5 de janeiro de 2026

A Estrela e a Busca: O Chamado à Conversão e a Jornada dos Magos em Nossa Vida



Introdução

A Epifania (manifestação de Cristo) é um convite perene à busca. A jornada dos Magos do Oriente, guiados por uma estrela, é uma das narrativas mais ricas em simbolismo da fé cristã. Ela representa a nossa própria jornada de fé, um caminho de conversão, desapego e adoração.
Neste artigo, refletiremos sobre a simbologia da Estrela de Belém, a atitude dos Magos como modelo de busca espiritual e como a sua jornada nos inspira a sair da nossa zona de conforto para encontrar Jesus.


1. A Estrela: O Sinal que Exige Ação

A Estrela de Belém não foi apenas um fenômeno astronômico, mas um sinal divino que exigiu uma resposta imediata.
A Luz da Graça: A estrela simboliza a Graça de Deus que se manifesta em nossa vida, o chamado interior, a inspiração que nos tira da inércia. Ela é a luz que nos mostra o caminho, mas não nos carrega [1].
O Olhar para o Alto: Para ver a estrela, os Magos precisaram olhar para o alto, sair da rotina e da sabedoria puramente terrena. Isso nos ensina que a busca por Deus começa com a elevação do olhar e do coração.


2. A Jornada dos Magos: O Caminho da Conversão

A jornada dos Magos é uma metáfora para a conversão e a vida cristã.
Sair da Zona de Conforto: Os Magos eram sábios e ricos, tinham suas vidas estabelecidas. A busca por Cristo exigiu que eles deixassem sua terra, seus confortos e se pusessem a caminho, enfrentando o desconhecido. A fé exige movimento e risco [2].
A Parada em Jerusalém: A parada em Jerusalém, a cidade santa, e a consulta a Herodes e aos doutores da Lei, mostra que a busca por Deus pode ter desvios e que a sabedoria humana, quando não iluminada pela fé, pode se tornar um obstáculo.
A Alegria do Reencontro: Ao saírem de Jerusalém, a estrela reapareceu, e a alegria dos Magos foi imensa. Isso nos ensina que, após os desvios e as dificuldades, a perseverança na busca é recompensada com a alegria de encontrar Jesus.


3. A Adoração e a Oferta: O Sentido da Fé

O clímax da jornada não é a chegada, mas a adoração e a oferta dos presentes.
Adoração Humilde: Os Magos, reis ou sábios, prostraram-se diante de uma criança em um presépio. A verdadeira fé exige humildade e o reconhecimento da divindade de Jesus, independentemente das aparências.
A Oferta de Si: Os presentes (ouro, incenso e mirra) são a oferta de si mesmos. Somos chamados a oferecer a Jesus o nosso "ouro" (a caridade), o nosso "incenso" (a oração) e a nossa "mirra" (o sacrifício e a aceitação das dificuldades) [3].


Conclusão

A Estrela de Belém continua a brilhar, e a jornada dos Magos continua a nos inspirar. Que neste tempo, possamos ser Magos modernos, dispostos a deixar o que nos prende, a seguir a luz da graça e a nos prostrar em adoração diante de Jesus, oferecendo-Lhe a nossa vida como o mais precioso dos presentes.


Referências

[1]: "A estrela de Belém e a virtude da religião" - (Padre Paulo Ricardo )
[2]: "Os magos e a jornada de fé ao encontro de Jesus" - (Diocese de Anápolis )
[3]: "Para encontrar Jesus é preciso pôr-se a caminho, afirma Papa Francisco" - (Canção Nova Notícias )
[4]: "Epifania: para encontrar Jesus é preciso pôr-se a caminho" - (Imissio )
[5]: "Estrela de Belém: qual o significado para os cristãos" - (Significados )

4 de janeiro de 2026

Epifania do Senhor: A Manifestação de Cristo ao Mundo e o Chamado Universal à Adoração



Introdução

A Epifania do Senhor, celebrada no dia 6 de janeiro (ou no domingo entre 2 e 8 de janeiro, como é o caso de 04/01/2026), é uma das mais antigas e solenes festas da Igreja. A palavra Epifania, de origem grega, significa "manifestação" ou "aparição". Esta festa celebra a revelação de Jesus Cristo como o Messias e o Salvador do mundo, não apenas para o povo de Israel, mas para toda a humanidade.
Neste artigo, focaremos na manifestação de Cristo aos Magos do Oriente, o que simboliza o chamado universal à salvação, e como a Epifania nos convida à adoração e à busca incessante pela Luz.


