostinho afirmava: "Conhecer-me e Conhecer-Te", com isso ele nos ensina que quanto mais nos conhecemos, mais conhecemos Aquele que nos criou e que é a luz do mundo, assim, melhor veremos a realidade do nosso ser.

Volte à lista que você fez. Nas qualidades que colocou, marque as alternativas que são relacionadas a fazer, a atitudes externas, e observe. Quantas você colocou de atitudes externas e quantas internas? Assim você poderá perceber não só o quanto você se conhece, mas também o quanto você está voltado para as coisas exteriores.

A Igreja nos dota de uma grande ferramenta de autoconhecimento: o exame de consciência diário. Com ele, nos é possível avaliar bem onde podemos ser atingidos pelo inimigo, os nossos pontos fracos, nossos defeitos, paixões e vícios camuflados. E com isso, voltarmos com confiança em Deus que nos ama e sempre cuida de nós. Apresentando-nos a Ele como somos, sem medo, sem receios, e buscando n'Ele a força diária para vencermos nossas batalhas interiores. São Francisco afirmava: "Eu sou o que sou diante de Deus, e mais nada!" Deus nos vê como somos, diante d'Ele não precisamos nos esconder.

Trata-se de uma ferramenta simples, basta dedicarmos poucos e breves minutos do final do nosso dia, com constância, vamos pouco a pouco, conseguindo olhar mais a fundo para o nosso interior, e conhecendo não só nossos limites, como nossas riquezas. Precisamos entender que as nossas limitações não estão no nosso exterior, no que fazemos, e sim no nosso interior, naquilo que somos. Somos filhos de Deus, filhos amados de Deus. O nosso principal valor está no ser pessoa.

Precisamos saber quem somos, quais os nossos dons e talentos, o que possuímos de capacidades; precisamos também saber para quem, quais os nossos objetivos no uso de nossos dons, talentos e capacidades. Pois não é somente aquilo que possuímos que decide o nosso valor como pessoa, mas o que "somos" no mais profundo de nossa identidade como seres humanos, como cristãos, como batizados, justificados, filhos de Deus. Essa estima positiva é um valor que ninguém pode tirar.

Foto Manuela Melo
psicologia@cancaonova.com
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