29 de abril de 2014

Salva Pelo Perdão

A história foi contada por ela mesma, 34 anos convertida a Jesus, católica, rosto sofrido, mas traços bonitos. Aos 15 anos começou a alugar o corpo. Na época, calcula ela, a preço de hoje cobrava 10 reais a hora. Morava na periferia. Era o seu jeito de conseguir vestidos, sapatos e outras coisas que seus pais jamais lhe poderiam dar. Aos 17 anos cobrava 15 reais, mas fazia ponto em lugares chiques da cidade. Aos 18 encontrou um gigolô e seu preço subiu para 50. Ficava com metade.
Casou-se com um outro gigolô. Separou-se em oito meses. Bonita, quis fazer faculdade para sair daquela vida. Começou a trabalhar por conta própria, O gigolô ex marido prometeu que, se a pegasse de jeito, acabaria com ela e não deixaria vestígios daquele rosto. Ela contratou um guarda-costas. Na faculdade, seu preço subiu a 100 reais a hora. Houve dias em que ganhava 500 reais. Com o dinheiro comprou carro e duas casas, casou-se no civil com o guarda-costas.
Não conseguia engravidar. O segundo casamento durou 4 anos entre altos e baixos. Por ciúmes ele bateu nela 3 ou 4 vezes. A essa altura ela terminara a faculdade e tinha conseguido o que queria. Mudou de vida. Nunca mais se prostituiu. Um dia, o primeiro ex marido apareceu com fotos para chantageá-la. Mas seus pais que ainda moravam no norte, já sabiam.
Ela resolveu não ceder à chantagem e ele a subjugou e cortou-lhe o rosto, as coxas e as costas, com o aviso de que se o denunciasse, sua irmã mais nova morreria. Um amigo a socorreu. Os pais vieram ficar com ela e resolveram não denunciar o bandido, porque sabiam do perigo e da fúria desse tipo de gente.
Ela agora trabalhava de voluntária em hospitais e acompanhando moças em situação semelhante à sua. Advogada, tinha essa possibilidade. Um dia, o gigolô apareceu morto. Suspeitaram do guarda-costas, seu ex marido, mas ele provou sua inocência; suspeitaram dela mas ela também provou sua inocência. Descobriu-se mais tarde que ele tinha inimigos por toda parte e que usara do mesmo método com outras duas mulheres.
Disse-me que eu poderia contar sua historia, sem dar nomes e endereço. É o que estou fazendo. Dos 15 aos 17 anos ela alugava o corpo por uma hora, várias vezes ao dia. Na época, achou que valeria a pena. O rosto ainda bonito da advogada, mostrava as cicatrizes que ela escondia com os cabelos.
O novo namorado, a estas alturas, o terceiro homem de sua vida, aceitou sua vida pregressa e pediu apenas um favor: que ela se desfizesse do apartamento comprado com prostituição. Que tivesse apenas os bens que ela conseguira no exercício de advocacia. Ele, por sua parte casaria com separação de bens, deixando claro que não tinha interesse nos bens dela e, sim, no bem dela.
Sua nova união prosperou. Deixou sua história registrada num longo depoimento de doze páginas, testemunhando que Jesus a libertara daquela vida, e que uma canção de Bárbara Streisand, chamada "People", foi o que iniciou nela um processo de mudança. Não é uma canção religiosa mas produziu na sua vida um profundo efeito espiritual. Uma das frases da canção assim reza: "People who like people are the luckiest people in the world, "Gente que gosta e que admite precisar de gente de gente, é a gente mais feliz desse mundo". Ela precisou e achou quem realmente precisava dela. Foi salva pelo perdão!

Fonte: http://www.padrezezinhoscj.com/wallwp/artigos_padre_zezinho/matrimonio/salva-pelo-perdao
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