1. A Manifestação aos Magos: O Chamado Universal

O Evangelho de Mateus narra a chegada dos Magos a Belém, guiados por uma estrela. Este evento é o ponto central da Epifania no Ocidente.
Os Magos e os Gentios: Os Magos, vindos do Oriente, representam os gentios (os não-judeus) e, por extensão, todos os povos da Terra. Sua adoração ao Menino Jesus simboliza que a salvação trazida por Cristo é destinada a todos, sem distinção de raça ou nação [1].
A Estrela-Guia: A estrela que os guia é o símbolo da Luz de Cristo que se manifesta ao mundo. Ela nos ensina que a fé é um caminho de busca, onde Deus nos dá os sinais necessários para encontrá-Lo.


2. Os Dons e o Reconhecimento da Realeza

Os presentes oferecidos pelos Magos não são meros presentes, mas uma profunda profissão de fé na identidade de Jesus.
Ouro: Reconhecimento de Jesus como Rei (Realeza).
Incenso: Reconhecimento de Jesus como Deus (Divindade).
Mirra: Reconhecimento de Jesus como Homem que sofrerá e morrerá (Humanidade e Paixão) [2].


3. As Três Epifanias

A tradição mais antiga da Igreja celebrava na Epifania não apenas a adoração dos Magos, mas também outras duas manifestações de Jesus:
O Batismo de Jesus no Jordão: A manifestação de Jesus como Filho de Deus, com a voz do Pai e a presença do Espírito Santo.
O Milagre de Caná: A manifestação do poder de Jesus, o início de Seus sinais.
Essas três manifestações (Magos, Batismo e Caná) compõem o sentido pleno da Epifania: a revelação de Jesus como Messias, Filho de Deus e Salvador do mundo [3].


Conclusão

A Epifania do Senhor é um convite a sermos, como os Magos, buscadores incansáveis de Cristo. Que a estrela da fé nos guie e que, ao encontrarmos o Menino Deus, possamos oferecer a Ele os nossos melhores dons: o ouro da nossa caridade, o incenso da nossa oração e a mirra do nosso sacrifício. Que a manifestação de Cristo nos inspire a levar a Sua Luz a todos os povos.


Referências

[1]: "Solenidade da Epifania do Senhor" - (Vatican News )
[2]: "Epifania do Senhor: Significado Revelado" - (Meraki Religiosos )
[3]: "7 coisas que talvez não saiba sobre a Epifania e os famosos Reis Magos" - (Perpétuo Socorro )
[4]: "Padre explica sentido da festa da Epifania" - (Canção Nova Notícias )
[5]: "Epifania do Senhor: "Jesus se manifesta a todos os povos", explica padre" - (Canção Nova Notícias )

2 de janeiro de 2026

Santos Basílio Magno e Gregório Nazianzeno: A Tradição Patrística e a Defesa da Fé em Tempos de Crise



Introdução

No dia 2 de janeiro, a Igreja celebra a memória conjunta de São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno, dois dos mais importantes Padres da Igreja e Doutores. Conhecidos como os "Padres Capadócios" (juntamente com São Gregório de Nissa), eles foram amigos íntimos, intelectuais brilhantes e pastores corajosos que viveram no século IV, um período de intensa crise teológica, marcada pela heresia ariana.
Este artigo explora a vida e a contribuição inestimável destes santos para a Tradição Patrística, focando em sua defesa da doutrina da Santíssima Trindade e no legado que deixaram para a Igreja em tempos de crise.


1. Amigos na Fé e na Sabedoria

Basílio (c. 329-379) e Gregório (c. 329-390) compartilharam uma profunda amizade e uma formação intelectual de alto nível.
Formação Clássica: Ambos estudaram em Atenas, onde absorveram o melhor da cultura clássica, que mais tarde colocaram a serviço da fé.
Defensores da Trindade: O principal mérito dos Padres Capadócios foi o de refinar a linguagem teológica para defender o dogma da Santíssima Trindade contra o Arianismo, que negava a divindade de Jesus Cristo. Eles estabeleceram a distinção entre ousia (substância ou natureza) e hypostasis (pessoa), afirmando que em Deus há uma só natureza em três Pessoas [1].


