29 de janeiro de 2009

Administrar perdas afetivas

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As coisas se resolverão em Deus e não segundo seu desejo

A palavra perda, por si só, já causa certo mal-estar. Trabalhamos, batalhamos, buscamos conservar, enfim, nos aplicamos tanto nessa vida que, quando ocorre algum tipo de perda, certamente, ela nos causa dor. Ainda que o futuro revele que aquele fato contribuiu para o nosso bem, no momento em que ele acontece, sofremos e nos lamentamos.

Algumas perdas nos causam apenas incômodo. Perder o horário, o jogo de futebol, a vaga na garagem, o cartão de crédito ou algum outro objeto são privações momentâneas que, de alguma forma, estamos condicionados a quase, instantaneamente, buscar uma solução ao prejuízo causado. Há uma reação que dá curso ao seguimento da vida.

Já quando nos deparamos com uma perda na área afetiva, como o namoro que terminou, o esposo (a) que se foi, um familiar que morreu ou até mesmo quando o afeto envolve algo material – casa, móvel de estimação, automóvel –, essa tomada de atitude nunca é de pronto, pois fica mais difícil administrar. Os sentidos ficam atordoados e pensar com coerência nem sempre é o que acontece. Há quem aja até esquecendo-se do amor próprio e da liberdade que o outro tem; procedendo, às vezes, de forma infantil. A razão não admite o desfalque e busca um modo irreal de alimentar a crença de que tudo voltará a ser como era antes.

Mas o que fazer nessa hora?

Devemos admitir que a perda é real; aconteceu. Isso quer dizer que não adianta ficar contando com algo que possa acontecer para reverter a situação.

A vida prossegue do ponto e nas condições em que você está. É preciso agir com a razão; não segundo a voz do coração em desespero. A pergunta a se fazer é: "O que posso fazer agora?" E não: "Como será minha vida?". A forma diferente de se questionar inspira atitudes determinantes. Enquanto a primeira provoca uma reação, a última demonstra a prostração perante o fato. Agir com a inteligência também é respeitar a escolha de quem já não quer um compromisso com você. Não prometa que você vai mudar radicalmente (diferente de admitir um erro), não se anule enquanto pessoa para ser como o outro quer, porque você não será feliz e não conseguirá fazer o outro (a) feliz.

Saudosismo também não resolve.

Enquanto houver sentimento, procure não se encontrar ou, pelo menos, não se prolongar muito tempo na presença do (a) ex. Qualquer progresso alcançado em levar sua vida adiante pode ir por água abaixo por causa de um comentário ou de um olhar da outra parte que seja mal interpretado por você. Não se esqueça de que seu coração ainda quer acreditar.

Busque com o que se distrair. Uma boa conversa com os amigos e um ambiente diferente lhe fará bem. Não fique só pensando o que estaria fazendo na companhia dele (a) ou nos lugares em que costumavam frequentar juntos.

Queira reagir. Decida-se por prosseguir seu caminho. Pessoas que passaram por nossa vida, deixaram-nos cicatrizes boas ou ruins e não há como apagá-las. Fique com o que foi bom. Uma pequena manifestação de querer se livrar do pesar que lhe causa dor, lhe trará mais alegria e outras pessoas vão se aproximar de você, pois a alegria as atrai.

Enfim, a esperança não pode ser uma expectativa fechada. As coisas se resolverão em Deus e não segundo seu desejo no momento. Dê tempo ao tempo! Até mesmo em casos em que, realmente, há uma volta, uma reconciliação ou que você volte a ter o que perdeu, atitudes como essas ajudam no processo e no tempo em que você se desprendeu.

Tenha em mente que "Tudo concorre para o bem daqueles que amam Deus". (Rm 8,28). O Senhor pode e tem poder de tirar algum benefício de tudo o que é ruim.

Se algo lhe foi arrancado, ainda que violentamente, não quer dizer que você nunca mais será feliz. Ainda há no seu interior a capacidade de amar e aparecerá alguém que se identifique melhor com sua forma de expressar todo esplendor dos sentimentos que habitam o seu ser.

Deus o abençoe.

Sandro Arquejada - Missionário Canção Nova
sandroarq@geracaophn.com

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