2. Basílio Magno: O Legislador e o Amigo dos Pobres

São Basílio, Bispo de Cesareia, é conhecido como o "Legislador do Monarquismo Oriental" e um incansável defensor da justiça social.
Organizador do Monarquismo: Ele escreveu a Regra de São Basílio, que se tornou a base da vida monástica no Oriente. Sua regra enfatizava a vida comunitária e o serviço aos pobres.
A Basilíada: Basílio fundou a Basilíada, uma vasta cidade da caridade que incluía hospitais, escolas e albergues para os pobres, sendo um precursor da ação social da Igreja [2].


3. Gregório Nazianzeno: O Teólogo e o Orador

São Gregório, Bispo de Constantinopla, é conhecido como "o Teólogo" por suas profundas reflexões sobre a natureza de Deus.
Os Cinco Discursos Teológicos: Sua obra mais famosa são os Cinco Discursos Teológicos, nos quais ele defendeu a divindade do Espírito Santo, contribuindo decisivamente para a formulação do Credo de Niceia-Constantinopla [3].
A Amizade como Virtude: A amizade entre Basílio e Gregório é um testemunho de que a comunhão de corações e a concórdia são virtudes essenciais para a vida cristã e para a defesa da fé.


Conclusão

São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno nos ensinam que a fé e a razão não são inimigas, mas aliadas na busca da verdade. Seu legado nos convida a aprofundar o conhecimento da nossa fé (Teologia) e a vivê-la na caridade (Ação Social), defendendo a verdade em meio às crises e heresias de nosso tempo.


Referências

[1]: "Santos Basílio Magno e Gregório de Nazianzo" - (Canção Nova )
[3]: "Padres Capadócios" - (Wikipédia )
[4]: "Memória de São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno" - (Padre Paulo Ricardo )
[5]: "A LINGUAGEM TRINITÁRIA DE BASÍLIO DE CESARÉIA" - (UNICAP )

31 de dezembro de 2025

O Te Deum e o Fim do Ano: A Gratidão pelo Tempo e a Consagração do Futuro



Introdução

O dia 31 de dezembro marca o encerramento do ano civil e, na Igreja, é tradicionalmente celebrado com um solene hino de ação de graças, o Te Deum Laudamus ("A Vós, ó Deus, louvamos"). Este hino, cantado no final das Primeiras Vésperas da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, é o ápice da espiritualidade do fim de ano: um momento de profunda gratidão pelo tempo que finda e de consagração do futuro a Deus.
Este artigo explora o significado do Te Deum, a importância de agradecer a Deus por todas as bênçãos e provações do ano, e como esta oração nos prepara para receber o novo ano sob a proteção da Virgem Maria.


1. O Te Deum: Um Hino de Louvor e Ação de Graças

O Te Deum é um dos hinos mais antigos e veneráveis da tradição cristã, atribuído a Santo Ambrósio e Santo Agostinho.
Significado: As primeiras palavras, Te Deum Laudamus, significam "Nós Vos louvamos, ó Deus". É um hino de louvor à Santíssima Trindade e um ato de fé na Igreja e na comunhão dos santos [1].
Uso Litúrgico: Na liturgia católica, ele é usado em momentos solenes de ação de graças e alegria, como ordenações, consagrações e, de forma especial, no último dia do ano, como um reconhecimento de que tudo o que vivemos foi dom da Providência Divina.


2. A Espiritualidade do Fim do Ano

O último dia do ano é um convite a uma pausa reflexiva, um balanço espiritual.
Gratidão e Exame de Consciência: Rezar o Te Deum é um ato de humildade que nos leva a agradecer a Deus por todos os benefícios recebidos, mesmo aqueles que vieram disfarçados de provações. É também um momento propício para um breve exame de consciência, pedindo perdão pelas faltas cometidas [2].
Consagração do Tempo: O tempo é um dom de Deus. Ao agradecer pelo ano que se encerra, consagramos o tempo futuro, pedindo a Deus que nos guie e nos proteja no novo ciclo que se inicia.


3. A Transição para o Novo Ano

A celebração do Te Deum no dia 31 de dezembro está intimamente ligada à Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, celebrada em 1º de janeiro.
Sob o Manto de Maria: O hino é cantado no final das Primeiras Vésperas da Solenidade de Maria, Mãe de Deus. Isso significa que encerramos o ano sob o olhar de Maria, pedindo a Sua intercessão para o ano que se inicia.
A Paz e a Esperança: O novo ano começa com a celebração de Maria, a portadora da Paz, e com a Jornada Mundial da Paz. A gratidão do Te Deum se transforma na esperança e na súplica por um ano de paz e bênçãos.


Conclusão

O Te Deum é o brado de louvor que encerra o ano. Que possamos, neste 31 de dezembro, unir a nossa voz à da Igreja, louvando a Deus por Sua fidelidade e bondade. Que a gratidão pelo passado nos fortaleça e que a consagração do futuro nos encha de esperança, sob a proteção da Virgem Maria, Mãe de Deus.


Referências

[1]: "O Te Deum: hino de louvor e ação de graças" - (Canção Nova )
[2]: "31 de Dezembro: Rezar o "Te Deum"" - (Opus Dei )
[3]: "Primeiras Vésperas da Santa Mãe de Deus e o "Te Deum"" - (Canção Nova Notícias )
[4]: "Oração Te Deum (A vós, ó Deus) para o último dia do ano" - (Comunidade Shalom )
[5]: "O hino oficial da Igreja para agradecer a Deus no fim do ano" - (Aleteia )

29 de dezembro de 2025

São Tomás Becket: O Mártir da Liberdade da Igreja e a Fidelidade à Cátedra de Pedro



Introdução

No dia 29 de dezembro, a Igreja celebra a memória de São Tomás Becket, Bispo de Cantuária e mártir. Sua vida é um testemunho dramático e heroico da luta pela liberdade da Igreja contra a interferência do poder temporal. De Chanceler Real e amigo íntimo do Rei Henrique II da Inglaterra, ele se tornou o maior defensor dos direitos da Igreja, culminando em seu martírio na própria catedral.
Este artigo explora a trajetória de São Tomás Becket, sua inabalável fidelidade à Cátedra de Pedro e a relevância de seu testemunho para a Igreja e a sociedade de hoje.


1. De Chanceler a Arcebispo

Tomás Becket (1118-1170) nasceu em Londres e teve uma ascensão meteórica na corte inglesa.
Amigo do Rei: Por sua inteligência e competência, tornou-se Chanceler Real e confidente do Rei Henrique II. O Rei, confiando em sua lealdade, o nomeou Arcebispo de Cantuária em 1162, esperando que ele fosse um instrumento para submeter a Igreja ao poder da Coroa.
A Conversão e a Defesa da Igreja: Para a surpresa do Rei, ao assumir a cátedra, Tomás Becket passou por uma profunda conversão e se transformou em um fervoroso defensor da Igreja. Ele renunciou ao cargo de Chanceler e se opôs firmemente às Constituições de Clarendon, que limitavam a jurisdição e a liberdade da Igreja [1].


2. O Conflito e o Martírio

O confronto entre o Arcebispo e o Rei se tornou inevitável, culminando em um exílio e, posteriormente, em seu trágico assassinato.
Fidelidade a Roma: Mesmo exilado, Tomás Becket manteve sua fidelidade ao Papa Alexandre III, que o apoiou em sua luta. Ele defendeu o princípio de que a Igreja deve ser livre para governar-se em assuntos espirituais, sem a intromissão do Estado.
O Martírio: Em 29 de dezembro de 1170, quatro cavaleiros do Rei, interpretando mal um desabafo de Henrique II, invadiram a Catedral de Cantuária e o assassinaram no altar. Suas últimas palavras foram: "Morro voluntariamente pelo nome de Jesus e pela defesa de sua Igreja" [2].


3. O Legado da Liberdade

O martírio de São Tomás Becket não foi em vão. Ele se tornou um símbolo da resistência e da liberdade da Igreja.
Mártir da Liberdade: Ele é venerado como o mártir da liberdade da Igreja, que ensina que a Igreja não pode ser escrava do poder político, pois sua autoridade vem de Cristo.
A Importância Hoje: Seu exemplo é crucial em um tempo em que a Igreja continua a enfrentar desafios à sua autonomia e à sua missão. A fidelidade de Becket nos inspira a defender a verdade e a justiça, mesmo que isso custe a nossa vida ou a nossa reputação [3].


Conclusão

São Tomás Becket nos lembra que a verdadeira fidelidade a Deus e à Sua Igreja deve estar acima de qualquer lealdade humana ou interesse político. Que o seu testemunho nos fortaleça para sermos, como ele, defensores corajosos da liberdade da Igreja e da verdade do Evangelho.


Referências

[1]: "São Tomás Becket: fiel servidor do Reino de Deus" - (A12 )
[2]: "Hoje é celebrado São Tomás Becket, mártir inglês" - (AciDigital )
[3]: "São Tomás Becket, defensor da justiça e da Igreja" - (Canção Nova )
[4]: "S. Tomás Becket, bispo de Cantuária, mártir" - (Vatican News )
[5]: "Mártir da liberdade da Igreja" - (TFP )

28 de dezembro de 2025

Santos Inocentes: O Grito dos Mártires e a Defesa da Vida



Introdução

Três dias após celebrarmos o nascimento do Salvador, a Igreja recorda a Festa dos Santos Inocentes, em 28 de dezembro. Esta celebração, que pode parecer um contraste doloroso com a alegria do Natal, comemora os meninos de Belém e arredores que foram covardemente assassinados por ordem do Rei Herodes, na tentativa de eliminar o recém-nascido Messias (Mateus 2,16-18).
Estes pequenos, que deram a vida por Cristo sem sequer O conhecerem, são os primeiros mártires da Igreja. Sua festa é um poderoso chamado à reflexão sobre a sacralidade da vida humana e a defesa dos mais frágeis.


1. O Contexto Bíblico e o Medo de Herodes

O episódio da matança dos inocentes é narrado no Evangelho de São Mateus.
A Ameaça ao Poder: Herodes, o Grande, temia a perda de seu trono ao saber do nascimento do "Rei dos Judeus" pelos Magos. Seu medo e sua sede de poder o levaram a cometer um ato de infanticídio brutal, ordenando a morte de todos os meninos de dois anos para baixo em Belém e em toda a sua região [1].
O Cumprimento da Profecia: O evangelista Mateus vê neste evento o cumprimento da profecia de Jeremias: "Em Ramá se ouviu uma voz, choro e grande lamento: é Raquel que chora por seus filhos e não quer ser consolada, porque já não existem" (Mateus 2,18, citando Jeremias 31,15).


2. O Martírio Inocente e a Glória

Os Santos Inocentes são mártires por excelência, pois derramaram seu sangue por Cristo, mesmo sem terem a capacidade de professar a fé.
Mártires por Excelência: A Igreja os venera como mártires porque foram mortos por causa de Cristo (in odium fidei), mesmo que não tenham tido o uso da razão para aceitar o martírio. Eles são as "primícias" dos mártires, os primeiros a testemunhar o nascimento do Salvador com o próprio sangue [2].
Padroeiros dos Abandonados: Eles são considerados padroeiros das crianças abandonadas e de todos os que sofrem a violência e a injustiça, simbolizando a pureza e a fragilidade da vida humana.


3. Um Chamado à Defesa da Vida

A Festa dos Santos Inocentes, celebrada no coração do Natal, é um convite urgente à defesa da vida em todas as suas fases.
A Dignidade da Vida: O sacrifício dos Inocentes nos lembra que a vida humana, desde a concepção até a morte natural, é sagrada e possui uma dignidade inalienável.
O Herodes de Hoje: A Igreja nos convida a reconhecer os "Herodes" de nosso tempo, que, movidos pelo egoísmo, pelo medo ou pela ideologia, atentam contra a vida dos mais vulneráveis, especialmente as crianças não nascidas [3]. A celebração é um chamado à responsabilidade coletiva na defesa dos direitos fundamentais das crianças.


Conclusão

A Festa dos Santos Inocentes é um lembrete solene de que a vinda de Cristo ao mundo não eliminou o mal, mas o confrontou. Que o sangue destes pequenos mártires nos inspire a ser defensores incansáveis da vida e da dignidade humana, para que o Reino de amor e paz, trazido pelo Menino Jesus, possa reinar em nossos corações e em nossa sociedade.


Referências

[1]: "Massacre dos Inocentes – Wikipédia" - (Wikipédia )
[2]: "Santos Inocentes, padroeiros das crianças abandonadas" - (Canção Nova )
[3]: "Santos Inocentes: Um chamado à defesa da vida na atualidade" - (Misericórdia )
[4]: "O que foi a matança dos inocentes? É um fato histórico?" - (Opus Dei )
[5]: "Dia dos Santos Inocentes é um convite a reflexão sobre a defesa das crianças em situação de vulnerabilidade" - (RCC Brasil )

26 de dezembro de 2025

Santo Estêvão: O Primeiro Mártir e o Testemunho da Fé em Meio à Perseguição



Introdução

No dia 26 de dezembro, a Igreja celebra a Festa de Santo Estêvão, o Protomártir, ou seja, o primeiro mártir do cristianismo. A sua festa, celebrada logo após o Natal, pode parecer um contraste abrupto com a alegria do nascimento de Jesus. No entanto, esta proximidade é profundamente teológica: o sacrifício de Estêvão é o primeiro fruto da Encarnação, o primeiro a dar a vida pelo Cristo que acabara de nascer.
Este artigo explora a vida e o testemunho de Santo Estêvão, o diácono cheio do Espírito Santo, e como o seu martírio nos ensina a viver a fé com coragem e a perdoar em meio à perseguição.


1. O Diácono Cheio de Graça e Poder

A história de Estêvão é narrada nos Atos dos Apóstolos (capítulos 6 e 7). Ele foi um dos sete homens escolhidos para o serviço da caridade, a fim de que os Apóstolos pudessem se dedicar à oração e à pregação.
Homem de Bom Testemunho: Estêvão é descrito como um homem "cheio de fé e do Espírito Santo" (Atos 6,5) [1]. Sua sabedoria e o poder com que falava eram tão grandes que seus adversários não conseguiam resistir-lhe.
O Testemunho Corajoso: Diante do Sinédrio, acusado falsamente de blasfêmia, Estêvão proferiu um discurso que revisitou toda a história da salvação, culminando na denúncia da incredulidade de seus acusadores.


2. O Martírio e o Perdão

O martírio de Estêvão é um espelho da Paixão de Cristo e o ápice de seu testemunho.
Visão de Cristo: No momento de sua morte, Estêvão teve uma visão do Céu: "Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus" (Atos 7,56) [2]. Esta visão lhe deu a força para enfrentar a morte com serenidade.
O Perdão Final: Assim como Jesus na Cruz, as últimas palavras de Estêvão foram de perdão: "Senhor, não lhes leves em conta este pecado" (Atos 7,60). Este ato de caridade suprema é o maior testemunho da fé que ele pregava.


3. A Relação com o Natal

A celebração de Santo Estêvão logo após o Natal não é uma coincidência, mas uma lição teológica.
O Fruto do Natal: O martírio de Estêvão é o primeiro fruto da vinda de Cristo. O Menino que nasce em Belém é Aquele por quem Estêvão dá a vida. A alegria do Natal se completa no testemunho de quem ama a Cristo acima de tudo [3].
O Protagonista do Natal: A festa de Estêvão nos recorda que o verdadeiro protagonista do Natal é Jesus. O nascimento de Cristo nos chama a uma vida de entrega total, que pode culminar no martírio, seja ele de sangue ou o martírio branco do cotidiano.


Conclusão

Santo Estêvão, o Protomártir, nos ensina que a fé em Cristo exige coragem e que o amor se manifesta no perdão. Que ao celebrarmos o Natal, possamos nos inspirar em seu testemunho, vivendo com a mesma plenitude do Espírito Santo e a mesma prontidão para dar a vida pelo Salvador que nasceu por nós.


Referências

[1]: "Santo Estêvão, o Protomártir" - (Canção Nova )
[2]: "S. Estêvão, primeiro mártir" - (Vatican News )
[3]: "O martírio de Santo Estêvão nos recorda quem é o protagonista do Natal" - (Custódia da Terra Santa )
[4]: "A história de Estevão (o primeiro mártir cristão)" - (Bíblia On )
[5]: "Como morreu santo Estêvão e o que ele disse antes de morrer" - (AciDigital )